segunda-feira, 26 de abril de 2010

ENTREVISTA DE YOANI SÁNCHEZ

Ferrenha opositora do regime cubano, a blogueira Yoani Sánchez concedeu uma entrevista ao jornalista francês Salim Lamranium, na qual cai em contradição diversas vezes. Especialista em assuntos relacionados à ilha, ele conseguiu colocá-la contra a parede e expor a fragilidade dos argumentos da cubana. Veja abaixo.

Yoani Sánchez é a nova personalidade da oposição cubana. Desde a criação de seu blog, Generación Y, em 2007, obteve inúmeros prêmios internacionais: o prêmio de Jornalismo Ortega y Gasset (2008), o prêmio Bitacoras.com (2008), o prêmio The Bob's (2008), o prêmio Maria Moors Cabot (2008) da prestigiada universidade norte-americana de Colúmbia. Do mesmo modo, a blogueira foi escolhida como uma das 100 personalidades mais influentes do mundo pela revista Time(2008), em companhia de George W. Bush, Hu Jintao e Dalai Lama.



Seu blog foi incluído na lista dos 25 melhores do mundo do canal CNN e da Time(2008). Em 30 de novembro de 2008, o diário espanhol El País a incluiu na lista das 100 personalidades hispano-americanas mais influentes do ano (lista na qual não apareciam nem Fidel Castro, nem Raúl Castro). A revista Foreign Policy, por sua vez, a considerou um dos 10 intelectuais mais importantes do ano, enquanto a revista mexicana Gato Pardofez o mesmo para 2008.



Esta impressionante avalanche de distinções simultâneas suscitou numerosas interrogações, ainda mais considerando que Yoani Sánchez, segundo suas próprias confissões, é uma total desconhecida em seu próprio país. Como uma pessoa desconhecida por seus vizinhos - segundo a própria blogueira - pode integrar a lista das 100 personalidades mais influentes do ano?



Um diplomata ocidental próximo desta atípica opositora do governo de Havana havia lido uma série de artigos que escrevi sobre Yoani Sánchez e que eram relativamente críticos. Ele os mostrou à blogueira cubana, que quis reunir-se comigo para esclarecer alguns pontos abordados.



O encontro com a jovem dissidente de fama controvertida não ocorreu em algum apartamento escuro, com as janelas fechadas, ou em um lugar isolado e recluso para escapar aos ouvidos indiscretos da "polícia política". Ao contrário, aconteceu no saguão do Hotel Plaza, no centro de Havana Velha, em uma tarde inundada de sol. O local estava bem movimentado, com numerosos turistas estrangeiros que perambulavam pelo imenso salão do edifício majestoso que abriu suas portas no início do século XX.



Yoani Sánchez vive perto das embaixadas ocidentais. De fato, uma simples chamada de meu contato ao meio-dia permitiu que combinássemos o encontro para três horas depois. Às 15h, a blogueira apareceu sorridente, vestida com uma saia longa e uma camiseta azul. Também usava uma jaqueta esportiva, para amenizar o relativo frescor do inverno havanês.



Foram cerca de duas horas de conversa ao redor de uma mesa do bar do hotel, com a presença de seu marido, Reinaldo Escobar, que a acompanhou durante uns vinte minutos antes de sair para outro encontro. Yoani Sánchez mostrou-se extremamente cordial e afável e exibiu grande tranquilidade. Seu tom de voz era seguro e em nenhum momento ela pareceu incomodada. Acostumada aos meios ocidentais, domina relativamente bem a arte da comunicação.



Esta blogueira, personagem de aparência frágil, inteligente e sagaz, tem consciência de que, embora lhe seja difícil admitir, sua midiatização no Ocidente não é uma causalidade, mas se deve ao fato de ela preconizar a instauração de um "capitalismo sui generis" em Cuba.



O incidente de 6 de novembro de 2009



Salim Lamrani - Comecemos pelo incidente ocorrido em 6 de novembro de 2009 em Havana. Em seu blog, a senhora explicou que foi presa com três amigos por "três robustos desconhecidos" durante uma "tarde carregada de pancadas, gritos e insultos". A senhora denunciou as violências de que foi vítima por parte das forças da ordem cubanas. Confirma sua versão dos fatos?



Yoani Sánchez - Efetivamente, confirmo que sofri violência. Mantiveram-me sequestrada por 25 minutos. Levei pancadas. Consegui pegar um papel que um deles levava no bolso e o coloquei em minha boca. Um deles pôs o joelho sobre meu peito e o outro, no assento dianteiro, me batia na região dos rins e golpeava minha cabeça para que eu abrisse a boca e soltasse o papel. Por um momento, achei que nunca sairia daquele carro.



SL - O relato, em seu blog, é verdadeiramente terrorífico. Cito textualmente: a senhora falou de "golpes e empurrões", de "golpes nos nós dos dedos", de "enxurrada de golpes", do "joelho sobre o [seu] peito", dos golpes nos "rins e [...] na cabeça", do "cabelo puxado", de seu "rosto avermelhado pela pressão e o corpo dolorido", dos "golpes [que] continuavam vindo" e "todas essas marcas roxas". No entanto, quando a senhora recebeu a imprensa internacional em 9 de novembro, todas as marcas haviam desaparecido. Como explica isso?



YS - São profissionais do espancamento.



SL - Certo, mas por que a senhora não tirou fotos das marcas?



YS - Tenho as fotos. Tenho provas fotográficas.



SL - Tem provas fotográficas?



YS - Tenho as provas fotográficas.



SL - Mas por que não as publicou para desmentir todos os rumores segundo os quais a senhora havia inventado uma agressão para que a imprensa falasse de seu caso?



YS - Por enquanto prefiro guardá-las e não publicá-las. Quero apresentá-las um dia perante um tribunal, para que esses três homens sejam julgados. Lembro-me perfeitamente de seus rostos e tenho fotos de pelo menos dois deles. Quanto ao terceiro, ainda não está identificado, mas, como se tratava do chefe, será fácil de encontrar. Tenho também o papel que tirei de um deles e que tem minha saliva, pois o coloquei na boca. Neste papel estava escrito o nome de uma mulher.



SL - Certo. A senhora publica muitas fotos em seu blog. Para nós é difícil entender por que prefere não mostrar as marcas desta vez.



YS - Como já lhe disse, prefiro guardá-las para a Justiça.



SL - A senhora entende que, com essa atitude, está dando crédito aos que pensam que a agressão foi uma invenção.



YS - É minha escolha.



SL - No entanto, até mesmo os meios ocidentais que lhe são mais favoráveis tomaram precauções oratórias pouco habituais para divulgar seu relato. O correspondente da BBC em Havana, Fernando Ravsberg, por exemplo, escreve que a senhora "não tem hematomas, marcas ou cicatrizes". A agência France Presseconta a história esclarecendo com muito cuidado que se trata de sua versão, sob o título "Cuba: a blogueira Yoani Sánchez diz ter sido agredida e detida brevemente". O jornalista afirma, por outro lado, que a senhora "não ficou ferida".



YS - Não quero avaliar o trabalho deles. Não sou eu quem deve julgá-lo. São profissionais que passam por situações muito complicadas, que não posso avaliar. O certo é que a existência ou não de marcas físicas não é a prova do fato.



SL - Mas a presença de marcas demonstraria que foram cometidas violências. Daí a importância da publicação das fotos.



YS - O senhor deve entender que tratamos de profissionais da intimidação. O fato de três desconhecidos terem me levado até um carro sem me apresentar nenhum documento me dá o direito de me queixar como se tivessem fraturado todos os ossos do corpo. As fotos não são importantes porque a ilegalidade está consumada. A precisão de que "me doeu aqui ou me doeu ali" é minha dor interior.



SL - Sim, mas o problema é que a senhora apresentou isso como uma agressão muito violenta. A senhora falou de "sequestro no pior estilo da Camorra siciliana".



YS - Sim, é verdade, mas sei que é minha palavra contra a deles. Entrar nesse tipo de detalhes, para saber se tenho marcas ou não, nos afasta do tema verdadeiro, que é o fato de terem me sequestrado durante 25 minutos de maneira ilegal.



SL - Perdoe-me a insistência, mas creio que é importante. Há uma diferença entre um controle de identidade que dura 25 minutos e violências policiais. Minha pergunta é simples. A senhora disse, textualmente: "Durante todo o fim de semana fiquei com a maçã do rosto e o supercílio inflamados." Como tem as fotos, pode agora mostrar as marcas.



YS - Já lhe disse que prefiro guardá-las para o tribunal.



SL - A senhora entende que, para algumas pessoas, será difícil acreditar em sua versão se a senhora não publicar as fotos.



YS - Penso que, entrando nesse tipo de detalhes, perde-se a essência. A essência é que três bloggers acompanhados por uma amiga dirigiam-se a um ponto da cidade que era a Rua 23, esquina G. Tínhamos ouvido falar que um grupo de jovens convocara uma passeata contra a violência. Pessoas alternativas, cantores de hip hop, de rap, artistas. Eu compareceria como blogueira para tirar fotos e publicá-las em meu blog e fazer entrevistas. No caminho, fomos interceptados por um carro da marca Geely.



SL - Para impedi-los de participar do evento?



YS - A razão, evidentemente, era esta. Eles nunca me disseram formalmente, mas era o objetivo. Disseram-me que entrasse no carro. Perguntei quem eles eram. Um deles me pegou pelo pulso e comecei a ir para trás. Isso aconteceu em uma zona bastante central de Havana, em um ponto de ônibus.



SL - Então havia outras pessoas. Havia testemunhas.



YS - Há testemunhas, mas não querem falar. Têm medo.



SL - Nem mesmo de modo anônimo? Por que a imprensa ocidental não as entrevistou preservando seu anonimato, como faz muitas vezes quando publica reportagens críticas sobre Cuba?



YS - Não posso lhe explicar a reação da imprensa. Posso lhe contar o que aconteceu. Um deles era um homem de uns cinquenta anos, musculoso como se tivesse praticado luta livre em algum momento da vida. Digo-lhe isso porque meu pai praticou esse esporte e tem as mesmas características. Tenho os pulsos muito finos e consegui escapar, e lhe perguntei quem era. Havia três homens além do motorista.



SL - Então havia quatro homens no total, e não três.



YS - Sim, mas não vi o rosto do motorista. Disseram-me: "Yoani, entre no carro, você sabe quem somos." Respondi: "Não sei quem são os senhores." O mais baixo me disse: "Escute-me, voce sabe quem sou, você me conhece." Retruquei: "Não, não sei quem é você. Não o conheço. Quem é você? Mostre-me suas credenciais ou algum documento." O outro me disse: "Entre, não torne as coisas mais difíceis." Então comecei a gritar: "Socorro! Sequestradores!"



SL - A senhora sabia que se tratava de policiais à paisana?



YS - Imaginava, mas eles não me mostraram seus documentos.



SL - Qual era seu objetivo, então?



YS - Queria que as coisas fossem feitas dentro da legalidade, ou seja, que me mostrassem seus documentos e me levassem depois, embora eu suspeitasse que eles representavam a autoridade. Ninguém pode obrigar um cidadão a entrar em um carro particular sem apresentar suas credenciais. Isso é uma ilegalidade e um sequestro.



SL - Como as pessoas no ponto de ônibus reagiram?



YS - As pessoas no ponto ficaram atônitas, pois "sequestro" não é uma palavra que se usa em Cuba, não existe esse fenômeno. Então se perguntaram o que estava acontecendo. Não tínhamos jeito de delinquentes. Alguns se aproximaram, mas um dos policiais lhes gritou: "Não se metam, que são contrarrevolucionários!"



Esta foi a confirmação de que se tratava de membros da polícia política, embora eu já imaginasse por causa do carro Geely, que é chinês, de fabricação atual, e não é vendido em nenhuma loja em Cuba. Esses carros pertencem exclusivamente a membros do Ministério das Forças Armadas e do Ministério do Interior.



SL - Então a senhora sabia desde o início, pelo carro, que se tratava de policiais à paisana.



YS - Intuía. Por outro lado, tive a confirmação quando um deles chamou um policial uniformizado. Uma patrulha formada por um homem e uma mulher chegou e levou dois de nós. Deixou-nos nas mãos desses dois desconhecidos.



SL - Mas a senhora já não tinha a menor dúvida sobre quem eles eram.



YS - Não, mas não nos mostraram nenhum documento. Os policiais não nos disseram que representavam a autoridade. Não nos disseram nada.



SL - É difícil entender o interesse das autoridades cubanas em agredi-la fisicamente, sob o risco de provocar um escândalo internacional. A senhora é famosa. Por que teriam feito isso?



YS - Seu objetivo era radicalizar-me, para que eu escrevesse textos violentos contra eles. Mas não conseguirão.



SL - Não se pode dizer que a senhora é branda com o governo cubano.



YS -Nunca recorro à violência verbal nem a ataques pessoais. Nunca uso adjetivos incendiários, como "sangrenta repressão", por exemplo. Seu objetivo, então, era radicalizar-me.



SL - No entanto, a senhora é muito dura em relação ao governo de Havana. Em seu blog, a senhora diz: "o barco que faz água a ponto de naufragar". A senhora fala dos "gritos do déspota", de "seres das sombras, que, como vampiros, se alimentam de nossa alegria humana, nos incutem o medo por meio da agressão, da ameaça, da chantagem", e afirma que "naufragaram o processo, o sistema, as expectativas, as ilusões. [É um] naufráfio [total]". São palavras muito fortes.



YS - Talvez, mas o objetivo deles era queimar o fenômeno Yoani Sánchez, demonizar-me. Por isso meu blog permaneceu bloqueado por um bom tempo.



SL - Contudo, é surpreendente que as autoridades cubanas tenham decidido atacá-la fisicamente.



YS - Foi uma torpeza. Não entendo por que me impediram de assistir à passeata, pois não penso como aqueles que reprimem. Não tenho explicação. Talvez eles não quisessem que eu me reunisse com os jovens. Os policiais acreditavam que eu iria provocar um escândalo ou fazer um discurso incendiário.



Voltando ao assunto da detenção, os policiais levaram meus amigos de maneira enérgica e firme, mas sem violência. No momento em que me dei conta de que iriam nos deixar sozinhos com Orlando, com esses três tipos, agarrei-me a uma planta que havia na rua e Claudia agarrou-se a mim pela cintura para impedir a separação, antes de os policiais a levarem.



SL - Para que resistir às forças da ordem uniformizadas e correr o risco de ser acusada disso e cometer um delito? Na França, se resistimos à polícia, corremos o risco de sofrer sanções.



YS - De qualquer modo, eles nos levaram. A policial levou Claudia. As três pessoas nos levaram até o carro e comecei a gritar de novo: "Socorro! Um sequestro!"



