quarta-feira, 2 de junho de 2010

EM DEFESA DA REVOLUÇÃO CUBANA

GB – O significado universal da revolução Cubana (1)

“Diante das revoluções burguesas em atraso, a revolução em avanço provém do socialismo, o que quer dizer que temos que estudar Cuba se pretendemos desvendar o futuro e conhecer a história em ritmos fortes, que se abre para frente e assinala uma ‘nova época de civilização’ no solo histórico da América Latina”.

Florestan Fernandes

A Revolução Cubana - que conquistou o poder em 1959 e já celebra 52 anos de existência – é uma grande conquista histórica da humanidade. Ela se distingue como um momento decisivo na história da América Latina e bem poderá ser considerado, por historiadores do futuro, como o maior acontecimento do século XX no continente americano. O economista brasileiro Francisco de Oliveira - inspirado no título da opus magna do escritor cubano Alejo Carpentier, “O Século das Luzes” - chega a propor “chamar o século XX nas Américas de ‘O Século de Cuba’“, pois, “nenhum outro acontecimento marcou tanto esse nosso século, nestas terras americanas, quanto a revolução cubana, o movimento político que levou um pequenino país, a ‘Pérola das Antilhas’, a libertar-se da tutela americana e do sistema capitalista, inaugurando nas Américas uma nova era histórica, em seu trânsito para o socialismo” (Oliveira, Francisco de - “Prefácio”, in: Werthein, Jorge e Carnoy, Martin - Cuba: Mudança Econômica e Reforma Educacional 1955-1974, Brasiliense, S.P., 1984, p.8).

A revolução cubana rompeu um elo fundamental (onde as contradições eram mais agudas) da gaiola de ferro que aprisiona nas malhas do capitalismo dependente mesmo os países mais “ricos” e “avançados” da América Latina e Caribe. Em nosso subcontinente, a transformação capitalista por via autocrática, permanentemente dependente do imperialismo e presa nos dilemas da “espiral viciosa” do “desenvolvimento do subdesenvolvimento”, com a apropriação dual dos excedentes econômicos nacionais – a parte do leão é drenada para fora e abocanhada pelas burguesias “centrais” – formou padrões de dominação burguesa especialmente iniquos, baseado: na espoliação nacional sistemática, na expropriação e degradação das massas populares, na super-exploração do proletariado e na exclusão cruel da maioria do povo dos direitos democráticos e garantias sociais mais elementares.

Marx expôs e criticou a decadência ideológica e política burguesa e de seus partidos após a tomada do poder pela burguesia e da experiência crucial de medir-se com a pressão democrático-radical do proletariado na revolução de 1848 (Cf. O 18 Brumário de Luiz Bonaparte e o Prefácio à 2ª ed. do Livro I de O Capital). Lenin, no seu célebre ensaio sobre O Imperialismo, apanha os principais traços da virada reacionária e parasitária da consciência social burguesa na época de domínio do capital financeiro no capitalismo monopolista. No entanto, os teóricos clássicos do comunismo só puderam descrever os sintomas iniciais de contradições que se tornariam muito mais agudas e dramáticas com as sucessivas crises do capitalismo monopolista em confronto com as grandes revoluções proletárias e populares. Na América Latina, como caso extremo do que acontece em outros rincões da periferia do mundo capitalista, as burguesias nativas e suas “elites criolas” desenvolveram uma consciência de classe particularmente miserável e mistificadora, em níveis desconhecidos nos “países centrais”. Não viveram e jamais viverão o “momento glorioso” das revoluções burguesas clássicas, que encadeou a revolução industrial à revolução democrática e nacional. Cheios de presunção, hipocrisia, mesquinhez e ignorância as elites burguesas nativas sempre se agarraram nos seus superpivilégios e sacrificaram qualquer radicalismo burguês no altar fascistóide da “segurança e desenvolvimento”; abrindo as veias de nossas nações ao vampirismo neocolonialista e imperialista. O veredito da literatura realista (de Machado de Assis a Gabriel Garcia Marquez) é reforçado pela repulsa dos povos através do epigrama condenatório: “submissos em relação aos de cima, tirânicos em relação aos de baixo”.

Em contraposição, a Revolução Cubana, mostra na prática como um movimento de libertação nacional especificamente revolucionário pode ultrapassar rapidamente o horizonte da consciência burguesa e identificar-se com as necessidades históricas do proletariado; e como a partir da necessidade de romper com o capitalismo para superar a dominação imperialista ela se lança para frente, ininterruptamente, enlaçando revolução popular com revolução proletária socialista: Dentro de uma sociedade capitalista dependente “não havia como levar a revolução adiante dentro do capitalismo; ela deslocou e esmagou a burguesia, nacional e estrangeira, porque para libertar a nação e para criar um Estado democrático soberano, ela tinha que converter-se em uma revolução contra a ordem, ou seja, anticapitalista” (Fernandes, Florestan - Da Guerrilha ao Socialismo: A Revolução Cubana, T.A.Queiroz Editor, S.P., 1979, p. 10).



O SIGNIFICADO UNIVERSAL DA REVOLUÇÃO CUBANA

“O significado universal da revolução cubana reside na sua grande afinidade com as aspirações de todos aqueles que pretendem se libertar das restrições paralisantes da ordem social do capital”.

István Mészaros

A compreesão adequada dos processos revolucionários atuais exige a fusão da objetividade científica buscando uma escrupulosa fidelidade ao movimento da realidade existente em si (no caso, o processo histórico revolucionário, como totalidade complexa, aberta, viva, em movimento) com a ótica humanista-concreta do socialismo, fundamental para que a ciência incorpore em si os objetivos de auto-emancipação humana e os valores que dão sentido ao socialismo revolucionário. Assim poderemos avaliar objetivamente o quanto estes objetivos se realizaram no vir-a-ser histórico (distinguindo o real e o possível que estão entrelaçados na construção da história concreta). Poderemos também conhecer, entender, amar e participar da Revolução Cubana não como uma “revolução dos outros” (“a revolução dos cubanos”), mas como história em processo que é a nossa própria história. Cuba abriu o caminho das grandes revoluções proletárias deste século na América Latina. Com isto modificou nossa história e as possibilidades dos movimentos de emancipação nacional e de transformação democrático-radical e socialista na América Latina. Ao mudar a situação histórica preexistente, a Revolução Cubana deixou aberta novas portas e novas vias para estes movimentos. Não forjou um “modelo” (extrapolação arbitrária de experiências históricas para organizações sócio-econômicas diferentes); nem alimentou “utopias” (idéias de uma “sociedade perfeita pré-fabricada”, desvinculada da sociedade concreta em que se vive e projetada para um futuro ao qual não sabemos como chegar). Quanto a este aspecto, nada pode estar mais distante da concepção dos dirigentes cubanos do que o dogmatismo da imposição de modelos (que tantos prejuizos causaram no passado) ou da visão (falsamente imputada aos revolucionários, mas que é propria dos apologistas do capital) da revolução como um produto de “exportação” conspirativo de uma “força subversiva estrangeira”. As revoluções sociais são produtos das próprias contradições e problemas das sociedades concretas, das lutas entre as classes sociais e, por certo, de organizações políticas e estratégias que acionam as efetivas alavancas transformadoras pelos movimentos proletários e populares existentes e capazes de transformar dinâmicamente as realidades sócio-históricas sob as condições objetivas reais. Fidel Castro afirma com clareza: “Surgem movimentos de massa que se formam com tremenda força, e eu creio que estes movimentos desempenharão papel fundamental nas lutas furturas. Serão outras táticas, já não será a tática no estilo bolchevique, nem mesmo ao nosso estilo, porque pertencerram a um mundo diferente. (...) Serão outros caminhos, outras vias pelos quais irão se criando as condições para que esse mundo sob domínio unipolar de uma superpotência – os EUA – se transforme em outro mundo socialista” (Castro, Fidel – Gramna, 25/06/1998, p. 6). Sem propor modelos ou utopias a Revolução Cubana prova que a América Latina está madura para o socialismo: Cuba rasgou um clarão nas esperanças coletivas e nos anseios libertários e igualitários de outros povos irmãos.

Cuba é o “único ponto de referência” para se estudar concretamente, não só a única experiência de revolução anticolonial e antiimperialista levada até o fim e até o fundo na América Latina; mas para além destes aspectos (evidentemente já muito relevantes), sobretudo para o estudo de sua revolução socialista vitoriosa e do processo de transição socialista propriamente dito: “Cuba como a primeira fronteira histórica e o primeiro patamar concreto da manifestação do socialismo na América Latina”. Estamos na época histórica das revoluções proletárias, ainda que ela só tenha aparecido nos “elos débeis” do capitalismo. Nesta perspectiva, alguns elementos estruturais da revolução cubana possuem uma importância não apenas nacional particular, mas um significado universal, que desvela o futuro: “Temos que descobrir o que a civilização moderna, sob o socialismo revolucionário, reserva à América Latina e já pode ser constatado concretamente em Cuba, pelas transformações ocorridas e, mais ainda, pelas transformações em processo” (Id. ibdem, pp. 6 e 7). Cuba vive no presente o nosso futuro de outra maneira. A Revolução Cubana mostra, antecipadamente, que é no socialismo que os povos da América Latina encontrarão a solução - efetiva e duradoura - de seus problemas e dilemas. O povo cubano prova a compatibilidade do socialismo com os povos da América Latina, pois os cubanos não estão fazendo nada que outros povos do continente sejam incapazes de fazer. A vontade revolucionária coletiva do povo cubano tornou-se uma força material objetiva: provou concretamente que “mesmo no subdesenvolvimento é possível superar a miséria”, que “é possível eliminar os traços mais marcantes do subdesenvolvimento, mediante a transformação radical das estruturas vigentes na sociedade” (Sader, Emir - A Revolução Cubana, Ed. Moderna, S.P., 1985, pp. 75 e 76).

O significado universal concreto da Revolução Cubana não pode ser compreesndido se abstraírmos as mediações particulares e singulares que a tornam um processo único. Sua unicidade concreta resulta de ela ser o resultado de 200 anos de luta insurgente e ressurgente; primeiro contra o colonialismo espanhol e o escravismo mercantil, depois contra a dominação imperialista dos EUA, a classe latifundiária, a burguesia nativa e as elites endinheiradas (todos estreitamente associados). Ao não conseguir a independência em princípios do século XIX como a maioria das colônias espanholas na América, Cuba desenvolveu mais tarde um movimento de libertação poderoso com uma importante personalidade radical e popular. Os “mambíses”, a guerrilha popular que se lançou contra o domínio espanhol entre 1868 e 1898, deram importância à igualdade racial e social e formaram uma consciência anti-colonial e antiimperialista precoce. O resumiu o grande homem de letras e figura histórica libertadora de envergadura universal José Martí (cuja generosidade o leva a insistir que “patria es la humanidad”) quando declarou em sua última carta de 1895: "Tudo o que fiz até agora e tudo o que farei tem por objetivo prevenir, através da independência de Cuba, que os Estados Unidos da América se movam com mais força sobre nossa América”. Este espirito antiimperialista se voltou a manifestar-se na luta contra o ditador Gerardo Machado (1925-33) e a revolução derrotada de 1933, grande precursora da de 1959.

O caráter único da Revolução Cubana também se manifesta nos três anos de luta armada, onde a guerrilha desempenhou a função de partido revolucionário apoiado por uma massa sempre crescente do povo até derrubar o regime títere de Batista. Em 1º de janeiro de 1959, quando o ditador Batista fugia e os guerrilheiros barbudos entravam em Havana e Santiago, poucos antecipavam o alcance e a profundidade das mudanças que iam se suceder. A revolução anti-capitalista cubana foi uma das mais rápidas e completas das realizadas até então em todo o mundo. Durante os três primeiros anos entre 1959 e 1962 foram erradicadas do cenário histórico as bases economicas, sociais e políticas do poder das antigas classes dominantes: a primeira e segunda leis de Reforma Agrária, o desafio a Washington para expropriar as explorações açucareiras e as fazendas, a nacionalização de praticamente todas as grandes indústrias e serviços, a extraordinária campanha de alfabetização e o estabelecimento de educação pública gratuita em todos os níveis, a criação de todo um complexo de serviços sociais (universal e gratuito), e a organização de uma milícia popular e organismos massivos disciplinados desde o nível mais elementar nos bairros aos mais complexos que abrange todo país. (Cf. a análise clássica deste processo: O’Connor, James – The Origins of Socialism in Cuba, Cornell UP, Ithaca, 1970).

