segunda-feira, 7 de junho de 2010

Os desafios econômicos e sociais de Cuba em 2010

2010-05-31 02:54



"A tarefa que temos pela frente, nós comunistas cubanos e todo o povo, é grande, trata-se de definir com a mais ampla participação popular a sociedade socialista a que aspiramos e podemos construir nas condições atuais e futuras de Cuba, o modelo econômico que irá reger a vida da nação, em benefício de nossos compatriotas, e assegurar a irreversibilidade do sistema sócio-político do país, única garantia de sua verdadeira independência"(1)



Por Marc Vandepitte, em Rebelión



Assim soa um fragmento chamativo do discurso de Raúl Castro ante o parlamento de Cuba, em 01 de agosto de 2009. Parece que a revolução cubana está se preparando para reformas importantes. Isso não deve surpreender tanto, porque uma revolução que não é renovada periodicamente, que não corrige seus erros em tempo ou que não se adapta às novas circunstâncias não pode sobreviver. Especialmente em Cuba é assim, porque as condições externas mudaram várias vezes de uma forma muito extrema.



Na verdade, o último meio século foi marcado por várias ondas de mudança substancial. Na década de sessenta, a economia cubana foi obrigada a adaptar-se após a ruptura súbita e completa com os EUA, até então dominantes na ilha. Os dez anos seguintes foram uma grande busca de um caminho até o melhor modelo de desenvolvimento, uma estrada muito sinuosa, por vezes.



Nos anos setenta, este modelo foi consolidado e a economia cubana se integrou à dos países do Came (ou Comecon). Esta integração ofereceu muitos benefícios, mas também vários inconvenientes. Em meados dos anos oitenta, foi declarada uma campanha de retificação para corrigir os erros daquele período. Não foi dado muito tempo aos cubanos para fazerem isso, porque poucos anos depois o Muro de Berlim caiu e cortou a aorta econômica da ilha pela segunda vez em trinta anos. Além disso, o bloqueio se intensificou.



A economia estava prestes a entrar em colapso completo, então tratava-se de encontrar uma estratégia de sobrevivência. Proclamou-se um Período Especial e houve reformas muito grandes. Durante os anos noventa, a revolução praticamente não pôde contar com ninguém, mas isso mudou no início do novo milênio. A Venezuela e também a China e o Brasil tornaram-se parceiros econômicos muito importantes, e a nova Alba ofereceu novas perspectivas. Enquanto isso, a revolução estava se recuperando do golpe dos anos noventa, e criou-se mais espaço para reordenar várias questões.



Em novembro de 2005, Fidel já tinha começado a fazer isso, afirmando que o maior perigo para a revolução não vinha de fora, mas de dentro. Lançou um ataque frontal contra a corrupção que existia em todos os níveis. Durante o verão de 2007, Raúl retomou essa tarefa, denunciando a falta de eficiência na economia. Lançou uma consulta maciça à população, como a que foi feita no início do Período Especial. Estas pesquisas foram analisadas e, a partir delas, se lançam agora várias reformas, com a prudência necessária.



Em 2008-2009, este processo foi interrompido várias vezes. Primeiro pelos três furacões que passaram pela ilha durante o outono de 2008. Em apenas um par de semanas estes fenômenos meteorológicos causaram um dano enorme. Um em cada sete casas foi danificada ou destruída. O prejuízo chegou a significar 20% do PIB.



Em segundo lugar, a crise financeira e econômica atingiu a ilha, como golpeou o resto da região. O preço do níquel, produto de exportação mais importante de Cuba, despencou, enquanto o preço dos alimentos, o que Cuba mais importa, atingiu as nuvens. Este aumento foi o resultado de más colheitas em todo o mundo, acompanhadas simultaneamente por um aumento da procura no mercado mundial.



Por causa da crise, os turistas em Cuba gastam menos e também entram menos dólares provenientes do estrangeiro por parte dos familiares dos cubanos que vivem fora do país. A isso se somou uma ausência temporária, mas urgente, de carros, dólares e outras divisas. Cuba precisa de moeda estrangeira para fazer compras no mercado externo. Devido a esta falta, tivemos que reduzir as importações de petróleo e, portanto, o gasto energético. "Arrocho ou morte" foi o slogan.



Cuba enfrenta dois desafios tão urgentes como visíveis neste momento. De um lado, é necessário reparar todos os danos materiais causados pelos furacões e, do outro lado, precisamos reverter a falta de divisas. Mas, para além disso, também existem dois desafios estruturais que irão determinar o futuro da ilha, por isso queremos falar sobre eles.



1. O abismo entre a economia e o resto.



O desafio fundamental para a revolução é o abismo entre o setor econômico e os setores social, cultural e intelectual. Quando se trata dos três últimos, Cuba está em um nível comparável a qualquer país rico. A economia, por outro lado, tem o perfil dos países relativamente pobres da região. O grande desenvolvimento do setor cultural, social e intelectual causa elevadas expectativas para as quais não há apoio financeiro.



A fraca base econômica é o resultado do bloqueio econômico e do atraso sofrido após a queda da União Soviética. Se Cuba tivesse relações comerciais normais com o resto do mundo e se depois de 1989 tivesse alcançado a mesma taxa de crescimento que teve nos 30 anos anteriores, Cuba teria agora o mesmo padrão de vida que a Itália. Mas não é o caso, e este fato causa frustração na população cubana. Uma pessoa é um pianista de altíssimo nível, mas não tem um piano de cauda, outra é um cirurgião, mas não tem carro próprio. Um engenheiro seguramente não terá celular ou laptop próprio...



No mundo inteiro, trabalhadores altamente qualificados são bem pagos, em Cuba isto não acontece - nem poderia, neste momento -, porque a sua riqueza seria às custas do bem-estar do resto da população. Esse problema é amplificado por causa do turismo. A câmera digital, o IPod e os celulares são muito comuns para os turistas, mas para a maioria dos cubanos são praticamente inacessíveis. Isso frustra os cubanos.



As frustrações do setor de consumo têm um efeito importante sobre o setor produtivo. Como incentivar as pessoas a trabalharem de forma eficaz se, com os salários que ganham, não têm acesso a esses produtos de luxo tão cobiçados, seja porque os salários são demasiado baixos ou porque a venda desses produtos está proibida? Como motivar os jovens altamente qualificados para trabalharem no campo com temperaturas acima de 30 graus e uma umidade importante? Especialmente porque, em qualquer caso, têm um posto de trabalho garantido. Nesse sentido, Cuba é um pouco vítima do seu próprio êxito.



Em 2008, foi legalizada a venda de telefones celulares, laptops e players de DVD. Foi um passo importante, mas apenas para uma fração da população. A única solução estrutural para resolver frustrações no setor de consumo consiste no desaparecimento acelerado de um atraso no setor econômico. A grande questão é: como fazer isso? Nos últimos anos, Cuba teve um crescimento de 3% acima dos outros países da América Latina (3). Tudo pode ser melhorado, mas há limites, claro.



No caso de Cuba, esses limites são determinados por três fatores, pelo menos. O primeiro é o bloqueio. O bloqueio tira, a cada ano, um par de pontos percentuais do PIB, mas também remove créditos financeiros e tecnologia necessária para aumentar a produtividade (e portanto o crescimento econômico). Outro obstáculo para o desenvolvimento é o envelhecimento da população. Finalmente, o terceiro freio está posto pelo aquecimento global, que causa secas mais prolongadas e furacões cada vez mais fortes.



Há, pelo menos, quatro pistas para acelerar o crescimento. A primeira é a mais fácil, mas não é determinada por Cuba. É a autorização para os habitantes dos EUA visitarem a ilha. Se isso acontecesse, significaria um enorme fortalecimento do turismo, que é a principal fonte de divisas. Em um curto espaço de tempo, duplicaria do número de turistas, o que aumentaria o PIB em alguns pontos. Resolveria da noite para o dia a falta de divisas e fortaleceria a moeda nacional. Esta medida provavelmente levaria ao fim do bloqueio, o que por sua vez significaria mais alguns pontos para o crescimento. Infelizmente, esta medida é decidida em Washington.



Outra possível pista é a exploração petroleira. No Golfo do México, em águas territoriais de Cuba, encontraram alguns campos de petróleo promissores. A exploração destes não somente daria muitas divisas para a ilha, mas também atrairia investimentos estrangeiros com mais facilidade, e colocaria Cuba num posto superior na escala para receber crédito.



No entanto, esta pista tem uma série de riscos e problemas. Primeiro, a exploração exige investimentos substanciais e conhecimentos especializados de que a ilha não dispõe. Mas, principalmente, estes depósitos estão perto das águas territoriais dos Estados Unidos. Nós todos sabemos que, quando se trata de petróleo, aos EUA não importa uma guerrinha a mais ou a menos. A grande questão é saber se admitiriam que Cuba explorasse estas riquezas.



Uma terceira pista possível é a orientação da economia para setores com elevado valor agregado. Trata-se principalmente de setores de alta tecnologia. O ensino excelente e altos níveis de capacitação são vantagens consideráveis de que dispõe a ilha. Já na década de oitenta, havia esforços significativos nas áreas de biotecnologia e farmacêutica. A partir de 2002, desenvolveu-se uma universidade de informática muito avançada. Mas, para poder jogar mais na carta de alta capacitação, seria preciso dar maior prioridade à formação técnica.



Hoje há um número relativamente alto de estudantes que optam por ciências humanas. Mas não basta apenas uma reorientação dos alunos. O desenvolvimento de setores de alta tecnologia exige investimentos muito grandes, que terão que vir principalmente de fora. Neste tema, houve um progresso significativo nos últimos anos. A afirmação dos chamados países em crescimento no cenário econômico global se traduz em uma crescente cooperação Norte-Sul (4). Cuba também contribui, especialmente no plano médico, mas também colhe os frutos desse esforço.



A crescente integração da América Latina tem uma boa influência sobre este processo. As áreas em que Cuba tem uma vantagem comparativa são as da biotecnologia, da farmacêutica, equipamentos médicos, informática e serviços médicos. Existe também um potencial na área de automação, engenharia, projetos ambientais e de ensino. É preciso um planejamento de longo prazo para fazer essa mudança, por isso se retomou a tradição dos planos quinquenais (5).



Uma dica final é o aumento da produtividade. Na maioria dos setores é muito baixa. É uma consequência da burocracia, mas ainda mais de uma baixa motivação no trabalho e um grau relativamente elevado de corrupção. Os dois últimos fenômenos são, por sua vez, uma consequência do duplo sistema monetário e da falta de ligações entre o trabalho, salários e poder de compra.



Analisemos mais detalhadamente como isso acontece. Quanto à burocracia, nós concordamos com a idéia de Hugo Chávez que diz que a burocracia é o colesterol da economia, mas devemos ter em mente que não há soluções simples. Em uma economia que tem como objetivo maximizar os lucros, mas maximizar o social e que está dirigida pela política, é inevitável certo grau de burocracia. Se dá caminho livre para a dinâmica econômica, automaticamente perde as prioridades sociais. Mas, por outro lado, também uma direção política demasiado rígida mata qualquer dinâmica e compromete o apoio financeiro para os objetivos sociais. É um equilíbrio difícil de manter.



Na década de noventa, houve tentativas para aperfeiçoar tanto o planejamento macro como micro, com resultados muito diversos. Raul Castro anunciou no verão de 2008 que ele quer continuar tentando. Se está tentando dar mais autonomia para a gestão empresarial e a cooperativização do pequeno comércio, que, neste momento, é em grande medida controlada diretamente pelo Estado. No 1° de Agosto de 2009, o Parlamento votou uma lei geral de controle que submeterá todas as empresas a uma auditoria com a finalidade de aumentar a eficiência e reduzir a corrupção.



2. A diferença entre o trabalho, salário e poder de compra



O segundo desafio fundamental tem a ver com as consequências do Período Especial. A economia teve um crescimento negativo de 35%. É difícil imaginar o que significa tal queda. Estatisticamente falando, nesse momento deve ter havido uma explosão. Outros países em tal situação econômica (ou mesmo com um retrocesso menor) estão freqüentemente envolvidos em guerras civis e, no melhor dos casos, com os protestos em massa, saques, anarquia, golpes de Estado ou queda do governo.



Cuba sobreviveu ao golpe e, em 15 anos, voltou ao nível que estava em 1989 (6). Para o desenvolvimento econômico significa um atraso de 15 anos, mas houve outros importantes efeitos permanentes. A produção agrícola se desfez em pedaços. Na década de oitenta, Cuba pertencia ao grupo dos países com maior produção agrícola mecanizada do mundo. Devido à falta de peças de reposição e de divisas, toda a maquinaria tornou-se inutilizável em pouco tempo. Bovinos vivos foram dizimados por falta de alimentação adequada para os animais e a enorme necessidade alimentícia da população.



Para a economia cubana em seu conjunto, esta situação foi muito grave. A partir de agora, o pequeno e vulnerável país em vias de desenvolvimento se viu exposto ao impacto do mercado global. Além disso, apenas teve tempo de se preparar para isso. A ilha perdeu suas relações comerciais vantajosas e teve que começar a pagar por suas importações em duras divisas. Também para seus produtos de exportação, naquela época sobretudo o açúcar e níquel, Cuba foi forçada a aceitar os preços do mercado flutuante do mundo.



Além disso, durante este período, os EUA reforçaram bastante o bloqueio econômico, graças às leis Torricelli (1992) e Helms-Burton (1996). A partir desse momento começaram a pressionar países terceiros para que deixassem de comercializar com Cuba ou para que retirassem seus investimentos. Cuba já não podia contar nem com a URSS para suas reivindicações.



Uma das piores consequências desta nova situação foi a queda da moeda nacional, o peso. Antes de 1989, um peso equivalia a um dólar. No mercado negro se podia trocar um dólar por sete pesos. No pior momento da crise, era preciso pagar 150 pesos para um dólar. Foi tomado todo tipo de medida, com o objetivo de reduzir essa diferença insustentável, ações que tiveram bastante êxito.



Foi possível eliminar o mercado negro e, a partir de 1996, o dólar custava entre 20 e 25 pesos. Esta foi uma grande melhoria em comparação com 1994, mas o valor da moeda ainda era três ou quatro vezes menor do que em 1989. Para poder dispor de todas as divisas disponíveis, o governo introduziu uma nova moeda, o CUC, cujo valor é ligeiramente superior ao valor do dólar.



Este duplo sistema de câmbio, contudo, não conseguiu evitar a criação de um fosso entre os cubanos que por algum motivo dispunham de divisas estrangeiras (60%) e os outros compatriotas. As consequências tanto para a ética do trabalho como para a estrutura de preços de consumo foram enormes. Da ética do trabalho já falamos em detalhe em outro artigo (7). Aqui nos concentramos nos preços do consumo.





O salário, pago em pesos, quase perdeu o seu valor em comparação com o dólar ou o CUC. Um cirurgião ou um professor universitário pode facilmente ganhar o dobro ou triplo trabalhando como motoristas de táxi ou no setor do turismo. Aqueles que se deslocam para Miami, que fica a apenas 200 km, podem multiplicar seu salário por 10 ou 20. Mas este não é o único problema.