SL - Por quê? A senhora sabia que se tratava de policiais à paisana.



YS - Não me mostraram nenhum papel. Então começaram a me bater e me empurraram em direção ao carro. Claudia foi testemunha e relatou isso.



SL - A senhora não acaba de me dizer que a patrulha a havia levado?



YS - Ela viu a cena de longe, enquanto o carro de polícia se afastava. Defendi-me e golpeei como um animal que sente que sua hora chegou. Deram uma volta rápida e tentaram tirar-me o papel da boca.



Agarrei um deles pelos testículos e ele redobrou a violência. Levaram-nos a um bairro bem periférico, La Timba, que fica perto da Praça da Revolução. O homem desceu, abriu a porta e pediu que saíssemos. Eu não quis descer. Eles nos fizeram sair à força com Orlando e foram embora.



Uma senhora chegou e dissemos que havíamos sido sequestrados. Ela nos achou malucos e se foi. O carro voltou, mas não parou. Eles só me jogaram minha bolsa, onde estavam meu celular e minha câmera.



SL - Voltaram para devolver seu celular e sua câmera?



YS - Sim.



SL - Não lhe parece estranho que se preocupassem em voltar? Poderiam ter confiscado seu celular e sua câmera, que são suas ferramentas de trabalho.



YS - Bem, não sei. Tudo durou 25 minutos.



SL - Mas a senhora entende que, enquanto não publicar as fotos, as pessoas duvidarão de sua versão, e isso lançará uma sombra sobre a credibilidade de tudo o que a senhora diz.



YS - Não importa.





A Suíça e o retorno a Cuba



SL - Em 2002, a senhora decidiu emigrar para a Suíça. Dois anos depois, voltou a Cuba. É difícil entender por que a senhora deixou o "paraíso europeu" para regressar ao país que descreve como um inferno. A pergunta é simples: por quê?



YS - É uma ótima pergunta. Primeiro, gosto de nadar contra a corrente. Gosto de organizar minha vida à minha maneira. O absurdo não é ir embora e voltar a Cuba, e sim as leis migratórias cubanas, que estipulam que toda pessoa que passa onze meses no exterior perde seu status de residente permanente.



Em outras condições eu poderia permanecer dois anos no exterior e, com o dinheiro ganho, voltar a Cuba para reformar a casa e fazer outras coisas. Então o surpreendente não é o fato de eu decidir voltar a Cuba, e sim as leis migratórias cubanas.



SL - O mais surpreendente é que, tendo a possibilidade de viver em um dos países mais ricos do mundo, a senhora tenha decidido voltar a seu país, que descreve de modo apocalíptico, apenas dois anos depois de sua saída.



YS - As razões são várias. Primeiro, não pude ir embora com minha família. Somos uma pequena família, mas minha irmã, meus pais e eu somos muito unidos. Meu pai ficou doente em minha ausência e tive medo de que ele morresse sem que eu pudesse vê-lo. Também me sentia culpada por viver melhor do que eles. A cada vez que comprava um par de sapatos, que me conectava à internet, pensava neles. Sentia-me culpada.



SL - Certo, mas, da Suíça, a senhora podia ajudá-los enviando dinheiro.



YS - É verdade, mas há outro motivo. Pensei que, com o que havia aprendido na Suíça, poderia mudar as coisas voltando a Cuba. Há também a saudade das pessoas, dos amigos. Não foi uma decisão pensada, mas não me arrependo.



Tinha vontade de voltar e voltei. É verdade que isso pode parecer pouco comum, mas gosto de fazer coisas incomuns. Criei um blog e as pessoas me perguntaram por que eu fiz isso, mas o blog me satisfaz profissionalmente.



SL - Entendo. No entanto, apesar de todas essas razões, é difícil entender o motivo de seu regresso a Cuba quando no Ocidente se acredita que todos os cubanos querem abandonar o país. É ainda mais surpreendente em seu caso, pois a senhora apresenta seu país, repito, de modo apocalíptico.



YS - Como filóloga, eu discutiria a palavra, pois "apocalíptico" é um termo grandiloquente. Há um aspecto que caracteriza meu blog: a moderação verbal.



SL - Não é sempre assim. A senhora, por exemplo, descreve Cuba como "uma imensa prisão, com muros ideológicos". Os termos são bastantes fortes.



YS - Nunca escrevi isso.



SL - São as palavras de uma entrevista concedida ao canal francês France 24 em 22 de outubro de 2009.



YS - O senhor leu isso em francês ou em espanhol?



SL - Em francês.



YS - Desconfie das traduções, pois eu nunca disse isso. Com frequência me atribuem coisas que eu não disse. Por exemplo, o jornal espanhol ABC me atribuiu palavras que eu nunca havia pronunciado, e protestei. O artigo foi finalmente retirado do site na internet.



SL - Quais eram essas palavras?



YS - "Nos hospitais cubanos, morre mais gente de fome do que de enfermidades." Era uma mentira total. Eu jamais havia dito isso.



SL - Então a imprensa ocidental manipulou o que a senhora disse?



YS - Eu não diria isso.



SL - Se lhe atribuem palavras que a senhora não pronunciou, trata-se de manipulação.



YS - O Granma manipula a realidade mais do que a imprensa ocidental ao afirmar que sou uma criação do grupo midiático Prisa.



SL - Justamente, a senhora não tem a impressão de que a imprensa ocidental a usa porque a senhora preconiza um "capitalismo sui generis" em Cuba?



YS - Não sou responsável pelo que a imprensa faz. Meu blog é uma terapia pessoal, um exorcismo. Tenho a impressão de que sou mais manipulada em meu próprio país do que em outra parte. O senhor sabe que existe uma lei em Cuba, a lei 88, chamada lei da "mordaça", que põe na cadeia as pessoas que fazem o que estamos fazendo.



SL - O que isso quer dizer?



YS - Que nossa conversa pode ser considerada um delito, que pode ser punido com uma pena de até 15 anos de prisão.



SL - Perdoe-me, o fato de eu entrevistá-la pode levá-la para a cadeia?



YS - É claro!



SL - Não tenho a impressão de que isso a preocupe muito, pois a senhora está me concedendo uma entrevista em plena tarde, no saguão de um hotel no centro de Havana Velha.



YS - Não estou preocupada. Esta lei estipula que toda pessoa que denuncie as violações dos direitos humanos em Cuba colabora com as sanções econômicas, pois Washington justifica a imposição das sanções contra Cuba pela violação dos direitos humanos.



SL - Se não me engano, a lei 88 foi aprovada em 1996 para responder à Lei-Helms Burton e sanciona sobretudo as pessoas que colaboram com a aplicação desta legislação em Cuba, por exemplo fornecendo informações a Washington sobre os investidores estrangeiros no país, para que estes sejam perseguidos pelos tribunais norte-americanos. Que eu saiba, ninguém até agora foi condenado por isso.



Falemos de liberdade de expressão. A senhora goza de certa liberdade de tom em seu blog. Está sendo entrevistada em plena tarde em um hotel. Não vê uma contradição entre o fato de afirmar que não há nenhuma liberdade de expressão em Cuba e a realidade de seus escritos e suas atividades, que provam o contrário?



YS - Sim, mas o blog não pode ser acessado desde Cuba, porque está bloqueado.



SL - Posso lhe assegurar que o consultei esta manhã antes da entrevista, no hotel.



YS - É possível, mas ele permanece bloqueado a maior parte do tempo. De todo modo, hoje em dia, mesmo sendo uma pessoa moderada, não posso ter nenhum espaço na imprensa cubana, nem no rádio, nem na televisão.



SL - Mas pode publicar o que tem vontade em seu blog.



YS - Mas não posso publicar uma única palavra na imprensa cubana.



SL - Na França, que é uma democracia, amplos setores da população não têm nenhum espaço nos meios, já que a maioria pertence a grupos econômicos e financeiros privados.



YS - Sim, mas é diferente.



SL - A senhora recebeu ameaças por suas atividades? Alguma vez a ameaçaram com uma pena de prisão pelo que escreve?



YS - Ameaças diretas de pena de prisão, não, mas não me deixam viajar ao exterior. Fui convidada há pouco para um Congresso sobre a língua espanhola no Chile, fiz todos os trâmites, mas não me deixam sair.



SL - Deram-lhe alguma explicação?



YS - Nenhuma, mas quero dizer uma coisa. Para mim, as sanções dos Estados Unidos contra Cuba são uma atrocidade. Trata-se de uma política que fracassou. Afirmei isso muitas vezes, mas não se publica, pois é incômodo o fato de eu ter esta opinião que rompe com o arquétipo do opositor.





As sanções econômicas



SL - Então a senhora se opõe às sanções econômicas.



YS - Absolutamente, e digo isso em todas as entrevistas. Há algumas semanas, enviei uma carta ao Senado dos Estados Unidos pedindo que os cidadãos norte-americanos tivessem permissão para viajar a Cuba. É uma atrocidade impedir que os cidadãos norte-americanos viajem a Cuba, do mesmo modo que o governo cubano me impede de sair de meu país.



SL - O que acha das esperanças suscitadas pela eleição de Obama, que prometeu uma mudança na política para Cuba, mas decepcionou muita gente?



YS - Ele chegou ao poder sem o apoio do lobby fundamentalista de Miami, que defendeu o outro candidato. De minha parte, já me pronunciei contra as sanções.



SL - Este lobby fundamentalista é contra a suspensão das sanções econômicas.



YS - O senhor pode discutir com eles e lhes expor meus argumentos, mas eu não diria que são inimigos da pátria. Não penso assim.



SL - Uma parte deles participou da invasão de seu próprio país em 1961, sob as ordens da CIA. Vários estão envolvidos em atos de terrorismo contra Cuba.



YS - Os cubanos no exílio têm o direito de pensar e decidir. Sou a favor de que eles tenham direito ao voto. Aqui, estigmatizou-se muito o exílio cubano.



SL - O exílio "histórico" ou os que emigraram depois, por razões econômicas?



YS - Na verdade, oponho-me a todos os extremos. Mas essas pessoas que defendem as sanções econômicas não são anticubanas. Considere que elas defendem Cuba segundo seus próprios critérios.



SL - Talvez, mas as sanções econômicas afetam os setores mais vulneráveis da população cubana, e não os dirigentes. Por isso é difícil ser a favor das sanções e, ao mesmo tempo, querer defender o bem-estar dos cubanos.



YS - É a opinião deles. É assim.



SL - Eles não são ingênuos. Sabem que os cubanos sofrem com as sanções.



YS - São simplesmente diferentes. Acreditam que poderão mudar o regime impondo sanções. Em todo caso, creio que o bloqueio tem sido o argumento perfeito para o governo cubano manter a intolerância, o controle e a repressão interna.



SL - As sanções econômicas têm efeitos. Ou a senhora acha que são apenas uma desculpa para Havana?



YS - São uma desculpa que leva à repressão.



SL - Afetam o país de um ponto de vista econômico, para a senhora? Ou é apenas um efeito marginal?



YS - O verdadeiro problema é a falta de produtividade em Cuba. Se amanhã suspendessem as sanções, duvido muito que víssemos os efeitos.



SL - Neste caso, por que os Estados Unidos não suspendem as sanções, tirando assim a desculpa do governo? Assim perceberíamos que as dificuldades econômicas devem-se apenas às políticas internas. Se Washington insiste tanto nas sanções apesar de seu caráter anacrônico, apesar da oposição da imensa maioria da comunidade internacional, 187 países em 2009, apesar da oposição de uma maioria da opinião pública dos Estados Unidos, apesar da oposição do mundo dos negócios, deve ser por algum motivo, não?



YS - Simplesmente porque Obama não é o ditador dos Estados Unidos e não pode eliminar as sanções.



SL - Ele não pode eliminá-las totalmente porque não há um acordo no Congresso, mas pode aliviá-las consideravelmente, o que não fez até agora, já que, salvo a eliminação das sanções impostas por Bush em 2004, quase nada mudou.



YS - Não, não é verdade, pois ele também permitiu que as empresas de telecomunicações norte-americanas fizessem transações com Cuba.





Os prêmios internacionais, o blog e Barack Obama



SL - A senhora terá de admitir que é bem pouco, quando se sabe que Obama prometeu um novo enfoque para Cuba. Voltemos a seu caso pessoal. Como explica esta avalanche de prêmios, assim como seu sucesso internacional?



YS - Não tenho muito a dizer, a não ser expressar minha gratidão. Todo prêmio implica uma dose de subjetividade por parte do jurado. Todo prêmio é discutível. Por exemplo, muitos escritores latino-americanos mereciam o Prêmio Nobel de Literatura mais que Gabriel García Márquez.



SL - A senhora afirma isso porque acredita que ele não tem tanto talento ou por sua posição favorável à Revolução cubana? A senhora não nega seu talento de escritor, ou nega?



YS - É minha opinião, mas não direi que ele obteve o prêmio por esse motivo nem vou acusá-lo de ser um agente do governo sueco.



SL - Ele obteve o prêmio por sua obra literária, enquanto a senhora foi recompensada por suas posições políticas contra o governo. É a impressão que temos.



YS - Falemos do prêmio Ortega y Gasset, do jornal El País, que suscita mais polêmica. Venci na categoria "Internet". Alguns dizem que outros jornalistas não conseguiram, mas sou uma blogueira e sou pioneira neste campo. Considero-me uma personagem da internet. O júri do prêmio Ortega y Gasset é formado por personalidades extremamente prestigiadas e eu não diria que elas se prestaram a uma conspiração contra Cuba.



SL - A senhora não pode negar que o jornal espanhol El Paístem uma linha editorial totalmente hostil a Cuba. E alguns acham que o prêmio, de 15.000 euros, foi uma forma de recompensar seus escritos contra o governo.



YS - As pessoas pensam o que querem. Acredito que meu trabalho foi recompensado. Meu blog tem 10 milhões de visitas por mês. É um furacão.



SL - Como a senhora faz para pagar os gastos com a administração de semelhante tráfego?



YS - Um amigo na Alemanha se encarregava disso, pois o site estava hospedado na Alemanha. Há mais de um ano está hospedado na Espanha, e consegui 18 meses gratuitos graças ao prêmio The Bob's.



SL - E a tradução para 18 línguas?



YS - São amigos e admiradores que o fazem voluntária e gratuitamente.



SL - Muitas pessoas acham difícil acreditar nisso, pois nenhum outro site do mundo, nem mesmo os das mais importantes instituições internacionais, como as Nações Unidas, o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional, a OCDE, a União Europeia, dispõe de tantas versões de idioma. Nem o site do Departamento de Estado dos EUA, nem o da CIA contam com semelhante variedade.



YS - Digo-lhe a verdade.



SL - O presidente Obama inclusive respondeu a uma entrevista que a senhora fez. Como explica isso?