A força da demanda popular de auto-determinação e justiça social combinada com a estrutura monopolista da economia das plantações cubanas e a confrontação inevitável e direta com o imperialismo estadunidense fizeram com que, a partir de princípios dos anos 60 em diante, a solução socialista fosse o único caminho viável para seguir adiante, para que a revolução não se destruísse em função da divisão e incoerência. A necessidade do socialismo tornou-se um senso comum popular, uma expressão madura do bom-senso, quando ocorreu declaração famosa de Fidel durante a invasão da Baía dos Porcos que o confirmava: "Pois sim: somos socialistas! Nossa revolução é socialista!".

É com seu belíssimo caráter único que a Revolução Cubana adquire seu significado universal para todos os que, em geral, lutam pela causa da emancipação humana; mas com um significado especial para a América Latina e Caribe. Os países do nosso subcontinente foram e ainda são dominados pela mesma potência imperialista – os EUA – que se tornou hegemônica mundialmente; e todos os esforços para buscar soluções substanciais para os problemas do povo trabalhador foram frustrados (e afinal anulados) pelas iniquidades do capitalismo dependente e sua ordem social autocrática, sob o domínio de blocos de poder que associa os latifundiários e a grande burguesia interna ao imperialismo (sob hegemonia deste). A mensagem da Revolução Cubana para nossos povos é dupla: anti-imperialista e socialista. A necessidade das nações de Nossa América de conquistar nossa soberania diante da avassaladora dominação - econômica, política, militar e cultural – do Império Estadunidense. A necessidade de superar as iniquidades e injustiças, o caráter insuportável (espoliador, expropriador, super-explorador, perdulário, anacrônico e desumanizador) da ordem autocrática do capitalismo monopolista dependente (o único possível aqui no atual estágio da história). Desde o início, a mensagem da revolução cubana focalizava estes dois complexos de problemas que afetam profundamente todos os países da América Latina: “a mensagem dupla da revolução cubana – convocando não apenas para a luta antiimperialista, mas também para uma mudança estrutural e sistêmica da sociedade como a condição última do sucesso daquela luta – está destinada a ressoar com crescente intensidade, até n as circunstâncias mais difíceis, por todo o continente” (Mészáros, I. – Dossiê: Cuba e os Rumos da Revolução, In: Margem Esquerda 2, maio de 2004, p. 16).



“RETIFICAÇÃO” E “PERÍODO ESPECIAL”: PROBLEMAS DA TRANSIÇÃO PARA O SOCIALISMO SOB CERCO IMPERIALISTA

"Apesar de todo o bloqueio e das condições naturais modestas, pois é uma ilha pequena, Cuba não tem miseráveis, ninguém passa fome, ninguém passa a situação dos miseráveis dos Estados Unidos, ou da Alemanha, ou daqui mesmo do Brasil, que vivem nessa crise gigantesca”

Luiz Carlos Prestes

“A revolução que se propõe a ser uma revolução de verdade tem que evitar o mal do burocratismo (...) o perigo da burocracia como uma camada especial (...). A revolução dos trabalhadores tem que chegar até o final, a revolução dos trabalhadores tem que estar vigilante para que não se desenvolvam vícios, para que não se desenvolvam males que dêem lugar no futuro a dolorosas novas batalhas no seio da sociedade”

Fidel Castro

Na segunda metade dos anos 80, na busca da superação definitiva do subdesenvolvimento e de fazer avançar a transição para o socialismo, dá inicio a um processo de transformação dirigido, sobretudo, para consolidar a essência determinante da orientação socialista de desenvolvimento: desenvover os requisitos da plena participação popular na direção do processo social e fortaler as relações e intituições que reforcem a participação dos trabalhadores na tomada de decisão em todos os níveis de controle econômico, cultural e político. É lançado em 1986 o Processo de Retificação de Erros e Tendências Negativas e a campanha da “Retificação” voltada para a consolidação do poder político de orientação socialista e de deu papel condutor no processo de produção social, de modo a grantir o avanço sustentado na consolidação da propriedade social socialista. Trata-se de buscar criar os pré-requisitos para substituir o anterior planejamento tecnocrático (realizado fundamentalmente pelos técnicos “planejadores”) para um planejamento abrangente democraticamente centralizado; que articule interesses não adversos e se combine com avanços na auto-gestão das instituições de base (reforço do papel dos “territórios” e dos “coletivos de trabalho”). Ao mesmo tempo, o rechaço de Fidel as políticas soviéticas de Glasnost e Perestroika, foi visto por muitos como "estalinista" ou "conservador". Na realidade o rechaço das políticas de Gorbatchev foi tudo menos isso: refletiu a compreensão profética do dirigente cubano que este tipo de “liberalização” de cima para baixo, inclusive com a restauração de um mercado de trabalho, conduziria necessariamente ao capitalismo; e que, ao contrário, o socialismo deveria revitalizar-se com uma combinação do fortalecimento da mobilização popular, da particiapação da base dos trabalhadores e do sentido humanista do processo de desenvolvimento cubano.

O projeto original da Campanha de Retificação teve que ser alterado e adaptado às difíceis condições criadas pela crise dos anos 1990 (mesmo que os passos dados para a implementação do Processo de Retificação “original” tenham sido muito positivos e oportunos para o enfrentamento da crise). A Revolução Cubana enfrenta a sua maior crise e o maior desafio à sua sobrevivência com o fim da URSS e a queda dos outros países do chamado “campo socialista” do Leste Europeu e o concomitante recrudescimento do bloqueio econômico e das agressões do imperialismo estadunidense. Até 1989, 79,9% das exportações e 85,3% das importações ocorriam com o “bloco socialista”. Dessa forma Cuba foi privada de uma série de itens fundamentais para sua vida econômica: alimentos, peças de reposição, matérias-primas para suas indústrias, petróleo cru, derivados de petróleo etc. Esse período de crise começou em 1990 e recrudesceu após 1991, se estendo até a atualidade e denomina-se Período Especial em Tempos de Paz. (em que são aplicados alguns dos mecanismos de emergência inicialmente pensados para o caso de uma invasão militar por parte do poderoso e animoso vizinho do norte). A fase mais dura ocorreu nos anos 1992 e 1993. A taxa média anual de crescimento do PIB durante o auge da crise (1990-93) foi de –12,4% e a produtividade caiu 12,0%; mas a política voltada à proteção do emprego e do rendimento evitou um desemprego em massa e a queda dos salários. O excesso de moeda decorrente dessa situação só não se traduziu em uma hiperinflação devido ao forte controle de preços e aos subsídios concedidos pelo sistema de racionamento das libretas. Qualquer outro país do continente que houvesse passado por uma crise semelhante teria os seus indicadores sociais extremamente agravados, o que não aconteceu em Cuba.

A liderança do país considerou necessário realizar certas “concessões” (como as definiu Fidel) que implicavam um relativo recuo do projeto socialista em relação ao mercado. As medidas de recuo tático concebidas a partir do IV Congresso do Partido Comunista de Cuba, em 1991, significavam uma desaceleração (em algumas áreas um estancamento) do processo de transição socialista. O desafio central do povo cubano, de seu poder popular e do PCC, sob as condições particularmente adversas dos anos 90, passa a ser definidas em termos da preservação das principais conquistas propriciadas pela revolução. Trata-se de defender o notável conteudo daquilo que usualmente se sintetiza como direitos sociais (saúde, educação, habitação, transporte coletivo, previdência, saneamento, etc.) e de garantir a defesa do país (ou seja, da soberania nacional). Entre aquelas “concessões” fazem parte: a reabertura do mercado interno - agropecuário, industrial, artesanal em moeda nacional e mercadorias importadas e de produção nacional em moeda estrangeira -; a possibilidade de associação econômica do Estado com o capital estrangeiro; o autofinanciamento das empresas em divisas conversíveis e a permissão para que as empresas estatais exportem e importem diretamente; e, por fim, uma descentralização do sistema bancário nacional. Em 1993 foram tomadas outras medidas: autorização para recebimento de remessas de divisas provenientes do exterior; incentivo ao desenvolvimento do turismo voltado para a classe média européia e o recebimento de dólares enviados por familiares que vivem no exterior. Houve uma diversificação da produção agrícola e da venda de produtos oriundos da alta capacidade obtida por Cuba em biotecnologia. Os dólares arrecadados com essas medidas foram e são fundamentais para que o país realize as importações de que necessita. Foram criadas as Unidades Básicas de Produção Cooperativa (UBPC) nas atividades agrícolas, com o propósito de elevar a eficiência na agricultura. Em 1995, foi promulgada a lei no. 77 que prevê a liberação dos investimentos estrangeiros no país; mas controlados pelo Ministério do Investimento Estrangeiro e Colaboração Econômica, e pelo Comitê Executivo do Conselho de Ministros, e só autorizados quando considerados estratégicos para o país.

O êxito de Cuba ao superar os rigores extraordinários dos piores anos do "Período Especial" de meados dos anos 90 só se explica pela a vitalidade continuada da revolução. Quem visitou Cuba nesses anos ficou impressionado com o estoicismo, compromisso e a lealdade da imensa maioria do povo cubano com a sua revolução; em um país inundado por imagens da sociedade estadunidense de consumo e propaganda contra-revolucionária. Um fator crucial na sobrevivência de Cuba foi o compromisso e exemplo dos dirigentes, especialmente Fidel. Mas o elemento decisivo foi que a orientação socialista da política nunca foi abandonada: diferente da Nicarágua sandinista, que sob imensa pressão militar e econômica em finais dos anos 1980 cedeu ao FMI, liberando os preços dos artigos de primeira necessidade e privatizando os serviços sociais, Cuba manteve a saúde e a educação universais gratuitas e subvencionou a moradia e os serviços públicos. Também intensificou – en vez de abandonar – a consulta democrática ao povo sobre as medidas que iriam tomar. No momento em que dirigentes ex-comunistas praticavam renegações pungentes e corriam para abraçar o capitalismo, toda a mídia e os governos diziam a seus povos que “não há alternativa ao neoliberalismo”; os dirigentes cubanos reafirmavam a alternativa socialista e organizaram um amplo processo de consultas que envolvia cerca de 80.000 "parlamentos dos trabalhadores" por todo o país para discutir as medidas necessárias para resolver a crise econômica.

O êxito na luta pela superação da crise já se manifesta quando da realização do V Congresso do PCC em 1998 e se torna mais visível na subsequente retomada do crescimento da economia; que a partir de ano 2000 apresentou altas taxas positivas, com alto incremento da produtividade da força de trabalho e retomada do crescimento do comércio exterior. Um fator que diferencia a sociedade cubana das sociedades capitalistas é o direcionamento social de seus gastos: apesar das difíceis condições pela qual Cuba passou, os gastos sociais continuaram representando a maior parcela do orçamento público, embora as concessões realizadas ao mercado tenham levado uma maior estratificação da sociedade.

Na primeira década do século XXI Cuba se recuperou do golpe dos anos 90 (entre 1989 e 1996 a economia teve um crescimento negativo de 35%); mas só em 2004 voltou ao nível que estava em 1989 (o que significou um atraso de 15 anos no desenvolvimento econômico), seguindo com um crescimento médio anual elevado (3% acima dos outros países latino-americanos). A Venezuela, a China (e também o Brasil) se converteram em sócios economicos importantes e a Alternativa Bolivariana para as Américas (ALBA) oferece novas perspectivas. Contribui para a construção de um novo perfil econômico os avanços (iniciados em 1986) nos setores científico e tecnológico; sobretudo na informática, biotecnologia, produtos farmacêuticos, equipamentos e serviços médicos. Assim, Cuba ampliou o espaço para voltar a reorganizar a economia, recuperando a tradição dos planos quinquenais e do planejamento em longo prazo e retomando as preocupações do Processo de Retificação original; no qual busca consolidar a articulação da consolidação dos potenciais fundamentais para o desenvolvimento estrátégico das forças produtivas do país (a mais importante delas sendo o próprio homem como elemento fundamental do “processo de trabalho”) com a formação do indivíduo co-proprietário socialista dos meios de produção e o desenvolvimento da "cultura integral”.

No século XXI Cuba continua oferecendo contribuições inovadoras e vitais à revitalização dos movimentos anticapitalistas e da alternativa socialista. Podemos destacar brevemente duas áreas. Uma é nos temas ambientais. Cuba tem adotado a agricultura orgânica e práticas ecologicamente sustentáveis em toda a economia. Há o desenvolvimento da agricultura urbana, onde pequenos terraços têm se convertido em projetos organopônicos, destinados ao cultivo intensivo de grande variedade de frutas e verduras. Havana, por exemplo, produz atualmente 60% da fruta e verdura que consome dentro dos limites geográficos da cidade, e a experiência está sendo levada a cabo na Venezuela e outros países. A "Revolução Energética" tem descentralizado a geração de energia de forma que a eletricidade dependa menos das grandes obras e mais de pequenos geradores locais que são mais eficazes e menos vulneráveis durante as emergências. As lâmpadas incandescentes foram substituídas em todo o país e há investimentos em grande escala na para a geração de energia eólica e solar.