Um cubano que somente dispõe de pesos tem que pagar preços exorbitantes por um par de sapatos, um pedaço de carne fora da oferta básica ou um microondas. Trabalhem o que trabalharem, o salário dessas pessoas não lhes servirá de muito. Em outras palavras, não há ligação direta entre o trabalho, o salário e poder de compra. Esta situação é muito ruim para a motivação do trabalho. Não faz nenhum sentido trabalhar bem e muito se com o que você ganha não pode comprar quase nada.



Por isso há um grande número de cubanos que desenvolvem atividades ilegais para obter alguns CUC extra. Mas, desta forma, entram numa dinâmica negativa. A motivação laboral é baixa e, portanto, o serviço prestado ou a qualidade da produção (em pesos) também baixa. Se você quer uma melhor qualidade ou um serviço melhor, isso se paga em CUC muito mais caro, ou diretamente se bisca no mercado negro. Mas só se você dispõe de CUC.

E assim se completa o ciclo e de generaliza o sistema de "resolver". Desta forma, Cuba corre o risco de que os trabalhadores sejam alienados do setor econômico. Já não se sentem responsáveis pelo produto final ou o serviço que prestam e se sentem, ainda, menos proprietários dos meios de produção.



Desta forma, se mina um dos pilares essenciais do socialismo e, eventualmente, a situação se torna insustentável. Temos de restabelecer a ligação entre trabalho, salário e poder de compra no curto prazo. Os salários devem variar de acordo com o trabalho realizado e os resultados.



A partir de 2008 o governo tomou várias medidas neste contexto, aumentando os salários dos professores, a introdução da remuneração variável por hora de trabalho ou a possibilidade de ter dois empregos. A partir do ano letivo de 2009-2010 também se permitem trabalhos estudantis. Mais e mais empresas estão ajustando o salário segundo a pontualidade, as horas trabalhadas, etc, do trabalhador. Estas medidas são um bom começo, mas não suficientes e não resolvem completamente o problema de hoje para amanhã.



Depois, há a relação entre os salários e o poder de compra. O sistema de preços para alguém de fora é muito estranho. Por exemplo, a fatura mensal de energia e de água custa tanto quanto duas cervejas no setor CUC. Porque os produtos básicos (como os serviços básicos) são altamente subsidiados, enquanto os demais produtos têm um preço relativamente elevado. Este sistema impede que nasça uma verdadeira lacuna entre ricos e pobres. Tem seu valor, mas há excessos e precisa de alguma correção.



Não pode um jeans ou sapatos valerem um salário mensal. É igualmente absurdo que algumas famílias não saibam o que fazer com suas cartilhas mensais de produtos básicos, como arroz ou açúcar. A porção é muito elevada e os salários muito baixos. Recentemente, foi dado um passo neste quadro. Acabaram com a comida de graça no trabalho, mas os salários subiram 15 pesos por dia. Em termos globais, temos de reorientar os subsídios: ao invés de subvencionar os bens, é preciso subvencionar as pessoas (frágeis). Esta é uma questão delicada, porque a tradição do subsídio alimentar está profundamente enraizada na sociedade cubana e é considerada uma grande conquista. Temos de organizar um processo muito lento e gradual de reorientação.



Para restabelecer a ligação entre o trabalho, os salários e o poder aquisitivo e resolver de verdade o estranho sistema de preços, é preciso realizar dois objetivos. De um lado, tem que baixar as importações e, do outro lado, tem que aumentar o valor das exportações. O efeito combinado irá fortalecer a moeda nacional, reduzindo assim a diferença entre os proprietários de pesos e de CUC. Também reduzirá os preços exorbitantes de alguns produtos.



O crescimento das exportações só faz sentido se Cuba se concentrar em setores que têm um valor agregado mais alto. Já falamos sobre isso antes. Quanto às importações, as razões para baixá-la o quanto for possível são muitos. Por si, o bloqueio econômico já faz com que as importações sejam caros. A débil posição da moeda nacional faz com que os produtos importados consumam a maior parte do orçamento nacional.



Também está em jogo o aspecto da segurança. Quanto menos dependa a ilha das importações, menos vulnerável será a possíveis agressões dos Estados Unidos. Um bom exemplo de substituição de importações é a construção de automóveis chineses na província de Havana. Esta substituição, porém, é uma questão muito complicada. Cuba tem mão de obra capacitada, gerentes e infra-estrutura para o desenvolvimento de novas indústrias, mas isto não é suficiente. Também são necessários investimentos significativos tanto em capital como em tecnologia.



Cuba já tem uma dívida externa bastante grande e o bloqueio é um impedimento significativo para conseguir a tecnologia necessária. Outra desvantagem para os cubanos é a escala reduzida. Montar linhas de produção para uma área de apenas 11 milhões de habitantes é muito mais caro do que para uma região de 50 milhões ou mais de 1 bilhão, como é o caso da China. Em todo caso, a história mostra que a substituição de importações não é uma varinha mágica. Foi a estratégia de desenvolvimento na América Latina nos anos 50 e 60, e na maioria dos países foi um fracasso total.



Para a substituição de importações, o setor mais importante em termos de segurança é a agricultura. Em 2008, Cuba importou mais de 80% dos seus alimentos. Ao mesmo tempo, desperdiçou metade das terras férteis da ilha. Alguns são deixadas em alqueive, outras simplesmente são comidas por ervas daninhas. Neste tópico, o governo cubano caminha de duas maneiras. Por um lado ataca a burocracia, descentralizando e dando mais autonomia aos produtores locais. Não se sabe ainda se esta abordagem vai dar bons resultados.



Por outro lado, são colocadas terras em alqueive a disposição dos cubanos que querem explorá-las. A renda que ganham supera o salário médio em outros setores. Esta fórmula foi bem sucedida. Houve mais solicitações que lugares disponíveis. No outono de 2009, já se voltou a fazer uso de 40% das terras em alqueive. Também não se sabe ainda se essa estratégia vai pagar. Você não pode esperar altos rendimentos a curto prazo de novos agricultores inexperientes. Na produção agrícola, a experiência vale ouro.





3. Rumo a um modelo diferente?





Quando Raúl Castro assumiu o lugar de seu irmão, a mídia ocidental previa uma grande mudança de rumo. Raul supostamente gostava mais do modelo chinês e do sistema de mercado. É claro que a mídia "esquece" que as decisões são tomadas coletivamente em Cuba e se submetem à população antes de serem aprovadas. Além disso, as alterações importantes em Cuba e em outros lugares têm mais a ver com o novo contexto e os novos desafios que surgem que com o aparecimento de um novo líder.



Portanto, qualquer mudança de rumo não dependerá tanto do temperamento ou das idéias do líder, como do resultado de um intenso processo de tomada de decisão coletiva. Parece que a mídia ocidental havia se esquecido de que na década de noventa, sob Fidel, foram tomadas decisões muito drásticas e enfocadas no mercado, também depois de extensas consultas com a população.



No entanto, a comparação com a China é interessante e instrutiva. Os dois países compartilham semelhanças importantes nas suas estratégias de desenvolvimento. Tanto na China como em Cuba a economia está dirigida pelas autoridades políticas. As áreas-chave estão nas mãos do Estado. O governo controla e gerencia o banco central e a política monetária. As principais diretrizes econômicas - quanto investir e em que setores - estão modeladas nos planos a longo prazo, de vários anos.



O Partido Comunista joga um papel importante no desenvolvimento local nos dois países. Também nas duas nações se dedica um orçamento relativamente elevado à educação e à infra-estrutura. Por fim, Cuba e China desenvolvem estreitas relações com outros países do Sul, com o objetivo de reforçar o desenvolvimento mútuo. Mas também devemos ter em mente que existem pelo menos seis pontos muito diferentes entre o caminho chinês e o cubano, que devem ser entendidos.



Para começar, o ponto de partida foi muito diferente para os dois países. Quando Deng Xiaoping começou as reformas no final dos anos setenta, a China tinha um atraso econômico significativo. A China tinha sido destruída por cem anos de ocupação e guerras civis. Durante o período de Mao (1949-1976), o crescimento econômico já era superior ao de outros países do Terceiro Mundo, mas o país se manteve como uma das regiões mais pobres do mundo. O PIB per capita se situava muito abaixo à média da Ásia e era, inclusive, duas vezes menor ao da África (8).



Nos países inimigos de sempre, Japão, Taiwan e Coréia do Sul, havia um crescimento enorme na época. Neste contexto, Deng lançou o slogan "O socialismo não é pobreza e ficar rico é glorioso". O princípio da igualdade foi sacrificado, temporariamente, para o desenvolvimento acelerado das forças produtivas, a partir das províncias do litoral. Em Cuba, a situação era muito diferente. Em 1959, Cuba se situava acima da média latino-americana. Neste contexto, se dava total prioridade ao desenvolvimento social e cultural.



Outro ponto de diferença está nas conclusões que as duas revoluções tiraram de seu próprio passado recente. Os primeiros 30 anos da revolução chinesa foram muito tumultuados. O grande salto adiante (1958-1960) e a Revolução Cultural (1966-1976) foram experiências traumáticas. Ocorreram sob a liderança da ala esquerda do Partido Comunista. Os chineses tiraram conclusões desses desastres.



As reformas desde 1978, provavelmente, foram uma reação (de direita) muito forte a esses acontecimentos. A primeira geração de revolucionários quis introduzir o comunismo muito rapidamente, pulando a fase histórica do capitalismo. Isso não foi possível porque a situação econômica e tecnológica não tinha amadurecido ainda. Este processo de amadurecimento é justamente o papel histórico do capitalismo.



Assim, foram introduzidos, no final dos anos setenta (temporariamente), elementos capitalistas que resultaram no desaparecimento de importantes princípios socialistas, como a propriedade coletiva dos meios de produção, a proibição do emprego privado - base para a exploração - e os serviços de saúde e educação gratuita. Deng dizia: "Não importa se o gato é branco ou preto, enquanto capture ratos".



Em Cuba, de certa forma, houve uma evolução no sentido inverso. Durante os anos setenta e início dos anos oitenta, elementos capitalistas foram introduzidas sob a influência da URSS. Isto levou a uma estagnação em meados dos anos oitenta. A campanha de retificação de 1986, que foi totalmente contra a perestroika de Gorbachov, tirou esses elementos capitalistas. O resultado foi que a revolução cubana permaneceu de pé, enquanto todos os países do Leste caíram um por um.



A lição era clara: para que a revolução sobreviva, temos que manter os princípios socialistas. Provavelmente, para Raul Castro ou seus sucessores, este foi o motivo mais importante para não escolher o caminho da China. Nas palavras de Raul: "Eu não fui eleito presidente para reintroduzir do capitalismo em Cuba, ou derrubar o socialismo. Fui eleito para defendê-lo, preservá-lo e melhorá-lo, não para destruí-lo."



Um terceiro ponto de diferença é a escala. Nas relações de força com as multinacionais, a escala joga muito a favor da China e muito contra Cuba. China tem um mercado de quase um quarto da população mundial, razão pela qual as corporações transnacionais estão na fila para poder investir. Cuba tem apenas 0,2% da população mundial e, portanto, não tem essa vantagem. Além disso, as grandes empresas chinesas, ao contrário dos cubanos, são grandes o suficiente para competir com empresas transnacionais.



Tomemos o exemplo da Bacardi. Os proprietários originais deste rum se opuseram à revolução cubana e tiraram seus capitais de Cuba, pouco depois de 1959, para continuar a produzir no exterior. Hoje, a Bacardi concorre diretamente com o rum cubano Havana Club, um produto de exportação importante para a ilha. As vendas da Bacardi quase igualam ao total das exportações de Cuba.



Um quarto ponto de diferença reforça ainda mais a desvantagem da escala que sofre Cuba: o bloqueio econômico. Washington e a CIA fazem todo o possível para impedir que países terceiros tenham relações comercias com Cuba, que inivstam na ilha ou concedam crédito. Isso também enfraquece a posição de negociação de Cuba com empresas estrangeiras e bancos. A China, pelo contrário, é o país que deu mais crédito aos EUA e, portanto, tem uma posição de poder muito forte em relação a Washington.



A quinta diferença é a diáspora. Desde a década de noventa, muito do investimento estrangeiro na China provinha do capital chinês situado, acima de tudo, na Ásia. A diáspora chinesa é muito fragmentada e é muito patriótica. Os cubanos com muito capital que estão fora do país são outra história. Eles são politicamente organizados e formam um lobby poderoso nos EUA. Junto com Washington, tudo que eles querem é a derrota da revolução. Foi assim que um funcionário da Bacardi foi responsável pela formulação, em 1996, da Lei Helms-Burton, que exacerbou ainda mais o bloqueio.



O sexto e último ponto de diferença é o contexto geopolítico. Para Cuba tem sido pouco favorável. Em um período de 30 anos, a pequena ilha perdeu duas vezes seus parceiros comerciais mais importantes. Teve que reorientar a sua economia completamente com muitas consequências desastrosas. Cuba não pôde tirar muito proveito da região, não pôde tirar proveito de uma tendência regional. O desenvolvimento econômico da América Latina foi muito lento e também as relações com os países da região eram pobres.



No plano econômico, mandavam as empresas estadunidenses e, no plano político e diplomático, os países da região sofriam uma grande pressão por parte dos EUA. Nos últimos dez anos melhoraram muito as relações com estes países, mas não há garantia de que as coisas sigam assim. O governo atual dos EUA gostaria de recuperar o terreno que perdeu nas duas administrações Bush. Também não há qualquer garantia de que seguirá a atual onda esquerdista na América Latina.



O contexto econômico chinês era e é muito mais favorável. Desde os anos cinquenta, a região conhece um regime cumulativo muito favorável. Com muitas empresas de alta tecnologia no Japão, que tem vínculos orgânicos com subcontratados nos países da região, países onde, por sua vez, sobrava a mão de obra barata. Grande parte da produção ia para os EUA e Europa.



Graças a esse clima favorável acumulado, houve um crescimento muito elevada no Leste e Sudeste da Ásia. A China pôde aproveitar esta situação, especialmente desde os anos oitenta. Nesta região, Washington teve muito menos influência do que na América Latina, pois não a considera o seu quintal. Finalmente, graças à sua dimensão, a China tem - e reforça ainda mais - uma posição forte em comparação com outros países da região.



Os últimos quatro pontos mostram claramente que o contexto econômico chinês não pode ser comparado com o cubano. A China é capaz de pôr exigências às empresas transnacionais. Cuba, pelo contrário, tem para oferecer um negócio muito atraente para atrair capital estrangeiro. Da atual fase da estratégia de desenvolvimento da China faz parte uma atração maciça de capital estrangeiro para adquirir tecnologia e capital como base para uma hiperexpansão das exportações. Para Cuba, este caminho não é possível.



A China pode se permitir uma economia muito aberta, pode deixar que jogue o mercado e pode dar espaço para jogadores estrangeiros no mercado doméstico, sem perder o controle sobre a economia. Em Cuba, é o oposto. Ali, o funcionamento do mercado possui um elevado potencial de desestabilização e é uma ameaça à soberania. Há pouca margem de manobra econômica, a regulamentação estrita do mercado é uma questão de sobrevivência.