YS - Em primeiro lugar, quero dizer que não eram perguntas complacentes.



SL - Tampouco podemos afirmar que a senhora foi crítica, já que não pediu que ele suspendesse as sanções econômicas, sobre as quais a senhora diz que "são usadas como justificativa tanto para o descalabro produtivo quanto para reprimir os que pensam diferente". É exatamente o que diz Washington sobre o tema.



O momento de maior atrevimento foi quando a senhora perguntou se ele pensava em invadir Cuba. Como a senhora explica que o presidente Obama tenha dedicado tempo a lhe responder apesar de sua agenda extremamente carregada, com uma crise econômica sem precedentes, a reforma do sistema de saúde, o Iraque, o Afeganistão, as bases militares na Colômbia, o golpe de Estado em Honduras e centenas de pedidos de entrevista dos mais importantes meios do mundo à espera?



YS - Tenho sorte. Quero lhe dizer que também enviei perguntas ao presidente Raúl Castro e ele não me respondeu. Não perco a esperança. Além disso, ele agora tem a vantagem de contar com as respostas de Obama.



SL - Como a senhora chegou até Obama?



YS - Transmiti as perguntas a várias pessoas que vinham me visitar e poderiam ter um contato com ele.



SL - Em sua opinião, Obama respondeu porque a senhora é uma blogueira cubana ou porque se opõe ao governo?



YS - Não creio. Obama respondeu porque fala com os cidadãos.



SL - Ele recebe milhões de solicitações a cada dia. Por que lhe respondeu, se a senhora é uma simples blogueira?



YS - Obama é próximo de minha geração, de meu modo de pensar.



SL - Mas por que a senhora? Existem milhões de blogueiros no mundo. Não acha que foi usada na guerra midiática de Washington contra Havana?



YS - Em minha opinião, ele talvez quisesse responder a alguns pontos, como a invasão de Cuba. Talvez eu tenha lhe dado a oportunidade de se manifestar sobre um tema que ele queria abordar havia muito tempo. A propaganda política nos fala constantemente de uma possível invasão de Cuba.



SL - Mas ocorreu uma, não?



YS - Quando?



SL - Em 1961. E, em 2003, Roger Noriega, subsecretário de Estado para Assuntos Interamericanos, disse que qualquer onda migratória cubana em direção aos Estados Unidos seria considerada uma ameaça à segurança nacional e exigiria uma resposta militar.



YS - É outro assunto. Voltando ao tema da entrevista, creio que ela permitiu esclarecer alguns pontos. Tenho a impressão de que há uma intenção de ambos os lados de não normalizar as relações, de não se entender. Perguntei-lhe quando encontraríamos uma solução.



SL - A seu ver, quem é responsável por este conflito entre os dois países?



YS - É difícil apontar um culpado.



SL - Neste caso específico, são os Estados Unidos que impõem sanções unilaterais a Cuba, e não o contrário.



YS - Sim, mas Cuba confiscou propriedades dos Estados Unidos.



SL - Tenho a impressão de que a senhora faz o papel de advogada de Washington.



YS - Os confiscos ocorreram.



SL - É verdade, mas foram realizados conforme o direito internacional. Cuba também confiscou propriedades da França, Espanha, Itália, Bélgica, Reino Unido, e indenizou estas nações. O único país que recusou as indenizações foram os Estados Unidos.



YS - Cuba também permitiu a instalação de bases militares em seu território e de mísseis de um império distante...



SL - ...Como os Estados Unidos instalaram bases nucleares contra a URSS na Itália e na Turquia.



YS - Os mísseis nucleares podiam alcançar os Estados Unidos.



SL - Assim como os mísseis nucleares norte-americanos podiam alcançar Cuba ou a URSS.



YS - É verdade, mas creio que houve uma escalada no confronto por parte de ambos os países.





Os cinco presos políticos cubanos e a dissidência



SL - Abordemos outro tema. Fala-se muito dos cinco presos políticos cubanos nos Estados Unidos, condenados à prisão perpétua por infiltrar grupelhos de extrema direita na Flórida envolvidos no terrorismo contra Cuba.



YS - Não é um tema que interesse à população. É propaganda política.



SL - Mas qual é seu ponto de vista a respeito?



YS - Tentarei ser o mais neutra possível. São agentes do Ministério do Interior que se infiltraram nos Estados Unidos para coletar informações. O governo de Cuba disse que eles não desempenhavam atividades de espionagem, mas sim que haviam infiltrado grupos cubanos para evitar atos terroristas. Mas o governo cubano sempre afirmou que esses grupos estavam ligados a Washington.



SL - Então os grupos radicais de exilados têm laços com o governo dos Estados Unidos.



YS - É o que diz a propaganda política.



SL - Então não é verdade.



YS - Se é verdade, significa que os cinco realizavam atividades de espionagem.



SL - Neste caso, os Estados Unidos têm de reconhecer que os grupos violentos fazem parte do governo.



YS - É verdade.



SL - A senhora acha que os Cinco devem ser libertados ou merecem a punição?



YS - Creio que valeria a pena revisar os casos, mas em um contexto político mais apaziguado. Não acho que o uso político deste caso seja bom para eles. O governo cubano midiatiza demais este assunto.



SL - Talvez por ser um assunto totalmente censurado pela imprensa ocidental.



YS - Creio que seria bom salvar essas pessoas, que são seres humanos, têm uma família, filhos. Por outro lado, contudo, também há vítimas.



SL - Mas os cinco não cometeram crimes.



YS - Não, mas forneceram informações que causaram a morte de várias pessoas.



SL - A senhora se refere aos acontecimentos de 24 de fevereiro de 1996, quando dois aviões da organização radical Brothers to the Rescue foram derrubados depois de violar várias vezes o espaço aéreo cubano e lançar convocações à rebelião.



YS - Sim.



SL - No entanto, o promotor reconheceu que era impossível provar a culpa de Gerardo Hernández neste caso.



YS - É verdade. Penso que, quando a política se intromete em assuntos de justiça, chegamos a isso.

SL - A senhora acha que se trata de um caso político?

YS - Para o governo cubano, é um caso político.



SL - E para os Estados Unidos?



YS - Penso que existe uma separação dos poderes no país, mas é possível que o ambiente político tenha influenciado os juízes e jurados. Não creio, no entanto, que se trate de um caso político dirigido por Washigton. É difícil ter uma imagem clara deste caso, pois jamais obtivemos uma informação completa a respeito. Mas a prioridade para os cubanos é a libertação dos presos políticos.





O financiamiento dos dissidentes cubanos pelos Estados Unidos



SL - Wayne S. Smith, último embaixador dos Estados Unidos em Cuba, declarou que era "ilegal e imprudente enviar dinheiro aos dissidentes cubanos". Acrescentou que "ninguém deveria dar dinheiro aos dissidentes, muito menos com o objetivo de derrubar o governo cubano".



Ele explica: "Quando os Estados Unidos declaram que seu objetivo é derrubar o governo cubano e depois afirmam que um dos meios para conseguir isso é oferecer fundos aos dissidentes cubanos, estes se encontram de fato na posição de agentes pagos por uma potência estrangeira para derrubar seu próprio governo".



YS - Creio que o financiamento da oposição pelos Estados Unidos tem sido apresentado como uma realidade, o que não é o caso. Conheço vários membros do grupo dos 75 dissidentes presos em 2003 e duvido muito dessa versão. Não tenho provas de que os 75 tenham sido presos por isso. Não acredito nas provas apresentadas nos tribunais cubanos.



SL - Não creio que seja possível ignorar esta realidade.



YS - Por quê?



SL - O próprio governo dos Estados Unidos afirma que financia a oposição interna desde 1959. Basta consultar, além dos arquivos liberados ao público, a seção 1.705 da lei Torricelli, de 1992, a seção 109 da lei Helms-Burton, de 1996, e os dois informes da Comissão de Assistência para uma Cuba Livre, de maio de 2004 e julho de 2006. Todos esses documentos revelam que o presidente dos Estados Unidos financia a oposição interna em Cuba com o objetivo de derrubar o governo de Havana.



YS: Não sei, mas...



SL - Se me permite, vou citar as leis em questão. A seção 1.705 da lei Torricelli estipula que "os Estados Unidos proporcionarão assistência às organizações não-governamentais adequadas para apoiar indivíduos e organizações que promovem uma mudança democrática não violenta em Cuba."



A seção 109 da lei Helms-Burton também é muito clara: "O presidente [dos Estados Unidos] está autorizado a proporcionar assistência e oferecer todo tipo de apoio a indivíduos e organizações não-governamentais independentes para unir os esforços a fim de construir uma democracia em Cuba".



O primeiro informe da Comissão de Assistência para uma Cuba Livre prevê a elaboração de um "sólido programa de apoio que favoreça a sociedade civil cubana". Entre as medidas previstas há um financiamento de 36 milhões de dólares para o "apoio à oposição democrática e ao fortalecimento da sociedade civil emergente".



O segundo informe da Comissão de Assistência para uma Cuba Livre prevê um orçamento de 31 milhões de dólares para financiar ainda mais a oposição interna. Além disso, está previsto para os anos seguintes um financiamento anual de pelo menos 20 milhões de dólares, com o mesmo objetivo, "até que a ditadura deixe de existir".



YS - Quem lhe disse que esse dinheiro chegou às mãos dos dissidentes?



SL - A Seção de Interesses Norte-americanos afirmou em um comunicado: "A política norte-americana, faz muito tempo, é proporcionar assistência humanitária ao povo cubano, especificamente a famílias de presos políticos. Também permitimos que as organizações privadas o façam."



YS - Bem...



SL - Inclusive a Anistia Internacional, que lembra a existência de 58 presos políticos em Cuba, reconhece que eles estão detidos "por ter recebido fundos ou materiais do governo norte-americano para realizar atividades que as autoridades consideram subversivas e prejudiciais para Cuba".



YS - Não sei se...



SL - Por outro lado, os próprios dissidentes admitem receber dinheiro dos Estados Unidos. Laura Pollán, das Damas de Branco, declarou: "Aceitamos a ajuda, o apoio, da ultradireita à esquerda, sem condições". O opositor Vladimiro Roca também confessou que a dissidência cubana é subvencionada por Washington, alegando que a ajuda financeira recebida era "total e completamente lícita". Para o dissidente René Gómez, o apoio econômico por parte dos Estados Unidos "não é algo a esconder ou de que precisemos nos envergonhar".



Inclusive a imprensa ocidental reconhece. A agência France Presse informa que "os dissidentes, por sua parte, reivindicaram e assumiram essas ajudas econômicas". A agência espanhola EFEmenciona os "opositores financiados pelos Estados Unidos". Quanto à agência de notícias britânica Reuters, "o governo norte-americano fornece abertamente um apoio financeiro federal às atividades dos dissidentes, o que Cuba considera um ato ilegal". E eu poderia multiplicar os exemplos.



YS - Tudo isso é culpa do governo cubano, que impede a prosperidade econômica de seus cidadãos, que impõe um racionamento à população. É preciso fazer fila para conseguir produtos. É necessário julgar antes o governo cubano, que levou milhares de pessoas a aceitar a ajuda estrangeira.



SL - O problema é que os dissidentes cometem um delito que a lei cubana e todos os códigos penais do mundo sancionam severamente. Ser financiado por uma potência estrangeira é um grave delito na Franca e no restante do mundo.



YS - Podemos admitir que o financiamento de uma oposição é uma prova de ingerência, mas...



SL - Mas, neste caso, as pessoas que a senhora qualifica de presos políticos não são presos políticos, pois cometeram um delito ao aceitar dinheiro dos Estados Unidos, e a justiça cubana as condenou com base nisso.



YS - Creio que este governo se intrometeu muitas vezes nos assuntos internos de outros países, financiando movimentos rebeldes e a guerrilha. Interveio em Angola e...



SL - Sim, mas se tratava de ajudar os movimentos independentistas contra o colonialismo português e o regime segregacionista da África do Sul. Quando a África do Sul invadiu a Namíbia, Cuba interveio para defender a independência deste país. Nelson Mandela agradeceu publicamente a Cuba e esta foi a razão pela qual fez sua primeira viagem a Havana, e não a Washington ou Paris.



YS - Mas muitos cubanos morreram por isso, longe de sua terra.



SL - Sim, mas foi por uma causa nobre, seja em Angola, no Congo ou na Namíbia. A batalha de Cuito Cuanavale, em 1988, permitiu que se pusesse fim ao apartheid na África do Sul. É o que diz Mandela! Não se sente orgulhosa disso?



YS - Concordo, mas, no fim das contas, incomoda-me mais a ingerência de meu país no exterior. O que faz falta é despenalizar a prosperidade.



SL - Inclusive o fato de se receber dinheiro de uma potência estrangeira?



YS - As pessoas têm de ser economicamente autônomas.





SL - Se entendo bem, a senhora preconiza a privatização de certos setores da economia.



YS - Não gosto do termo "privatizar", pois tem uma conotação pejorativa, mas colocar em mãos privadas, sim.





Conquistas sociais em Cuba?



SL - É uma questão semântica, então. Quais são, para a senhora, as conquistas sociais deste país?



YS - Cada conquista teve um custo enorme. Todas as coisas que podem parecer positivas tiveram um custo em termos de liberdade. Meu filho recebe uma educação muito doutrinária e contam-lhe uma história de Cuba que em nada corresponde à realidade. Preferiria uma educação menos ideológica para meu filho. Por outro lado, ninguém quer ser professor neste país, pois os salários são muito baixos.



SL - Concordo, mas isso não impede que Cuba seja o país com o maior número de professores por habitante do mundo, com salas de 20 alunos no máximo, o que não ocorre na França, por exemplo.



YS - Sim, mas houve um custo, e por isso a educação e a saúde não são verdadeiras conquistas para mim.



SL - Não podemos negar algo reconhecido por todas as instituições internacionais. Em relação à educação, o índice de analfabetismo é de 11,7% na América Latina e 0,2% em Cuba. O índice de escolaridade no ensino primário é de 92% na América Latina e 100% em Cuba, e no ensino secundário é de 52% e 99,7%, respectivamente. São cifras do Departamento de Educação da Unesco.



YS - Certo, mas, em 1959, embora Cuba vivesse em condições difíceis, a situação não era tão ruim. Havia uma vida intelectual florescente, um pensamento político vivo. Na verdade, a maioria das supostas conquistas atuais, apresentadas como resultados do sistema, eram inerentes a nossa idiossincrasia. Essas conquistas existiam antes.



SL - Não é verdade. Vou citar uma fonte acima de qualquer suspeita: um informe do Banco Mundial. É uma citação bastante longa, mas vale a pena.