A segunda contribuição vital para a emergência de uma nova alternativa é o apoio de Cuba a Venezuela, Bolívia e outros países da América Latina ocupados nestes momentos na luta para criar um novo modelo econômico e social. Os analistas internacionais fixam sua atenção na ajuda da Venezuela a Cuba em forma de petróleo barato, porém a importância da contribuição cubana à revolução bolivariana não é menor. Sem a colaboração de milhares de cubanos, Chávez seguramente não haveria podido pôr em marcha a notável missão de saúde “Barrio Adentro” ou a missão de alfabetização Robinson. Evo Morales tampouco haveria podido colocar em prática programas semelhantes na Bolívia, pelo menos a curto prazo – e na da situação política crítica dos dois países, o curto prazo era e é crucial.



REPUDIAR A HIPOCRISIA DA DIREITA PRÓ-IMPERIALISTA E BUSCAR TODA PACIÊNCIA PARA ESCLARECER OS DESINFORMADOS E EMBANANADOS

“O comunismo é uma meta da humanidade que se alcança conscientemente, logo, a educação, a liquidação das taras da sociedade antiga na consciência das pessoas, é de suma importância, sem esquecer é claro, que sem avanços paralelos na produção não se pode chegar nunca a tal sociedade. (...) Temos que elevar muito mais os estímulos morais. Ainda há muito que fazer no terreno dos estímulos morais e do aprofundamento da consciência das massas”

Che Guevara

“O comunismo, certamente, não se poderá estabelecer se não se criam riquezas em abundância. Porém o caminho, a nosso juízo, não é criar consciência com o dinheiro, mas criar riqueza com a conciência, e cada vez mais riquezas coletivas com mais consciência coletiva”

Fidel Castro

“Não fui eleito presidente para reintroduzir o capitalismo em Cuba. Fui eleito para defender o socialismo, para manter e o aperfeiçoar o socialismo, não para destruí-lo. (...) Trata-se de definir através da mais ampla participação popular a sociedade socialista que aspiramos e podemos construir nas condições atuais e futuras (…) e asegurar a irreversibilidade do socialismo no país, única garantía para sua verdadeira independencia”

Raul Castro

Desde a vitória da Revolução Cubana em 1959, os EUA (o mais poderoso poder imperial que já existiu) vem promovendo agressões militares diretas, operações de espionagem e subverção sistemática e uma permanente guerra diplomática, política, ideológica e econômica contra Cuba. Após a queda da URSS, os EUA intensificaram sua campanha contra Cuba, promovendo uma escalada de agressões, endurecendo o cerco internacional e o bloqueio econômico na vã esperança de precipitar um colapso imediato da ordem pós-revolucionária e derrubar o poder revolucionário. Entre outras medidas, aprovou em 1992 a Lei Torricelli e, em 1996, a Lei Helms-Burton. A Lei Torricelli foi aprovada após o fim da URSS, com o objetivo explícito de “acelerar a queda do socialismo em Cuba”, prevendo medidas contra empresas norte-americanas e suas filiais que realizem negócios com Cuba e proibindo o ingresso por seis meses em porto americano de embarcações que passem por um porto cubano. A Lei Helms-Burton foi aprovada em um momento em que a economia cubana começava a dar os seus primeiros sinais de recuperação, deu força de lei às ordens executivas e disposições da administração estadunidense existente contra Cuba. Esta lei é dotada de um absurdo caráter extraterritorial (em arrogante desrespeito ao direito internacioanal e à soberania de todos os outros países do planeta); pois estabeleceu sanções contra países, empresas e entidades que mantenham determinadas relações econômicas com Cuba. Essa lei permite que qualquer cidadão americano cujos interesses esteja relacionado com propriedades nacionalizadas em Cuba abra um processo, na justiça americana, contra empresas que realizem negócios com Cuba, podendo esse processo ser estendido contra os investidores estrangeiros e inclusive contra seus familiares. Washington e a CIA fazem todo o possível para impedir qualquer país de ter relações comerciais com Cuba, de investir na ilha, o de lhe conceder créditos. O bloqueio torna as importações muito mais caras, pois Cuba deve adquirir produtos de países distantes, geralmente sem as vantagens de um contrato padrão e enfraquece a posição de negociação de Cuba com Estados e empresas estrangeiras.

A CIA organizou, em agosto de 1994, o episódio dos balseiros; aliciando cidadãos cubanos no momento mais duro do “período especial” com a promessa de visto permanente (quando a embaixada norte-americana se negava a atender a solicitação cubana de expedição de vistos para viagens ou emigração legal), naturalização e empregos em Miami (quando os EUA viviam um momento de euforia econômica). Tratava-se de uma provocação para preparar uma agressão militar; pois o governo estadunidense (mediante corrrespondência de Mister Kevin Whitaker, Chefe do Birô Cubano do Departamento de Estado) informou que considerava “os sequestros de barcos a partir de Cuba uma grave ameaça à Segurança Nacional dos EUA”. Fidel Castro denunciou a manobra: “Whitaker disse isto como se não fossem eles quem provocava e incentivava esses seqüestros, como se não fôssemos nós que adotavamos medidas drásticas para evitá-los”. A polêmica internacional sobre a condenação dos sequestradores desconsiderou a ameaça militar direta a que o país estava submetido por esse motivo.

Em 2002, o subsecretário de Estado James Bolton, acusou Cuba de ser fornecedora de armas biológicas para os inimigos dos EUA tomando por “base” o fato dos cubanos terem uma indústria farmacêutica avançada; o que justificaria a caracterização de Cuba como alvo “moralmente justificável” para um ataque militar dos Estados Unidos. Foi mais uma das inúmeras e renovadas tentativas de acusar cuba de crimes anti-americanos fictícios, por parte de agentes de um Estado que não tem moral nem respeito pela verdade. Mas neste contexto tais calunias representavam parte da orquestração de planos monstruosos. Em 2003 o governo estadunidense de Baby Bush incluiu Cuba (junto com o Afganistão e o Iraque) no “eixo do mal”, com todas as sinistras implicações de tal caracterização. Em Discurso do Primeiro de Maio de 2003, Fidel Castro respondeu energicamente, lembrando o fiasco da intentona de invasão na Baía dos Porcos e a humilhante derrota dos EUA no Vietnã; destacando que caso Cuba seja atacada, como foram o Afganistão e o Iraque: “os agressores não estariam apenas enfrentando um exército, mas milhares de exércitos que constantemente se reproduziriam e fariam o inimigo pagar preço tão alto em baixas que excederia em muito o custo em vidas de seus filhos e filhas que o povo americano estaria disposto a pagar pelas aventuras do presidente Bush”

O golpe militar em Honduras, já sob o governo Obama, é uma manifestação da nova estratégia contra-revolucionária e especificamente golpista dos EUA na América Latina; que neste “primeiro round” conseguiu o que pretendia: afastar um presidente progressista democraticamente eleito e substitui-lo por gente da sua inteira confiança. Essa vitória do imperialismo não deve ser subestimada porque se integra numa estratégia ambiciosa, que visa a neutralizar o movimento de contestação dos povos da América Latina à dominação dos EUA.

Parte importante desta estratégia é o revigoramento da persistente campanha contra a Revolução Cubana desatada pela ditadura da mídia internacional, encabeçada pelo poder des-informador, manipulador e caluniador dos EUA. Esta pérfida campanha se inscreve nos marcos do contra-ataque dos EUA e seus aliados respondendo à onda transformadora que desde o final do século XX e começo do XXI emerge na América Latina; e que tem como uma de suas manifestações a formação de governos revolucionários na Venezuela e Bolívia, ou progressistas independentes como no Equador. É parte de uma estratégia para reverter os recentes avanços e conquistas que puderam ser realizadas a partir da firmeza com que a Revolução Cubana enfrentou a onda conservadora das últimas décadas do século passado. Obama adotou em relação a Cuba uma política de tensão progressiva. Agora, em 2010, o governo Obama decreta arbitrariamente a inclusão de Cuba como “Estado terrorista” a ser derrubado na nova escalada do agressivamente promovido “novo século americano”. O novo governo autoriza as ações da “Comisssão Especial Para promover a Mudança de Regime em Cuba” (eufemismo utilizado para não dizer “promover a contrarrevolucão”); organização interna do próprio Departamento de Estado, criada por George W. Bush, que dispõe de um orçamento anual de 59 milhões de dólares (sem contar as verbas que se destinariam por “vias encobertas”) dos quais 36 milhões estariam destinado a fomentar e financiar as atividades dos “disidentes”. Trata-se, segundo Informe Oficial da “Comissão” (publicado em 2004, com 458 pp.) da “criação da oposição em Cuba” e do lançamento de uma “poderosa ofensiva de propaganda” para a robusrtecer e dar credibilidade. Para resumir, trata-se de apresentar como una nobre e patriótica dissidência interna os agentes da metódica aplicação de um projeto imperialista, desenhado para cumprir o velho sonho da direita estadunidense de apoderar-se definitivamente de Cuba.

Atolados em guerras perdidas no Iraque e no Afeganistão, alarmados com o caos paquistanês e incapazes, até agora, de impor a sua vontade ao Irã – o único grande pais muçulmano da Ásia que desenvolve uma politica independente – o sistema de poder dos EUA sentiu o perigo do “avanço revolucionário” dos povos da América Latina. O precedente de Cuba assusta o Império! Quanto mais evidente se torna a fase senil do capitalismo, maior é a pressão e o recurso à mentira e à falsidade dos meios de comunicação do sistema contra Cuba e todos os que se opõem coerentemente ao sistema. Um intenso trabalho de desinformação e descrédito montado pela CIA, com financiamento canalizados pelo Escritório de Interesses dos EUA em Havana, conflui em nova (e literalmente milionária) campanha que busca re-atualizar a estigmatização de Cuba; numa nova tentativa de isolar internacionalmente um país perseguido por ser pioneiro da segunda independência da Nossa América; o único pais que conseguiu consolidar uma revolução de orientação socialista no hemisfério ocidental. O mais recente instrumento da campanha de difamação de Cuba é um comunicado empapado de mentiras até à medula e assinado por “intelectuais” a circular nos blogs criados pela CIA, referindo-se ao desfecho da “greve de fome” de Zapata Tamayo, apresentando-o como “um dissidente político” que teria sido “brutalmente torturado” até a morte (o que é mais uma comprovada mentira). A lista dos pretensos “presos políticos” cubanos, a mais inflacionada de todas, não chega a 50, entre os quais encontramos apenas pessoas que recebiam salário da CIA para fomentar a desintegração social e pessoas que estão presas por terem cometido atentados terroristas (como colocar bombas em hotéis). Zapata não era um “dissidente”, nem um preso político; mas um delinquente comum que foi aliciado na prisão por um grupo terrorista coordenado pela CIA, cujo membro mais famoso é Posada Carriles, que assassinou 73 pessoas no atentado contra o avião cubano em 1976 em Barbados. A família de Zapata começou então a receber dinheiro de organizações da máfia de Miami, como a Fundação Nacional Cubano Americana, financiada pelo governo americano e responsável pela morte de inúmeros civis devido a ações terroristas em Cuba. Incitaram-no a fazer esta greve da fome com base em curiosa petições (telefone, televisão e cozinha na cela). Ainda que se tenha negado sempre a receber assitência médica, foi tratado e atendido contra sua vontade em vários hospitais do país; mas faleceu devido a doença nos pulmões (Cf. José Manzaneda http://www.kaosenlared.net/noticia/orlando-zapata-delincuente-convertido-martir-estrategas-guerra-contra-).