Não mencionamos as diferenças essenciais entre os dois países para julgar, de maneira nenhuma, se o caminho chinês é correto ou não. Essa é outra discussão. Tentamos, sim, deixar claro que os caminhos diferentes que seguem estão, em grande parte, determinados pelas circunstâncias históricas e as opções escolhidas. Também queríamos mostrar que o que é melhor para um, não necessariamente se adequar ao outro. Uma das lições mais importantes que a história nos ensinou é que de nada serve um país copiar o rumo tomado por outro. É claro que podemos aprender com os erros e os pontos fortes de outros países e é necessário fazê-lo, mas cada um deve desenvolver-se de sua própria maneira, de acordo com as suas próprias condições internas e externas.



Em Cuba, podemos esperar toda uma série de reformas, já que o país se encontra ante desafios muito importantes. Mas isso não significa de forma alguma que Cuba tem que mudar de curso ou modelo, ou que esteja considerando isso. Isso significa, para colocar as palavras de Raúl, que se buscará um modelo "economicamente favorável" para a ilha e que assegure "a continuidade do sistema social e político do país".



(Agradeço a Alejandro Aguilar Trujillo, professor emérito da Universidade de Havana, por suas valiosas contribuições e comentários).



Bibliografia



Banco Central de Cuba, Economía cubana 1996-2006, La Habana 2007.



Cepal, http://www.eclac.org/ .



Demuynck K. & Vandepitte M., De Factor Fidel, Antwerpen 2008.



Herrera R., Cuba revolutionaire. Tome 2. Économie et planification, París 2006



Ng Sauw T. & Vandepitte M., Made in China, Meningen van daar, Berchem 2006.



Oficina Nacional de Estadísticas, Panaroma económico y social. Cuba 2008, La Habana 2009.



UNDP, Human Right Development Report, Washington 2009.



Vandepitte M., De gok van Fidel. Cuba tussen socialisme en kapitalisme?, Berchem 1998.



http://www.one.cu



Notas



1 - Discurso de Raúl Castro el 1 de agosto de 2009, http://www.granma.cubaweb.cu/2009/08/01/nacional/artic19.html .



2 - Calculado a base de undp, Human Development Report 2009 y ‘Health Report’, Financial Times, 26 de marzo de 2009, p. 26-7. Después de la caída de la Unión Soviética, la economía cubana casi se colapsó. Tardó quince años en recuperarse hasta el nivel del PIB cubano de 1989. Al ritmo de crecimiento de 1959-1989 significa una pérdida del 75%. Para la tasa de crecimiento de los primeros 30 años, véase Herrera R., Cuba revolutionaire. Tome 2. Économie et planification, París 2006, p. 93.



3 - Fuentes: Oficina Nacional de Estadísticas, Panaroma económico y social. Cuba 2008, La Habana 2009;



http://mensual.prensa.com/mensual/contenido/2004/12/16/hoy/negocios/88162.html ; http://www.larepublica.com.uy/economia/184379-uruguay-crecera-mas-de-6-este-ano-segun-la-cepal ; http://www.eclac.org/cgi-bin/getProd.asp?xml=/publicaciones/xml/2/27542/P27542.xml&xsl=/de/tpl/p9f.xsl&base=/tpl/top-bottom.xsl# ; http://www.tiempodecuba.com/node/1256 ; http://www.infolatam.com/entrada/cepal_america_latina_crecio_un_56_por_ci-6369.html ; http://www.one.cu/publicaciones/cepal/bpalc2008/presentaci%C3%B3n.pdf ; http://www.reuters.com/article/marketsnews/idARN2860268020090928?rpc=444 ; http://www.cubaencuentro.com/es/cuba/articulos/cual-fue-el-ajuste-141526 .



4 - Las inversiones extranjeras directas (FDI) de los países en vías de desarrollo crecen rápidamente. De 2003 a 2008 se multiplicaron por ocho y comparadas con 1990, por cincuenta. En el período 2003–2008 su cifra global aumentó del 8% al 19%. Los países en vías de desarrollo también invierten más en los países del sur que los países desarrollados. Los países en vías de desarrollo invierten como mínimo un 40% en los países menos desarrollados. UNCTAD, World Investment Report 2009, New York 2009, p. 247; UNCTAD, World Investment Report 2006, New York 2006, p. 299; VN, The state of South-South cooperation, Report of the Secretary-General, 24 agosto 2009, http://southsouthconference.org/wp-content/uploads/2009/10/64th-Session-A-64-321.pdf .



5 - Anunciado por Raúl Castro en su discurso en el parlamento el 20 de diciembre 2009, http://www.granma.cubaweb.cu/2009/12/20/nacional/artic20.html .



6 - Herrera R., Cuba revolutionaire, p. 28; Banco Central de Cuba, Economía cubana 1996-2006, La Habana 2007, p. 7.



7 - Véase Vandepitte, M., ‘Socialismo, pobreza y distribución de la riqueza. La situación en Cuba’. A publicarse todavía.



8 - Beaud M., Histoire du capitalisme de 1500 à 2000, París 2000, p. 289



Tradução: Sven Magnus

Destacam no Brasil cooperação cubana em Educação e Saúde

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Escrito por Alejandro Gómez


06 de junio de 2010, 09:07Porto Alegre, Brasil, 6 jun (Prensa Latina) A cooperação cubana em saúde e educação foram destacadas hoje na XVIII Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba no Brasil.

No painel "A colaboração internacionalista da Revolução cubana": experiências em Educação e Saúde. O secretário do Conselho de Estado de Cuba, Homero Deita, e o reitor da Escola Latinoamericana de Medicina (ELAM), Juan Carrizo, coincidiram em dizer que a solidariedade e o internacionalismo são princípios essenciais do processo revolucionário cubano.

Carrizo assinalou que o internacionalismo e a solidariedade cubana constituem um modo de proceder com os povos e nações pobres, contribuindo a enfrentar as condições de desigualdade, pobreza e miséria que o imperialismo capitalista impõe à humanidade.

Recordou que no plano de saúde, dantes do triunfo da Revolução de 1 de janeiro de 1959 a esperança de vida ao nascer era de 62,3 anos, a taxa de mortalidade por gastroenterite era de 41,2 pela cada cem mil e dos 393 centros assistenciais só 38 por cento respondia a instituições estatais.

Atualmente, contrastou, Cuba dispõe de 74 mil e 400 médicos e 11 mil e 887 odontólogos. Existem 25 Faculdades de Medicina, 99,7 por cento da população é atendida por médicos da família, há 222 hospitais, 491 policlínicas e 163 clínicas estomatológicas.

Assim mesmo, a esperança de vida ao nascer é de 78 anos para os homens e de 80 anos para as mulheres, e a mortalidade infantil é de 4,7 por cada mil nascidos vivos. Acrescentou que a colaboração cubana com outras nações inclui a assistência médica, a transferência de tecnologias, a atenção a situações de emergência e programas de formação de recursos humanos.

Destacou que os mais de 255 mil profissionais e técnicos cubanos da saúde nas nações mais insalubres têm realizado quase 600 milhões de consultas médicas, quatro milhões de intervenções quirúrgicas, dois milhões de partos, 10 milhões de crianças e grávidas vacinados e tem-se salvado a vida de quase três milhões de pessoas.

Ademais, desde 10 de julho do 2004 até a presente data, por meio da Operação Milagre, operação para devolver a visão a pessoas com doenças curáveis, realizaram-se um milhão e 937 mil 418 operações a pacientes de 35 países.

Por sua vez, o secretário do Conselho de Estado de Cuba afirmou que não se pode falar da solidariedade cubana na educação sem se referir ao que a Revolução fez internamente nesta esfera, quando apenas dois anos após do triunfo realizou a campanha de alfabetização com a qual a ilha caribenha foi declarada o primeiro país da América Latina livre do analfabetismo.

Exaltou que Cuba conta hoje com o maior índice per capita de professores por habitante, pois dispõe de 253 mil 269 professores, o que representa um educador para cada 30 habitantes, cifra única no mundo e mais relevante ainda por se tratar de uma nação em desenvolvimento, com um bloqueio econômico de quase meio século imposto pelos Estados Unidos.

Ao todo têm-se graduado em Cuba desde 1959 até 2009 668 mil 400 maestros, referiu e destacou que todos os meninos de Cuba vão à escola, inclusive que existem mais de 300 centros educativos de um único aluno, com as mesmas condições e programa de ensino que o resto dos estudantes.

Sobre a cooperação internacional neste ramo, Deita precisou que em Cuba se formaram 55 188 jovens de 135 países, 23 mil 600 de nível médio e 31 mil 528 de nível universitário. Na ilha caribenhaa têm-se graduado dois mil 874 educadores de 46 países. Hoje Cuba tem 29 mil 894 bolsistas estrangeiros de sete áreas geográficas.

A colaboração cubana em educação está presente em 25 nações com mil 82 maestros e professores, apontou, ressaltando o programa de alfabetização baseado no método cubano "Eu sim posso", mediante o qual se conseguiu ensinar a ler e escrever a quatro milhões 900 997 pessoas de maneira totalmente gratuita.

A XVIII Convenção Nacional de Solidariedade com Cuba desenvolve-se desde anteontem na sede da Assembléia Legislativa do estado brasileiro de Rio Grande do Sul e se concluirá amanhã com a aprovação da Carta de Porto Alegre e o Plano de Ação que guiará o apoio e respaldo à Revolução cubana de agora até o próximo encontro em 2011.



arc/ale
cc

Reflexões do Companheiro Fidel / O império e a mentira

Não encontrei outra opção a não ser escrever duas reflexões sobre o Irã e a Coréia, que explicam o perigo iminente de guerra com o emprego da arma nuclear. Pela sua vez, já expressei a opinião de que um deles podia ser emendado se a China decidia vetar a resolução que os Estados Unidos da América promovem no Conselho de Segurança das Nações Unidas. O outro depende de fatores que escapam a toda possibilidade de controle, devido à conduta fanática do Estado de Israel, convertido pelos Estados Unidos da América em sua atual condição de forte potência nuclear, que não aceita ser controlada pela superpotência.


Quando teve lugar a primeira intervenção dos Estados Unidos da América para esmagar a Revolução Islâmica, em junho de 1953, em defesa de seus interesses e dos de seu grande aliado, o Reino Unido, que levou ao poder a Mohammad Reza Pahlevi, Israel era um pequeno Estado que ainda não se tinha apoderado de quase todo o território palestino, parte da Síria e não pouco da vizinha Jordânia, defendida até essa altura pela Legião Árabe, da qual não resta vestígio algum.

Hoje as centenas de mísseis com ogivas nucleares, apoiados pelos aviões mais modernos que lhe são fornecidos pelos Estados Unidos da América, ameaçam a segurança de todos os Estados da região, árabes e não árabes, muçulmanos e não muçulmanos, que estão ao alcance do amplo raio de ação de seus projéteis, que podem cair a poucos metros de seus objetivos.

No passado domingo 30 de maio, quando escrevi a Reflexão O império e a droga, ainda não tinha acontecido o brutal ataque contra a flotilha que transportava víveres, medicamentos e artigos de primeira necessidade para o milhão e meio de palestinos sitiados em um pequeno fragmento daquilo que foi sua própria Pátria durante milhares de anos.

A imensa maioria das pessoas investe seu tempo e lutam para enfrentar as necessidades que lhes são impostas pela vida — entre elas o alimento, o direito ao divertimento e ao estudo, e outros problemas vitais dos familiares mais próximos —; não podem se deter na busca de informação sobre o que acontece no planeta. A gente os vê em qualquer parte com expressões de nobreza e confiantes em que outros serão os encarregados de solucionar os problemas que os afligem. São capazes de alegrar-se e sorrir. Desta maneira alegram aqueles que temos o privilégio de observar com equanimidade as realidades que ameaçam a todos.

O estranhíssimo invento de que a Coréia do Norte tinha afundado a corveta sul-coreana Cheonan — desenhada com tecnologia de ponta, dotada de amplo sistema de sonar e sensores acústicos submarinos —, em águas localizadas em frente a suas costas, a culpava do desumano fato onde morreram 40 marinhos sul-coreanos e dezenas receberam ferimentos.

Não era fácil para mim desentranhar o problema. Por um lado, não tinha a forma de me explicar que um governo qualquer tivesse a possibilidade, mesmo que desfrutasse de autoridade, de usar mecanismos de comando para dar a ordem de torpedear uma nave insígnia. Por outro lado, jamais acreditei na versão de que Kim Jong Il desse essa ordem.

Carecia de elementos de juízo para poder chegar a uma conclusão, mas estava certo de que a China vetaria um projeto de resolução do Conselho da Segurança que sancionasse a Coréia do Norte. Ao mesmo tempo não tinha nenhuma dúvida de que os Estados Unidos da América não podem evitar o uso da arma nuclear por parte do governo incontrolável do Israel.

Em horas avançadas do dia 1 de junho já se recebiam informações do que realmente aconteceu.

Às 22h30 escutei o conteúdo de uma análise intensa do jornalista Walter Martinez, que elabora Dossier, programa estelar da televisão venezuelana. Ele chegou à conclusão de que os Estados Unidos da América fizeram com que cada uma das partes da Coréia acreditasse naquilo que cada uma delas afirmava da outra, com o objetivo de resolver o problema da devolução do território ocupado pela base de Okinawa que o novo líder do Japão, difundindo as ânsias do país, exigia. Seu partido obteve um enorme respaldo nas eleições devido à promessa que fez de conseguir a retirada da base militar ali instalada, punhal cravado há mais de 65 anos no coração do Japão, hoje país desenvolvido e rico.

Através de Global Research são conhecidos os detalhes verdadeiramente assombrosos do acontecido, graças ao artigo de Wayne Madsen, jornalista pesquisador que trabalha em Washington DC, quem divulgou informação de fontes de inteligência no sítio web Wayne Madsen Report.

Essas fontes — afirmou — “... suspeitam que o ataque contra a corveta de guerra anti-submarinos da Armada sul-coreana Cheonan foi um ataque de bandeira falsa feito para que parecesse vindo da Coréia do Norte.”

“Um dos propósitos principais para o aumento das tensões na península coreana era aplicar pressão sobre o primeiro-ministro japonês Yukio Hatoyama para que mudasse de política sobre a saída de Okinawa da base do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos da América. Hatoyama admitiu que as tensões pelo afundamento do Cheonan influíram bastante em sua decisão de permitir que os fuzileiros navais dos EUA permanecessem em Okinawa. A decisão de Hatoyama provocou a divisão no governo da coligação de centro-esquerda, um fato saudado em Washington, pela ameaça do líder do Partido Social democrata, Mizuho Fukushima, de abandonar a coligação pela mudança de atitude sobre Okinawa.

“O Cheonan foi afundado próximo à ilha Baengnyeong, um lugar do extremo ocidental afastado da costa sul-coreana, mas em frente da costa norte-coreana. A ilha está altamente militarizada e dentro do alcance de fogo de artilharia das defesas costeiras norte-coreanas, que está no outro lado de um estreito canal.