"Cuba é internacionalmente reconhecida por seus êxitos no campo da educação e da saúde, com um serviço social que supera o da maior parte dos países em desenvolvimento e, em certos setores, comparável ao dos países desenvolvidos. Desde a Revolução cubana de 1959 e do estabelecimento de um governo comunista com partido único, o país criou um sistema de serviços sociais que garante o acesso universal à educação e à saúde, proporcionado pelo Estado. Este modelo permitiu que Cuba alcançasse uma alfabetização universal, a erradicação de certas enfermidades, o acesso geral à água potável e a salubridade pública de base, uma das taxas de mortalidade infantil mais baixas da região e uma das maiores expectativas de vida. Uma revisão dos indicadores sociais de Cuba revela uma melhora quase contínua desde 1960 até 1980. Vários índices importantes, como a expectativa de vida e a taxa de mortalidade infantil, continuaram melhorando durante a crise econômica do país nos anos 90... Atualmente, o serviço social de Cuba é um dos melhores do mundo em desenvolvimento, como documentam numerosas fontes internacionais, entre elas a Organização Mundial de Saúde, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e outras agências da ONU, e o Banco Mundial. Segundo os índices de desenvolvimento do mundo em 2002, Cuba supera amplamente a América Latina e o Caribe e outros países com renda média nos mais importantes indicadores de educação, saúde e salubridade pública."



Além disso, os números comprovam. Em 1959, a taxa de mortalidade infantil era de 60 por mil. Em 2009, era de 4,8. Trata-se da taxa mais baixa do continente americano do Terceiro Mundo; inclusive mais baixa que a dos Estados Unidos.



YS - Bom, mas...



SL - A expectativa de vida era de 58 anos antes da Revolução. Agora é de quase 80 anos, similar à de muitos países desenvolvidos. Cuba tem hoje 67.000 médicos frente aos 6.000 de 1959. Segundo o diário ingles The Guardian, Cuba tem duas vezes mais médicos que a Inglaterra para uma população quatro vezes menor.



YS - Certo, mas, em termos de liberdade de expressão, houve um recuo em relação ao governo de Batista. O regime era uma ditadura, mas havia uma liberdade de imprensa plural e aberta, programas de rádio de todas as tendências políticas.



SL - Não é verdade. A censura da imprensa também existia. Entre dezembro de 1956 e janeiro de 1959, durante a guerra contra o regime de Batista, a censura foi imposta em 630 de 759 dias. E aos opositores reservava-se um triste destino.



YS - É verdade que havia censura, intimidações e mortos ao final.



SL - Então a senhora não pode dizer que a situação era melhor com Batista, já que os opositores eram assassinados. Já não é o caso hoje. A senhora acha que a data de 1º de janeiro é uma tragédia para a história de Cuba?



YS - Não, de modo algum. Foi um processo que motivou muita esperança, mas traiu a maioria dos cubanos. Fui um momento luminosos para boa parte da população, mas puseram fim a uma ditadura e instauraram outra. Mas não sou tão negativa como alguns.





Luis Posada Carriles, a lei de Ajuste Cubano e a emigração



SL - O que acha de Luis Posada Carriles, ex-agente da CIA responsável por numerosos crimes em Cuba e a quem os Estados Unidos recusam-se a julgar?



YS - É um tema político que não interessa às pessoas. É uma cortina de fumaça.



SL - Interessa, pelo menos, aos parentes das vítimas. Qual é seu ponto de vista a respeito?



YS - Não gosto de ações violentas.



SL - Condena seus atos terroristas?



YS - Condeno todo ato de terrorismo, inclusive os cometidos atualmente no Iraque por uma suposta resistência iraquiana que mata os iraquianos.

SL - Quem mata os iraquianos? Os ataques da resistência ou os bombardeios dos Estados Unidos?



YS - Não sei.



SL - Uma palavra sobre a lei de Ajuste Cubano, que determina que todo cubano que emigra legal o ilegalmente para os Estados Unidos obtém automaticamente o status de residente permanente.



YS - É uma vantagem que os demais países não têm. Mas o fato de os cubanos emigrarem para os Estados Unidos deve-se à situação difícil aqui.



SL - Além disso, os Estados Unidos são o país mais rico do mundo. Muitos europeus também emigram para lá. A senhora reconhece que a lei de Ajuste Cubano é uma formidável ferramenta de incitação à emigração legal e ilegal?



YS - É, efetivamente, um fator de incitação.



SL - A senhora não vê isso como uma ferramenta para desestabilizar a sociedade e o governo?



YS - Neste caso, também podemos dizer que a concessão da cidadania espanhola aos descendentes de espanhóis nascidos em Cuba é um fator de desestabilização.



SL - Não tem nada a ver, pois existem razões históricas e, além disso, a Espanha aplica esta lei a todos os países da América Latina e não só a Cuba, enquanto a lei de Ajuste Cubano é única no mundo.



YS - Mas existem fortes relações. Joga-se beisebol em Cuba como nos Estados Unidos.



SL - Na República Dominicana também, mas não existe uma lei de ajuste dominicano.



YS - Existe, no entanto, uma tradição de aproximação.



SL - Então por que esta lei não foi aprovada antes da Revolução?



YS - Por que os cubanos não queriam deixar seu país. Na época, Cuba era um país de imigração, não de emigração.



SL - É absolutamente falso, já que, nos anos 50, Cuba ocupava o segundo lugar entre os países americanos em termos de emigração rumo aos Estados Unidos, imediatamente atrás do México. Cuba mandava mais emigrantes para os Estados Unidos que toda a América Central e toda a América do Sul juntas, enquanto que atualmente Cuba só ocupa o décimo lugar apesar da lei de Ajuste Cubano e das sanções econômicas.



YS - Talvez, mas não havia essa obsessão de abandonar o país.



SL - As cifras demonstram o contrário. Atualmente, repito, Cuba só ocupa o décimo lugar no continente americano em termos de fluxo migratório para os Estados Unidos. Então a obsessão da qual você me fala é mais forte en nove países do continente pelo menos.



YS - Sim, mas naquela época os cubanos iam e regressavam.





Fonte: Rebelión, reproduzido por Opera Mundi

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Nova programação: XVIII CONVENÇÃO DE SOLIDARIEDADE A CUBA

PROGRAMAÇÃO DA XVIII CONVENÇÃO DE SOLIDARIEDADE A CUBA

DE 04 a 06 JUNHO DE 2010 – PORTO ALEGRE - RIO GRANDE DO SUL



DIA 04/6

9h – Abertura do Credenciamento

9h – Atividade Cultural

9.30h – Conferência “O bloqueio e as conseqüências no desenvolvimento de a Nação Cubana”;

Conferencista: Embaixador Carlos Zamora Rodriguez

10.30h - 1º Painel: A campanha mediática internacional contra Cuba e sua expressão no Brasil .

Painelistas: Professora Christa Berguer – UNISINOS

Beto Almeida – TELESUR

Jornalista Pedro Guaresqui

Mediadora: Professora Ruth Ignácio – PUC - RS

Relatoria: Miriam Gontijo – ACJM/MG

11.30h – Debate com a Plenária

12.30h – Considerações finais dos Painelistas

13.00 – Almoço



14h – Atividade Cultural

15h - 2º Painel: “5 Heróis: Quando o autoritarismo supera os Direitos Humanos”

Painelistas: Fernando Moraes (escritor)

Familiar dos 5

Professor Enrique Padrós – UFRGS

Mediador: Max Altmann

Relatoria: Gino (ACJM Aré)

16h– Debate com a Plenária

17h – Considerações Finais dos Painelistas

19h – Abertura da XVIII Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba

Atividade Cultural : Show com Vicente Feliú e convidados

Trovas da Pátria Grande





DIA 05/6

9h – Atividade Cultural

9h30min - 3º Painel: “ICAP: 50 anos de Luta, Solidariedade e Integração com os Povos”

Painelistas: Kenia Serrano Puig – ICAP

Zuleide Faria de Melo - ACJM /RJ

Dorita – NESCUBA – UnB

Mediador: ACJM Santa Catarina

Relatoria: Vivian – Comite Paulista

10h30min – Debate com a Plenária

11h30min – Considerações finais dos Painelistas

12h – Almoço



13h30min – Atividade Cultural

14h – 4º Painel – A Colaboração internacionalista da Revolução Cubana: experiências em Educação e Saúde.

Painelistas: Dr.Juan Carrizo - Diretor da Escola Latino americana de

Medicina – ELAM

Dr. Janilson Lopez Leite, Representante da Associação Brasileira de Médicos Graduados em Cuba - ABEMEC Dep. Fed. Carlos Abicalil – Relator do Projeto de Validação dos Diplomas na Câmara Federal

Mediador: Afonso Magalhaes – CDR-1/DF

Relatoria: Alexander Corradi – ASPA/MG

15h – Debate com a Plenária

16h – Considerações finais

16h15min – Apresentação da Carta de Porto Alegre e Plano de Ação.


16h30min – Reunião das Direções das Entidades Nacionais de Solidariedade;

1. Grupo de Trabalho: Campanha Mediática. Papel da Imprensa Alternativa. Portal “Cuba Viva”. Coordenador: Barreto – Relator:

2. Grupo de Trabalho: Brigada; Coordenadora: Telma. Relator:

3. Grupo de Trabalho: Nescuba – Memória; Coordenadora: Dora. Relator:

4. Grupo de Trabalho: Médicos/Estudantes/ Pais; Coordenador:Afonso. Relator:

5. Grupo de Trabalho: Frentes Parlamentares. Coordenador: Dep. Estadual Raul Carrion; Dep. Estadual Raul Marcelo (SP); Dep. Federal Vanessa Grazziotin



21h – Festa da Convenção: ICAP: 50 anos de Luta, Solidariedade e Integração dos povos



DIA 06/6



11 h – Plenária da Solidariedade – Parque da Redenção

Com aprovação da Carta de POA, apresentações teatral com o grupo Oi Nóis Aqui Travéis; Oficina de Salsa, Circo Petit POA, Trovas da Pátria Grande, Grupo Salsa 3;



Proposta de Atividades: Entrega e colocação do busto de José Martí e entregas dos livros na EEEM Padre Réus.

Colocação de busto e placa de José Martí em uma praça de Porto Alegre.

Solenidade de homenagem a “Paulo Lorenzi Petry” passando a se chamar uma Rua em Porto Alegre.

PROGRAMAÇÃO DA XVIII CONVENÇÃO DE SOLIDARIEDADE A CUBA






















DE 04 a 06 JUNHO DE 2010 – PORTO ALEGRE - RIO GRANDE DO SUL



DIA 04/6



9h – Abertura do Credenciamento

9h – Atividade Cultural

10h – 1º Painel: O bloqueio e as conseqüências no desenvolvimento de uma Nação;

Painelistas: Embaixador Carlos Rafael Zamora Rodriguez

Prof. Dr. Paulo Vizentini

Mediador: Beto Almeida - TELESUR

Relatoria:

11h – Debate com a Plenária

12h – Considerações finais dos Painelistas

12h15min – Almoço

13h30mim – Atividade Cultural

14h - 2º Painel: 5 Heróis: Quando o autoritarismo supera os Direitos Humanos

Painelistas: Fernando Moraes (escritor)

Familiar dos 5 Heróis

Frei Betto

Mediador: Juíza Mara Loguercio

Relatoria:

15h– Debate com a Plenária

16h – Considerações Finais dos Painelistas

19h – Abertura da XVIII Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba

Atividade Cultural

DIA 05/6

9h - 3º Painel: ICAP: 50 anos de Luta, Solidariedade e Integração com os Povos

Painelistas: Kenia Serrano Puig – ICAP

Mediadora: Zuleide Faria de Melo - ACJM /RJ

Relatoria:

10h – Debate com a Plenária

11 – Considerações finais dos Painelistas

Atividade Cultural

12h – Almoço

13h30min – Atividade Cultural

14h – 4º Painel – Educação e Saúde uma experiência para seguir.

Painelistas: Emir Sader

Representante de Cuba

Diretor da ELAM

Dep. Fed. Carlos Abicalil

Mediador:

Relatoria:

15h – Debate com a Plenária

16h – Considerações finais

16h15min – Apresentação da Carta de Porto Alegre;

16h30min – Reunião das Direções das Entidades Nacionais de Solidariedade;

1. Grupo de Trabalho: Cuba Viva;

2. Grupo de Trabalho: Brigada;

3. Grupo de Trabalho: Nescuba – Memória do Movimento de Solidariedade;

4. Grupo de Trabalho: Médicos/Estudantes/ Pais

5. Grupo de Trabalho: Frentes Parlamentares

21h – Festa da Convenção: ICAP: 50 anos de Luta, Solidariedade e Integração dos povos

DIA 06/6

11 h – Plenária da Solidariedade – Parque da Redenção

Com aprovação da Carta de POA, apresentação teatral com o grupo Oi Nóis Aqui Travéis; Oficina de Salsa, Circo Petit POA, Trovas da Pátria Grande, Grupo Salsa 3;

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Estamos encaminhando, conforme combinado, relação de Hotéis no centro de Porto Alegre, todos eles próximo da Assembléia Legislativa, local da XVIII Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba, que ocorrerá de 04 a 06 de junho de 2010.



1 - PONTE DE PEDRA HOTEL

Rua Cel. Fernando Machado, 828 - Centro (ao lado do Supermerado Zaffari)

www.hotelpontedepedra.com.br

Fone: 3226.2188

Diária: R$ 100,00 p/02 pessoas c/café da manhã (não tem apartamento triplo)

Cartões: Master, Visa e Banrisul

Ap. c/internet, TV a cabo, ar condicionado, frigobar e tem uma pequena sala com uma mesa e duas cadeiras.

Obs.: é o de melhor qualidade e, conforme falamos, indico para hospedagem da delegação cubana, a Telma...

Nº de apartamentos: 24

Reservas: pagar 30% sobre o total de três diárias (de 03 a 06.06.10)



2 - LIDO HOTEL

Rua Andrade Neves, 150 - Centro

www.lidohotel.com.br

reservas@lidohotel.com.br (at. Cláudia)

Fone: 3228.9111

Diária: R$ 80,00 (79,80) p/02 pessoas c/café da manhã e já incluído o imposto (não tem apartamento triplo)

(Café da manhã é opcional e custa R$ 8,40. Nos R$ 80,00 já está incluído o café da manhã).

Cartões: Master, Visa

Ap. c/internet, TV a cabo, ar condicionado, frigobar.

Obs.: é o hotel mais próximo do Sindibancários e a qualidade também é boa considerando o preço acessível.



3 - CONCEIÇÃO RESIDENCE HOTEL

Rua Duque de Caxias, 1454 - Centro

Não tem site. Reservas só por fone/fax. Fones: 3225.2189/3225.9632. Fax: 3225.9807

Diária: R$ 90,00 p/02 pessoas e R$ 120,00 p/03 pessoas c/café da manhã

Cartões: Master, Visa e Hipercard

Ap. c/ar condicionado, frigobar, TV e telefone. Obs.: não tem internet nem TV a cabo, mas os apartamentos são de boa qualidade.