Mas o que é um “dissidente político”? O Dicionário de Política de Norberto Bobbio define o “dissenso” como “qualquer forma de desacordo sem organização estável e, portanto, não institucionalizada, que não pretende (...) derrubar o sistema político vigente”. Mais adiante assinala que existe um limite que, uma vez ultraspassado, converte o “dissenso”, e os disidentes, em outro fenômeno. Atílio Borón apanha o nó da questão quando contrasta notáveis dissidentes políticos – como Sakahrov (na ex-URSS) e Martin Luther King (nos EUA), que foram implacaveis críticos de seus governos, mas jamai se colocaram a serviço de um Estado estrangeiro que ambicionava oprimir a sua pátria – com a suposta “dissidência cubana”, que “se enquadra em outra figura jurídica. Isto não só porque o seu propósito é subverter a ordem constitucional e derrubar o sistema”; mas porque, e este é o ponto realmente esencial: “querem fazê-lo pondo-se a serviço de uma potência inimiga, os Estados Unidos, que há meio século agride Cuba por todos os meios imaginavéis. Os que recebem dinheiro, acessoria, e orientações de um país objetivamente inimigo de sua pátria e atuam em congruência con as intenções imperiais de precipitar uma “mudança de regime”. Podem ser considerados como ‘dissidentes políticos’?” () Segundo a Constituição dos EUA (§ III, Sec. 3) este tipo de crime (mesmo quando não implica em atentados terroristas) é considerado “delito de traição” e a sanção por este delito pode chegar a pena de morte. Borón realiza uma revisão dos critérios de Constituições de vários países para demonstrar que “o que a imprensa do sistema denomina dissidencia é o que em qualquer país do mundo – começando pelos Estados Unidos – seria considerado como traição a pátria, e nenhum dos acusados jamais seria considerado como um ‘dissidente político’. No caso dos cubanos, todos os chamados dissidentes estão incursos no delito de unir-se a uma potência estrangeira em aberta hostilidade contra a nação cubana, receber de seus representantes – diplomáticos ou não – dinheiro e toda sorte de apoios logísticos para destruir a ordem criada pela revolução” (Id. Ibiem).

Até aqui examinamos uma política hipócrita, mas a seu modo “coerente”; isto é que está de acordo com a miséravel “racionalidade” contra-revolucionária que é fruto de um ódio visceral (irracional de uma perspectiva humanista totalizante) de um império militarista decadente, incapaz de admitir as causas profundas de seus fracassos nas tentativas de recolonização de Cuba e de subversão de sua heróica revolução. Estranha é a posição assumida (e assinada) pela LIT-QI (Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional), sob o título “A morte de Orlando Zapata e as liberdades em Cuba” (publicado no Correio Internacional 157, março de 2010, que se encontra na página eletrônica do PSTU). Para a LIT-QI Orlando Zapata Tamoyo (ou “a organização a que estava ligado”) tinha sim posições pró-capitalistas; mas ele era um “preso de consciência” do regime cubano que teria se transformado em “uma ditadura capitalista” e “nesses casos, os revolucionários chamam a uma ampla unidade de ação, inclusive com os setores burgueses, para combter as ditaduras”. Para justificar uma aliança com a máfia cubana de Miami, com os grupos terroristas fascistas e com a CIA para derrubar a “ditadura castrista”, a LIT-QI recorre a pirueta “teórica” (sic) de identificar o poder revolucionário cubano com as ditaduras militares de extrema direita que vitimaram o Cone Sul entre as decadas de 1960 e meados de 1980. Seguindo em suas tortuosas elocubrações por “analogia”, a LIT-QI lembra que o ex-presidente norte-americano Jymmy Carter “questionou” a ditadura argentina quando estava a frente da Casa Branca e hoje Obama também defende as “liberdades democráticas” em Cuba tentando “vender uma imagem similar”. Logo, conclui triunfalmente a nota, “a esquerda” deve seguir em Cuba a mesma tática do novo presidente estadunidense para não “facilitar a política do imperialismo de identificar a esquerda e o socialismo com a falta de democracia” e tirar Cuba “das mãos do castrismo” que estaria “à serviço do imperialismo europeu e canadense”. FRANCAMENTE!

Será que o PSTU se descuidou e permitiu uma infiltração de provocadores de direita na sua página eletrônica? Infelizmente não! A coisa é mais grave! O PSTU confirmou sua identificação política com estas posições da LIT-QI. Esta “Liga” já havia se aliado com a direita venezuelana (as numerosas instituições do governo estadunidense, as Fedecameras, os monopólios de comunicação privados e a alta hierárquia reacionária da Igreja Católica) para derrotar (por uma margem de 1,4% dos votos sobre nove milhões de votantes) o referendo à avançada Constituição que continha transformações revolucionárias proposta pelo presidente Chávez em 2007 (crucial não só pelas medidas políticas radicalmente democratizantes, como para libertar a Venezuela da dependencia do petróleo e do controle capitalista dos setores financeiros e produtos estratégicos). Em 2008, chamou o boicote ao referendo revogatório, convocado por Evo Morales; provocando a divisão entre o movimento de operários e camponeses; levando água ao moinho do processo desestabilizador que sofre o presidente boliviano pelas mãos da extrema-direita separatista de Santa Cruz de la Sierra, em conspiração abertamente apoiada pelo Estado imperialista norte-americano.

Para ser coerente - sem prejuízo de sua aliança “internacionalista” com Obama, os falcões do Pentágono e os gorilas de todos os quadrantes - o PSTU deveria buscar também aliados caseiros. Certamente tais idéias do PSTU proporcionariam um conveniente enfeite “de esquerda” à raivosa propaganda da grande burguesia contra a “ditadura cubana” e teriam seu momento de brilho e fama ao plim-plim dos holofotes de The Globe (esta rede de TV e de jornais Estadunidense, com sede no Rio de Janeiro e a família Marinho como testa de ferro). Este programa “democrático” do PSTU seria certamente muito bem recebidos também pelo deputado Jair Bolsonaro, notório prócer da ultradireita brasileira, que divulgou manifesto com a mesma linha política: “irrestrito apoio e solidariedade aos presos políticos que, em Cuba, lutam por liberdade e democracia naquele país”.

Nós preferimos outras companhias, até porque consideramos que superar a ameaça militar a que Cuba está submetida é causa comum de toda humanidade, em particular de todos os comunistas, socialistas, revolucionários e democratas consequentes (aqueles que não temem avançar para o socialismo). Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para contribuir na mobilização de nossos povos, dos seus trabalhadores e trabalhadoras, do campo e da cidade, de seus jovens e de suas mulheres, de seus povos originarios e de seus intelectuais… a empregar a fundo todo o nosso talento, energia e criatividadade para defender Cuba e frustrar as perversas intenções da cruzada contrarevolucionária com sede em Miami e Washington.

A democracia em sentido radical – o governo do povo para o povo – começa necessariamente nas comunidades locais, aonde as pessoas nas vizinhanças e nos lugares de trabalho organiza e dirige seus próprios assuntos. Neste sentido, Cuba tem um poderoso sistema de democracia local. A indicação direta de candidatos nas reuniões comunitárias e sua eleição como delegados municipais do poder popular em eleições com voto secreto e vários candidatos, mais a obrigação dos eleitos prestarem contas pessoalmente a cada seis meses em várias reuniões locais (com a possibilidade real de revogação do mandato), garante um grau de participação e controle local com o qual nenhum país burguês pode rivalizar (v. sobre o tema Arnold August, Democracia em Cuba y las Elecciones de 1997-98, Ed. José Martí, La Habana, 1999; e Peter Roman – People A’s Power, Roman & Littlefield, Lanham, MD, 2003). A Revolução Cubana, apesar do bloqueio e das inúmeras agressões e provocações de que é alvo mantém a mais efetiva democracia popular direta do mundo e conquistas sociais mais amplas e profundas que qualquer país capitalista. É certo que há muito que avançar na construção de uma democracia socialista desenvolvida e que as condições de cerco imperialista que força Cuba a viver em permanente estado de emergência; criam condições desfavoráveis para a conquistas de muitos objetivos socialistas fundamentais, tanto na esfera econômica, quanto na político-cultural. Mas não se pode simplesmente que esperar que estas condições deixem de existir só porque o desejamos; não se pode deixar de responder a elas de modo responsável e prudente. É claro que não se deve prolongar tal estado de emergência (ou deixar acelerar a revolução em termos de igualdade substantiva e de transferência progressiva de todo o poder aos “produtores associados”) além do historicamente justificável. Na URSS, nos primeiros anos que se seguiram à Revolução de Outubro, o país teve que enfrentar a extrema privação de um autêntico estado de emergência; mais tarde esta situação, antes plenamente justificada, foi prolongada artificialmente bloqueando o desenvolvimento da democracia socialista. Evidentemente, não existe nada de artificial no dolorosamente longo estado de emergência de Cuba diante das ameaças militares constantemente renovadas e intensificadas de seu poderoso inimigo preponderante.

A Revolução Cubana demonstrou seu internacionalismo e solidariedade da forma mais tangível, com as causas da emanciapção humana em inúmeras ocasiões. Desde o corajoso apoio aos processos revolucionários da América Latina e Africa (dando litereralmente o próprio sangue), passando pela desprendida formação de estudantes do mundo todo e mantém em muitos países periféricos, sobretudo na América Latina, até o generoso compromisso extraordinários de milhares de internacionalistas cubanos, proporcionando serviços profissionais das áreas da saúde da família e da educação (com destaque para a luta contra o analfabetismo, já erradicado na Bolívia e na Venezuela) em condições que poucos aceitariam, e que constituem o testemunho vivo da realidade do projeto socialista do país Mas a solidariedade é uma rua de mão dupla. A solidariedade internacioanal tem condições de dar uma contribuição significativa para o próximo meio século da Revolução Cubana. Devemos aprofundar a luta em defesa da Revolução Cubana, apostando sempre na sua promissora capacidade de superar encruzilhadas e limites, de recriar-se e renovar-se constantemente. Cada momento tem um significado essencial que não se perde em seguida: as forças revolucionárias se acumulam e, na luta, gerak a aceleração em espiral, pela qual um patamar mais complexo da revoluçãopassa a ser o ponto de partida de uma evolução subsequente ainda mais complexa. Cuba ficou permanentemente aberta todos os caminhos do socialismo. A Revolução Cubana teve sempre um caráter aberto, autocrítico, experimentado vários caminhos que conduzem ao socialismo; e há muitas razões que aumentam a esperança otimista de que forjará, em tempo, saídas próprias de contrução do socialismo e de passagem ao comunismo. Agora é imperioso fortalecer ao máximo a solidariedade à Cuba, por Cuba e por todos nós porque as implicações do ressurgimento de um poderoso e massivo movimento socialista revolucionário serão tanto mais impactantes quanto mais e melhor Nossa Ilha Socialista resistir nestes tempos difíceis de ofensiva contra-revolucionária.

Corrente Comunista Luis Carlos Prestes

Israel: Estado Pirata

Camaradas



O Comitê Catarinense de Solidariedade ao Povo Palestino condena veementemente os ataques do estado nazi-sionista de Israel aos barcos de ação humanitária que tinham como propósito levar água, alimentos e remédios aos palestinos que estão sitiados em Gaza.


A Faixa de Gaza tem 350 Km2 e 1 milhão e 500 mil habitantes que sobrevivem sitiados pelo estado nazi-sionista de Israel e sob o olhar omisso e silencioso do mundo.


Mas a natureza agressiva do estado de Israel acabou por evidenciá-lo mais uma vez, agora como piratas de águas internacionais, atacando navios de ajuda humanitária, devidamente identificados com suas bandeiras e autorizados a levar a solidariedade ao heróico povo palestino que, bravamente, resiste há 62 as espoliações agressivas do estado nazi-sionista de Israel.


Aos mártires palestinos e aos mártires solidários que estavam a bordo destes navios humanitários repetimos o que os nossos irmãos palestinos falam ao acordar e ao dormir: "seu sangue não foi derramado em vão, ele é o adubo da Palestina Livre!"


Causa Palestina, causa da humanidade!

Viva a Palestina Livre sobre seu Solo Pátrio, sobre seus 27 mil Km2!

Viva a solidariedade internacionalista!

Veja todas as notícias, reportagens, vídeos e moções de apoio ao Povo Palestino no nosso blog

http://www.somostodospalestinos.blogspot.com/



Palestina livre!

Viva a Intifada! Resitência até a vitória!

Comitê Catarinense de Solidariedade ao Povo Palestino

"Um beduíno sozinho não vence a imensidão do deserto, é preciso ir em caravana"

www.vivapalestina.com.br

www.palestinalivre.org

Declaración del Ministerio de Relaciones Exteriores de Cuba

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El Ministerio de Relaciones Exteriores de la República de Cuba ha conocido con profunda preocupación el criminal ataque perpetrado por las fuerzas especiales del Ejército israelí, en la madrugada del 31 de mayo, contra una flotilla de barcos que se encontraba en aguas internacionales y que trasladaba ayuda humanitaria al pueblo palestino residente en la Franja de Gaza, provocando la muerte y heridas a varios miembros de la misma.


