quinta-feira, 8 de julho de 2010

CHÁVEZ E CORREA PROMOVEM PRIMEIRA OPERAÇÃO CONJUNTA DE COMPRA E VENDA COM SUCRE

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O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e o do Equador, Rafael Correa, realizaram nesta terça-feira (6/7) sua primeira transação financeira pelo Sucre (Sistema Único de Compensação Regional). Caracas, por meio do Banco da Venezuela, transferiu - pela internet e ao vivo na TV - 1.984.015 sucres para o Banco Central do Equador pela compra de mais de cinco mil toneladas de arroz. O dinheiro será repassado ao Banco Nacional de Fomento equatoriano.

A meta, segundo os dois presidentes - reunidos em Caracas para um série de encontros bilaterais -, é minimizar os custos e evitar o uso de moedas extrarregionais, como o dólar, no comércio entre os países. Correa destacou que o uso do Sucre "permite sair da dependência do dólar e, com isso, diminuir custos", mas admitiu que como seu país não tem moeda nacional e que a de uso comum é a americana, os exportadores nacionais continuarão recebendo dólares.

O presidente equatoriano destacou que com este método, que já é utilizado por Brasil e Argentina, será possível efetuar no futuro qualquer outra transação, incluindo o envio de remessas a familiares.

Já Chávez disse que a fuga de divisas continuará sendo combatida graças ao Sucre, já que os exportadores de seu país poderão fazer suas transações sem a necessidade de recorrer ao Estado em busca de divisas.

O Sucre foi adotado em 2009 pelos membros da Alba (Aliança Bolivariana para as Américas) para agilizar e diminuir custos das transações comerciais e conseguir uma maior independência sobre o dólar, mas o instrumento só foi ratificado formalmente por Cuba, Equador e Venezuela.

Além destes três países, a Alba, que considera o Sucre um passo importante em direção à soberania monetária regional, é formada por Antígua e Barbuda, Bolívia, Dominica, Nicarágua, São Vicente e Granadinas.

Projetos

Os dois presidentes também debateram o projeto de construção de uma refinaria no Equador para processar 300 mil barris de petróleo equatoriano e venezuelano e previram sua entrada em operação para meados da década, conjuntamente com um adicional "polo petroquímico".

Sobre a operação militar contra o narcotráfico nas fronteiras de seus países com a Colômbia, Chávez esclareceu que ela é considerada conjunta porque Quito e Caracas compartilham as táticas de luta.

Acompanhado em San Lorenzo por um general do Exército e outro da Polícia Nacional, o vice-ministro do Interior equatoriano, Edwin Jarrín, reportou que nove mil soldados participaram da operação na fronteira com a Colômbia, na qual foi encontrado um submarino dotado de "alta tecnologia" e recém fabricado.

Do lado venezuelano, o general Néstor Reverol, diretor do Escritório Nacional Antidrogas (ONA), disse, em Machiques, que, da mesma forma que no Equador, não foram encontrados cultivos ilícitos na Venezuela.

Na operação do lado venezuelano, que envolveu 1.800 soldados, segundo ele, foram encontradas e destruídas cinco pistas de aterrissagem clandestinas, assim como um acampamento com dois laboratórios para fabricar cocaína.


SUCRE NACE PARA REEMPLAZAR UTILIZACIÓN DE MONEDA EXTRARREGIONAL

Caracas, 06 Jul. AVN.- El Sistema Único de Compensación Regional (Sucre) con el firme objetivo de reemplazar la utilización de monedas extrarregional en los intercambios comerciales entre los países miembros de la Alternativa Bolivariana para las Américas (Alba).

Dicho nuevo instrumento financiero, fue aprobado el pasado jueves 16 de abril, luego de la firma del acuerdo marco, en la VII Cumbre Extraordinaria de Jefes de Estado que integran al Alba, a los fines de no depender del dólar en sus transacciones y aminorar los costos de los intercambios comerciales.

En poco más de un año este sistema único de compensación, cuyo valor fue definido en 1,25 dólares, se perfila en instrumento confiable para los intercambios regionales, de hecho ya Cuba, Venezuela y Ecuador han lo ratificado al realizar sus primeras transacciones.

En febrero de 2010 empezaron las transacciones con el Sucre. En la primera operación comercial, Venezuela exportó 360 toneladas de arroz para Cuba.

Este martes, la República del Ecuador y Venezuela hicieron su primera operación comercial por 150 mil toneladas métricas de arroz paddy, donde el comprador la Corporación Casa hizo las veces de comprador y el proveedor fue el Banco Nacional de Fomento del Ecuador.

De igual forma, Bolivia anunció la compra de cemento asfáltico venezolano, mientras Venezuela importará de ese país madera, alimentos, textiles y artesanía.

El presidente Hugo Chávez, durante la firma del tratado constitutivo, acordado en octubre del 2009 en Cochabamba, Bolivia, resaltó la importancia histórica de este compromiso de los países con el largo proceso de integración regional a favor de los pueblos.