4 - ORNATUS HOTEL

Rua Gen. Vitorino, 146 - Centro

www.ornatus.com.br

Diária: R$ 94,00 p/02 pessoas e R$ 129,00 p/03 pessoas c/café da manhã

Cartões: Master, Visa

Fone: 3221.4555 - reservas c/Gabriela ou Tiago

Ap. c/ar condicionado, TV a cabo, internet, frigobar, telefone.



5 - Hotel Lancaster

Travessa Engenheiro Acelino de Carvalho, 67; Telefone/Fax:(51) 3224-47-37; www.hotel-lancaster-poa.com.br ; h.lancaster@uol.com.br

Café da Manhã (das 7:00 às 10:00 horas), Televisão a Cabo, Telefone, água quente central, ar condicionado, frigobar, possui sala com computador conectado a internet rápdia e com preços econômicos tem também estacionamento opcional. Tem Ponto de Taxi bem na frente do hotel.....

DIÁRIAS COM CAFÉ DA MANHÃ:

SOLTEIRO: R$ 64,00 (SESSENTA E QUATRO REAIS);

DUPLO: R$ 100,00 (CEM REAIS);

TRIPLO: R$ 144,00 (CENTO E QUARENTA E QUATRO REAIS);

QUÁDRUPLO: R$ 192,00 (CENTO E NOVENTA E DOIS REAIS);

Att.



Ricardo Haesbaert

Presidente ACJM RS





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Dos Organizadores diretamente de RS.



Prezados Companheiros e Companheiras



Há vinte e cinco anos, a Associação Cultural José Martí/RS vem travando uma luta incansável em defesa dos princípios da justiça social, pelo direito ao progresso de toda a humanidade e contra a violação à soberania dos povos.

Por se caracterizar como uma entidade de natureza política/cultural, sem fins lucrativos, a ACJM/RS não caminha só: contam com a adesão de sindicatos, universidades, associações, instituições públicas e privadas e, por ser pluralista, com a solidariedade de representantes de partidos políticos.

E é com a determinação de promover a autonomia intelectual e reafirmar a solidariedade aos povos que desenvolve intensa programação como seminários, cursos, palestras, shows, participa de convenções nacionais e cria canais de cooperação para apoiar a luta das diversas entidades da sociedade organizada.

Neste sentido, de 4 a 6 de junho de 2010, a Associação Cultural José Marti/RS promove, na Casa dos Bancários, em Porto Alegre, a XVIII Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba, com a presença de autoridades daquele país, militantes e representantes das diversas entidades no Brasil que prestam seu apoio humanitário à causa cubana.

Para tanto buscamos, com Vossa Senhoria, o apoio necessário para viabilizar o nosso projeto, na certeza de que ele auxiliará na promoção da cidadania e virá em defesa dos direitos humanos. Em anexo, segue cópia do projeto e das propostas de patrocínio. Solicitamos o obséquio do retorno de Vossa resposta até o dia 31 de Março de 2010, através dos seguintes contatos : Tel. 51 3224.4953 - acjmrs@gmail.com , Maria Cezira 51 92894003 e Marajuara 51 93246129







Atenciosamente,





Ricardo Haesbaert

Presidente da ACJM/RS.

V BRIGADA MUNDIAL "PRIMEIRO DE MAIO", 2010

Oi companheiros, tudo bem?

A brigada de 26 de abril a 09 de maio ainda esta aberta, participaria do maior ato publico em Cuba o 1º de Maio.

Maiores informações.

48 30252991

99469441

Grande abraço

Edison





Convocatória


Estimado Amigo (a):


Reciba el saludo fraterno y cordial del Instituto Cubano de Amistad con los Pueblos


Este año nuevamente nuestro Instituto convoca a la V edición de la Brigada Mundial de

Solidaridad con Cuba “Primero de Mayo”. Esperamos contar con la presencia de amigos y amigas de

todo el mundo quienes, como en años anteriores, compartirán las celebraciones por el Día

Internacional de los trabajadores junto a la clase obrera y el pueblo cubano.



El programa organizado contempla visitas a lugares de interés históricos, económicos, culturales y sociales; conferencias sobre diversos temas de actualidad nacional, así como el Encuentro Internacional de Solidaridad con Cuba que se realizará después de las actividades centrales por la efemérides del Primero de Mayo.



Las actividades de la brigada se desarrollarán del 26 de abril al 9 de mayo 2010 en las provincias de La Habana, Ciudad de La Habana y Matanzas; con visitas opcionales a Tropicana en Varadero y Santa Clara. La estancia comprende 10 noches en el Campamento Internacional “Antonio Mella" (CIJAM), ubicado en el municipio Caimito a 45 Kms. de la Ciudad de la Habana y 3 noches en hotel Canimao, en la provincia de Matanzas. El campamento, creado en el año 1972, cuenta con condiciones adecuadas para satisfacer la vida colectiva y las necesidades de los amigos que nos visitan de diferentes partes del mundo.



Las jornadas de trabajo agrícola se realizaran en áreas aledañas al CIJAM y en la provincia de Matanzas.



La estadía tendrá un costo de 295.00 CUC que incluye alojamiento en habitaciones compartidas hasta para 8 personas en el CIJAM, pensión alimentaría completa, transfer in – out y transportación a todas las actividades del Programa. Las visitas opcionales no se incluyen en el precio del paquete. La estancia en el CIJAM por noche adicional tiene un costo de 10.00 CUC.



La creciente participación en la brigada de un número cada vez mayor de amigos y amigas procedentes de todo el mundo, denota no solo la motivación por conocer Cuba, sino como la solidaridad con la isla se extiende por todo el universo estimulada por el compromiso que despierta la Revolución cubana en su lucha contra el bloqueo impuesto por el imperialismo norteamericano y por nuestro derecho a existir como nación independiente y soberana.



Con su asistencia el brigadista se compromete a cumplir con el Programa señalado y a

observar adecuadamente las normas de conducta, disciplina y convivencia social.

El consumo de drogas o cualquier sustancia alucinógena es totalmente ilegal y es penado

por las legislaciones vigentes en nuestro país.



Mucho nos agradaría contar con su presencia en la Brigada Mundial de Solidaridad con

Cuba "Primero de Mayo" por lo que le invitamos cordialmente a participar en la misma.



Las inscripciones estarán abiertas para los interesados hasta el 1ro de abril 2010. Le rogamos nos

mantengan informados de la fecha, hora de llegada y línea aérea.





Idania Ramos Carmona

Directora

V Brigada Internacional

Primero de Mayo 2010





PROGRAMA V BRIGADA INTERNACIONAL 1º DE MAYO



Del 26 de abril al 9 de mayo del 2010



24 –Abril Sábado Llegada de Delegaciones

25– Abril Domingo Llegada de Delegaciones



07: 00 hrs. Oferta de Opcionales.



26 – Abril Lunes

09:30 hrs. Ofrenda floral ante el busto de “Julio Antonio Mella”

10:00 hrs. Actividad oficial de bienvenida.

11:00 hrs. Actividad Cultural.

12:00 hrs. Almuerzo.

14:00 hrs. Conferencia “Crisis Económica Internacional”

16:30 hrs. Encuentro Deportivo - Reunión con Comité Coordinador

20:00 hrs. Noche Cubana.



27 – Abril Martes

06:00 hrs. Desayuno

06:45 hrs. Matutino

07:00 hrs. Salida para las labores agrícolas.

11:00 hrs. Regreso al CIJAM

12:00 hrs. Almuerzo

14:00 hrs. Conferencia “ Diferendo Cuba – EE.UU. ”

18:00 hrs. Cena

20:30 hrs. Proyección del documental “ El Proceso ” sobre los Cinco Héroes.



28 – Abril Miércoles

06:00 hrs. Desayuno

06:45 hrs. Matutino

07:00 hrs. Salida para las labores agrícolas.

11:00 hrs. Regreso al CIJAM

12:00 hrs. Almuerzo

14:00 hrs. Salida para la Ciudad de La Habana

15:00 hrs. Visita. “A Proyectos Comunitarios”

19:30 hrs. Casa de la Amistad, Cena y Actividad Cultural..

23:00 hrs. Regreso al CIJAM.



29- Abril Jueves

07:00 hrs. Desayuno

10:00 hrs. Encuentro con los Familiares de nuestros Cinco Héroes y Familiares de las víctimas del terrorismo.

12:30 hrs. Almuerzo.

14:00 hrs. Panel Sobre el Tema: El Movimiento Obrero Cubano, su vínculo con el Movimiento Obrero Internacional.

18:30 hrs. Cena en el CIJAM.

20:30 hrs. Proyección de película cubana.



30-Abril Viernes

06:00 hrs. Desayuno

06:45 hrs. Matutino

07:00 hrs. Salida para las labores agrícolas

11:00 hrs. Regreso al CIJAM.

12:00 hrs. Almuerzo

14:00 hrs. Salida para la Escuela Latinoamericana de Ciencias Médicas

14:30 hrs. Visita a la Escuela Latinoamericana de Ciencias Médicas

17:00 hrs. Regreso al CIJAM.

18:30 hrs. Cena

20:00 hrs. Reunión por países. Preparación para participar en el Acto Central por el 1ro. de Mayo

01- Mayo Sábado

Participación en el Acto Central por el Primero de Mayo

Regreso al CIJAM una vez concluya el Acto

Almuerzo en el CIJAM.

Tarde Libre en el CIJAM.

16:30 hrs. Encuentro Deportivo - Reunión con el Comité Coordinador.

18:00 hrs. Cena

20:30 hrs. Proyección de película cubana



02- Mayo Domingo

06:30 hrs. Desayuno

08:00 hrs. Salida para el Palacio de las Convenciones para participar en el Encuentro Mundial de Solidaridad con Cuba por el 1ro. de Mayo

13:00 hrs. Almuerzo en el Palacio.

14:00 hrs. Regreso al CIJAM.

18:30 hrs. Cena

20:00 hrs. Música Grabada



03 - Mayo Lunes

06:00 hrs. Desayuno

06:45 hrs. Matutino

07:00 hrs. Salida para las labores agrícolas

11:00 hrs. Regreso al CIJAM

12:00 hrs. Almuerzo

14:00 hrs. Salida hacia la provincia de Matanzas. Alojamiento en el Hotel Canimao.

18:30 hrs. Cena en el Hotel.





04 - Mayo Martes

07:00 hrs. Desayuno

08:30 hrs. Salida trabajo voluntario agrícola Ceiba Mocha

12:30 hrs. Almuerzo En El Hotel

14:00 hrs. Visita al museo ¨ La ruta del Esclavo ¨

19:00 hrs. Cena

20:30 hrs. Encuentro con Los CDR



05- Mayo Miércoles

07:30 hrs. Desayuno

09:00 hrs. Salida para Cárdenas

10:00 hrs. Visita al museo de la Batalla de Ideas

12:30 hrs. Salida para Varadero

13:00 hrs. Almuerzo en Varadero

Libre en Varadero

18:00 hrs. Regreso al Hotel

19:00 hrs. Cena

Noche Libre (Opcional Tropicana )

06 – Mayo Jueves



07:00 hrs. Desayuno en el hotel.

08:30 hrs. Libre en el hotel

12:00 hrs. Almuerzo en el hotel. Entrega de las habitaciones

14:00 hrs. Regreso al CIJAM

18:30 hrs. Cena en el CIJAM.



07-Mayo Viernes

07: 00 hrs. Desayuno

10:00 hrs. Encuentro de Solidaridad.

12:30 hrs. Almuerzo

Tarde Preparación de la Noche Internacional

18:00 hrs. Cena

21:30 hrs. NOCHE INTERNACIONAL





08- Mayo Sábado

06:00 hrs. Desayuno

07:00 hrs. Oferta de Opcionales

09:00 hrs. Salida para Ciudad de la Habana. Libre en la Ciudad

18:00 hrs. Regreso al CIJAM desde la “Casa de la Amistad ¨

18:30 hrs. Cena en el CIJAM

20:30 hrs. Actividad cultural recreativa por el día de las Madres.



09 Mayo Domingo Regreso de las delegaciones a sus respectivos países

Precio del paquete por pax: 295. 00 CUC por pax



INCLUYE

• Visitas según programa descrito.

• Alojamiento según itinerario.

• Comidas según programa.

• Entradas.

• Traslados.

• Asistencia directa permanente.

• DVD Promocional.

• Revista Habanera.



NO INCLUYE

• Comidas adicionales.

• Vuelos Domésticos y/o Internacionales.

• Impuestos aeroportuarios.

• Exceso de equipaje.

• Bebidas alcohólicas, gaseosas o agua mineral embotellada.

• Llamadas telefónicas personales nacionales o internacionales.

• Visitas otras instituciones cubanas que deban ser pagadas en divisas

• Actividades opcionales.



Notas aclaratorias:

• Este precio es comisionable al 10 % para las Agencias.

• Deben notificarnos progresivamente las ventas que se vayan produciendo pues el booking en el CIJAM es limitado hasta 320 pax

• Cada noche extra en el CIJAM tienen un costo neto de 10, 00 CUC por pax no comisionable para las agencias.

• Las actividades opcionales deben ser pagadas por los brigadistas en efectivo directamente en el CIJAM (lugar de alojamiento).

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Desde Haití: Carta de médica brasileña a Fidel

18 Abril 2010

Ana Rosa Sant´Anna Tavares

Rebelión

Querido Fidel:



Nací en el estado de Minas Gerais, en Brasil. Yo tenía apenas unos meses cuando mi madre fue, como miles de personas, a otro estado tratando de buscar la suerte. Fuimos a Sao Paulo, donde viví hasta los 22 años. Mi madre me crío sola. Mi infancia no fue caracterizada por lujos. Vivíamos en un barrio pobre, con una casa que no tenía siquiera un baño dentro de sus interiores. Me acuerdo de haber estado sola en la casa mientras mi mamá, maestra de la enseñanza primaria, salía a cumplir su gloriosa labor de enseñar a los niños. Era, además, nuestra única fuente de ingreso. Crecí compartiendo vivencias con los muchachos y muchachas pobres de mi vecindad. Desde pequeña sentí en carne propia las malezas del irascible sistema capitalista. Vivir en una sociedad dividida en clases es algo insoportable y sencillamente absurdo. Agradezco a mi madre por haber inculcado en mí los valores básicos: honestidad, sinceridad, la cordialidad, etc.