El Ministerio de Relaciones Exteriores expresa su más enérgica condena a este artero y criminal ataque del gobierno de Israel y hace un llamado a la comunidad internacional y a los pueblos amantes de la paz a exigir a las autoridades israelíes el inmediato levantamiento del ilegal, despiadado y genocida bloqueo contra el pueblo palestino en la Franja de Gaza.


Cuba desea hacer llegar a los familiares de las víctimas sus más sentidas condolencias y reitera su apoyo y solidaridad a la justa causa del pueblo palestino y a sus derechos inalienables, que incluye la creación de un Estado palestino independiente con Jerusalén Este como capital.

La Habana, 31 de mayo de 2010

terça-feira, 1 de junho de 2010

MARTÍ

.A TRANSCENDÊNCIA HISTÓRICA DA MORTE DE MARTÍ



Apartando os problemas que hoje afligem à espécie humana, nossa Pátria teve o privilégio de ser berço de um dos mais extraordinários pensadores deste hemisfério: José Martí.


Amanhã, 19 de Maio, comemora-se o 115º Aniversário de sua gloriosa morte.

Não seria possível avaliar a magnitude de sua grandeza sem ter em conta que aqueles com os quais escreveu o drama de sua vida também foram figuras tão extraordinárias como Antonio Maceo, símbolo perene da firmeza revolucionária, protagonista do Protesto de Baraguá, e Máximo Gómez, internacionalista dominicano, mestre dos combatentes cubanos nas duas guerras pela independência nas quais participaram. A Revolução Cubana, que durante mais de meio século tem resistido os embates do império mais poderoso que tem existido, foi fruto dos ensinamentos daqueles predecessores.



Apesar da ausência de quatro páginas do diário de Martí nos materiais ao alcance dos historiadores, o que consta daquele diário pessoal escrito minuciosamente e de outros documentos seus daqueles dias, é mais do que suficiente para conhecer os detalhes do acontecido. Mesmo como nas tragédias gregas, foi uma discrepância entre gigantes.



Nas vésperas da sua morte em combate escreveu ao seu amigo próximo Manuel Mercado: “Já corro todos os dias o perigo de dar minha vida pelo meu país e por meu dever — visto que o entendo e tenho ânimos com que realizá-lo — de impedir a tempo com a independência de Cuba que os Estados Unidos da América se estendam pelas Antilhas e caiam com essa grande força, sobre nossas terras da América. Tudo o que fiz até hoje, e farei, é para isso". Em silêncio teve que ser e como indiretamente, porque existem coisas que para consegui-las têm que andar ocultas, e de proclamarem-se no que são, colocariam dificuldades duras demais para alcançar sobre elas o fim.”



Quando Martí escreveu essas palavras lapidárias, Marx já tinha escrito O Manifesto Comunista em 1848, isto é, 47 anos antes da morte de Martí, e Darwin tinha publicado A origem das espécies em 1859, para citar apenas as duas obras que, no meu entender, exerceram maior influência na história da humanidade.



Marx era um homem tão extraordinariamente desinteressado, que seu trabalho científico mais importante, O Capital, talvez nunca tivesse sido publicado se Federico Engels não reúne e ordena os materiais aos quais seu autor consagrou toda sua vida. Engels não só se ocupou dessa tarefa, mas também foi autor de uma obra intitulada Introdução à dialética da natureza, onde já faz referência ao esgotamento da energia solar.



O homem ainda não conhecia como liberar a energia contida na matéria, descrita por Einstein em sua famosa fórmula, nem dispunha de computadores que pudessem realizar bilhões de operações por segundo, capazes de recepcionar e transmitir, ao mesmo tempo, os bilhões de reações por segundo que têm lugar nas células das dezenas de pares de cromossomos com que contribuem a mãe e o pai em partes iguais, um fenômeno genético e reprodutivo do qual eu tive noção após o triunfo da Revolução, na busca de melhores características para a produção de alimentos de origem animal nas condições de nosso clima, que se estende através de suas próprias leis hereditárias às plantas.



Com a educação incompleta que recebíamos os cidadãos de maiores recursos nas escolas, geralmente privadas, consideradas os melhores centros de ensino, virávamos analfabetos, com um pouco de maior nível do que aqueles que não sabiam ler nem escrever ou daqueles que freqüentavam as escolas públicas.



Por outro lado, o primeiro país do mundo onde se tentou aplicar as idéias de Marx foi na Rússia, o menos industrializado dos países da Europa.


Lenine, criador da Terceira Internacional, considerava que no mundo não existia organização mais leal às idéias de Marx do que a facção Bolchevique do Partido Operário Social-democrata da Rússia. Embora boa parte daquele imenso país vivesse em condições semi-feudais, sua classe operária era muito ativa e sumamente combativa.



Nos livros que Lenine escreveu depois de 1915, foi incansável crítico do chauvinismo. Em sua obra O imperialismo, fase superior do capitalismo, escrita em Abril de 1917, meses antes da tomada do poder como líder da facção Bolchevique daquele Partido perante a facção Menchevique, demonstrou igualmente que foi o primeiro em compreender o papel que deviam desempenhar os países submetidos ao colonialismo, como a China e outros de grande peso em diversas regiões do mundo.



Ao mesmo tempo, a valentia e audácia de Lenine ficaram demonstradas quando aceitou deslocar-se desde a Suíça até as imediações de Petrogrado no comboio blindado que lhe proporcionou o exército alemão, por conveniência tática, pelo que os inimigos dentro e fora da facção Menchevique do Partido Operário Social-democrata da Rússia não demoraram em acusá-lo de espião alemão. Se não tivesse usado o famoso comboio, o final da guerra o surpreenderia na longínqua e neutral Suíça, com o qual o minuto ótimo e adequado se perderia.



De alguma maneira, por acaso, dois filhos da Espanha, graças às suas qualidades pessoais, começaram a desempenhar papéis relevantes na Guerra Hispano-Norte-americana: o chefe das tropas espanholas na fortificação de El Viso, que defendia o acesso a Santiago desde a altura de El Caney, um oficial que combateu até ser ferido de morte, causando aos famosos Rough Riders — ginetes duros, norte-americanos organizados pelo nessa altura Tenente-Coronel Theodore Roosevelt, que o precipitado desembarque tiveram que fazê-lo sem seus fogosos cavalos — mais de trezentas baixas, e o Almirante que, cumprindo a estúpida ordem do Governo espanhol, zarpou da baia de Santiago de Cuba com a infantaria de marinha , uma força seleta, e saiu com a esquadra da única forma possível, que foi desfilar com cada navio, um por um, saindo pelo estreito acesso em frente da poderosa frota ianque, que com seus couraçados em linha disparavam seus potentes canhões sobre os navios espanhóis os quais possuíam menor velocidade e blindagem. Logicamente, os navios espanhóis, suas dotações de combate e a infantaria de marinha foram afundados nas profundas águas da fossa de Bartlett. Apenas um conseguiu chegar a poucos metros da margem do abismo. Os sobreviventes daquela força foram presos pela esquadra dos Estados Unidos da América.



A conduta de Martinez Campos foi arrogante e vingativa. Cheio de rancor pelo seu fracasso na tentativa de pacificar a Ilha como em 1871, apoiou a política ruim e rancorosa do Governo espanhol. Foi substituído no comando de Cuba por Valeriano Weyler; ele, com a cooperação dos que enviaram o couraçado Maine na busca de justificativas para intervir em Cuba, decretou a concentração da população, que provocou enormes sofrimentos ao povo de Cuba e serviu de pretexto aos Estados Unidos da América para estabelecer seu primeiro bloqueio econômico, provocando uma enorme escassez de alimentos e a morte de sem-número de pessoas.



Dessa maneira foram viabilizadas as negociações de Paris, onde a Espanha renunciou a todo direito de soberania e propriedade sobre Cuba, depois de mais de 400 anos de ocupação em nome do Rei da Espanha em meados de Outubro de 1492, depois de Cristóvão Colombo ter asseverado: “esta é a terra mais bela que os olhos humanos viram”.



A versão mais conhecida da batalha que decidiu a sorte de Santiago de Cuba é a espanhola, e sem dúvida houve heroísmo se são analisados o número e as patentes dos oficiais e soldados, que na mais desvantajosa das situações defenderam a cidade, fazendo honra à tradição de luta dos espanhóis, que defenderam seu país contra os aguerridos soldados de Napoleão Bonaparte em 1808, ou a República espanhola contra a investida nazi-fascista em 1936.



Uma ignomínia adicional caiu sobre o comitê norueguês que outorga os prêmios Nobel, na busca de pretextos ridículos para conceder essa honra, em 1906, a Theodore Roosevelt, eleito duas vezes Presidente dos Estados Unidos da América, em 1901 e 1905. Nem sequer foi esclarecida sua verdadeira participação nos combates de Santiago de Cuba comandando os Rough Riders, e pôde existir muito de lenda na publicidade que recebeu posteriormente.



Eu só posso dar testemunho da forma em que a heróica cidade caiu nas mãos das forças do Exército Rebelde em Primeiro de Janeiro de 1959.



Foi então que as idéias de Martí triunfaram na nossa Pátria!





Fidel Castro Ruz

18 de Maio de 2010

18h12

RN - Entrevista com Fabio Simeon

Publicado por: Redação Cuba Viva 30 mai, 2010


Fabio Simeon González é um cidadão cubano, advogado, ex-vice Cônsul de Cuba na cidade do México e representante de relações internacionais do INSTITUTO CUBANO DE AMIZADE ENTRE OS POVOS – ICAP. Ele está no Brasil participando das várias convenções estaduais preparativas para a XVIII Convenção Nacional de solidariedade a Cuba, em Porto Alegre, de 4 a 6 de junho. Em sua passagem por Natal, Fabio González conversou com a nossa reportagem.

A imprensa tem alardeado aos quatro cantos falsas questões sobre os cinco cubanos presos nos Estados Unidos. Como cidadão cubano você tem toda propriedade para dizer o que de fato ocorre.

Fabio Simeon González – São cinco heróis cubanos, cinco companheiros nossos que estão presos em cárceres norteamericanos, acusados injustamente pelo único delito de passar informações sobre elementos concretos de ações terroristas contra nosso país. E por este delito foram condenados a prisão perpétua. É uma tamanha injustiça silenciada pela grande imprensa. Essas pessoas informaram o governo cubano dos atos terroristas a serem cometidos contra Cuba. O governo norte americano, em vez de tomar medidas de controlar o grupo terrorista, prendeu nossos companheiros acusados pela CIA de espionagem. Tentam silenciar e manipular pelo mundo, como muita coisa que se manipula sobre a realidade cubana. Então, tenho o privilégio de ser convidado pelas autoridades do movimento de solidariedade com Cuba, que não vai permitir toda uma campanha dos grandes meios para atacar a realidade cubana.

Cinqüenta e um anos de aniversário da revolução cubana, o que mudou, principalmente na transição do governo de Fidel para Raul?

Fabio – Eu não precisaria uma etapa de mudança com Fidel e Raul, por que a revolução cubana permanentemente está em mudança. As mudanças que seguem neste momento com Raul e seus ministros foram mudanças anunciadas pelo próprio Fidel, em sua maioria. É importante que se coloque que para se manter o brilho da revolução estamos sempre aperfeiçoando o processo. Este aperfeiçoamento nós trabalhamos permanentemente, de acordo com o tempo e a circunstância, procurando que o nosso projeto seja o mais perceptível possível em função de um mundo melhor.


Como andam os índices educacionais de Cuba, já que andaram dizendo que os índices não são as mesmas coisas e que se iguala a países subdesenvolvidos?


Fabio – Isso é parte desse circo, dessa campanha circense. Isso é totalmente absurdo, não procede. Ao contrario, nosso sistema educativo a cada dia se aperfeiçoa mais. Um país capaz de levar ao mundo os seus médicos, os seus profissionais, o seu capital humano, em função de dar essa luz à educação, não pode ser um país que está retrocedendo em seu sistema de educação.


Quando Obama se candidatou disse que ia resolver o problema do bloqueio econômico com Cuba. Como você vê essa questão?


Fabio – O povo de Cuba não tem nem um otimismo ao que Obama queira com relação à essa medida. Por que todos sabem que isso não depende de mudança tão substancial, sobretudo no que se refira à retirada do bloqueio. Isto é parte de um sistema e parte de uma intenção de governo que não basta de Obama..


Sobre o terremoto do Haiti, Cuba teve um importante papel…

Fabio – Esse é outro tema que os meios de comunicação não divulgaram. Os grandes meios de imprensa não reconhecem o mundo de conquistas de um projeto revolucionário. Um projeto que consegue índices saudáveis. Que país do mundo subdesenvolvido tem 78 anos de expectativa de vida? Temos conseguido reduzir a mortalidade infantil a 4,8 para cada mil nascidos vivos, graças ao projeto da revolução.