"El Sucre es un paso importante para nuestra soberanía monetaria, para liberarnos de la dictadura del dólar que el imperio yanqui le impuso al mundo", manifestó Chávez.

Luego de estas importantes transacciones hechas por Venezuela, Cuba y Ecuador, se espera que los demás integrantes del Alba se vayan sumando a esta iniciativa y utilicen el Sucre para intercambios en busca de un comercio justo entre los pueblos de Latinoamérica.
 
07/2010 - 08:40

Agência Efe
Caracas

terça-feira, 6 de julho de 2010

VIVA ALÉCIO VERZOLA

O deputado Sargento Amauri Soares fez, na Tribuna da Assembleia Legislativa, homenagem para o militante comunista Alécio Verzola, que faleceu no dia 3 de julho.




http://www.youtube.com/watch?v=KJu7UJEs8F8

A felicidade impossível / Fidel

PROMETI que seria o homem "mais feliz do mundo se estava errado" e infelizmente minhá felicidade duraria muito pouco.

Ainda não concluiu a Copa Mundial de Futebol. Restam seis dias para o jogo final.

Que extraordinária oportunidade perderão, possivelmente, o império e o Estado fascista de Israel para manter afastadas as mentes da imensa maioria dos habitantes do planeta de seus problemas fundamentais!

Quem terá reparado nos funestos planos do império com relação ao Irã e seus burdos pretextos para agredi-lo?

Ao mesmo tempo me pergunto: o que fazem pela primeira vez os navios de guerra israelenses nos mares do Golfo Pérsico, no estreito de Ormuz e nas áreas marítimas do Irã?

É possível imaginar que os porta-aviões nucleares ianques e os navios de guerra israelenses vão sair dali com o rabo entre as pernas, quando se cumpram os requisitos da Resolução 1929 de 9 de junho de 2010 aprovada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, que mantém a autorização para a inspeção dos navios e aeronaves iranianas com a possibilidade de levá-la a cabo no território de qualquer Estado e que esta vez autoriza a fazê-lo aos navios no alto-mar?

A Resolução também estabelece que não se realizaria a inspeção dos navios iranianos sem a autorização do Irã. Nesse caso a denegação seria objeto de análise.

Outro elemento mais é a possibilidade de confiscar o inspecionado, de confirmar-se que descumpre o disposto pela Resolução.

Um Irã desarmado foi vítima daquela guerra cruel com o Iraque onde os Guardiões da Revolução limpavam os campos de minas avançando sobre as mesmas.

Este não é o caso atual. Em Reflexões anteriores expliquei que Mahmud Ahmadineyad foi chefe dos Guardiões da Revolução no oeste do Irã, que levou o peso principal daquela guerra.

Anos depois, um governo do Iraque, valente e audaz,enviou a maioria de sua Guarda Republicana e se anexou o Emirado Arabe de Kuweit rico em petróleo, que foi presa fácil.

O governo do Iraque mantinha estreita amizade com Cuba, e lhe prestávamos colaboração em importantes serviços médicos desde os tempos em que não estava em guerra com ninguém. Nosso país tentou convencê-lo de que abanadonara Kuweit e terminara a guerra que tinha provocado a partir de pontos de vista errados.

Hoje se conhece que uma medíocre embaixadora ianque, que tinha excelentes relações com o governo do Iraque, foi que o levou a cometer o erro.

Bush pai atacou seu antigo aliado dirigindo uma potente coligazão com uma forte composição árabe-muçulmana-sunita de países que fornecem de petróleo a grande parte das nações industrializadas e ricas, que avançou do sul do Iraque para impedir a retirada da Guarda Republicana que retrocedia rumo a Bagdade, e que por prudência da infantaria da Marinha e das Forças Armadas dos Estados Unidos — sob a direção de Colin Powell, general com prestígio, e posteriormente secretário de Estado de George W. Bush — fugiu para a capital do Iraque.

Como vingança, utilizaram contra ela os projéteis contaminados com urânio empobrecido com os quais pela primeira vez experimentaram o dano que poderiam ocasionar nos soldados adversários.

O Irã ao qual este momento ameaçam com seus exércitos de ar, mar e terra, de religião muçulmana-xiita, em nada se parece com a Guarda Republicana que atacaram impunemente no Iraque.

O império está a ponto de cometer um erro impagável sem que nada o possa impedir. Avança inexoravelmente para um destino funesto.

A única coisa que pode afirmar-se é que houve quartas de final na Copa Mundial de Futebol. Desta forma os fanáticos do esporte desfrutamos das emocionantes partidas onde vimos coisas incríveis . Afirma-se que, em 36 anos, o time da Holanda não perdia, sexta-feira, em partidas da Copa Mundial de Futebol. Somente graças aos computadores poderia saber-se isto.