“O Cheonan, uma corveta de guerra anti-submarinos, tinha sonar de tecnologia de ponta, e, além disso, operava em águas com amplos sistemas de sonar, hidrofone, e de sensores acústicos submarinos. Não existe evidência sul-coreana de sonar ou de áudio de um torpedo, submarino ou mini-submarino na área. Visto que não há quase navegação no canal, o mar estava silencioso no momento do afundamento.

“Contudo, na ilha Baengnyeong existe uma base de inteligência militar estadunidense-sul-coreana e SEALS [forças especiais] da Armada dos Estados Unidos da América operam desde ela. Além disso, no setor, havia quatro navios da Armada dos Estados Unidos da América, parte do Exército Foal Eagle EUA-Coreia do Sul, durante o afundamento da Cheonan. Uma investigação dos vestígios metálicos e químicos do torpedo suspeitoso demonstra que é de produção alemã.

“Existem suspeitas de que os SEALS da Armada dos EUA mantêm uma amostra de torpedos europeus com fins de denegação plausível para ataques de bandeira falsa. Ademais, Berlim não vende torpedos à Coréia do Norte, contudo, a Alemanha mantém com Israel um programa de estreita cooperação de desenvolvimento conjunto de submarinos e armas submarinas.

“A presença do USNS Salvor, um dos participantes em Foal Eagle, tão próxima à ilha Baengnyeong durante o afundamento da corveta sul-coreana, também suscita perguntas.

“O Salvor, navio civil de salvamento da Armada, que participou em actividades de colocação de minas pelos marines tailandeses no Golfo da Tailândia em 2006, esteve presente próximo ao momento da explosão, com um complemento de 12 mergulhadores de águas profundas.

“Pequim, satisfeita com a asseveração de inocência de Kim Jong Il da Coréia do Norte depois de uma viagem urgente de comboio de Pyongyang até Pequim, tem suspeita do papel da Armada dos EUA no afundamento da Cheonan, associada às suspeitas particulares a respeito do papel desempenhado pelo Salvor. As suspeitas são as seguintes:

“1. O Salvor participava em uma operação de instalação de minas no leito marinho; noutras palavras, colocava minas anti-submarinas disparadas horizontalmente no fundo do mar.

“2. O Salvor realizava inspeção de rotina e manutenção de minas no leito marinho, e colocando-as em um modo eletrônico ativo — disparo por gatilho sensível — como parte do programa de inspeção.

“3. Um mergulhador dos SEALS colocou uma mina magnética no Cheonan, como parte de um programa clandestino com a intenção de influenciar na opinião pública na Coréia do Sul, no Japão e na China.

“As tensões na península coreana eclipsaram convenientemente todos os outros pontos da agenda nas visitas da secretária de Estado Hillary Clinton a Pequim e Seul.”

Desse modo, de maneira assombrosamente fácil, os Estados Unidos da América conseguiram resolver um importante problema: arrasar o governo de Unidade Nacional do Partido Democrata de Yukio Hatoyama, mas a grande custo:

1. Ofendeu profundamente seus aliados da Coréia do Sul

2. Salientou a habilidade e rapidez com que atuou seu adversário Kim Jong Il.

3. Ressaltou o prestígio da potência China, cujo Presidente com total autoridade moral atuou pessoalmente e enviou os principais líderes da China para que conversassem com o Imperador Akihito, o Primeiro-Ministro e outras personalidades eminentes do Japão.

Os líderes políticos e a opinião mundial têm uma prova do cinismo e da falta total de escrúpulos que caracterizam a política imperial dos Estados Unidos da América.

Fidel Castro Ruz



3 de Junho de 2010



11h16

CARTA DE PORTO ALEGRE.

6 jun, 2010

Os participantes da XVIII Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba, realizada na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, entre os dias 04 e 06 de junho de 2010, reiteram, por meio dessa Carta, o compromisso solidário e incondicional com os princípios da vitoriosa Revolução Cubana que, em 1º de janeiro de 1959, iniciou o processo de desenvolvimento social de caráter autônomo e soberano naquele país.

Para nós, a visão revolucionária e socialista de Cuba, com forte influência do pensamento de seu herói nacional, José Martí, aponta para o apoio mútuo entre os povos e a valorização do ser humano e da sua cultura.

Assim, solidários à luta permanente de Cuba pela defesa da sua soberania e, alinhados ao seu povo, nos colocaremos contra qualquer tipo de governo que desrespeite o direito a sua autodeterminação.

Aos ilegais e abusivos bloqueios econômicos, financeiro e comercial impostos a Cuba pelo imperialismo estadunidense e seus colaboradores – com sérias aplicações extraterritoriais –, alia-se o bloqueio midiático. Ele tem a vergonhosa intenção de desvalorizar e descaracterizar a luta de um país que, apesar dos permanentes ataques, responde com ações de ajuda humanitária a diversos países do mundo, e concede ao seu povo, de modo universal e gratuito, os direitos fundamentais que constróem a sua cidadania, como educação, saúde, cultura, lazer e trabalho.

Ao lado dos revolucionários cubanos, nos manteremos firmes no propósito de defender o caminho que escolheram. Como movimento de solidariedade a Cuba, permaneceremos lutando contra os bloqueios, o isolamento e todos os tipos de violações impostos àquele país. Defenderemos, ainda, a efetiva integração econômica, política e cultural de Cuba em toda a nossa América.

Lutaremos, também, pelo fechamento da base militar de Guantánamo – utilizada como cárcere pelos Estados Unidos –, e pela devolução do seu território a Cuba.,

Da mesma forma, exigimos a liberdade dos cinco herois cubanos, presos arbitrariamente nos Estados Unidos, para que se restabeleçam os princípios de justiça com respeito aos direitos humanos e aos direitos internacionais.

Por fim, considerando as diretrizes apresentadas nessa Carta, nos comprometemos a desenvolver as ações discutidas e aprovadas nos painéis e grupos de trabalho da XVIII Convenção.

Estados participantes RS, SC, PR, SP, RJ, MG, ES, SE, CE, PE, RN, DF, BA e PB.



Porto Alegre, 05 de junho de 2010

domingo, 6 de junho de 2010

Silvio Rodríguez hizo historia otra vez

Montserrat Hernández

B10, Ecuador


Frente a 2.800 personas que llenaron el afamado recinto cultural Carnegie Hall (Nueva York), el más representativo cantautor cubano de los últimos 40 años dio un concierto de alta calidad estética y de mucho valor simbólico. Nuestra corresponsal vivió desde adentro este hito histórico.


4 de junio de 2010, Nueva York. El recinto cultural Carnegie Hall se llenó para recibir al fundador de la nueva trova, el cubano Silvio Rodríguez.


Caía apresurada la tarde del viernes 4 de junio en Nueva York. La esquina de la calle 57 y Séptima Avenida se iba convirtiendo en el punto de encuentro de un concierto anunciado. Varios patrulleros de policía vigilaban el orden. Pequeñas barricadas se asignaron para partidarios y detractores. Mientras la línea de ingreso rodeaba el edificio, muchas organizaciones exhibían sus pancartas; otras distribuían panfletos y postales. El susurro de miles de voces se elevaba en el aire, en medio de una gran expectativa por el concierto del “viejo-trovador-nuevo”, Silvio Rodríguez.


Rápidamente se agotaron las entradas para su primer concierto en Nueva York (habrá un segundo a pedido del público). Esta vez, 2.800 personas acudieron a la cita con el célebre cantautor cubano. Al pisar el escenario del Carnegie Hall, Silvio Rodríguez recibió innumerables expresiones de eufórico entusiasmo, tras 30 años de ausencia.


Grupos de familiares y amigos se había dado cita en el auditorio Stern. Repartidos en los diferentes niveles, de cinco pisos, se saludaban a través de celulares y blackberries ubicando sus posiciones. La anticipación reinaba en el ambiente. “Es un momento histórico”, dijo un joven chileno a sus amigos. Mientras la joven a mi lado se secaba las lágrimas de júbilo encendido.


El tema “En el claro de la luna”, sus melódicas y tenues notas que hablan de sueños, libertad, felicidad y de tiempos de aguacero en el valle del amor, abrió el concierto. Le acompañaron la espléndida flautista Niurka González y el no menos impecable trío Trovarroco.


El público se entregó en profundo silencio para escuchar finalmente su voz. “Su voz que no había sido alterada por el tiempo”, me decía la colombiana Luz Barrera, quién vino desde Westchester, NY, con sus amigas, para disfrutar del concierto.


“Feliz de estar aquí”, dijo al finalizar la primera de las 24 canciones de su deslumbrante recital. “Gracias por darme un granito de sus vidas”, añadió mirando al público. “Perdonen que no sepa inglés. No es intencional, es una limitación que tengo”, explicó. Unos sonoros “te amo Silvio” y “viva Cuba” respondieron desde el auditorio.


“¿Hay cubanos aquí?”, preguntó. Un sonoro aplauso llenó el ambiente en respuesta a la pregunta. “Bienvenidos!”, exclamó Silvio. De pronto, alguien en el público gritó: “dominicanos, colombianos, chilenos…” respondiendo en coro a cada nacionalidad, con un apremiante: “¡Presente!”. Así, la presencia latinoamericana quedaba registrada en una noche de grandes emociones.



“Hoy es el cumpleaños de Gerardo Hernández, cumple 10 años preso, y a mí parecer, injustamente”, dijo, refiriéndose a los acusados de espionaje que cumplen altas condenas en cárceles de EEUU. “El es uno de nuestros cinco héroes y le dedico esta canción”, añadió. Y con su guitarra entonó “Canción del Elegido”, coreado enseguida por 2.800 voces. “Cuba sí, bloque no” se escuchaba hasta irse apaciguando bajo una ola de aplausos.


A la altura del cierre del histórico y conmovedor recital, Silvio regresó, solo, al escenario. Tomó su guitarra, sin acompañamiento más que su inimitable voz y sus profundas emociones, susurró, coreado por el público, las célebres canciones mil veces escuchadas: “Unicornio Azul” y “Ojala” .


Los bises se multiplicaron. El público, ovacionándolo, no lograba despedirse del trovador ni él de su entregado público. Un duelo de amor y aplausos coreados por “olé olé olé olé, Silvio, Silvio” lograban atraerlo, imantado, una y otra vez al escenario.


Ya habían transcurrido 2 horas y media de concierto. Había en el ambiente una certidumbre general de haber acudido a un momento histórico que permanecerá indeleble en el imaginario y en la memoria colectiva. Coreando las últimas canciones, “Cita con ángeles, la Maza, Una mujer con sombrero y Demasiado”, iba llegando el final. Secando lágrimas, gritando vivas a Cuba y al desbloqueo, gritando “te amo Silvio”… así se fue sellando, con “blancura de lirio”, con “canciones de brisa”, con “vuelos de gaviotas.”


“… demasiado nunca, demasiado no, para tantas almas, para tantos sueños, para tanto amor…” fueron las últimas notas con las que cerró el concierto el “Viejo-trovador-nuevo”

Prossegue Convenção de Solidariedade com Cuba no Brasil

Escrito por Camila Carduz

sábado, 05 de junio de 2010


05 de junio de 2010, 12:40Porto Alegre, 5 jun (Prensa Latina) A décima oitava Convenção Nacional de Solidariedade com Cuba no Brasil desenvolverá hoje, em seu segundo dia de sessões, uma apertada agenda sobre diversos temas relacionados com a ilha caribenha e reuniões de grupos de trabalho.

A jornada começará com uma atividade cultural a cargo do ator e cantor Zé dá Terreira, acompanhado do maracá, seu instrumento de percussão mais usado, para dar sequência ao painel ICAP (Instituto Cubano de Amizade com os Povos): 50 anos de luta, solidariedade e integração com os povos, com a participação do diretor do Acampamento Internacional Julio A. Mella, Juan Carlos Machado.


Na mesa também estarão os presidentes das associações culturais José Martí do Rio de Janeiro, Zuleide Faria de Melo, e de Santa Catarina, Edison Puente, bem como as coordenadoras do Núcleo de Estudos Cubanos (NESCUBA), María Auxiliadora César, e do Movimento Paulista de Solidariedade com Cuba, Vivian Mendes.


A sessão da tarde inicia com uma atividade cultural, realizada pelo intérprete de música latinoamericana Demetrio Xavier e o painel abordará A colaboração internacionalista da Revolução cubana: experiências em educação e saúde, na qual participarão o secretário do Conselho de Estado de Cuba, Homero Deita, e o reitor da Escola Latinoamericana de Medicana (ELAM), Juan Carrizo.


Assim mesmo, a representante da Direção Nacional da Associação Médica Nacional "Maíra Fachini", Maruan Hassan El Eis, médico brasileiro formado na ELAM, o membro do Comitê de Defesa da Revolução (CDR/Internacionalista), Afonso Magalhaes, e o representante da Associação de Pais e Alunos da ELAM, Alexander Corradi.


Posteriormente, os mais de 250 delegados se dividirão em grupos de trabalho sobre os temas A campanha midiática e o papel da imprensa alternativa, Portal Cuba Viva; Brigadas de Solidariedade; NESCUBA-Memória; Médicos/Estudantes/País; e Frentes Parlamentares.

A jornada fecha com a apresentação da Carta de Porto Alegre e do Plano de Ação definido nos Grupos de Trabalho, que será aprovado no domingo durante a cerimônia de fechamento da décima oitava Convenção Nacional, quando será definda a sede do encontro de 2011.


A primeira sessão da reunião acabou ontem à noite, com um recital do trovador cubano Vicente Feliú, e seu colega argentino Gabo Serqueira, que apresentou Canções Confidenciais, disco baseado no livro "Poemas Confidenciais", de Antonio Guerreiro, um dos cinco cubanos prisioneiros do império.
No ato, participaram também músicos do Grupo Trovas da Pátria Grande como Pedro Munhoz, Zé Martins e Leonardo Ribeiro. Além de interpretar canções revolucionárias, todos os artistas expressaram seu apoio à Revolução cubana.

lac/ale

Modificado el ( sábado, 05 de junio de 2010 )

3/6 - Aniversário Comandante Raúl Castro

3 jun, 2010


O Portal Cubaviva e as demais entidades de Solidariedade Brasil / Cuba desejam um Feliz Aniversário ao Comandante Raúl Modesto Castro Ruz que completa hoje 79 anos.



Viva Raúl !!!



Viva Fidel !!!



Viva Cuba !!!

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Estou participando da XVIII Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba

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De 4 a 6 de junho, a Associação Cultural José Marti do Rio Grande do Sul realiza, em Porto Alegre, a XVIII Convenção de Solidariedade a Cuba, ocasião em que também será comemorado os 50 anos do Instituto Cubano de Amizade entre os Povos – ICAP. Nos dois primeiros dias (4 e 5), as atividades acontecem na Assembléia Legislativa do estado e no último (6), no Parque da Redenção.