Fala-se que em Cuba não há liberdade de imprensa. Como tem sido o papel da imprensa cubana?

Fabio – Primeiro de tudo, pensamos que a imprensa tem que ser uma imprensa que responda aos interesses da maioria do povo cubano. Não uma imprensa que tenta distorcer a realidade. Temos um espaço de mídia livre e institucional. Realmente, nós queremos uma imprensa que defenda nosso projeto e que a crítica tenha um sentido construtivo e não uma crítica para deteriorar a imagem da revolução, que foi uma conquista de muitos anos e não abrimos mão disso. Sabemos quanto a imprensa é nociva quanto à formação da nossa juventude, ou até mesmo à nossa sociedade, propagando violência, propagando permanentemente mensagem agressiva. Permanentemente estamos levando mensagem de paz e não crítica por crítica.


E as eleições em Cuba?


Fabio – Muito boa pergunta, por que recentemente tivemos outra eleição parcial, com participação de 95% da população (em Cuba, o voto não é obrigatório). É muito raro um país no mundo onde vote 95% da sua população. Muitas pessoas não entendem que em Cuba não haja um candidato proposto por um partido político. Nossos candidatos são propostos em assembleia popular. Nossas urnas não são cuidadas por militares levando pistolas, levando fuzis, nossas urnas são cuidadas por crianças. Quando termina o processo eleitoral, todo eleitor pode ver a apuração. Não há nenhum segredo. Todo mundo tem o direito de acesso ao local das urnas. Penso que esse sistema é o mais democrático. Quando tenho referência de como é feito o processo eleitoral em outros lugares do mundo eu me sinto orgulhoso do nosso sistema eleitoral.

Quanto à questão econômica, como é que Cuba sobrevive diante de todo esse bombardeio?

Fabio – Isto realmente parece incrível. Primeiro que tudo por que somos um povo heróico. No período especial o comandante do nosso governo nos avisou a que iamos enfrentar. E nos perguntou se estávamos disposto a assumir a responsabilidade. O povo de Cuba assumiu com dignidade, sem se negar. Temos muita muita dificuldade, por que realmente enfrentar o bloqueio não era nada fácil. Nós crescemos afortunadamente com nosso capital humano. Por isso que a crise mundial não nos agarra, por que estamos preparados, prevenidos, por que sabemos como enfrentar. De alguma maneira tiramos uma lição desse período especial.


Em relação a essa campanha internacional de solidariedade com Cuba, em sua opinião, qual tem sido a importância das Casas de Amizade?

Fabio – Extraordinário. Eu te digo que nós somos fortes, e te digo com toda autoridade por que vivo passando por vários estados. Nos tornamos um movimento de solidariedade com Cuba-Brasil mais forte, com mais forças incorporadas de todos os setores políticos. Quando se fala no tema é Cuba há uma convergência da esquerda brasileira e dos amigos de Cuba, a favor de Cuba, tratando de apoiar a Cuba. Se irmanando conosco e superando etapas muito difíceis. Há uma manobra do imperialismo que nesta hora está utilizando mercenários e armando um espetáculo circense para diminuir o apreço que se levanta a favor da revolução cubana. Em todos os estados estão sendo realizadas reuniões, criados documentos e atos de afirmação solidária com a Cuba do povo, com a Cuba de Fidel, com a Cuba de Raul. Todos estes atos convergem nos dias 4, 5 e 6, em Porto Alegre, com todos os amigos de Cuba, na Décima-Oitava Convenção Nacional para denunciar a campanha mediática contra Cuba. Teremos também uma delegação cubana acompanhando o evento. Vamos discutir vários temas, como dar atenção a estudantes estrangeiros que estudam em Cuba; o processo orgânico de como articular melhor o trabalho de solidariedade com Cuba no Brasil. Estamos cumprindo 50 anos de relação entre 2625 Institutos Cubanos de Amizade com os Povos e associações de solidariedade com Cuba em 134 países do mundo.


Fonte:
 http://www.foque.com.br/fabio-entrevista.php


Assista vídeo em:
 http://www.youtube.com/watch?v=i7Hz_2SFRLI&feature=player_embedded#!

REPÚDIO INDIGNADO A MAIS UMA COVARDE E DESUMANA AGRESSÃO SIONISTA

.


O Partido Comunista Brasileiro (PCB) manifesta seu repúdio e indignação diante do covarde ataque cometido por agentes do Estado terrorista de Israel, que agiram como verdadeiros piratas modernos contra a flotilha humanitária que levava remédios e suprimentos para a população bloqueada da Faixa de Gaza.


Trata-se de uma ação desumana e bárbara contra civis pacifistas, desarmados, realizada em águas internacionais, com o uso de barcos de guerra, forças especiais, helicópteros e armas pesadas. Foram assassinados cruelmente mais de 15 pacifistas e cerca de cinco dezenas ficaram feridos.


Este escandaloso massacre realizado pelos piratas israelenses faz parte da ofensiva sionista para calar todas as forças progressistas do mundo que clamam por uma paz justa na região e pela formação do Estado Palestino, livre e soberano. Além de uma violação ao direito internacional, esta agressão demonstra claramente para o mundo os métodos brutais com que o governo israelense trata não só os palestinos, mas todos os povos que se opõem à sua política de opressão na região. A impunidade de Israel é garantida por sua aliança com o imperialismo, sobretudo o norte-americano.


O Partido Comunista Brasileiro, coerente com sua ação internacionalista em defesa da liberdade dos povos, envia suas condolências às famílias dos pacifistas assassinados nessa ação selvagem, ao mesmo tempo em que manifesta sua profunda admiração por todos os pacifistas da Frotilha da Liberdade que, mesmo arriscando a própria vida, tiveram a coragem de expor ao mundo as atrocidades do bloqueio israelense por terra, mar e ar ao povo palestino na Faixa de Gaza.

Diante dessa barbaridade que envergonha o mundo, o Partido Comunista Brasileiro soma-se às forças progressistas que vêm emprestando irrestrita solidariedade ao povo palestino e dirige-se ao governo brasileiro no sentido de que rompa imediatamente todas as relações comerciais com Israel, expulse seu embaixador do Brasil e realize uma ação firme na ONU contra mais essa barbaridade cometida pelas forças sionistas.



Secretariado Nacional do PCB



31 de maio de 2010.

sábado, 29 de maio de 2010

SC - Criada Frente Parlamentar

29 mai, 2010
A cerimônia de lançamento aconteceu às 19 horas desta quarta-feira (26) no Plenarinho Deputado Paulo Stuart Wright, na Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina, e contou com a participação do deputado Sargento Amauri Soares (PDT), proponente da frente, e do cônsul-geral de Cuba no Brasil, Lazaro Mendez Cabrera. O objetivo é estreitar laços de amizade entre catarinenses e cubanos, defender a soberania dos países e estimular as relações comerciais e convênios tecno-científicos, esportivos e culturais, buscando o fim do bloqueio econômico ao país caribenho.


Segundo Soares, a criação da frente visa “resgatar uma dívida com o povo cubano”. Para o parlamentar, ainda existe muita falta de informação acerca de Cuba, algo “construído historicamente pelas escolas, igrejas e meios de dominação ideológicos”. “Dizer que Cuba é mais democrática que os Estados Unidos traz espanto à maioria das pessoas. Precisamos mostrar isso de perto”. Soares mencionou que planeja criar em novembro uma comitiva para visitar o país. “Vamos levar as pessoas para conhecerem de perto aquilo de que tanto ouvem falar mal. Será uma forma de tentar quebrar preconceitos”.


Iniciando seu mandato como cônsul-geral no país, Lazaro Mendez Cabrera disse que deseja ampliar o trabalho de divulgação do que afirmou serem conquistas da Revolução Cubana, principalmente nas áreas da medicina e educação, cujos bons índices seriam reconhecidos por organismos das Nações Unidas. “Se conhece pouco sobre Cuba, devido ao bloqueio econômico e à campanha difamatória a que estamos expostos desde 1959”. Cabrera também explicou ao público presente o funcionamento do sistema eleitoral cubano, a maior fonte de dúvida dos estrangeiros, segundo o diplomata. “Queremos demonstrar que pode haver democracia sem pluripartidarismo”.


Ele citou que no país, com cerca de 8 milhões de eleitores, não há policiamento nas eleições e nem obrigatoriedade de se votar. “Mesmo assim há um alto índice de participação da população nas eleições. Até mesmo os votos brancos não chegam a 5%. Isto se deve ao nosso sistema eleitoral, que está sendo continuamente aperfeiçoado, aumentando-se a participação popular”, completou. Para o diplomata, iniciativas como a Frente de Solidariedade são importantes, por abrirem uma via de comunicação com a sociedade brasileira.


A frente foi constituída a pedido da Associação Cultural José Martí de Santa Catarina (ACJM-SC), a exemplo de outras já existentes em São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Tem caráter suprapartidário e deve funcionar por tempo indeterminado.

Entre os deputados que já assinaram o apoio à Frente, estão: Dagomar Carneiro (PDT), Sargento Amauri Soares (PDT), Edison Andrino (PMDB), Genésio Goulart (PMDB), Ana Paula Lima (PT), Pedro Uczai (PT), Décio Góes (PT), Angela Albino (PCdoB), Dirceu Dresch (PT), Darci de Matos (DEM) e Jorginho Mello (PSDB). Segundo Soares, também manifestaram intenção de participar os deputados Silvio Dreveck (PP) e Jailson Lima (PT).


Após o lançamento da Frente, representantes da ACJM-SC convidaram o público a participar da III Convenção de Solidariedade a Cuba, um preparativo para a XVIII Convenção Nacional, que acontecerá entre os dias 4 e 6 de junho, em Porto Alegre. Além de elencar medidas de apoio ao país socialista, o evento pretende colocar em debate temas como a questão do bloqueio comercial, educação, saúde e uma moção de apoio aos cinco cubanos que estão atualmente presos nos Estados Unidos.

Representantes da escola de samba União Ilha da Magia, de Florianópolis, divulgaram que a agremiação finalizou acordo que estabeleceu Cuba como tema do seu desfile em 2011.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Colômbia

46 anos batalhando por uma nova Colômbia

Bogotá, 27 de maio - Lançando uma das mais duras ofensivas deste ano, as FARC-EP comemoram 46 anos de existência e luta insurgente. Em comunicado enviado à redação da ABP Notícias, as FARC evocam as causas que deram origem a seu surgimento, seu compromisso histórico com a paz e com bem-estar para o povo; apresentam o balanço de seu crescimento como força insurgente em contraste com a violenta precipitação de um governo que sob promessa de extermínio, cometeu os mais terríveis crimes contra o povo. Sobre o atual debate eleitoral as FARC-EP afirmam: "(...)está marcado pela intolerância e pela belicidade que impôs a autocracia Uribista".


Viva Bolívar! Viva Manuel!


“Há quarenta e seis anos que a oligarquia mais reacionária, sanguinária, terrorista e submissa à estratégia imperialista dos Estados Unidos na Colômbia, decidiu empurrar a nação ao terrível caminho da guerra, fazendo ouvidos surdos às milhares de vozes que clamavam pelo imperativo do diálogo e das saídas políticas ao invés das agressões militares contra os camponeses de Marquetalia. O poder da violência e do terror foram agitados na colérica e provocadora palavra do senador Álvaro Gómez Hurtado, que nunca foi à guerra ainda que, deslumbrado pelo terror das falanges franquistas na Espanha, preparou o terreno, sobre mentiras, para justificar o novo ciclo de violência como metodologia para arrasar a oposição política.

A demência do poder decretou poucas semanas para arrasar a resistência encabeçada pelo maior e mais firme comandante guerrilheiro de todos os tempos, Manuel Marulanda Vélez e seu nascente Estado Maior com Jacobo Arenas, Isaías Pardo, Hernando Gonzales, Joselo Lozada, Ciro Trujillo, Miguel Pascuas, Fernando Bustos e Jaime Guaracas que, junto aos demais corajosos camponeses que não ultrapassavam 46 vontades, enfrentaram o terror bipartidário representado no excludente pacto da Frente Nacional, que engendrou esta guerra que já dura meio século.