Me hice joven, una adolescente en una ciudad con millones de habitantes. Comencé a trabajar como Promotora Legal Popular en una especie de ONG que atendía a mujeres víctimas de violencia familiar, violaciones y de todas las barbaridades que el machismo produce. Fueron algunos años en esa labor, escuché miles de historias, los más increíbles absurdos contra las féminas. Trabajábamos con la educación de la mujer y en la atención a las agresiones psicológicas pero, en muchos casos, dimos asistencia médica básica a mujeres que se presentaban ante nosotras golpeadas. Nos reuníamos y charlábamos sobre los derechos de cada una de ellas, de la necesidad de buscar en la policía, de cómo debían protegerse etc. Una labor sin duda necesaria. Pero para aquel entonces era yo apenas una joven que no comprendía el funcionamiento del sistema capitalista y creía que podría existir salvación para los pueblos sin una revolución. Era yo, mi querido Fidel, hija del medio. No tenía acceso alguno a literatura revolucionaria, los medios de comunicación -radio, periódicos, televisión- todos decretando que la historia había llegado a su fin.



Pero siempre miré a Cuba con gran pasión, sentía en esos hombres de verde olivo un encanto inexplicable. Y eso es algo muy interesante, pues pese a no tener acceso a los materiales e informaciones (y cuando tenía era siempre la misma propaganda anticubana) sin embargo sentía esa atracción. Comencé a militar en el Partido de los Trabajadores, el PT donde pude tener alguna información más amplia sobre Cuba. Algunos escritos del Che, algunos discursos tuyos, Fidel… y el fuego de Cuba se encendió en mi alma. Ya era tarde, los medios de comunicación con toda la propaganda no fueron parejos para lo que decía Che Guevara y para lo que decía Fidel Castro. Comencé a profundizar más y más en todo lo que se dijera respecto a Cuba y a su Revolución. Un día, en un acto, supe que existía la oportunidad de venir a Cuba por una beca de estudio. Yo no quise saber si era para estudiar medicina, cine, cortar caña, matemáticas o lo que fuera. Mi intención era venir a Cuba, por Cuba, por la Revolución, por el Pueblo Cubano y por el Socialismo.



Llegué aquí y sólo entonces comencé a darme cuenta de la grandiosidad del proyecto ELAM.



Todo el tiempo del mundo y todos los actos que pudiera realizar -para agradecerte a ti, a tu pueblo y a todos los que dieron la vida para hacer todo el sueño tornarse realidad- serían angustiosamente insuficientes para lograr ese objetivo. Pues no me queda otra cosa que luchar de la misma forma que aprendimos de ustedes. Ése será el agradecimiento, la lucha sin tregua.



Aquí tuve la oportunidad de encontrar el compañero de mi vida, brasileño del proyecto ELAM también, revolucionario y comprometido con la vida por esa Revolución. Tuve la sorpresa de que un día en la ELAM él me comentara que tampoco importaba por qué motivo vendría a Cuba, que lo que sí importaba era venir a Cuba. Alistarse aquí como soldado de esa Revolución. Trabajando con el estetoscopio, con el lápiz o si es necesario con el fusil.



La vida en Cuba me enseñó lecciones que jamás podré olvidar, la valentía del pueblo cubano, la resistencia, el valor de las ideas justas. Todo está claro Comandante, no hay vida fuera de la Revolución.



Me gradué en la ELAM en julio del 2009, estuve en Brasil con mi familia y en enero del 2010 regresé a Cuba donde vine realizar mi especialidad de MGI, seguir aprendiendo de ustedes, no sólo en la medicina. Con el fatídico terremoto en Haití estuve llorando frente al televisor en varias ocasiones (yo creo que sería posible acabar con la sequía en Venezuela si juntáramos mis lágrimas). Entonces, en tu reflexión sobre Haití donde comentaste de un médico chileno que se había unido a la brigada cubana, en ese exacto momento decidí que de una u otra forma debería venir a Haití, juntarme con la brigada cubana para ayudar a ese pueblo con el conocimiento que nos brindó la Revolución. Mi novio y una amiga argentina se dispusieron a venir juntos inmediatamente. Escribimos una carta poniéndonos a disposición para ir a Haití, trabajar no sólo como médicos sino como albañiles, o en la siembra, o en lo que pudiéramos ser útiles.



Tras algunos días de espera volví a las mismas instancias para acelerar las cosas y me enteré del acto que habría en la ELAM para despedir a la primera brigada Henry Reeve con médicos de la ELAM. Estuve ese día tomando las vacunas y llenando los papeles necesarios para partir. En la salida del acto vimos un gran grupo de médicos reunidos alrededor del médico hondureño Luther Castillo, nos acercamos y él hablaba en el celular contigo, Comandante, en ese momento mi corazón se llenó de la más pura alegría y las ganas de coger el teléfono para decir que todos los que allí estábamos nos hacíamos mejores humanos y partíamos a ayudar en Haití sólo porque aprendimos de ti y de ese pueblo.



Pues, llegamos a Haití ya hace un mes, las cosas por aquí son impresionantes. Mi primera impresión fue la de un pueblo triste. Los funcionarios del aeropuerto, flacos y tristes.



En el camino del aeropuerto hasta el campamento central se veía muchísima miseria, construcciones tumbadas, enjambres de insectos, un increíble número de personas caminando en las calles de un lado para el otro. Sucios y hambrientos. Niños descalzos y hambrientos. En el aire un olor a cuerpos en putrefacción, horrible.



Ya puedes imaginar cómo me sentí, Fidel, pero no podía llorar, ahora era imprescindible mantenerse firme para de esa forma poder realizar el trabajo. Pero había un nudo en mi garganta. Llegamos al anexo (como llaman los cubanos), campamento 3 (como llaman los cubanos de la ELAM) o campamento Alexander Petion como bautizamos los latinos.



En los primeros días dormimos apenas 3 ó 4 horas, el trabajo es mucho, yo me enfermé de la garganta, lo que luego resolvimos con penicilina. No hay descanso, son muchísimas personas para examinar, medicar, vacunar, hidratar, etc.



Después comenzamos a rotar por los barrios aquí en Puerto Príncipe, allí fue donde tuve experiencias que nos trasforman en seres humanos de verdad. Y el choque con una realidad extremamente difícil. Muchos de los pacientes no saben qué cosa es presión arterial o no saben qué cosa es fiebre, por ejemplo. La ignorancia en que fueron sumidos los bravos haitianos sólo puede ser producto de un sistema pobre.



Pues en esa caótica situación están nuestros hermanos. Si no fuera Cuba, ¿qué sería de nosotros? Si no fuera Cuba, ¿qué sería de América Latina? ¿Qué sería de Haití?



Salimos para las comunidades y una de las cosas que me llaman la atención es la cantidad de niños desnutridos, aparentan dos o tres meses y muchas veces ya ultrapasan el año y medio.



Los niños de 3, 4, 5 años nos acompañan en las consultas, son tiernos Fidel, merecen un futuro mejor, no pueden estar sometidos a la ley del más fuerte.



Por aquí hay muchísimos casos de infecciones respiratorias, enfermedad diarreica, fiebre tifoidea e innumerables enfermedades crónicas no transmisibles.



Una de las cosas que mucho me llamó la atención fue la ausencia de ancianos, no los vemos por ningún lado. Impresiona saber que la esperanza de vida aquí es de 53 años.



Otro día uno de los cubanos que están en Haití desde hace varios años me dijo: “antes del terremoto todo era igual, lo que no había eran los escombros”. Esa frase me hizo pensar profundamente en esas cosas, el analfabetismo ya estaba aquí, las enfermedades también, el hambre, la miseria, el hacinamiento, la violencia, eso todo ya estaba aquí antes. Qué impresionantes y qué exactas son tus palabras Fidel: “Haití es producto neto del colonialismo y del imperialismo”.



Dejé mi pensamiento volar. No quiero simplificar el pasado, la historia, el desarrollo y todos los fenómenos históricos que ocurrieron en Cuba y en Haití. Pero pensemos:



Hoy se sabe que el cambio climático es un fenómeno que puede desaparecernos a todos del planeta, el consumismo es irracional, pero muchísimos engañados por la propaganda y otros con puro veneno tratan de hacer la comparación Capitalismo frente a Socialismo tomando los niveles de consumo de EE.UU. y Cuba, por ejemplo (sin valorar otros índices: salud, educación, seguridad social, cultura, deportes…) y decretan la victoria del capitalismo con el distorsionado raciocinio de que allá se consume más.



Pero si fuéramos a hacer alguna comparación Socialismo frente a Capitalismo creo que debiéramos hacer entonces Cuba frente a Haití. ¿O es que esos defensores del capitalismo se olvidan de que en Haití reina el capitalismo? Ya dije que no me gusta simplificar la historia, el pasado, la economía, la formación de uno u otro país. Pero sería más justa esa comparación una vez que ambas son islas del Caribe, con clima análogo, atacadas similarmente por huracanes y ciclones. Con un pasado semejante, con número poblacional muy cercano. Estar en Haití y ver con ojos propios facilita imaginarse qué sería de Cuba sin la Revolución.



Fidel, has encendido una llama en el corazón de todos y cada uno de nosotros, los hijos de la ELAM, hijos de la Revolución Cubana, nos tienes para lo que sea necesario donde y cuando sea necesario. Somos soldados de la patria nuestra americana, me tienes, para luchar con el estetoscopio, con el lápiz o con el fusil si fuera necesario.



De la misma forma en que el Che cerró su carta de despedida yo quisiera terminar:



“Tendría muchas cosas que decirte a ti y a nuestro pueblo, pero siento que son innecesarias, las palabras no pueden expresar lo que yo quisiera, y no vale la pena emborronar cuartillas. Hasta la victoria siempre, ¡Patria o Muerte!



Te abraza con todo fervor revolucionario,



Ana Rosa Sant´Anna Tavares

La hermandad entre la República Bolivariana y Cuba

19 Abril 2010

Tuve el privilegio de conversar durante tres horas el pasado jueves 15 con el Presidente de la República Bolivariana de Venezuela Hugo Chávez, quien tuvo la gentileza de visitar una vez más nuestro país, procedente esta vez de Nicaragua.



Pocas veces en la vida, tal vez nunca, conocí a una persona que ha sido capaz de dirigir una Revolución verdadera y profunda durante más de 10 años; sin un solo día de descanso, en un territorio de menos de un millón de kilómetros cuadrados, en esta región del mundo colonizada por la península Ibérica, que durante 300 años dominó sobre una superficie 20 veces superior, de inmensas riquezas, donde impusieron sus creencias, su lengua y su cultura. No se podría escribir hoy la historia de nuestra especie en el planeta ignorando lo ocurrido en este hemisferio.



Bolívar, por su parte, no luchó sólo por Venezuela. Las aguas y las tierras eran entonces más puras; las especies variadas y abundantes; la energía contenida en su gas y su petróleo, desconocida. Doscientos años atrás, al iniciarse la lucha por la independencia en Venezuela, no lo hacía sólo por la independencia en ese país, lo hacía por la de todos los pueblos del continente aún colonizados.



Soñó Bolívar crear la mayor República que haya existido y cuya capital sería el istmo de Panamá.



En su insuperable grandeza, El Libertador, con verdadero genio revolucionario, fue capaz de presagiar que Estados Unidos -limitado originalmente al territorio de las 13 colonias inglesas- parecía destinado a sembrar de miseria la América en nombre de la libertad.



Un factor que contribuyó a la lucha de América Latina por la independencia fue la invasión de España por Napoleón, quien con sus desmedidas ambiciones contribuyó a crear las condiciones propicias para el inicio de las luchas por la independencia de nuestro continente. La historia de la humanidad es sinuosa y llena de contradicciones; a su vez, se torna cada vez más compleja y difícil.



Nuestro país habla con la autoridad moral de una pequeña nación que ha resistido más de medio siglo de brutal represión por parte de ese imperio previsto por Bolívar, el más poderoso que existió jamás. La inmensa hipocresía de su política y su desprecio por los demás pueblos lo han conducido a situaciones muy graves y peligrosas. Entre otras consecuencias están las pruebas diarias de cobardía y cinismo, convertidas en prácticas cotidianas de la política internacional, ya que la inmensa mayoría de las personas honestas de la Tierra no tienen posibilidad alguna de dar a conocer sus opiniones, ni de recibir informaciones fidedignas.



La política de principios y la honestidad con que siempre ha expuesto la Revolución Cubana aciertos y errores -y de modo especial determinadas normas de conducta nunca violadas a lo largo de más de 50 años, como la de no torturar jamás a un ciudadano- no conoce excepción alguna. De la misma forma, nunca ha cedido ni cederá ante el chantaje y el terror mediático. Son hechos históricos más que demostrados. Se trata de un tema sobre el que podría argumentarse ampliamente; hoy simplemente lo señalamos para explicar por qué nuestra amistad y nuestra admiración por el Presidente bolivariano Hugo Chávez, un tema sobre el cual podría extenderme considerablemente. Basta citar en esta ocasión algunos elementos para explicar por qué afirmé que constituye un privilegio conversar horas con él.



No había nacido todavía cuando el ataque al Cuartel Moncada el 26 de julio de 1953. Tenía menos de cinco años cuando el triunfo de la Revolución el Primero de Enero de 1959. Lo conocí en 1994, 35 años después, cuando ya había cumplido 40 años. Pude observar desde entonces su desarrollo revolucionario durante casi 16 años. Dotado de excepcional talento, y lector insaciable, puedo dar testimonio de su capacidad para desarrollar y profundizar las ideas revolucionarias. Como en todo ser humano, el azar y las circunstancias desempeñaron un papel decisivo en el avance de sus ideas. Es notable su capacidad de recordar cualquier concepto y repetirlo con increíble precisión mucho tiempo después. Es un verdadero maestro en el desarrollo y divulgación de las ideas revolucionarias. Posee el dominio de las mismas y el arte de transmitirlas con asombrosa elocuencia. Es absolutamente honesto y sensible con relación a las personas, sumamente generoso por naturaleza. No necesita elogios y acostumbra en cambio a prodigarlos generosamente. Cuando no estoy de acuerdo con alguno de sus puntos de vista o cualquier decisión suya, simplemente se lo trasmito con sinceridad, en el momento adecuado y con el debido respeto a nuestra amistad. Al hacerlo, tomo sobre todo en cuenta que es hoy la persona que más preocupa al imperio, por su capacidad de influir en las masas y por los inmensos recursos naturales de un país al que han saqueado sin piedad, y la persona a la que con todo rigor golpean y tratan de restar autoridad. Tanto el imperio como los mercenarios a su servicio, intoxicados por las mentiras y el consumismo, corren una vez más el riesgo de subestimarlo a él y a su heroico pueblo, pero no albergo la menor duda de que una vez más recibirán una lección inolvidable. Más de medio siglo de lucha me lo indica con toda claridad.