A Abertura oficial da XVIII Convenção ocorre as 19 h, do dia 4 de junho, com o pronunciamento do Secretário do Conselho de Estado da República de Cuba, Homero Acosta Alvarez, graduado em direito pela Universidade de Havana e Mestre em Direito Público pela Universidade de Valência - Espanha. Alvarez é membro da União Nacional de Juristas e iniciou sua carreira nas Forças Armadas Revolucionárias sendo, ainda, o Primeiro Vice – Chefe de Gabinete de Raúl Castro.


Após a conferência, o músico, cantante, guitarrista e cantautor, cubano, Vicente Feliú, acompanhado de convidados do Grupo Trovas da Pátria Grande, entre eles, Pedro Munhoz, Zé Martins e Leonardo Ribeiro, realizam o show de abertura das atividades culturais do evento. Feliú Já atuou em mais de 20 países da América, Europa e África, acompanhado dos cantores Silvio Rodríguez e Pablo Milanés (Cuba), Luis Eduardo Aute e Caco Senante (Espanha), Isabel Parra e Inti Illimani (Chile), León Gieco e Mercedes Sosa (Argentina), Raul Ellwanger (Brasil), Jackson Browne, Pete Seeger, Holly Near e Little Stevens (Estados Unidos), Daniel Viglietti e Alfredo Zitarrosa (Uruguay), Luis Enrique e Carlos Mejía Godoy (Nicaragua). Atualmente dirige o Centro Cultural Canto de Todos, em Cuba.


Na manhã do dia 4, antecedendo a abertura oficial da Convenção, ocorre a apresentação do Grupo Trilho de Teatro Popular – com trilha musical composta por Mário Falcão -, e, posteriormente, a Conferência “O bloqueio e as consequências no desenvolvimento da Nação Cubana”, ministrada pelo Embaixador cubano, Carlos Zamora Rodriguez.


Na sequência, o Painel "A campanha midiática internacional contra Cuba e sua expressão no Brasil". Participam: a socióloga e doutora em Educação e em Sociologia, Ruth Ignácio (PUC/RS); o jornalista editor do blog RS Urgente e redator do Jornal Eletrônico Sul 21, Marco Aurélio Weissheimer (RS); o jornalista,escritor,membro do conselho editorial do Brasil de Fato e Editor-Chefe do Jornal Página 64, Mário Augusto Jakobskind (RJ); o jornalista e correspondente da Telesur/TV Senado, Beto Almeida (DF) e a Coordenadora Geral da ACJM/MG, Miriam Gontijo.


As 14 h o cantor e compositor Raul Ellwanger antecede, com show, as atividades do segundo painel “Os Cinco Heróis: quando o autoritarismo supera os Direitos Humanos”. Participam: o jornalista e escritor, Fernando Morais (SP); a familiar representante dos Cinco Heróis, Magaly Llort Ruiz (Cuba); o Doutor em História, Mestre em Ciência Política e integrante dos Conselhos Editoriais das revistas História & Luta de Classes e Tempos Históricos, Enrique Serra Padrós (UFRGS); o jornalista, membro do Comitê Nacional pela Libertação dos Cinco./SP, Max Altman e o Promotor de Justiça e membro da direção da ACJM/Aré (RJ), Gino Bastos.


No segundo dia do evento (5) as 9 h, o ator e cantor Zé da Terreira abre as atividades, acompanhado do maracanã, seu instrumento de percussão mais freqüente. Zé encaminha o Painel “ICAP: 50 anos de Luta, Solidariedade e Integração com os Povos”: Participam: o cientista social e Diretor do Acampamento Internacional Julio Antonio Mella – CIJAM (Brigadas de Solidariedade a Cuba); Juan Carlos Machado Barrios; a Presidente da ACJM /RJ e docente da UFRJ, Zuleide Faria de Melo; a Coordenadora do Núcleo de Estudos Cubanos - NESCUBA -/CEAM/UnB, Maria Auxiliadora César; o Presidente da ACJM/SC, Edson Puente e a Coordenadora do Movimento Paulista de Solidariedade a Cuba, Vivian Mendes (SP).


No período da tarde a atividade cultural fica por conta do intérprete de música latino - americana e nativista, Demétrio Xavier e os debates abrem com o Painel “A Colaboração Internacionalista da Revolução Cubana: experiências em Educação e Saúde”. Participam: o Secretário do Conselho de Estado da República de Cuba, Homero Acosta; o Reitor da Escola Latino - Americana de Medicina – ELAM, Juan Carrizo; o representante da Direção Nacional da Associação Médica Nacional "Maíra Fachini"(AMN-MF), doutor Maruan Hassan El Eis, médico brasileiro formado na ELAM; o membro do Comitê de Defesa da Revolução - CDR/Internacionalista, Afonso Magalhães (DF) e o representante da Associação dos Pais e Alunos da ELAM - ASPA/MG, Alexander Corradi.


Também estarão presentes nessa XVIII Convenção, a Coordenadora Política da Embaixada de Cuba no Brasil, Maria Antonia Ramos Lara e o representante do ICAP, Fábio Simeon. Do Brasil participam dirigentes e militantes de entidades e instituições dos estados de MG; RJ; SP; PA; PR: SC; RN; PE; RS; ES; CE; RN; BA e DF, além de deputados das Frentes Parlamentares de Solidariedade a Cuba, vereadores, representantes e militantes de Partidos políticos e demais entidades apoiadoras da causa cubana. Ainda, estudantes e professores secundaristas e universitários, sindicalistas, profissionais liberais e representantes das áreas culturais, educacionais e políticas do estado.

GRUPOS DE TRABALHO


Ainda, na Assembleia Legislativa, ao término dos painéis apresentados, enquanto as direções das entidades de solidariedade se reúnem para avaliação das ações empreendidas em prol do governo cubano, paralelamente serão formados grupos de trabalho visando a debater e apresentar propostas sobre os seguintes temas:

“A Campanha Midiática e o Papel da Imprensa Alternativa”. Portal “Cuba Viva”, sob a coordenação do presidente da ACJM/BA, Otávio Barreto e a relatoria da vice – presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS – Sindjors, Márcia Camarano.

O segundo grupo, “Brigadas de Solidariedade”, terá como Coordenador o Diretor do CIJAM, Juan Carlos Machado Barrios e a relatoria da Coordenadora Nacional das Brigadas de Solidariedade Telma Araujo (MG).

“Nescuba – Memória” terá como coordenadora Maria Auxiliadora César, do Núcleo de Estudos Cubanos - NESCUBA – /CEAM/UnB e como relator o presidente da Associação Cultura Brasil-Cuba/PE, Marlos Duarte.

Sob a coordenação do historiador Gilson Gruginskie (RS) e com relatoria do representante da CEBRAPAZ – PR, professor Kiko, será debatido o tema “Médicos/Estudantes/Pais”, relacionado à situação dos jovens brasileiros que cursam, gratuitamente, medicina na ELAM, em Cuba.


O último grupo, “Frentes Parlamentares”, coordenado pelo Deputado. Estadual Raul Carrion, da Frente Parlamentar de Solidariedade a Cuba/RS, terá relatoria do Deputado Estadual Sargento Amauri Soares (SC) e contará, ainda, com as presenças do Deputado Estadual Raul Marcelo, Coordenador da Frente Parlamentar de Solidariedade a Cuba/SP e da Deputada Federal Vanessa Grazziotin, Coordenadora da Frente Parlamentar Brasil/Cuba da Câmara Federal, além de demais parlamentares que compõem a Frente no RS.


As 17h30 as atividades no Legislativo gaúcho serão encerradas com a apresentação da Carta de Porto Alegre e do Plano de Ação definido nos Grupos de Trabalho.


PLENÁRIA DA SOLIDARIEDADE


As atividades do último dia da XVIII Convenção, em 6 de junho, serão marcadas pela Plenária da Solidariedade, no Parque da Redenção, com a aprovação da Carta de Porto Alegre e a apresentação do grupo teatral Circo Petit POA, e uma Oficina de Salsa , com o Professor Cubano Arnel Hechevarria, O grupo de Brincantes Paralelo 30 e músicos da solidariedade.


Segundo o presidente da Associação Cultural José Marti/RS, Ricardo Haesbaert, “além de aprofundar os debates dos temas ocorridos em convenções anteriores, essa XVIII Convenção tem, ainda, como grande desafio, a reflexão sobre um outro tipo de bloqueio imposto a Cuba: o bloqueio midiático, que sem dúvida alguma tem a intenção de desestabilizar e prejudicar o governo e o povo daquela Nação”.

Ainda, para Haesbaert, “a clareza sobre a histórica luta do povo cubano para defender a sua soberania, é fundamental na defesa de outras nações humilhadas e explorados pelos governos imperialistas, principalmente o estadunidense”.



ATIVIDADES EXTRAS


Dia 02/06


10h30

– Escola Estadual Padre Reus, Porto Alegre- Entrega do Busto e Livros Edad de Ouro de José Martí -

19h - Em Gravataí -RS, Conferência do Consul Geral de Cuba em SP, Lázaro Mendez e Fábio Simeon do ICAP, seguido do espetáculo musical do cantor cubano, Vicente Feliú, e convidados.


Dia 03/06


11h


– Nova Santa Rita - Ida da delegação cubana ao Assentamento da Coopan – MST

Dia 05/06


21 h


- Festa da Convenção: ICAP: 50 anos de Luta, Solidariedade e Integração dos Povos


Maiores informações com as jornalistas


Camila Ali – DRT 12.605, por meio dos telefones Cel. (051) 96818179 e (051) 32244953 (ACJM/RS), e Vânia Barbosa – DRT 8927, Cel. (051) 99156431.


Edison Puente
48 99469441
ACJMSC
Informações nos Sites:

www.josemarti.com.br

http://www.solidariedadeacuba.blogspot.com/
www.icap.cu

quarta-feira, 2 de junho de 2010

EM DEFESA DA REVOLUÇÃO CUBANA

GB – O significado universal da revolução Cubana (1)

“Diante das revoluções burguesas em atraso, a revolução em avanço provém do socialismo, o que quer dizer que temos que estudar Cuba se pretendemos desvendar o futuro e conhecer a história em ritmos fortes, que se abre para frente e assinala uma ‘nova época de civilização’ no solo histórico da América Latina”.

Florestan Fernandes

A Revolução Cubana - que conquistou o poder em 1959 e já celebra 52 anos de existência – é uma grande conquista histórica da humanidade. Ela se distingue como um momento decisivo na história da América Latina e bem poderá ser considerado, por historiadores do futuro, como o maior acontecimento do século XX no continente americano. O economista brasileiro Francisco de Oliveira - inspirado no título da opus magna do escritor cubano Alejo Carpentier, “O Século das Luzes” - chega a propor “chamar o século XX nas Américas de ‘O Século de Cuba’“, pois, “nenhum outro acontecimento marcou tanto esse nosso século, nestas terras americanas, quanto a revolução cubana, o movimento político que levou um pequenino país, a ‘Pérola das Antilhas’, a libertar-se da tutela americana e do sistema capitalista, inaugurando nas Américas uma nova era histórica, em seu trânsito para o socialismo” (Oliveira, Francisco de - “Prefácio”, in: Werthein, Jorge e Carnoy, Martin - Cuba: Mudança Econômica e Reforma Educacional 1955-1974, Brasiliense, S.P., 1984, p.8).

A revolução cubana rompeu um elo fundamental (onde as contradições eram mais agudas) da gaiola de ferro que aprisiona nas malhas do capitalismo dependente mesmo os países mais “ricos” e “avançados” da América Latina e Caribe. Em nosso subcontinente, a transformação capitalista por via autocrática, permanentemente dependente do imperialismo e presa nos dilemas da “espiral viciosa” do “desenvolvimento do subdesenvolvimento”, com a apropriação dual dos excedentes econômicos nacionais – a parte do leão é drenada para fora e abocanhada pelas burguesias “centrais” – formou padrões de dominação burguesa especialmente iniquos, baseado: na espoliação nacional sistemática, na expropriação e degradação das massas populares, na super-exploração do proletariado e na exclusão cruel da maioria do povo dos direitos democráticos e garantias sociais mais elementares.

Marx expôs e criticou a decadência ideológica e política burguesa e de seus partidos após a tomada do poder pela burguesia e da experiência crucial de medir-se com a pressão democrático-radical do proletariado na revolução de 1848 (Cf. O 18 Brumário de Luiz Bonaparte e o Prefácio à 2ª ed. do Livro I de O Capital). Lenin, no seu célebre ensaio sobre O Imperialismo, apanha os principais traços da virada reacionária e parasitária da consciência social burguesa na época de domínio do capital financeiro no capitalismo monopolista. No entanto, os teóricos clássicos do comunismo só puderam descrever os sintomas iniciais de contradições que se tornariam muito mais agudas e dramáticas com as sucessivas crises do capitalismo monopolista em confronto com as grandes revoluções proletárias e populares. Na América Latina, como caso extremo do que acontece em outros rincões da periferia do mundo capitalista, as burguesias nativas e suas “elites criolas” desenvolveram uma consciência de classe particularmente miserável e mistificadora, em níveis desconhecidos nos “países centrais”. Não viveram e jamais viverão o “momento glorioso” das revoluções burguesas clássicas, que encadeou a revolução industrial à revolução democrática e nacional. Cheios de presunção, hipocrisia, mesquinhez e ignorância as elites burguesas nativas sempre se agarraram nos seus superpivilégios e sacrificaram qualquer radicalismo burguês no altar fascistóide da “segurança e desenvolvimento”; abrindo as veias de nossas nações ao vampirismo neocolonialista e imperialista. O veredito da literatura realista (de Machado de Assis a Gabriel Garcia Marquez) é reforçado pela repulsa dos povos através do epigrama condenatório: “submissos em relação aos de cima, tirânicos em relação aos de baixo”.

Em contraposição, a Revolução Cubana, mostra na prática como um movimento de libertação nacional especificamente revolucionário pode ultrapassar rapidamente o horizonte da consciência burguesa e identificar-se com as necessidades históricas do proletariado; e como a partir da necessidade de romper com o capitalismo para superar a dominação imperialista ela se lança para frente, ininterruptamente, enlaçando revolução popular com revolução proletária socialista: Dentro de uma sociedade capitalista dependente “não havia como levar a revolução adiante dentro do capitalismo; ela deslocou e esmagou a burguesia, nacional e estrangeira, porque para libertar a nação e para criar um Estado democrático soberano, ela tinha que converter-se em uma revolução contra a ordem, ou seja, anticapitalista” (Fernandes, Florestan - Da Guerrilha ao Socialismo: A Revolução Cubana, T.A.Queiroz Editor, S.P., 1979, p. 10).



O SIGNIFICADO UNIVERSAL DA REVOLUÇÃO CUBANA

“O significado universal da revolução cubana reside na sua grande afinidade com as aspirações de todos aqueles que pretendem se libertar das restrições paralisantes da ordem social do capital”.