Desde o início da campanha oligárquica e militarista, auspiciada e planejada pelo imperialismo para justificar o terror contra o movimento agrário de Marquetalia e Riochiquito, até o dia que iniciaram a agressão, nossa voz, junto à de muitas organizações e personalidades nacionais e internacionais, vibrou de sensatez propondo saídas incruentas e construtoras de democracia, de desenvolvimento humano, de fortalecimento da produção alimentária, de equilíbrio ambiental, de reconhecimento à cosmovisão das comunidades indígenas e negras e de participação equitativa na produção e distribuição da riqueza. Mas a cegueira do poder da oligarquia criolla e sua postura de joelhos ante as migalhas do amo imperial, desqualificou e silenciou essas vozes. Seu conto tem sido o enriquecimento, a qualquer preço, a base do terror e do roubo.

As FARC-EP, nascemos empurradas pela intolerância, exclusão e perseguição violenta das castas que ostentam o poder e estabelecem os governos; “temos sido vítimas da fúria latifundiária e militar, porque aqui, nesta parte de Colômbia, predominam os interesses dos grandes senhores da terra e os interesses acorrentadores da reação mais retrógrada do país. Por isso nos tocou sofrer na carne e no espírito, todas as bestialidades de um regime podre que brota da dominação dos monopólios financeiros entroncados ao imperialismo.” manifestamos no Programa Agrário. Não inventamos esta guerra, nem fomos a ela como aventura para homologar epopeias redentoras da pobreza; assumimos com dignidade e seriedade o destino político que lhe impôs o abominável poder oligárquico à nação, como destacamos naquela época no Programa Agrário: "somos revolucionários que lutamos por uma mudança de regime. Mas queríamos e lutávamos por essa mudança usando a via menos dolorosa para nosso povo: a via pacífica, a via democrática de massas. Essa via nos foi fechada violentamente com o pretexto fascista oficial de combater supostas 'Repúblicas Independentes' e como somos revolucionários que de uma ou outra maneira jogaremos o papel histórico que nos corresponde, nos tocou buscar a outra via: a via revolucionária armada para a luta pelo poder".

Assim foi que os potentados do terror nos transformaram em combatentes de resistência que a sabedoria do povo tem nutrido neste quase meio século de ação pela dignidade, a paz e a soberania. Crescemos ao calor da batalha político-militar, aferrados ao legado histórico que nos deixaram as comunidades indígenas na resistência contra o invasor espanhol; as lutas contra esse mesmo poder por negros e cimarrões; o levantamento guerrilheiro dos comuneiros com José Antonio Galã, Lorenzo Alcantuz e Manuela Beltrán; os forjadores das mobilizações pela primeira independência do colonianismo Espanhol há duzentos anos com Dom Antonio Nariño; e ao fogo patriótico e soberano que nos irradia o pensamento e o exemplo do libertador Simón Bolívar. Florescemos na experiência dos guerrilheiros dos mil dias, já nos novecentos, contra o “regenerador” Rafael Núñez. Reafirmamos a luta contra a barbárie, agitando como bandeira a memória dos assassinados pelo exército oficial a serviço do imperialismo no massacre das bananeiras no dia 6 de dezembro de 1928 em Ciénaga, estado de Magdalena e na comprometida lembrança com todos os lutadores vitimizados pelo Estado e suas estruturas paralelas para o terror. Mas também crescemos com a crítica, o reconhecimento, o abraço, o amor e a ternura de uma importante multidão de compatriotas que nos alentam com seu próprio sacrifício na luta por transformar o modelo econômico e os costumes políticos implantados.

Nestes 46 anos de árdua luta, crescemos em razões e em nosso compromisso de luta com cada vez mais camponeses sem terra por deslocamento forçado, que já ultrapassam a infame cifra dos 4 milhões de refugiados internos devido ao terror paraestatal; com os milhões de sem teto e com os mais de 20 milhões de pobres que se esforçam para romper o império da desigualdade; com os mais de 20 milhões de desempregados condenados ao “jeitinho”; e compromisso com os milhões de jovens que não têm acesso à educação; com a memória de todas as vítimas do terrorismo de Estado em todos estes anos de terror e que dia a dia clamam justiça, assim como os mais de 2.500 assassinados pela força pública e apresentados baixo o eufemismo de “falsos positivos” neste governo de Uribe Vélez; com as mulheres que tecem esperanças de igualdade ante uma violência que lhes oprime e nega possibilidades de vida digna. Crescemos no fragor do combate e na experiência organizativa ante cada arremetida militarista e ante cada ciclo por desqualificar-nos e exterminar-nos. O Plano Colômbia não tem diminuído nossa fortaleza, nem nossa moral; fracassou ante as inocultáveis razões do levantamento e pelo violento autoritarismo que sustenta a política de segurança desse governo que termina; estatelou-se pela mentira, o crime e a corrupção que constituem sua verdadeira natureza.

A escalada militar imperialista em nossa pátria também fracassará ante a capacidade de luta e resistência da insurgência e a mobilização de nosso povo. A defesa da soberania pátria é um imperativo neste tempo de reverência oligárquica ante os interesses do governo estadunidense.

Nossa disposição a construir caminhos de paz é um compromisso de sempre: pela saída política nos lançamos com seriedade, com ponderação, sem ilusões às maiorias nacionais, sem politicagens, sem malícia em todos os cenários. Assim foi com o governo de Belisario Betancur e Virgilio Barco na Casa Verde, ou em Caracas e Tlaxcala com Cessar Gaviria, ou na última tentativa em Caguan com Andrés Pastrana. Mas a excludente minoria de políticos, empresários, latifundiários e narcotraficantes que ostentam o poder, têm armado carapuças para posicionar seus interesses, só têm procurado abrir espaço para recompor suas estruturas de repressão estatal sob ordens e financiamento do império; como a implementação do fracassado Plano Colômbia para impossibilitar qualquer avanço da paz democrática e impor a linguagem do terror e a chantagem para desqualificar os movimentos de resistência e libertação nacional, bem como desestabilizar a região diante dos ventos de mudança e soberania que acompanham o continente.


O governo que agoniza, prometeu o aniquilamento das FARC-EP, como uma irrefutável estratégia de manipulação mediática da opinião, para manter-se de todas as formas no poder. E com seu extravagante autoritarismo ocultar seus crimes, seus vínculos com o narcotráfico e o paramilitarismo, bem como a corrupção que fervilha por todos os cantos do palácio presidencial. Jamais se apagará da história colombiana este período escuro e letal do fátuo potentado que culmina seu governo com uma profunda crise estrutural e com mais de 100 membros de sua bancada parlamentar comprometidos com a parapolítica, a iídiche-política e a feira dos cartórios. Isso além dos escândalos fraudulentos como Carimagua, Agroingreso Seguro; os decretos de emergência social; as zonas francas para incrementar o patrimônio familiar; as perseguições e grampos ilegais do DAS a opositores, sindicalistas e ativistas de direitos humanos; a perseguição às cortes; as reuniões palacianas com narcotraficantes; a obsessão cega por impor um promotor de bolso; a agressão ao território dos países irmãos violando todas as normas do direito internacional; a ameaça a jornalistas independentes; os “falsos positivos” e a entrega do território nacional para a operação de forças militares de ocupação norte-americanas.


O debate eleitoral que culmina seu primeiro turno neste 30 de maio, está marcado pela intolerância e a pugnacidade que impôs a autocracia Uribista. As propostas, programas e compromissos com a nação têm sido substituídos pelo ataque grotesco e vulgar, pela propaganda obscura em um esforço desmedido por apresentar a um ou outro dos candidatos como uma opção mais reacionária e autoritária que a caracterizada pelo mandatário que sai. Todos se esforçam para demonstrar submissão ante o império, assumindo posições chauvinistas contra os vizinhos e com o joelho no chão frente ao império do norte, como afirmou Gaitán. Ninguém tem proposto debater os temas vitais que mantêm a nação no profundo abismo das desigualdades e do terror. Todos em coro prometem mais despesa militar e mais guerra. É escuro o horizonte que traçam estes aspirantes e por estas razões estamos convocando à abstenção, convencidos que só a força da mobilização de todos os colombianos poderá impor um destino verdadeiro de paz e de justiça que devolva os prisioneiros de guerra a seus lares, que libere os guerrilheiros e os milhares de presos políticos que apodrecem nas prisões do Estado, reconcilie e reconstrua a Colômbia. Só a luta organizada das maiorias levantadas há duzentos anos, para lançar o segundo grito por nossa definitiva independência, devolverá a terra para produção camponesa, resolverá a crise ambiental que gera constantes desastres naturais a mudança de estação e a crise alimentária que mata a nação. E solucionará definitivamente o drama dos refugiados, garantirá o acesso à educação em todos os níveis, à saúde integral, à moradia digna, ao emprego bem remunerado e asseguraria o exercício pleno e integral dos direitos humanos. Só a unidade de todos os revolucionários e democratas da pátria, mobilizados junto às grandes maiorias, nos permitirá tirá-la da horrível noite em que a deixou abatida o Uribismo e eximir a geração do bicentenário.

Neste 46º aniversário, ratificamos nosso compromisso com a pátria grande e o socialismo, com a paz democrática como condição essencial para a reconstrução e reconciliação de todos os colombianos. Com a memória viva de todos os lutadores por uma nova Colômbia, com a força moral do pensamento de Bolívar, Manuel Marulanda Vélez, Jacobo Arenas, Raúl Reis, Iván Rios, e Efraín Guzmán, as FARC-EP dedicamos todos nossos recursos humanos pelo acordo humanitário e a paz da Colômbia.



Compatriotas.



Secretariado do Estado Maior Central das FARC-EP



Publicado por:
 
Círculos Bolivarianos.
REDE PÚBLICA de discussão e debate do MORENA

REVOLUÇÃO

FIDEL - Conceito de Revolução


Publicado por: Redação Cuba Viva 25 mai, 2010



é sentido de momento histórico;

é mudar tudo que deve

ser mudado;

é igualdade e liberdade plenas;

é ser tratado e tratar aos demais

como seres humanos;

é emancipar-nos por nós mesmos

e com nossos próprios esforços;

é desafiar poderosas forças

dominantes dentro e fora

do âmbito social e nacional;

é defender valores nos quais se crê

ao preço de qualquer sacrifício;

é modéstia, desinteresse, altruísmo,

solidariedade e heroísmo;

é lutar com audácia,

inteligência e realismo;

é não mentir jamais

nem violar princípios éticos;

é convicção profunda

de que não existe força no mundo

capaz de esmagar

a força da verdade e as ideias.

REVOLUÇÃO é unidade,

é independência,

é lutar por nossos sonhos de justiça

para Cuba e para o mundo,

que é a base de nosso patriotismo,

nosso socialismo

e nosso internacionalismo.



Fidel Castro Ruz

1º de maio de 2000

quarta-feira, 26 de maio de 2010

III Convenção Estadual de Solidariedade Cuba de SC

O movimento nacional de solidariedade a Cuba realiza, nos próximos

dias 04,05 e 06 de junho, a XVIII Convenção, na cidade de Porto

Alegre/RS.

A Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba é um evento que congrega

todas as organizações e pessoas do país que estão do lado do processo

revolucionário cubano, com suas conquistas sociais e humanitárias. O

objetivo do evento, dentro dos marcos da defesa da soberania e

autodeterminação dos povos, é organizar os trabalhos da solidariedade,

construindo alternativas para contrapor o bloqueio midiático exercido

pelos poderosos meios de comunicação contra a Ilha Caribenha em nosso

país.


Em preparação ao evento nacional, a Associação Cultural José Marti de

Santa Catarina organiza a III Convenção Estadual de Solidariedade a

Cuba, que ocorrerá no próximo dia 26 de maio, às 19 horas, no

Plenarinho, da Assembléia Legistativa de Santa Catarina – ALESC,

quando também será formalizada a Frente Parlamentar Catarinense de

Solidariedade a Cuba, com a presença de representantes do governo

cubano.



Contamos com sua presença.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

O IMPÉRIO MANDA, AS COLÔNIAS OBEDECEM

Frei Betto e João Pedro Stédile

Após a Segunda Guerra Mundial, quando as forças aliadas saíram vitoriosas, o governo dos EUA tentou tirar o máximo proveito de sua vitória militar. Articulou a Assembléia das Nações Unidas dirigida por um Conselho de Segurança integrado pelos sete países mais poderosos, com poder de veto sobre as decisões dos demais.

Impôs o dólar como moeda internacional, submeteu a Europa ao Marshall, de subordinação econômica, e instalou mais de 300 bases militares na Europa e na Ásia, cujos governos e mídia jamais levantam a voz contra essa intervenção branca.

O mundo inteiro só não se curvou à Casa Branca porque existia a União Soviética para equilibrar a correlação de forças. Contra ela, os EUA travaram uma guerra sem limites, até derrotá-la política, militar e ideologicamente.