Chávez lleva la dialéctica dentro de sí mismo. Nunca, en ninguna época, ningún gobierno hizo tanto por su pueblo en tan breve tiempo. Me complace de modo especial transmitirle a su pueblo una calurosa felicitación al conmemorarse el 200 Aniversario del inicio de la lucha por la independencia de Venezuela y de América Latina. Quiso el azar que el día 19 de abril se conmemore también la victoria de la Revolución contra el imperialismo en Girón, hace exactamente 49 años. Deseamos compartir esa victoria con la Patria de Bolívar.



Me complace saludar igualmente a todos los hermanos del ALBA.





Fidel Castro Ruz



Abril 18 de 2010



7 y 24 p.m.

Declaración del Ministerio de Relaciones Exteriores de Cuba

Como se informó oportunamente, el 19 de febrero de 2010, se celebró en La Habana una nueva ronda de conversaciones migratorias con el Gobierno de los Estados Unidos.


Al igual que durante la ronda celebrada en Nueva York, durante este intercambio se habló de otros temas. En esta ocasión la delegación de Cuba reiteró las propuestas hechas en julio a la parte norteamericana, referentes a la cooperación en el enfrentamiento al narcotráfico, al terrorismo y al tráfico de personas, para proteger el medio ambiente y enfrentar los desastres naturales. En particular, expresamos nuestra disposición a firmar con el Gobierno de los Estados Unidos un acuerdo para el enfrentamiento al narcotráfico, sobre la base del proyecto presentado recientemente por Cuba, en enero del 2010, por los canales diplomáticos.



Adicionalmente, la delegación de Cuba reiteró los temas esenciales a abordar en un eventual proceso de diálogo dirigido a mejorar las relaciones: el levantamiento del bloqueo económico, comercial y financiero; la exclusión de Cuba de la espuria lista de países terroristas; la abrogación de la Ley de Ajuste Cubano y la «política de pies secos-pies mojados»; la compensación por daños económicos y humanos, la devolución del territorio ocupado por la Base Naval de Guantánamo; el fin de las agresiones radiales y televisivas desde los Estados Unidos contra Cuba, y el cese del financiamiento a la subversión interna.



La delegación cubana abordó a fondo, como tema esencial en esa agenda la solicitud de liberación de los Cinco antiterroristas cubanos que sufren, desde hace once años, injusta prisión en los Estados Unidos por luchar contra el terrorismo.



Contrario al espíritu de cooperación y entendimiento mostrado por la parte cubana, una vez efectuadas las conversaciones migratorias, la delegación norteamericana convocó a decenas de sus mercenarios a quienes incluso transportó a la residencia del Jefe de la SINA, demostrando nuevamente que sus prioridades se relacionan más con el apoyo a la contrarrevolución y la promoción de la subversión para derrocar a la Revolución cubana que con la creación de un clima conducente a la solución real de los problemas bilaterales. Estos elementos contrarrevolucionarios se benefician de una parte de los más de 20 millones de dólares que no se quedan en Miami y que el Gobierno de EE.UU. dedica anualmente a la labor de desestabilización y subversión contra Cuba.



Desde el propio día de su llegada al país, el jefe de la delegación norteamericana fue advertido por el Ministerio de Relaciones Exteriores sobre nuestro rechazo al aprovechamiento de su breve estancia para organizar un evento provocador, ajeno al espíritu de las conversaciones migratorias.



Con esta conducta ofensiva hacia las autoridades y el pueblo cubano, el gobierno norteamericano confirma que siguen en vigor los instrumentos de la política subversiva contra Cuba, pone de manifiesto su falta de voluntad real para mejorar los vínculos con nuestro país y para dejar atrás las acciones de burda injerencia, que históricamente han sido el mayor obstáculo a la normalización de las relaciones entre ambos países.



El Ministerio de Relaciones Exteriores reitera la disposición ya expresada por el gobierno cubano de sostener un diálogo respetuoso sobre cualquier tema con el Gobierno de los Estados Unidos siempre que este sea entre iguales, sin menoscabo a la independencia, soberanía y autodeterminación.



20 de febrero de 2010



Fuente: Granma

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Diplomatas africanos rejeitam resolução anti-cubana do Parlamento Europeu

Cuba celebrará primeiro Congresso Internacional de Diplomados da ELAM








HAVANA, Cuba, 14 abr (ACN) O primeiro Congresso Internacional de Diplomados da Escola Latino-Americana de Medicina de Havana terá lugar de 20 a 25 de abril em Santiago de Cuba, com a presença de médicos de cerca de 20 países.







Segundo Rosa Duconger, reitora da Universidade de Ciências Médicas de Santiago os graduados da ELAM irão analisar o impacto no mundo da formação dos profissionais de saúde em Cuba.







Duconger salientou a felicidade que irão experimentar os professores ao reencontrarem novamente seus ex-alunos.







Os participantes irão intercambiar experiências sobre outros temas importantes, tais como programas de cuidados a crianças e mulheres grávidas, reprodução, qualidade de vida, doenças transmissíveis, idosos, câncer, odontologia e biomedicina, entre outros.







Simultaneamente, será realizado o Primeiro Congresso de Ciências Básicas e Clínicas para a discussão de temas científicos entre pesquisadores, professores, médicos, enfermeiros e estudantes.







A ELAM já formou várias centenas de médicos brasileiros, que hoje buscam caminhos legais para se inserirem na sociedade daquele país, sobretudo, entre os setores mais carentes, para cuja ajuda foram formados.














HAVANA, Cuba, 14 abr (ACN) Vários embaixadores de países africanos, com o representante da República do Congo, Pascal Onguemby, à cabeça rejeitaram a resolução anti-cubana, recentemente, aprovada pelo Parlamento Europeu.


Assim ficou evidente durante a abertura da XI Conferência Internacional sobre Cultura Africana nas Américas, que começou na véspera em Santiago de Cuba. Durante o evento o diplomata falou em nome dos embaixadores do Burkina Faso, Cabo Verde e Moçambique, bem como o adido cultural de Angola.


Onguemby salientou que, apesar das pressões norte-americanas, a África apóia e defende Cuba, devido à gratidão que sente pela solidariedade altruísta e histórica da ilha e sua cooperação com a causa dos povos africanos.


“Nós também levantamos nossas vozes pela libertação incondicional dos cinco cubanos presos injustamente nos Estados Unidos”, acrescentou.


“Este é um ano muito importante para nós porque muitos de nossos países na África comemoram o 50º aniversário da sua independência e porque Senegal decidiu eliminar as bases militares estrangeiras de seu território”, disse Onguemby.


O evento internacional terá lugar até a sexta-feira e, entre outros temas, os participantes vão analisar a influência da cultura africana em Cuba e as Américas, bem como os desafios atuais enfrentados pelo Continente Negro.







Agência Cubana de Notícias



www.cubanoticias.ain.cu



ainportugues@ain.cu

terça-feira, 13 de abril de 2010

Raul Castro Ruz

*DISCURSO PROFERIDO PELO GENERAL-DE-EXÉRCITO, RAUL CASTRO RUZ, PRESIDENTE DOS CONSELHOS DE ESTADO E DE MINISTROS E SEGUNDO SECRETÁRIO DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA, NO ENCERRAMENTO DO IX CONGRESSO DA UNIÃO DE JOVENS COMUNISTAS (UJC). HAVANA, 4 DE ABRIL DE 2010. "ANO 52 DA REVOLUÇÃO"*



Companheiras e companheiros delegados e convidados:



Tivemos um bom Congresso, que realmente começou no mês de Outubro do ano

passado com as reuniões abertas das quais participaram centenas de milhares

de jovens, continuou com as assembleias de balanço das organizações de base

e dos comités municipais e provinciais, onde se foram conformando os acordos

adoptados nestas sessões finais.



Se algo abundou nos pouco mais de cinco anos transcorridos desde que Fidel

proferiu o discurso de encerramento do VIII Congresso da UJC, no dia 5 de

Dezembro de 2004, foi o trabalho e os desafios.



Realizamos este Congresso em meio de uma das mais ferozes e concertadas

campanhas mediáticas contra a Revolução Cubana nos seus 50 anos de

existência, tema ao qual terei que fazer referência mais para frente.



Apesar de que não pude participar nas assembleias prévias ao Congresso,

fiquei a par de todas elas de maneira resumida. Conheço que se falou pouco

de resultados para concentrar-se nos problemas, olhando para dentro e sem

utilizar mais tempo do que verdadeiramente é necessário em avaliar os

factores externos. É o estilo que deve caracterizar de maneira permanente o

trabalho da UJC, perante aqueles que se dedicam a procurar a palha no olho

alheio em vez de empregar esse esforço em fazer o que lhes corresponde.



Foi gratificante escutar muitos jovens dedicados à produção que explicaram,

com orgulho e palavras simples, o trabalho que realizam sem mencionar

dificuldades materiais e obstáculos burocráticos que os afectam.



Muitas das deficiências analisadas não são novas, acompanham a organização

há muito tempo, sobre elas os congressos anteriores adoptaram os acordos

correspondentes e contudo reiteram-se em maior ou menor medida, o que

demonstra a insuficiente sistematização e rigor no controlo do seu

cumprimento.



Neste sentido é justo e necessário repetir algo no qual insistiram os

companheiros Machado e Lazo, que presidiram numerosas assembleias: o Partido

também se sente responsável por cada deficiência do trabalho da UJC, muito

especialmente nos problemas na política de quadros.



Não devemos permitir que, mais uma vez, os documentos aprovados se tornem

letra morta e sejam engavetados a modo de memória. Devem constituir o guia

para a acção quotidiana no nível do Bureau Nacional e de cada militante. O

fundamental já foi acordado por vocês, agora o que resta é trabalhar.



Alguns são muito críticos ao se referirem à juventude de hoje e esquecem que

eles também foram jovens. Seria ilusório pretender que as novas gerações

sejam iguais àquelas de épocas passadas, um sábio provérbio diz: os homens

têm mais parecido ao seu tempo do que aos seus pais.



Os jovens cubanos sempre estão dispostos a afrontarem os desafios, assim o

demonstraram na recuperação dos danos causados pelos furacões, no

enfrentamento às provocações do inimigo e nas tarefas da defesa, poderia

mencionar muitos mais.



A idade média dos delegados ao Congresso é de 28 anos, portanto, todos

cresceram nestes duros anos do período especial e foram participes dos

esforços de nosso povo para manter as conquistas principais do socialismo no

meio de uma situação económica muito complexa.



Precisamente pela importância de que a vanguarda da juventude esteja a par

da nossa realidade económica, a Comissão do Bureau Político, tendo em

consideração a positiva experiência da análise realizada a esse respeito com

os Deputados da Assembleia Nacional, aprovou oferecer às assembleias

municipais da UJC uma informação que descreve, sem disfarce, a situação

actual e as perspectivas nesta matéria, a qual receberam mais de 30 mil

jovens militantes, do mesmo jeito que os principais dirigentes

partidaristas, das organizações populares e dos governos nos diferentes

níveis.



*A batalha económica constitui hoje, mais do que nuca, a tarefa principal e

o centro do trabalho ideológico dos quadros, porque dela depende a

sustentabilidade e preservação do nosso sistema social.*



Sem uma economia sólida e dinâmica, se não são eliminados os gastos

supérfluos e o esbanjamento, não se poderá avançar na elevação do nível de

vida da população, nem será possível manter e melhorar os elevados níveis

atingidos na educação e na saúde garantidos gratuitamente a todos os

cidadãos.



Sem uma agricultura forte e eficiente que podemos desenvolver com os

recursos que temos, sem sonhar com as grandes verbas de outros tempos, não

podemos aspirar a sustentar e elevar a alimentação da população, que ainda

depende muito da importação de produtos que podem ser cultivados em Cuba.



Enquanto as pessoas não sintam a necessidade de trabalharem para viver,

amparadas nas regulamentações estatais excessivamente paternalistas e

irracionais, jamais estimularemos o amor pelo trabalho, nem daremos solução

à falta crónica de construtores, operários agrícolas e industriais,

professores, policiais e outros ofícios indispensáveis que vão desaparecendo

aos poucos.



Sem a firme e sistemática rejeição social às ilegalidades e diversas

manifestações de corrupção, não poucos continuarão a se enriquecer a custa

do suor da maioria, disseminando atitudes que atacam directamente a essência

do socialismo.



Se mantemos vagas exageradas em quase todos os âmbitos dos afazeres

nacionais e pagamos salários que não se correspondem com os resultados,

elevando o volume de dinheiro em circulação, não podemos esperar que os

preços detenham o seu aumento constante, deteriorando a capacidade

aquisitiva do povo. Sabemos que sobram centenas de milhares de trabalhadores

nos sectores orçamentado e empresarial, alguns analistas calculam que o

excesso de vagas ultrapassa o milhão de pessoas e este é um assunto muito

sensível que estamos no dever de enfrentar com firmeza e sentido político.



A Revolução não deixará ninguém desamparado, lutará por criar as condições

para que todos os cubanos tenham empregos dignos, mais não se trata de que o

Estado seja o encarregado de colocar cada um depois de várias ofertas de

trabalho. Os primeiros interessados em encontrar um trabalho socialmente

útil devem ser os próprios cidadãos.



Resumindo, *continuar gastando por cima das receitas significa simplesmente

malgastar o futuro e pôr em risco a própria sobrevivência da Revolução.*



Enfrentamo-nos a realidades nada agradáveis, mas não fechamos os olhos

perante elas. Estamos certos de que há que romper dogmas e assumimos com

firmeza e confiança a actualização, já em andamento, do nosso modelo

económico, com o propósito de criar as bases da irreversibilidade e o

desenvolvimento do socialismo cubano, que sabemos constitui a garantia da

independência e da soberania nacional.



Não ignoro que alguns companheiros às vezes ficam desesperados, desejando

mudanças imediatas em múltiplas esferas. Naturalmente refiro-me agora

àqueles que o fazem sem a intenção de fazer o jogo ao inimigo. Compreendemos

essas inquietações que geralmente têm a sua origem no desconhecimento da

magnitude da tarefa que temos na nossa frente, da profundidade e da

complexidade das inter-relações entre os diferentes factores do

funcionamento da sociedade as quais deverão ser modificadas.



Aqueles que pedem avançar mais rápido, devem ter em conta o rosário de

assuntos que estamos a estudar, dos quais hoje só lhes mencionei alguns.

Devemos evitar que por ter pressa ou por improvisar, tentando solucionar um

problema, provoquemos outro ainda maior. Em assuntos de envergadura

estratégica para a vida de toda a nação não podemos deixar-nos levar por

emoções e actuar sem a integralidade necessária. Essa é, como já explicamos,

a única razão pela qual decidimos adiar mais alguns meses a realização do

Congresso do Partido e a Conferência Nacional que o precederá.