István Mészaros

A compreesão adequada dos processos revolucionários atuais exige a fusão da objetividade científica buscando uma escrupulosa fidelidade ao movimento da realidade existente em si (no caso, o processo histórico revolucionário, como totalidade complexa, aberta, viva, em movimento) com a ótica humanista-concreta do socialismo, fundamental para que a ciência incorpore em si os objetivos de auto-emancipação humana e os valores que dão sentido ao socialismo revolucionário. Assim poderemos avaliar objetivamente o quanto estes objetivos se realizaram no vir-a-ser histórico (distinguindo o real e o possível que estão entrelaçados na construção da história concreta). Poderemos também conhecer, entender, amar e participar da Revolução Cubana não como uma “revolução dos outros” (“a revolução dos cubanos”), mas como história em processo que é a nossa própria história. Cuba abriu o caminho das grandes revoluções proletárias deste século na América Latina. Com isto modificou nossa história e as possibilidades dos movimentos de emancipação nacional e de transformação democrático-radical e socialista na América Latina. Ao mudar a situação histórica preexistente, a Revolução Cubana deixou aberta novas portas e novas vias para estes movimentos. Não forjou um “modelo” (extrapolação arbitrária de experiências históricas para organizações sócio-econômicas diferentes); nem alimentou “utopias” (idéias de uma “sociedade perfeita pré-fabricada”, desvinculada da sociedade concreta em que se vive e projetada para um futuro ao qual não sabemos como chegar). Quanto a este aspecto, nada pode estar mais distante da concepção dos dirigentes cubanos do que o dogmatismo da imposição de modelos (que tantos prejuizos causaram no passado) ou da visão (falsamente imputada aos revolucionários, mas que é propria dos apologistas do capital) da revolução como um produto de “exportação” conspirativo de uma “força subversiva estrangeira”. As revoluções sociais são produtos das próprias contradições e problemas das sociedades concretas, das lutas entre as classes sociais e, por certo, de organizações políticas e estratégias que acionam as efetivas alavancas transformadoras pelos movimentos proletários e populares existentes e capazes de transformar dinâmicamente as realidades sócio-históricas sob as condições objetivas reais. Fidel Castro afirma com clareza: “Surgem movimentos de massa que se formam com tremenda força, e eu creio que estes movimentos desempenharão papel fundamental nas lutas furturas. Serão outras táticas, já não será a tática no estilo bolchevique, nem mesmo ao nosso estilo, porque pertencerram a um mundo diferente. (...) Serão outros caminhos, outras vias pelos quais irão se criando as condições para que esse mundo sob domínio unipolar de uma superpotência – os EUA – se transforme em outro mundo socialista” (Castro, Fidel – Gramna, 25/06/1998, p. 6). Sem propor modelos ou utopias a Revolução Cubana prova que a América Latina está madura para o socialismo: Cuba rasgou um clarão nas esperanças coletivas e nos anseios libertários e igualitários de outros povos irmãos.

Cuba é o “único ponto de referência” para se estudar concretamente, não só a única experiência de revolução anticolonial e antiimperialista levada até o fim e até o fundo na América Latina; mas para além destes aspectos (evidentemente já muito relevantes), sobretudo para o estudo de sua revolução socialista vitoriosa e do processo de transição socialista propriamente dito: “Cuba como a primeira fronteira histórica e o primeiro patamar concreto da manifestação do socialismo na América Latina”. Estamos na época histórica das revoluções proletárias, ainda que ela só tenha aparecido nos “elos débeis” do capitalismo. Nesta perspectiva, alguns elementos estruturais da revolução cubana possuem uma importância não apenas nacional particular, mas um significado universal, que desvela o futuro: “Temos que descobrir o que a civilização moderna, sob o socialismo revolucionário, reserva à América Latina e já pode ser constatado concretamente em Cuba, pelas transformações ocorridas e, mais ainda, pelas transformações em processo” (Id. ibdem, pp. 6 e 7). Cuba vive no presente o nosso futuro de outra maneira. A Revolução Cubana mostra, antecipadamente, que é no socialismo que os povos da América Latina encontrarão a solução - efetiva e duradoura - de seus problemas e dilemas. O povo cubano prova a compatibilidade do socialismo com os povos da América Latina, pois os cubanos não estão fazendo nada que outros povos do continente sejam incapazes de fazer. A vontade revolucionária coletiva do povo cubano tornou-se uma força material objetiva: provou concretamente que “mesmo no subdesenvolvimento é possível superar a miséria”, que “é possível eliminar os traços mais marcantes do subdesenvolvimento, mediante a transformação radical das estruturas vigentes na sociedade” (Sader, Emir - A Revolução Cubana, Ed. Moderna, S.P., 1985, pp. 75 e 76).

O significado universal concreto da Revolução Cubana não pode ser compreesndido se abstraírmos as mediações particulares e singulares que a tornam um processo único. Sua unicidade concreta resulta de ela ser o resultado de 200 anos de luta insurgente e ressurgente; primeiro contra o colonialismo espanhol e o escravismo mercantil, depois contra a dominação imperialista dos EUA, a classe latifundiária, a burguesia nativa e as elites endinheiradas (todos estreitamente associados). Ao não conseguir a independência em princípios do século XIX como a maioria das colônias espanholas na América, Cuba desenvolveu mais tarde um movimento de libertação poderoso com uma importante personalidade radical e popular. Os “mambíses”, a guerrilha popular que se lançou contra o domínio espanhol entre 1868 e 1898, deram importância à igualdade racial e social e formaram uma consciência anti-colonial e antiimperialista precoce. O resumiu o grande homem de letras e figura histórica libertadora de envergadura universal José Martí (cuja generosidade o leva a insistir que “patria es la humanidad”) quando declarou em sua última carta de 1895: "Tudo o que fiz até agora e tudo o que farei tem por objetivo prevenir, através da independência de Cuba, que os Estados Unidos da América se movam com mais força sobre nossa América”. Este espirito antiimperialista se voltou a manifestar-se na luta contra o ditador Gerardo Machado (1925-33) e a revolução derrotada de 1933, grande precursora da de 1959.

O caráter único da Revolução Cubana também se manifesta nos três anos de luta armada, onde a guerrilha desempenhou a função de partido revolucionário apoiado por uma massa sempre crescente do povo até derrubar o regime títere de Batista. Em 1º de janeiro de 1959, quando o ditador Batista fugia e os guerrilheiros barbudos entravam em Havana e Santiago, poucos antecipavam o alcance e a profundidade das mudanças que iam se suceder. A revolução anti-capitalista cubana foi uma das mais rápidas e completas das realizadas até então em todo o mundo. Durante os três primeiros anos entre 1959 e 1962 foram erradicadas do cenário histórico as bases economicas, sociais e políticas do poder das antigas classes dominantes: a primeira e segunda leis de Reforma Agrária, o desafio a Washington para expropriar as explorações açucareiras e as fazendas, a nacionalização de praticamente todas as grandes indústrias e serviços, a extraordinária campanha de alfabetização e o estabelecimento de educação pública gratuita em todos os níveis, a criação de todo um complexo de serviços sociais (universal e gratuito), e a organização de uma milícia popular e organismos massivos disciplinados desde o nível mais elementar nos bairros aos mais complexos que abrange todo país. (Cf. a análise clássica deste processo: O’Connor, James – The Origins of Socialism in Cuba, Cornell UP, Ithaca, 1970).

A força da demanda popular de auto-determinação e justiça social combinada com a estrutura monopolista da economia das plantações cubanas e a confrontação inevitável e direta com o imperialismo estadunidense fizeram com que, a partir de princípios dos anos 60 em diante, a solução socialista fosse o único caminho viável para seguir adiante, para que a revolução não se destruísse em função da divisão e incoerência. A necessidade do socialismo tornou-se um senso comum popular, uma expressão madura do bom-senso, quando ocorreu declaração famosa de Fidel durante a invasão da Baía dos Porcos que o confirmava: "Pois sim: somos socialistas! Nossa revolução é socialista!".

É com seu belíssimo caráter único que a Revolução Cubana adquire seu significado universal para todos os que, em geral, lutam pela causa da emancipação humana; mas com um significado especial para a América Latina e Caribe. Os países do nosso subcontinente foram e ainda são dominados pela mesma potência imperialista – os EUA – que se tornou hegemônica mundialmente; e todos os esforços para buscar soluções substanciais para os problemas do povo trabalhador foram frustrados (e afinal anulados) pelas iniquidades do capitalismo dependente e sua ordem social autocrática, sob o domínio de blocos de poder que associa os latifundiários e a grande burguesia interna ao imperialismo (sob hegemonia deste). A mensagem da Revolução Cubana para nossos povos é dupla: anti-imperialista e socialista. A necessidade das nações de Nossa América de conquistar nossa soberania diante da avassaladora dominação - econômica, política, militar e cultural – do Império Estadunidense. A necessidade de superar as iniquidades e injustiças, o caráter insuportável (espoliador, expropriador, super-explorador, perdulário, anacrônico e desumanizador) da ordem autocrática do capitalismo monopolista dependente (o único possível aqui no atual estágio da história). Desde o início, a mensagem da revolução cubana focalizava estes dois complexos de problemas que afetam profundamente todos os países da América Latina: “a mensagem dupla da revolução cubana – convocando não apenas para a luta antiimperialista, mas também para uma mudança estrutural e sistêmica da sociedade como a condição última do sucesso daquela luta – está destinada a ressoar com crescente intensidade, até n as circunstâncias mais difíceis, por todo o continente” (Mészáros, I. – Dossiê: Cuba e os Rumos da Revolução, In: Margem Esquerda 2, maio de 2004, p. 16).



“RETIFICAÇÃO” E “PERÍODO ESPECIAL”: PROBLEMAS DA TRANSIÇÃO PARA O SOCIALISMO SOB CERCO IMPERIALISTA

"Apesar de todo o bloqueio e das condições naturais modestas, pois é uma ilha pequena, Cuba não tem miseráveis, ninguém passa fome, ninguém passa a situação dos miseráveis dos Estados Unidos, ou da Alemanha, ou daqui mesmo do Brasil, que vivem nessa crise gigantesca”

Luiz Carlos Prestes

“A revolução que se propõe a ser uma revolução de verdade tem que evitar o mal do burocratismo (...) o perigo da burocracia como uma camada especial (...). A revolução dos trabalhadores tem que chegar até o final, a revolução dos trabalhadores tem que estar vigilante para que não se desenvolvam vícios, para que não se desenvolvam males que dêem lugar no futuro a dolorosas novas batalhas no seio da sociedade”

Fidel Castro

Na segunda metade dos anos 80, na busca da superação definitiva do subdesenvolvimento e de fazer avançar a transição para o socialismo, dá inicio a um processo de transformação dirigido, sobretudo, para consolidar a essência determinante da orientação socialista de desenvolvimento: desenvover os requisitos da plena participação popular na direção do processo social e fortaler as relações e intituições que reforcem a participação dos trabalhadores na tomada de decisão em todos os níveis de controle econômico, cultural e político. É lançado em 1986 o Processo de Retificação de Erros e Tendências Negativas e a campanha da “Retificação” voltada para a consolidação do poder político de orientação socialista e de deu papel condutor no processo de produção social, de modo a grantir o avanço sustentado na consolidação da propriedade social socialista. Trata-se de buscar criar os pré-requisitos para substituir o anterior planejamento tecnocrático (realizado fundamentalmente pelos técnicos “planejadores”) para um planejamento abrangente democraticamente centralizado; que articule interesses não adversos e se combine com avanços na auto-gestão das instituições de base (reforço do papel dos “territórios” e dos “coletivos de trabalho”). Ao mesmo tempo, o rechaço de Fidel as políticas soviéticas de Glasnost e Perestroika, foi visto por muitos como "estalinista" ou "conservador". Na realidade o rechaço das políticas de Gorbatchev foi tudo menos isso: refletiu a compreensão profética do dirigente cubano que este tipo de “liberalização” de cima para baixo, inclusive com a restauração de um mercado de trabalho, conduziria necessariamente ao capitalismo; e que, ao contrário, o socialismo deveria revitalizar-se com uma combinação do fortalecimento da mobilização popular, da particiapação da base dos trabalhadores e do sentido humanista do processo de desenvolvimento cubano.

O projeto original da Campanha de Retificação teve que ser alterado e adaptado às difíceis condições criadas pela crise dos anos 1990 (mesmo que os passos dados para a implementação do Processo de Retificação “original” tenham sido muito positivos e oportunos para o enfrentamento da crise). A Revolução Cubana enfrenta a sua maior crise e o maior desafio à sua sobrevivência com o fim da URSS e a queda dos outros países do chamado “campo socialista” do Leste Europeu e o concomitante recrudescimento do bloqueio econômico e das agressões do imperialismo estadunidense. Até 1989, 79,9% das exportações e 85,3% das importações ocorriam com o “bloco socialista”. Dessa forma Cuba foi privada de uma série de itens fundamentais para sua vida econômica: alimentos, peças de reposição, matérias-primas para suas indústrias, petróleo cru, derivados de petróleo etc. Esse período de crise começou em 1990 e recrudesceu após 1991, se estendo até a atualidade e denomina-se Período Especial em Tempos de Paz. (em que são aplicados alguns dos mecanismos de emergência inicialmente pensados para o caso de uma invasão militar por parte do poderoso e animoso vizinho do norte). A fase mais dura ocorreu nos anos 1992 e 1993. A taxa média anual de crescimento do PIB durante o auge da crise (1990-93) foi de –12,4% e a produtividade caiu 12,0%; mas a política voltada à proteção do emprego e do rendimento evitou um desemprego em massa e a queda dos salários. O excesso de moeda decorrente dessa situação só não se traduziu em uma hiperinflação devido ao forte controle de preços e aos subsídios concedidos pelo sistema de racionamento das libretas. Qualquer outro país do continente que houvesse passado por uma crise semelhante teria os seus indicadores sociais extremamente agravados, o que não aconteceu em Cuba.

A liderança do país considerou necessário realizar certas “concessões” (como as definiu Fidel) que implicavam um relativo recuo do projeto socialista em relação ao mercado. As medidas de recuo tático concebidas a partir do IV Congresso do Partido Comunista de Cuba, em 1991, significavam uma desaceleração (em algumas áreas um estancamento) do processo de transição socialista. O desafio central do povo cubano, de seu poder popular e do PCC, sob as condições particularmente adversas dos anos 90, passa a ser definidas em termos da preservação das principais conquistas propriciadas pela revolução. Trata-se de defender o notável conteudo daquilo que usualmente se sintetiza como direitos sociais (saúde, educação, habitação, transporte coletivo, previdência, saneamento, etc.) e de garantir a defesa do país (ou seja, da soberania nacional). Entre aquelas “concessões” fazem parte: a reabertura do mercado interno - agropecuário, industrial, artesanal em moeda nacional e mercadorias importadas e de produção nacional em moeda estrangeira -; a possibilidade de associação econômica do Estado com o capital estrangeiro; o autofinanciamento das empresas em divisas conversíveis e a permissão para que as empresas estatais exportem e importem diretamente; e, por fim, uma descentralização do sistema bancário nacional. Em 1993 foram tomadas outras medidas: autorização para recebimento de remessas de divisas provenientes do exterior; incentivo ao desenvolvimento do turismo voltado para a classe média européia e o recebimento de dólares enviados por familiares que vivem no exterior. Houve uma diversificação da produção agrícola e da venda de produtos oriundos da alta capacidade obtida por Cuba em biotecnologia. Os dólares arrecadados com essas medidas foram e são fundamentais para que o país realize as importações de que necessita. Foram criadas as Unidades Básicas de Produção Cooperativa (UBPC) nas atividades agrícolas, com o propósito de elevar a eficiência na agricultura. Em 1995, foi promulgada a lei no. 77 que prevê a liberação dos investimentos estrangeiros no país; mas controlados pelo Ministério do Investimento Estrangeiro e Colaboração Econômica, e pelo Comitê Executivo do Conselho de Ministros, e só autorizados quando considerados estratégicos para o país.