A partir da década de 90, o mundo ficou sob hegemonia total do governo e do capital estadunidenses, que passaram a impor suas decisões a todos os governos e povos, tratados como vassalos coloniais.

Quando tudo parecia calmo no império global, dominado pelo Tio Sam, eis que surgem resistências. Na América Latina, além de Cuba, outros povos elegem governos antiimperialistas. No Oriente Médio, os EUA tiveram que apelar para invasões militares a fim de manter o controle sobre o petróleo, sacrificando milhares de vidas de afegãos, iraquianos, palestinos e paquistaneses.

Nesse contexto surge no Irã um governo decidido a não se submeter aos interesses dos EUA. Dentro de sua política de desenvolvimento nacional, instala usinas nucleares e isso é intolerável para o Império.

A Casa Branca não aceita democracia entre os povos. Que significa todos os países terem direitos iguais. Não aceita a soberania nacional de outros povos. Não admite que cada povo e respectivo governo controlem seus recursos naturais.

Os EUA transferiram tecnologia nuclear para o Paquistão e Israel, que hoje possuem bomba atômica. Mas não toleram o acesso do Irã à tecnologia nuclear, mesmo para fins pacíficos. Por quê? De onde derivam tais poderes imperiais? De alguma convenção internacional? Não, apenas de sua prepotência militar.

Em Israel, há mais de vinte anos, Moshai Vanunu, que trabalhava na usina atômica, preocupado com a insegurança que isso representa para toda a região, denunciou que o governo já tinha a bomba. Resultado: foi sequestrado e condenado à prisão perpetua, comutada para 20 anos, depois de grande pressão internacional. Até hoje vive em prisão domiciliar, proibido de contato com qualquer estrangeiro.

Todos somos contra o armamento militar e bases militares estrangeiras em nossos países. Somos contrários ao uso da energia nuclear, devido aos altos riscos, e ao uso abusivo de tantos recursos econômicos em gastos militares.

O governo do Irã ousa defender sua soberania. O governo usamericano só não invadiu militarmente o Irã porque este tem 60 milhões de habitantes, é uma potência petrolífera e possui um governo nacionalista. As condições são muito diferentes do atoleiro chamado Iraque.

Felizmente, a diplomacia brasileira e de outros governos se envolveu na contenda. Esperamos que sejam respeitados os direitos do Irã, como de qualquer outro país, sem ameaças militares.

Resta-nos torcer para que aumentem as campanhas, em todo mundo, pelo desarmamento militar e nuclear. Oxalá o quanto antes se destinem os recursos de gastos militares para solucionar problemas como a fome, que atinge mais de um bilhão de pessoas.

Os movimentos sociais, ambientalistas, igrejas e entidades internacionais se reuniram recentemente em Cochabamba, numa conferência ecológica mundial, convocada pelo presidente Evo Morales. Decidiu-se preparar um plebiscito mundial, em abril de 2011. As pessoas serão convocadas a refletir e votar se concordam com a existência de bases militares estrangeiras em seus países; com os excessivos gastos militares e que os países do Hemisfério Sul continuem pagando a conta das agressões ao meio ambiente praticadas pelas indústrias poluidoras do Norte.

A luta será longa, mas nessa semana podemos comemorar uma pequena vitória antiimperialista.


Frei Betto é escritor


João Pedro Stédile integra a direção da Via Campesina

sexta-feira, 21 de maio de 2010

III Convenção Estadual de Solidariedade Cuba de SC

O movimento nacional de solidariedade a Cuba realiza, nos próximos dias 04,05 e 06 de junho, a XVIII Convenção, na cidade de Porto Alegre/RS.

A Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba é um evento que congrega todas as organizações e pessoas do país que estão do lado do processo revolucionário cubano, com suas conquistas sociais e humanitárias. O objetivo do evento, dentro dos marcos da defesa da soberania e autodeterminação dos povos, é organizar os trabalhos da solidariedade, construindo alternativas para contrapor o bloqueio midiático exercido pelos poderosos meios de comunicação contra a Ilha Caribenha em nosso
país.


Em preparação ao evento nacional, a Associação Cultural José Marti de Santa Catarina organiza a III Convenção Estadual de Solidariedade a Cuba, que ocorrerá no próximo dia 26 de maio, às 19 horas, no Plenarinho, da Assembléia Legistativa de Santa Catarina – ALESC, quando também será formalizada a Frente Parlamentar Catarinense de Solidariedade a Cuba, com a presença de representantes do governo cubano.


Contamos com sua presença.


Atenciosamente.

Mauricio Tomasoni

Presidente


ACJM-SC – Associação Cultural José Martí de Santa Catarina


Caixa Postal 27

88010-970 – Florianópolis – SC

CNPJ 00.074.248/0001-05

Fones (48) 3025-2991 e 9946-9441

Direita brasileira é enxotada da manifestação pró-Cuba

André Abrahão

quinta-feira, 20 de Maio de 2010 - 16h57

A direita brasileira escolheu o dia 20 de Maio, esta quinta-feira, para fazer uma manifestação contrária ao regime de Cuba, mas foram surpreendidos com uma manifestação favorável a ilha. Os cinco manifestantes de direita, liderados pelo deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA), foram enxotados pela dezenas de manifestadores que foram prestar solidariedade à Cuba.Para isso contaram com a ajuda de policiais militares que impediram os atos de agressão ensaiados pelos “ianques”, como foram chamados pelos manifestantes: “Fora ianques”. Eles ainda insistiram nas provocações, passando de carro em frente à Embaixada de Cuba em Brasília, onde se realizava o ato.

Após o encerramento do evento, que durou duas horas de discursos, gritos de palavras de ordem e agitação de bandeiras e exibição de faixas, os manifestantes foram recebidos pelo embaixador cubano, Carlos Zamora, nos jardins da embaixada. Ele quis agradecer pessoalmente ao que considerou “ demonstração de carinho e solidariedade para com a revolução cubana e o que ela significa para todo o mundo.”

A exemplo dos manifestantes, Zamora encerrou sua fala com as palavras de ordem: “A luta de Cuba é a luta do povo”; “Liberdade para os cinco”, “Abaixo o imperialismo”; “Viva José Martí”, “Viva Fidel Castro”. E foi acompanhado ainda nas palavras de “vivas” à “Eterna amizade do povo de Cuba e do povo do Brasil”, encerrando com “Patria ou Muerte”.

Vaias e vivas

Na chegada do grupo de Aleluia, que carregava fotos de presos em Cuba, o vice-presidente do Cebrapaz (Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz), Paulo Guimarães, que estava discursando no carro de som, calou-se para acompanhar a movimentação de chegada e retirada deles, que durou poucos minutos. E depois comemorou: “Foram embora com o rabo entre as pernas, porque não tem inserção social, não tem apoio popular.”

“Vaias para eles e vivas para Cuba”, gritavam os manifestantes à saída do grupo de Aleluia.

Após a saída do grupo, os manifestantes se revezaram ao microfone para apresentarem palavras de apoio e solidariedade. Guimarães voltou a falar “para prestar solidariedade e apoio a esse povo que tem uma história que honra a humanidade. Esse ato demonstra a representatividade da luta do povo cubano que está centrada no entendimento e solidariedade”, disse.

Campanha midiática

Os manifestantes, a exemplo da coordenadora do Núcleo de Estudos de Cuba (NesCuba) da Universidade de Brasília (UnB), María Auxiliadora César, também se posicionaram contra a campanha midiática das grandes potências que tentam desacreditar a revolução cubana diante do mundo. “Cuba soube resistir porque tem um povo bravo e existem grupos no mundo inteiro que a apoiam, como esse que está aqui agora em Brasília.”

“Na base de mentiras e calúnias, transformam delinqüentes comuns em “presos políticos”, transformam mercenários pagos pelos cofres do Pentágono em “dissidentes”, premiam blogueiros vulgares como se fossem jornalistas e escritores. O centro desta campanha esta na Casa Branca, com o apoio de governos e parlamentares reacionários da União Européia. No Brasil, a campanha é protagonizada pela mídia conservadora e uma minoria de direitistas no Congresso Nacional”, diz o texto distribuído entre os manifestantes.

Graça Sousa, secretária de mulheres da CUT, disse que os movimentos sociais estão alertas para a ofensiva do capitalismo contra a revolução cubana que, a despeito do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos, comemora 50 anos. E destacou as principais bandeiras de luta do regime cubano que conta com o apoio e solidariedade dos povos da América Latina: o fim do bloqueio, a devolução do território de Guatanamo e a libertação dos cinco cubanos presos nos Estados Unidos.

Tilden Santiago, que foi embaixador de Cuba no primeiro Governo Lula, falou sobre a alegria de participar do ato, destacando que a mesma alegria devem sentir Fidel e Raul Castro ao tomar conhecimento de que o povo trabalhador brasileiro defende a revolução.

“A democracia avança na América Latina e avança a resistência dos cubanos que deram suor e sangue contra o imperialismo”, discursou, acrescentando que “se hoje nós temos governos à esquerda em toda a América Latina – Bolívia, Venezuela, Equador e no Brasil -, nós devemos a resistência permanente da revolução cubana, que é a vanguarda do sistema socialista na América Latina.”

“De pé, nunca de joelhos”

O ato contou com a participação de representantes de outros países e de cubanos. Tirso Sainz, da Associação Nacional de Cubanos Residentes no Brasil (ANCREB) agradeceu a presença dos brasileiros, bolivianos e equatorianos, destacando que “a revolução cubana tem em seu povo a principal força.”

O coordenador do MST da Bolívia, Silvestre Saisari, disse que a presença da Bolívia no ato em apoio à Cuba representa a confiança na luta dos trabalhadores para construir uma pátria livre. Ele encerrou suas palavras breves, como a maioria dos oradores, puxando palavras de ordem: “Cuba de pé, nunca de joelhos.”

A equatoriana Loyda Olivo, da Via Campesina internacional, lembrou, em sua fala que “quem está contra Cuba está contra a América Latina.” E teve as palavras reforças por Rosângela Piovizani, do movimento de mulher camponesas, que destacou: “Cuba é uma referência para nós e tudo que significa de país livre do imperialismo”. Ao final, ela animou o público com as palavras de ordem: “Globalizemos a luta”. Em resposta, os manifestantes diziam: “Globalizemos a esperança.”

Roseli Maria de Sousa, da Via Campesina Brasil, resumiu sua fala à condução de uma representação. Ela pediu que os manifestantes se voltassem para a frente da embaixada e para o reconhecimento da revolução socialista com gritos de “vivas” à Cuba, à população cubana e aos trabalhadores e trabalhadoras que combatem o imperialismo. “É a Via Campesina na luta em defesa do socialismo e contra o imperialismo”, afirmou.

Lutas antigas e atuais

O embaixador Zamora, sob o sol forte de meio-dia, conversou com os manifestantes ao final do ato. Ele reforçou as lutas atuais do povo cubano, como a recuperação do território de Guatanamo, que serve como um posto de tortura dos Estados Unidos e que é mantido pela força; o fim do bloqueio econômico, que condena o povo cubano a penúria e que persiste, apesar de ser considerado pelos tratados e a comunidade internacional como elementos de genocídio; e a libertação dos cinco heróis cubanos, que lutaram contra o terrorismo dos Estados Unidos em nosso território e que estão cumprindo pena nas prisões dos Estados Unidos - presos injustamente e sem julgamento.

Zamora destacou que estas questões são ignoradas pela mídia internacional, que se cala sobre elas e que, enquanto elas existirem, Cuba não pode manter relação adequada com os Estados Unidos e nem o mundo poderia.

O diplomata também lembrou que a data de de maio é “cara” para o povo cubano, porque marca a morte do herói cubano José Martí, líder da guerra pela independência de Cuba.

Em 19 de maio de 1895, no comando de um pequeno contingente de patriotas cubanos, após um encontro inesperado com tropas espanholas nas proximidades do vilarejo de Dos Ríos, José Martí é atingido e vem a falecer em seguida. Seu corpo, mutilado pelos soldados espanhóis, é exibido à população e posteriormente sepultado na cidade de Santiago de Cuba, em 27 de maio do mesmo ano.“Um feito que nós cubanos levamos no coração”, disse o diplomata.

Sobre o dia 20 de maio, o diplomata disse que representa “um dia nefasto na história de Cuba”. Naquela data, "Cuba caiu nas garras do império norte-americano, que interveio na guerra contra a Espanha, ocupou militarmente a ilha e estabeleceu o que se conheceu pela primeira vez na história da humanidade como neocolonialismo.”

De Brasília

Márcia Xavier



Atualizada dia 20, às 19h