*Este é o maior e mais importante desafio que temos para garantir a

continuidade da obra construída nestes 50 anos, que a nossa juventude

assumiu com total responsabilidade e convicção. A palavra de ordem que

preside este Congresso é: "Tudo pela Revolução" e isso significa, em

primeiro lugar, fortalecer e consolidar a economia nacional.*



Cabe a juventude cubana ser o relevo da geração fundadora da Revolução e

para conduzir a grande força das grandes maiorias precisa de uma vanguarda

que convença e mobilize, a partir da autoridade que emana do exemplo

pessoal, encabeçada por dirigentes firmes, capazes e prestigiosos,

verdadeiros líderes, não improvisados, que tenham passado pela

insubstituível forja da classe operária, em cujo seio são cultivados os

valores mais genuínos de um revolucionário. A vida nos tem demonstrado com

eloquência o perigoso de violar esse princípio.



Fidel o expressou claramente no encerramento do Segundo Congresso da UJC, no

dia 4 de Abril de 1972: cito:



"Ninguém aprenderá a nadar sobre a terra, e ninguém caminhará sobre o mar. O

homem é feito por seu meio ambiente, o homem é feito por sua própria vida,

por sua própria actividade". E concluiu:



"Aprenderemos a respeitar o que é criado pelo trabalho, criando. Ensinaremos

a respeitar esses bens, ensinando-o a criar esses bens."



Esta ideia, proferida há 38 anos e que certamente foi aclamada naquele

congresso, é mais outra amostra evidente dos assuntos que acordamos e que

depois não cumprimos.



Hoje mais do que nunca precisasse de quadros capazes de levar a cabo um

trabalho ideológico efectivo, que não pode ser diálogo de surdos nem

repetição mecânica de consignas; dirigentes que razoem com argumentos

sólidos, sem crer-se donos absolutos da verdade; que saibam escutar, embora

não agrade o que alguns digam; que avaliem com mente aberta os critérios dos

outros, o que não exclui rebater com fundamentos e energia aqueles que

resultem inaceitáveis.



Fomentar a discussão franca e não ver na discordância um problema, mas sim a

fonte das melhores soluções. A unanimidade absoluta geralmente é fictícia e

por conseguinte daninha. A contradição, quando não for antagónica como é o

nosso caso, é motor do desenvolvimento. Devemos suprimir, com toda

intencionalidade, tudo o que alimente a simulação e o oportunismo. Aprender

a uniformizar as opiniões, estimular a unidade e fortalecer a direcção

colectiva, são características que devem identificar os futuros dirigentes

da Revolução.



Em todo o país existem jovens com atitude e capacidade necessárias para

assumirem tarefas de direcção. O desafio é descobri-los, prepará-los e

dar-lhes vagarosamente maiores responsabilidades. As grandes maiorias

encarregar-se-ão de corroborar que a selecção foi correcta.



Apreciamos que se continua avançando no referente à composição étnica e de

género. É uma direcção na qual não nos podemos permitir retrocessos nem

superficialidades e na qual a UJC deve trabalhar de maneira permanente. A

propósito, recalco que é outro dos acordos que adoptamos, neste caso, há 35

anos, no Primeiro Congresso do Partido, cujo cumprimento depois deixamos à

geração espontânea e não controlamos como correspondia, sendo este, além

disso, um dos primeiros pronunciamentos de Fidel em reiteradas ocasiões,

desde que triunfou a Revolução.



Como lhes dizia no início, *a realização deste Congresso coincidiu com uma

descomunal campanha de descrédito contra Cuba, organizada, dirigida e

financiada desde os centros do poder imperial nos Estados Unidos da América

e na Europa, içando hipocritamente as bandeiras dos direitos humanos.*



*Foi manipulada com cinismo e desfaçatez a morte de um indivíduo sancionado

à privação de liberdade em 14 causas por delitos comuns, devido por obra e

graça da mentira repetida e do afã de receber apoio económico do exterior,

num "dissidente político", que foi instado a manter uma greve de fome com

exigências absurdas.*



*Morreu apesar dos esforços de nossos médicos, o que também lamentamos no

seu momento e denunciamos aos únicos beneficiários deste facto, os mesmos

que hoje instam mais outro indivíduo a que continue essa atitude similar de

chantagem inaceitável. Este último, apesar de tanta calúnia, não está no

cárcere, é uma pessoa em liberdade que cumpriu sanção por delitos comuns,

especificamente por ter agredido e lesionado uma mulher, médica e directora

de um hospital, a quem também ameaçou de morte, e depois a uma pessoa idosa

de quase 70 anos, a quem tiveram que extirpar o baço. Do mesmo jeito que no

caso anterior, se estão a fazer todos os possíveis por lhe salvar a vida,

porém se não muda sua atitude de autodestruição, será responsável,

juntamente com seus patrocinadores, pelo desenlace que também não desejamos.

*



*É repugnante a dupla moral daqueles que na Europa guardam cúmplice silêncio

perante as torturas na chamada guerra contra o terrorismo, permitiram voos

clandestinos da CIA que trasladavam prisioneiros e até prestaram o seu

território para a criação de cárceres secretos.*



O que é que diriam se do mesmo modo do que eles, tivéssemos violado as

normas éticas e alimentássemos pela força estas pessoas, como se tem feito

habitualmente, entre muitos outros centros de tortura, na Base Naval de

Guantánamo. E certamente, são os mesmos que em seus próprios países, como é

mostrado pela televisão quase diariamente, usam as forças policiais montadas

a cavalo contra manifestantes, espancando-os e disparando-lhes gases

lacrimogéneos, e até balas. O que dizer dos frequentes maus-tratos e

humilhações aos quais são submetidos os imigrantes?



*A grande imprensa ocidental não só ataca Cuba, também estreou uma nova

modalidade de implacável terror mediático contra os líderes políticos,

intelectuais, artistas e outras personalidades que em todo o planeta alçam

sua voz contra a falácia e a hipocrisia e simplesmente avaliam os

acontecimentos de maneira objectiva.*



*Enquanto isso, poderia parecer que os porta-bandeiras da cacarejada

liberdade de imprensa esqueceram que o bloqueio económico e comercial contra

Cuba e todos seus inumanos efeitos sobre o nosso povo, conservam plena

vigência e se recrudescem; que a actual administração dos Estados Unidos da

América não cessa no mais mínimo o apoio à subversão; que a injusta,

discriminatória e ingerencista posição comum da União Europeia, patrocinada

no seu momento pelo governo norte-americano e pela extrema-direita

espanhola, continua a reclamar uma mudança de regime em nosso país, ou dito

de outra maneira, a destruição da Revolução.*



Mais de meio século de combate permanente ensinou o nosso povo que a

hesitação é sinónimo de derrota.



*Custe o que custar, jamais cederemos à chantagem de nenhum país ou conjunto

de nações por mais poderosas que sejam. Temos o direito a nos defender. *



Saibam que se pretendem encurralar-nos, saberemos resguardar-nos na verdade

e nos princípios. Mais uma vez seremos firmes, calmos e pacientes. Sobram os

exemplos na nossa história!



Foi assim que lutaram nossos heróicos mambises nas guerras pela

independência no século XIX.



Dessa maneira derrotamos a última ofensiva de dez mil soldados da tirania

fortemente armados, enfrentados inicialmente por apenas 200 combatentes

rebeldes que sob o comando directo do Comandante-em-Chefe Fidel Castro Ruz,

durante 75 dias, de 24 de Maio a 6 de Agosto de 1958, levaram a cabo mais de

100 acções combativas, incluídas quatro batalhas num pequeno território de

entre 650 e 700 quilómetros quadrados, isto é, uma área menor do que a

ocupada pela Cidade de Havana. Esta grande Operação decidiu o curso da

guerra e após pouco mais de quatro meses triunfou da Revolução, o que

motivou o Comandante Ernesto Che Guevara a escrever em seu diário de

campanha, cito: "O exército batistiano saiu com sua espinha dorsal quebrada

desta última ofensiva sobre a Sierra Maestra". Fim da cita.



Tampouco nos amedrontou a frota ianque em frente das costas da Baia dos

Porcos, em 1961. Nos seus próprios narizes aniquilamos o seu exército

mercenário, no que constituiu a primeira derrota de uma aventura militar dos

Estados Unidos da América neste continente.



Fizemo-lo novamente em 1962 durante a Crise de Outubro. Não cedemos nem um

milímetro perante as brutais ameaças de um inimigo que nos apontava com as

suas armas nucleares e dispunha-se a invadir a ilha, nem sequer o fizemos

quando, negociadas às nossas costas as condições para solucionar a crise, os

dirigentes da União Soviética, o principal aliado em tão difícil conjuntura

e de cujo apoio dependia a sorte da Revolução, de maneira respeitosa

tentaram convencer-nos para que aceitássemos a inspecção no solo pátrio da

retirada do seu armamento nuclear e lhes respondemos que em todo o caso

seria feito a bordo dos seus navios em águas internacionais, mas jamais em

Cuba.



Estamos certos que circunstâncias piores do que aquelas dificilmente possam

ser repetidas.



Já em época mais recente, o povo cubano deu uma amostra inesquecível da sua

capacidade de resistência e confiança em si próprio quando, como resultado

da desaparição do campo socialista e da desintegração da União Soviética,

Cuba sofreu o declínio em 35 por cento, do seu Produto Interno Bruto; a

redução do comércio exterior em 85 por cento; a perda dos mercados das suas

principais exportações como o açúcar, o níquel, os citrinos e outros, cujos

preços desceram a metade; a desaparição de créditos em condições favoráveis

com a conseguinte interrupção de numerosos investimentos vitais como a

primeira Central eletronuclear e a Refinaria de Cienfuegos, o colapso do

transporte, as construções e a agricultura ao desaparecer subitamente o

fornecimento de peças de reposição para a técnica, os fertilizantes, a ração

e as matérias-primas das indústrias, provocando a parada de centenas e

centenas de fábricas e o abrupto deterioro quantitativo e qualitativo da

alimentação do nosso povo até níveis por baixo da nutrição recomendada.

Todos sofremos aqueles calorosos verãos da primeira metade da década de 90

do século passado com blecautes superiores à 12 horas diárias por falta de

combustível para gerar electricidade, e enquanto tudo isso acontecia,

dezenas de agências de imprensa ocidentais, algumas delas sem dissimular a

sua euforia, enviavam correspondentes a Cuba com a intenção de serem as

primeiras em reportarem a derrota definitiva da Revolução.



No meio desta dramática situação, ninguém ficou abandonado a sua sorte e

ficou evidenciado a força que emana da unidade do povo quando são defendidas

ideias justas e uma obra construída com tanto sacrifício. Só um regime

socialista, apesar das suas deficiências, é capaz de superar tamanha prova.



*Portanto não nos tiram o sono as actuais escaramuças da ofensiva da reacção

internacional, coordenada como sempre por aqueles que não se resignam a

compreenderem que este país jamais será subjugado por uma via ou por outra,

antes prefere desaparecer como o demonstramos em 1962.*



Há apenas 142 anos, no dia 10 de Outubro de 1868, começou esta Revolução,

nessa altura lutava-se contra um colonialismo europeu decadente, sempre sob

o boicote do nascente imperialismo norte-americano que não desejava nossa

independência, até que a "fruta madura" caísse por "gravidade geográfica"

nas suas mãos. Desse modo aconteceu após mais de 30 anos de guerras e

enormes sacrifícios do povo cubano.



Agora os actores externos intercambiaram os seus papéis. Há mais de meio

século nos agride e assedia constantemente o já moderno e mais poderoso

império do planeta, auxiliando-se do boicote que entranha a ultrajante

Posição Comum, que se mantém intacta graças às agressões dalguns países e

das forças políticas reaccionárias da União Europeia com diversos

condicionamentos inaceitáveis.



Perguntamo-nos, por quê? E consideramos que simplesmente porque na essência

os actores continuam a ser os mesmos e não renunciam às suas velhas

aspirações de dominação.



Os jovens revolucionários cubanos compreendem perfeitamente que para

preservar a Revolução e o socialismo e continuar sendo dignos e livres têm

daqui em diante muitos anos mais de luta e de sacrifícios.



Ao mesmo tempo, para a humanidade pairam colossais desafios e cabe, em

primeiro lugar, aos jovens enfrentá-los. Trata-se de defender a

sobrevivência mesma da espécie humana, ameaçada como nunca perante a mudança

climática, que se acelera pelos padrões irracionais de produção e consumo

que engendra o capitalismo.



Hoje no planeta somos sete biliões de habitantes. Metade deles são pobres,

mil e vinte milhões têm fome. Cabe perguntar-se que acontecerá no ano 2050,

quando a população mundial atinja os nove biliões e as condições de

existência na Terra tenham-se deteriorado ainda mais.



A farsa em que concluiu a última cimeira na capital de Dinamarca, em

Dezembro do ano passado, demonstra que o capitalismo com as suas cegas leis

de mercado jamais resolverá esse nem muitos outros problemas. Só a

consciência e a mobilização dos povos, a vontade política dos governos e o

avanço do conhecimento científico e tecnológico poderão impedir a extinção

do homem.



Para finalizar gostaria de fazer referência a que no mês de Abril do ano

próximo completar-se-á meio século da proclamação do carácter socialista da

Revolução e da vitória esmagadora sobre a invasão mercenária na Baia dos

Porcos. Celebraremos estes transcendentais acontecimentos em todos os cantos

do país, de Baracoa onde tentaram desembarcar um batalhão, até o extremo

ocidental da nação, e na capital realizaremos um grande desfile popular e

uma revista militar, actividades todas nas quais trabalhadores, intelectuais

e jovens serão os principais protagonistas.



Daqui a poucos dias, em Primeiro de Maio, nosso povo revolucionário, em todo

o país, nas ruas e praças públicas que por direito lhe pertencem, dará mais

outra contundente resposta a esta nova escalada internacional de agressões.



*Cuba não teme à mentira nem se ajoelha perante pressões, condicionamentos

ou imposições, venham donde vierem, defende-se com a verdade, que sempre,

mais cedo do que tarde, se impõe.*



*Um dia como hoje, há 48 anos, nasceu a União de Jovens Comunistas. Naquele

histórico 4 de Abril de 1962 Fidel asseverou:*



*"Crer nos jovens é ver neles além do entusiasmo, capacidade; além da

energia, responsabilidade; além da juventude, pureza, heroísmo, carácter,

vontade, amor à pátria, fé na pátria! amor à Revolução!, fé na Revolução,

confiança em si próprios!, convicção profunda de que a juventude pode, de

que a juventude é capaz, convicção profunda de que sobre os ombros da

juventude podem ser depositadas grandes tarefas", concluiu.*



*Assim foi ontem, é hoje e continuará a ser no futuro.*



*Muito obrigado.*