O êxito de Cuba ao superar os rigores extraordinários dos piores anos do "Período Especial" de meados dos anos 90 só se explica pela a vitalidade continuada da revolução. Quem visitou Cuba nesses anos ficou impressionado com o estoicismo, compromisso e a lealdade da imensa maioria do povo cubano com a sua revolução; em um país inundado por imagens da sociedade estadunidense de consumo e propaganda contra-revolucionária. Um fator crucial na sobrevivência de Cuba foi o compromisso e exemplo dos dirigentes, especialmente Fidel. Mas o elemento decisivo foi que a orientação socialista da política nunca foi abandonada: diferente da Nicarágua sandinista, que sob imensa pressão militar e econômica em finais dos anos 1980 cedeu ao FMI, liberando os preços dos artigos de primeira necessidade e privatizando os serviços sociais, Cuba manteve a saúde e a educação universais gratuitas e subvencionou a moradia e os serviços públicos. Também intensificou – en vez de abandonar – a consulta democrática ao povo sobre as medidas que iriam tomar. No momento em que dirigentes ex-comunistas praticavam renegações pungentes e corriam para abraçar o capitalismo, toda a mídia e os governos diziam a seus povos que “não há alternativa ao neoliberalismo”; os dirigentes cubanos reafirmavam a alternativa socialista e organizaram um amplo processo de consultas que envolvia cerca de 80.000 "parlamentos dos trabalhadores" por todo o país para discutir as medidas necessárias para resolver a crise econômica.

O êxito na luta pela superação da crise já se manifesta quando da realização do V Congresso do PCC em 1998 e se torna mais visível na subsequente retomada do crescimento da economia; que a partir de ano 2000 apresentou altas taxas positivas, com alto incremento da produtividade da força de trabalho e retomada do crescimento do comércio exterior. Um fator que diferencia a sociedade cubana das sociedades capitalistas é o direcionamento social de seus gastos: apesar das difíceis condições pela qual Cuba passou, os gastos sociais continuaram representando a maior parcela do orçamento público, embora as concessões realizadas ao mercado tenham levado uma maior estratificação da sociedade.

Na primeira década do século XXI Cuba se recuperou do golpe dos anos 90 (entre 1989 e 1996 a economia teve um crescimento negativo de 35%); mas só em 2004 voltou ao nível que estava em 1989 (o que significou um atraso de 15 anos no desenvolvimento econômico), seguindo com um crescimento médio anual elevado (3% acima dos outros países latino-americanos). A Venezuela, a China (e também o Brasil) se converteram em sócios economicos importantes e a Alternativa Bolivariana para as Américas (ALBA) oferece novas perspectivas. Contribui para a construção de um novo perfil econômico os avanços (iniciados em 1986) nos setores científico e tecnológico; sobretudo na informática, biotecnologia, produtos farmacêuticos, equipamentos e serviços médicos. Assim, Cuba ampliou o espaço para voltar a reorganizar a economia, recuperando a tradição dos planos quinquenais e do planejamento em longo prazo e retomando as preocupações do Processo de Retificação original; no qual busca consolidar a articulação da consolidação dos potenciais fundamentais para o desenvolvimento estrátégico das forças produtivas do país (a mais importante delas sendo o próprio homem como elemento fundamental do “processo de trabalho”) com a formação do indivíduo co-proprietário socialista dos meios de produção e o desenvolvimento da "cultura integral”.

No século XXI Cuba continua oferecendo contribuições inovadoras e vitais à revitalização dos movimentos anticapitalistas e da alternativa socialista. Podemos destacar brevemente duas áreas. Uma é nos temas ambientais. Cuba tem adotado a agricultura orgânica e práticas ecologicamente sustentáveis em toda a economia. Há o desenvolvimento da agricultura urbana, onde pequenos terraços têm se convertido em projetos organopônicos, destinados ao cultivo intensivo de grande variedade de frutas e verduras. Havana, por exemplo, produz atualmente 60% da fruta e verdura que consome dentro dos limites geográficos da cidade, e a experiência está sendo levada a cabo na Venezuela e outros países. A "Revolução Energética" tem descentralizado a geração de energia de forma que a eletricidade dependa menos das grandes obras e mais de pequenos geradores locais que são mais eficazes e menos vulneráveis durante as emergências. As lâmpadas incandescentes foram substituídas em todo o país e há investimentos em grande escala na para a geração de energia eólica e solar.

A segunda contribuição vital para a emergência de uma nova alternativa é o apoio de Cuba a Venezuela, Bolívia e outros países da América Latina ocupados nestes momentos na luta para criar um novo modelo econômico e social. Os analistas internacionais fixam sua atenção na ajuda da Venezuela a Cuba em forma de petróleo barato, porém a importância da contribuição cubana à revolução bolivariana não é menor. Sem a colaboração de milhares de cubanos, Chávez seguramente não haveria podido pôr em marcha a notável missão de saúde “Barrio Adentro” ou a missão de alfabetização Robinson. Evo Morales tampouco haveria podido colocar em prática programas semelhantes na Bolívia, pelo menos a curto prazo – e na da situação política crítica dos dois países, o curto prazo era e é crucial.



REPUDIAR A HIPOCRISIA DA DIREITA PRÓ-IMPERIALISTA E BUSCAR TODA PACIÊNCIA PARA ESCLARECER OS DESINFORMADOS E EMBANANADOS

“O comunismo é uma meta da humanidade que se alcança conscientemente, logo, a educação, a liquidação das taras da sociedade antiga na consciência das pessoas, é de suma importância, sem esquecer é claro, que sem avanços paralelos na produção não se pode chegar nunca a tal sociedade. (...) Temos que elevar muito mais os estímulos morais. Ainda há muito que fazer no terreno dos estímulos morais e do aprofundamento da consciência das massas”

Che Guevara

“O comunismo, certamente, não se poderá estabelecer se não se criam riquezas em abundância. Porém o caminho, a nosso juízo, não é criar consciência com o dinheiro, mas criar riqueza com a conciência, e cada vez mais riquezas coletivas com mais consciência coletiva”

Fidel Castro

“Não fui eleito presidente para reintroduzir o capitalismo em Cuba. Fui eleito para defender o socialismo, para manter e o aperfeiçoar o socialismo, não para destruí-lo. (...) Trata-se de definir através da mais ampla participação popular a sociedade socialista que aspiramos e podemos construir nas condições atuais e futuras (…) e asegurar a irreversibilidade do socialismo no país, única garantía para sua verdadeira independencia”

Raul Castro

Desde a vitória da Revolução Cubana em 1959, os EUA (o mais poderoso poder imperial que já existiu) vem promovendo agressões militares diretas, operações de espionagem e subverção sistemática e uma permanente guerra diplomática, política, ideológica e econômica contra Cuba. Após a queda da URSS, os EUA intensificaram sua campanha contra Cuba, promovendo uma escalada de agressões, endurecendo o cerco internacional e o bloqueio econômico na vã esperança de precipitar um colapso imediato da ordem pós-revolucionária e derrubar o poder revolucionário. Entre outras medidas, aprovou em 1992 a Lei Torricelli e, em 1996, a Lei Helms-Burton. A Lei Torricelli foi aprovada após o fim da URSS, com o objetivo explícito de “acelerar a queda do socialismo em Cuba”, prevendo medidas contra empresas norte-americanas e suas filiais que realizem negócios com Cuba e proibindo o ingresso por seis meses em porto americano de embarcações que passem por um porto cubano. A Lei Helms-Burton foi aprovada em um momento em que a economia cubana começava a dar os seus primeiros sinais de recuperação, deu força de lei às ordens executivas e disposições da administração estadunidense existente contra Cuba. Esta lei é dotada de um absurdo caráter extraterritorial (em arrogante desrespeito ao direito internacioanal e à soberania de todos os outros países do planeta); pois estabeleceu sanções contra países, empresas e entidades que mantenham determinadas relações econômicas com Cuba. Essa lei permite que qualquer cidadão americano cujos interesses esteja relacionado com propriedades nacionalizadas em Cuba abra um processo, na justiça americana, contra empresas que realizem negócios com Cuba, podendo esse processo ser estendido contra os investidores estrangeiros e inclusive contra seus familiares. Washington e a CIA fazem todo o possível para impedir qualquer país de ter relações comerciais com Cuba, de investir na ilha, o de lhe conceder créditos. O bloqueio torna as importações muito mais caras, pois Cuba deve adquirir produtos de países distantes, geralmente sem as vantagens de um contrato padrão e enfraquece a posição de negociação de Cuba com Estados e empresas estrangeiras.

A CIA organizou, em agosto de 1994, o episódio dos balseiros; aliciando cidadãos cubanos no momento mais duro do “período especial” com a promessa de visto permanente (quando a embaixada norte-americana se negava a atender a solicitação cubana de expedição de vistos para viagens ou emigração legal), naturalização e empregos em Miami (quando os EUA viviam um momento de euforia econômica). Tratava-se de uma provocação para preparar uma agressão militar; pois o governo estadunidense (mediante corrrespondência de Mister Kevin Whitaker, Chefe do Birô Cubano do Departamento de Estado) informou que considerava “os sequestros de barcos a partir de Cuba uma grave ameaça à Segurança Nacional dos EUA”. Fidel Castro denunciou a manobra: “Whitaker disse isto como se não fossem eles quem provocava e incentivava esses seqüestros, como se não fôssemos nós que adotavamos medidas drásticas para evitá-los”. A polêmica internacional sobre a condenação dos sequestradores desconsiderou a ameaça militar direta a que o país estava submetido por esse motivo.

Em 2002, o subsecretário de Estado James Bolton, acusou Cuba de ser fornecedora de armas biológicas para os inimigos dos EUA tomando por “base” o fato dos cubanos terem uma indústria farmacêutica avançada; o que justificaria a caracterização de Cuba como alvo “moralmente justificável” para um ataque militar dos Estados Unidos. Foi mais uma das inúmeras e renovadas tentativas de acusar cuba de crimes anti-americanos fictícios, por parte de agentes de um Estado que não tem moral nem respeito pela verdade. Mas neste contexto tais calunias representavam parte da orquestração de planos monstruosos. Em 2003 o governo estadunidense de Baby Bush incluiu Cuba (junto com o Afganistão e o Iraque) no “eixo do mal”, com todas as sinistras implicações de tal caracterização. Em Discurso do Primeiro de Maio de 2003, Fidel Castro respondeu energicamente, lembrando o fiasco da intentona de invasão na Baía dos Porcos e a humilhante derrota dos EUA no Vietnã; destacando que caso Cuba seja atacada, como foram o Afganistão e o Iraque: “os agressores não estariam apenas enfrentando um exército, mas milhares de exércitos que constantemente se reproduziriam e fariam o inimigo pagar preço tão alto em baixas que excederia em muito o custo em vidas de seus filhos e filhas que o povo americano estaria disposto a pagar pelas aventuras do presidente Bush”

O golpe militar em Honduras, já sob o governo Obama, é uma manifestação da nova estratégia contra-revolucionária e especificamente golpista dos EUA na América Latina; que neste “primeiro round” conseguiu o que pretendia: afastar um presidente progressista democraticamente eleito e substitui-lo por gente da sua inteira confiança. Essa vitória do imperialismo não deve ser subestimada porque se integra numa estratégia ambiciosa, que visa a neutralizar o movimento de contestação dos povos da América Latina à dominação dos EUA.

Parte importante desta estratégia é o revigoramento da persistente campanha contra a Revolução Cubana desatada pela ditadura da mídia internacional, encabeçada pelo poder des-informador, manipulador e caluniador dos EUA. Esta pérfida campanha se inscreve nos marcos do contra-ataque dos EUA e seus aliados respondendo à onda transformadora que desde o final do século XX e começo do XXI emerge na América Latina; e que tem como uma de suas manifestações a formação de governos revolucionários na Venezuela e Bolívia, ou progressistas independentes como no Equador. É parte de uma estratégia para reverter os recentes avanços e conquistas que puderam ser realizadas a partir da firmeza com que a Revolução Cubana enfrentou a onda conservadora das últimas décadas do século passado. Obama adotou em relação a Cuba uma política de tensão progressiva. Agora, em 2010, o governo Obama decreta arbitrariamente a inclusão de Cuba como “Estado terrorista” a ser derrubado na nova escalada do agressivamente promovido “novo século americano”. O novo governo autoriza as ações da “Comisssão Especial Para promover a Mudança de Regime em Cuba” (eufemismo utilizado para não dizer “promover a contrarrevolucão”); organização interna do próprio Departamento de Estado, criada por George W. Bush, que dispõe de um orçamento anual de 59 milhões de dólares (sem contar as verbas que se destinariam por “vias encobertas”) dos quais 36 milhões estariam destinado a fomentar e financiar as atividades dos “disidentes”. Trata-se, segundo Informe Oficial da “Comissão” (publicado em 2004, com 458 pp.) da “criação da oposição em Cuba” e do lançamento de uma “poderosa ofensiva de propaganda” para a robusrtecer e dar credibilidade. Para resumir, trata-se de apresentar como una nobre e patriótica dissidência interna os agentes da metódica aplicação de um projeto imperialista, desenhado para cumprir o velho sonho da direita estadunidense de apoderar-se definitivamente de Cuba.

Atolados em guerras perdidas no Iraque e no Afeganistão, alarmados com o caos paquistanês e incapazes, até agora, de impor a sua vontade ao Irã – o único grande pais muçulmano da Ásia que desenvolve uma politica independente – o sistema de poder dos EUA sentiu o perigo do “avanço revolucionário” dos povos da América Latina. O precedente de Cuba assusta o Império! Quanto mais evidente se torna a fase senil do capitalismo, maior é a pressão e o recurso à mentira e à falsidade dos meios de comunicação do sistema contra Cuba e todos os que se opõem coerentemente ao sistema. Um intenso trabalho de desinformação e descrédito montado pela CIA, com financiamento canalizados pelo Escritório de Interesses dos EUA em Havana, conflui em nova (e literalmente milionária) campanha que busca re-atualizar a estigmatização de Cuba; numa nova tentativa de isolar internacionalmente um país perseguido por ser pioneiro da segunda independência da Nossa América; o único pais que conseguiu consolidar uma revolução de orientação socialista no hemisfério ocidental. O mais recente instrumento da campanha de difamação de Cuba é um comunicado empapado de mentiras até à medula e assinado por “intelectuais” a circular nos blogs criados pela CIA, referindo-se ao desfecho da “greve de fome” de Zapata Tamayo, apresentando-o como “um dissidente político” que teria sido “brutalmente torturado” até a morte (o que é mais uma comprovada mentira). A lista dos pretensos “presos políticos” cubanos, a mais inflacionada de todas, não chega a 50, entre os quais encontramos apenas pessoas que recebiam salário da CIA para fomentar a desintegração social e pessoas que estão presas por terem cometido atentados terroristas (como colocar bombas em hotéis). Zapata não era um “dissidente”, nem um preso político; mas um delinquente comum que foi aliciado na prisão por um grupo terrorista coordenado pela CIA, cujo membro mais famoso é Posada Carriles, que assassinou 73 pessoas no atentado contra o avião cubano em 1976 em Barbados. A família de Zapata começou então a receber dinheiro de organizações da máfia de Miami, como a Fundação Nacional Cubano Americana, financiada pelo governo americano e responsável pela morte de inúmeros civis devido a ações terroristas em Cuba. Incitaram-no a fazer esta greve da fome com base em curiosa petições (telefone, televisão e cozinha na cela). Ainda que se tenha negado sempre a receber assitência médica, foi tratado e atendido contra sua vontade em vários hospitais do país; mas faleceu devido a doença nos pulmões (Cf. José Manzaneda http://www.kaosenlared.net/noticia/orlando-zapata-delincuente-convertido-martir-estrategas-guerra-contra-).

Mas o que é um “dissidente político”? O Dicionário de Política de Norberto Bobbio define o “dissenso” como “qualquer forma de desacordo sem organização estável e, portanto, não institucionalizada, que não pretende (...) derrubar o sistema político vigente”. Mais adiante assinala que existe um limite que, uma vez ultraspassado, converte o “dissenso”, e os disidentes, em outro fenômeno. Atílio Borón apanha o nó da questão quando contrasta notáveis dissidentes políticos – como Sakahrov (na ex-URSS) e Martin Luther King (nos EUA), que foram implacaveis críticos de seus governos, mas jamai se colocaram a serviço de um Estado estrangeiro que ambicionava oprimir a sua pátria – com a suposta “dissidência cubana”, que “se enquadra em outra figura jurídica. Isto não só porque o seu propósito é subverter a ordem constitucional e derrubar o sistema”; mas porque, e este é o ponto realmente esencial: “querem fazê-lo pondo-se a serviço de uma potência inimiga, os Estados Unidos, que há meio século agride Cuba por todos os meios imaginavéis. Os que recebem dinheiro, acessoria, e orientações de um país objetivamente inimigo de sua pátria e atuam em congruência con as intenções imperiais de precipitar uma “mudança de regime”. Podem ser considerados como ‘dissidentes políticos’?” () Segundo a Constituição dos EUA (§ III, Sec. 3) este tipo de crime (mesmo quando não implica em atentados terroristas) é considerado “delito de traição” e a sanção por este delito pode chegar a pena de morte. Borón realiza uma revisão dos critérios de Constituições de vários países para demonstrar que “o que a imprensa do sistema denomina dissidencia é o que em qualquer país do mundo – começando pelos Estados Unidos – seria considerado como traição a pátria, e nenhum dos acusados jamais seria considerado como um ‘dissidente político’. No caso dos cubanos, todos os chamados dissidentes estão incursos no delito de unir-se a uma potência estrangeira em aberta hostilidade contra a nação cubana, receber de seus representantes – diplomáticos ou não – dinheiro e toda sorte de apoios logísticos para destruir a ordem criada pela revolução” (Id. Ibiem).

Até aqui examinamos uma política hipócrita, mas a seu modo “coerente”; isto é que está de acordo com a miséravel “racionalidade” contra-revolucionária que é fruto de um ódio visceral (irracional de uma perspectiva humanista totalizante) de um império militarista decadente, incapaz de admitir as causas profundas de seus fracassos nas tentativas de recolonização de Cuba e de subversão de sua heróica revolução. Estranha é a posição assumida (e assinada) pela LIT-QI (Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional), sob o título “A morte de Orlando Zapata e as liberdades em Cuba” (publicado no Correio Internacional 157, março de 2010, que se encontra na página eletrônica do PSTU). Para a LIT-QI Orlando Zapata Tamoyo (ou “a organização a que estava ligado”) tinha sim posições pró-capitalistas; mas ele era um “preso de consciência” do regime cubano que teria se transformado em “uma ditadura capitalista” e “nesses casos, os revolucionários chamam a uma ampla unidade de ação, inclusive com os setores burgueses, para combter as ditaduras”. Para justificar uma aliança com a máfia cubana de Miami, com os grupos terroristas fascistas e com a CIA para derrubar a “ditadura castrista”, a LIT-QI recorre a pirueta “teórica” (sic) de identificar o poder revolucionário cubano com as ditaduras militares de extrema direita que vitimaram o Cone Sul entre as decadas de 1960 e meados de 1980. Seguindo em suas tortuosas elocubrações por “analogia”, a LIT-QI lembra que o ex-presidente norte-americano Jymmy Carter “questionou” a ditadura argentina quando estava a frente da Casa Branca e hoje Obama também defende as “liberdades democráticas” em Cuba tentando “vender uma imagem similar”. Logo, conclui triunfalmente a nota, “a esquerda” deve seguir em Cuba a mesma tática do novo presidente estadunidense para não “facilitar a política do imperialismo de identificar a esquerda e o socialismo com a falta de democracia” e tirar Cuba “das mãos do castrismo” que estaria “à serviço do imperialismo europeu e canadense”. FRANCAMENTE!

Será que o PSTU se descuidou e permitiu uma infiltração de provocadores de direita na sua página eletrônica? Infelizmente não! A coisa é mais grave! O PSTU confirmou sua identificação política com estas posições da LIT-QI. Esta “Liga” já havia se aliado com a direita venezuelana (as numerosas instituições do governo estadunidense, as Fedecameras, os monopólios de comunicação privados e a alta hierárquia reacionária da Igreja Católica) para derrotar (por uma margem de 1,4% dos votos sobre nove milhões de votantes) o referendo à avançada Constituição que continha transformações revolucionárias proposta pelo presidente Chávez em 2007 (crucial não só pelas medidas políticas radicalmente democratizantes, como para libertar a Venezuela da dependencia do petróleo e do controle capitalista dos setores financeiros e produtos estratégicos). Em 2008, chamou o boicote ao referendo revogatório, convocado por Evo Morales; provocando a divisão entre o movimento de operários e camponeses; levando água ao moinho do processo desestabilizador que sofre o presidente boliviano pelas mãos da extrema-direita separatista de Santa Cruz de la Sierra, em conspiração abertamente apoiada pelo Estado imperialista norte-americano.

Para ser coerente - sem prejuízo de sua aliança “internacionalista” com Obama, os falcões do Pentágono e os gorilas de todos os quadrantes - o PSTU deveria buscar também aliados caseiros. Certamente tais idéias do PSTU proporcionariam um conveniente enfeite “de esquerda” à raivosa propaganda da grande burguesia contra a “ditadura cubana” e teriam seu momento de brilho e fama ao plim-plim dos holofotes de The Globe (esta rede de TV e de jornais Estadunidense, com sede no Rio de Janeiro e a família Marinho como testa de ferro). Este programa “democrático” do PSTU seria certamente muito bem recebidos também pelo deputado Jair Bolsonaro, notório prócer da ultradireita brasileira, que divulgou manifesto com a mesma linha política: “irrestrito apoio e solidariedade aos presos políticos que, em Cuba, lutam por liberdade e democracia naquele país”.

Nós preferimos outras companhias, até porque consideramos que superar a ameaça militar a que Cuba está submetida é causa comum de toda humanidade, em particular de todos os comunistas, socialistas, revolucionários e democratas consequentes (aqueles que não temem avançar para o socialismo). Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para contribuir na mobilização de nossos povos, dos seus trabalhadores e trabalhadoras, do campo e da cidade, de seus jovens e de suas mulheres, de seus povos originarios e de seus intelectuais… a empregar a fundo todo o nosso talento, energia e criatividadade para defender Cuba e frustrar as perversas intenções da cruzada contrarevolucionária com sede em Miami e Washington.

A democracia em sentido radical – o governo do povo para o povo – começa necessariamente nas comunidades locais, aonde as pessoas nas vizinhanças e nos lugares de trabalho organiza e dirige seus próprios assuntos. Neste sentido, Cuba tem um poderoso sistema de democracia local. A indicação direta de candidatos nas reuniões comunitárias e sua eleição como delegados municipais do poder popular em eleições com voto secreto e vários candidatos, mais a obrigação dos eleitos prestarem contas pessoalmente a cada seis meses em várias reuniões locais (com a possibilidade real de revogação do mandato), garante um grau de participação e controle local com o qual nenhum país burguês pode rivalizar (v. sobre o tema Arnold August, Democracia em Cuba y las Elecciones de 1997-98, Ed. José Martí, La Habana, 1999; e Peter Roman – People A’s Power, Roman & Littlefield, Lanham, MD, 2003). A Revolução Cubana, apesar do bloqueio e das inúmeras agressões e provocações de que é alvo mantém a mais efetiva democracia popular direta do mundo e conquistas sociais mais amplas e profundas que qualquer país capitalista. É certo que há muito que avançar na construção de uma democracia socialista desenvolvida e que as condições de cerco imperialista que força Cuba a viver em permanente estado de emergência; criam condições desfavoráveis para a conquistas de muitos objetivos socialistas fundamentais, tanto na esfera econômica, quanto na político-cultural. Mas não se pode simplesmente que esperar que estas condições deixem de existir só porque o desejamos; não se pode deixar de responder a elas de modo responsável e prudente. É claro que não se deve prolongar tal estado de emergência (ou deixar acelerar a revolução em termos de igualdade substantiva e de transferência progressiva de todo o poder aos “produtores associados”) além do historicamente justificável. Na URSS, nos primeiros anos que se seguiram à Revolução de Outubro, o país teve que enfrentar a extrema privação de um autêntico estado de emergência; mais tarde esta situação, antes plenamente justificada, foi prolongada artificialmente bloqueando o desenvolvimento da democracia socialista. Evidentemente, não existe nada de artificial no dolorosamente longo estado de emergência de Cuba diante das ameaças militares constantemente renovadas e intensificadas de seu poderoso inimigo preponderante.

A Revolução Cubana demonstrou seu internacionalismo e solidariedade da forma mais tangível, com as causas da emanciapção humana em inúmeras ocasiões. Desde o corajoso apoio aos processos revolucionários da América Latina e Africa (dando litereralmente o próprio sangue), passando pela desprendida formação de estudantes do mundo todo e mantém em muitos países periféricos, sobretudo na América Latina, até o generoso compromisso extraordinários de milhares de internacionalistas cubanos, proporcionando serviços profissionais das áreas da saúde da família e da educação (com destaque para a luta contra o analfabetismo, já erradicado na Bolívia e na Venezuela) em condições que poucos aceitariam, e que constituem o testemunho vivo da realidade do projeto socialista do país Mas a solidariedade é uma rua de mão dupla. A solidariedade internacioanal tem condições de dar uma contribuição significativa para o próximo meio século da Revolução Cubana. Devemos aprofundar a luta em defesa da Revolução Cubana, apostando sempre na sua promissora capacidade de superar encruzilhadas e limites, de recriar-se e renovar-se constantemente. Cada momento tem um significado essencial que não se perde em seguida: as forças revolucionárias se acumulam e, na luta, gerak a aceleração em espiral, pela qual um patamar mais complexo da revoluçãopassa a ser o ponto de partida de uma evolução subsequente ainda mais complexa. Cuba ficou permanentemente aberta todos os caminhos do socialismo. A Revolução Cubana teve sempre um caráter aberto, autocrítico, experimentado vários caminhos que conduzem ao socialismo; e há muitas razões que aumentam a esperança otimista de que forjará, em tempo, saídas próprias de contrução do socialismo e de passagem ao comunismo. Agora é imperioso fortalecer ao máximo a solidariedade à Cuba, por Cuba e por todos nós porque as implicações do ressurgimento de um poderoso e massivo movimento socialista revolucionário serão tanto mais impactantes quanto mais e melhor Nossa Ilha Socialista resistir nestes tempos difíceis de ofensiva contra-revolucionária.

Corrente Comunista Luis Carlos Prestes

Israel: Estado Pirata

Camaradas



O Comitê Catarinense de Solidariedade ao Povo Palestino condena veementemente os ataques do estado nazi-sionista de Israel aos barcos de ação humanitária que tinham como propósito levar água, alimentos e remédios aos palestinos que estão sitiados em Gaza.


A Faixa de Gaza tem 350 Km2 e 1 milhão e 500 mil habitantes que sobrevivem sitiados pelo estado nazi-sionista de Israel e sob o olhar omisso e silencioso do mundo.


Mas a natureza agressiva do estado de Israel acabou por evidenciá-lo mais uma vez, agora como piratas de águas internacionais, atacando navios de ajuda humanitária, devidamente identificados com suas bandeiras e autorizados a levar a solidariedade ao heróico povo palestino que, bravamente, resiste há 62 as espoliações agressivas do estado nazi-sionista de Israel.


Aos mártires palestinos e aos mártires solidários que estavam a bordo destes navios humanitários repetimos o que os nossos irmãos palestinos falam ao acordar e ao dormir: "seu sangue não foi derramado em vão, ele é o adubo da Palestina Livre!"


Causa Palestina, causa da humanidade!

Viva a Palestina Livre sobre seu Solo Pátrio, sobre seus 27 mil Km2!

Viva a solidariedade internacionalista!

Veja todas as notícias, reportagens, vídeos e moções de apoio ao Povo Palestino no nosso blog

http://www.somostodospalestinos.blogspot.com/



Palestina livre!

Viva a Intifada! Resitência até a vitória!

Comitê Catarinense de Solidariedade ao Povo Palestino

"Um beduíno sozinho não vence a imensidão do deserto, é preciso ir em caravana"

www.vivapalestina.com.br

www.palestinalivre.org

Declaración del Ministerio de Relaciones Exteriores de Cuba

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El Ministerio de Relaciones Exteriores de la República de Cuba ha conocido con profunda preocupación el criminal ataque perpetrado por las fuerzas especiales del Ejército israelí, en la madrugada del 31 de mayo, contra una flotilla de barcos que se encontraba en aguas internacionales y que trasladaba ayuda humanitaria al pueblo palestino residente en la Franja de Gaza, provocando la muerte y heridas a varios miembros de la misma.


El Ministerio de Relaciones Exteriores expresa su más enérgica condena a este artero y criminal ataque del gobierno de Israel y hace un llamado a la comunidad internacional y a los pueblos amantes de la paz a exigir a las autoridades israelíes el inmediato levantamiento del ilegal, despiadado y genocida bloqueo contra el pueblo palestino en la Franja de Gaza.


Cuba desea hacer llegar a los familiares de las víctimas sus más sentidas condolencias y reitera su apoyo y solidaridad a la justa causa del pueblo palestino y a sus derechos inalienables, que incluye la creación de un Estado palestino independiente con Jerusalén Este como capital.

La Habana, 31 de mayo de 2010