O fato real é que o Brasil foi eliminado das quartas de final da Copa.

Um juiz deixou o Brasil fora da mesma. Ao menos essa foi a impressão que repetiu constantemente um excelente narrador da televisão cubana. Depois a FIFA declarou que a decisão do árbitro era correta.

Depois, o mesmo juiz deixou o Brasil com 10 jogadores num momento decisivo, quando ainda restava mais da metade do segundo tempo. Com certeza essa não foi nunca a intenção do árbitro.

Ontem foi eliminado o time da Argentina. Nos primeiros minutos a seleção alemã, através do meio-campo Müller, surpreendeu a confiada defensa e o goleiro argentino, conseguindo marcar um gol.

Posteriormente, não menos de 10 vezes os dianteiros argentinos, por uma vez do time alemão, não conseguiram marcar um gol.

Ao contrário, o time alemão marcou três mais e até a chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel, aplaudia sem cessar.

Desta forma, novamente, um dos times favoritos perdeu. Mais de 90% dos fanáticos do futebol em Cuba ficaram estupefatos.

A maioria dos amadores desse esporte nem sequer sabem em qual continente está o Uruguai. Um final entre países europeus será o mais descolorido e anti-histórico desde que esse esporte nasceu no mundo.

Não obstante, aconteceram fatos na esfera internacional que não têm nada a ver com os jogos de azar e sim com a lógica elementar que rege os destinos do império.

Várias notícias tornaram-se públicas nos dias 1, 2 e 3 de julho.

Todas têm a ver com um mesmo fato: em 2 de julho, as grandes potências representadas no Conselho de Segurança das Nações Unidas com direito ao veto, mais a Alemanha, instaram o governo do Irã a dar "uma rápida resposta" ao convite feito para retornar às negociações pelo seu programa nuclear.

O presidente Barack Obama assinou o dia anterior uma lei que amplia as medidas existentes contra os setores energético e bancário do Irã, e que poderia penalizar a companhias que negociem com o governo de Teerã. Isto é, o bloqueio rigoroso e a estrangulação do Irã.

O presidente Mahmud Ahmadineyad afirmou que seu país retornará ao diálogo nos finais de agosto e destacou que no mesmo deverão participar países como o Brasil e Turquia, os dois únicos membros do Conselho de Segurança que se opuseram às sanções em 9 de junho.

Um funcionário de alto rango da União Europeia advertiu, desprezativamente, que nem o Brasil nem Turquia serão convidados a participar das conversações.

Não faz falta mais para tirar as conclusões pertinentes.

Nenhuma das duas partes vai ceder; uma pelo orgulho dos poderosos, e outra, pela resistência à sujeição e sua capacidade para combater, como tem acontecido tantas vezes na história do homem.

O povo do Irã, nação de milenárias tradições culturais, se defenderá sem dúvida alguma dos agressores. É incompreensível que Obama creia seriamente que o Irã vai ceder a suas exigências.

O presidente desse país e seus líderes religiosos, inspirados na Revolução Islâmica de Ruhollah Jomeini, criador dos Guardiões da Revolução, as Forças Armadas modernas e o novo Estado do Irã, resistirão.

Os povos pobres do mundo, que não temos nenhuma culpa do colossal enredo criado pelo imperialismo, situados neste hemisfério ao sul dos EUA, os demais situados a oeste, centro e sul da áfrica , e os outros que possam ficar indenes da guerra nuclear no resto do planeta, não temos outra alternativa que enfrentar as consequências da catastrófica guerra nuclear que em breve tempo vai estalar.

Infelizmente não tenho nada que retificar e sou responsável pelo escrito nas últimas Reflexões.




Fidel Castro Ruz



4 de julho de 2010



17h36

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Frustram ataque suicida contra base militar em Paquistán

Escrito por Beatriz Quintana Valle

lunes, 05 de julio de 2010



05 de julio de 2010, 06:58Islamabad, 5 jul (Prensa Latina) Forças de segurança paquistaníes mataram hoje a quatro atacantes suicidas que tentaram penetrar em uma base militar do noroeste do país, a bordo de dois veículos carregados de explosivos, informaram fontes castrenses.



De acordo com um comunicado emitido pelo departamento de Relações Públicas do Exército, o frustrado ataque teve lugar nas primeiras horas desta segunda-feira na região de Baixo Dir, cerca da fronteira com Afeganistão.



No intercâmbio de disparos à entrada da base ocupada por forças paramilitares morreu também um dos agentes que custodiava a instalação, e outros sete resultaram feridos, informou, por sua vez, a cadeia de televisão DawnNews.



Segundo o reporte, os dois veículos carregados de explosivos foram destruídos, e seus quatro ocupantes abatidos pelo fogo das forças de segurança.



Enquanto, o canal de televisão Geo News assegurou que dois dos atacantes lançaram granadas de mão contra a garita da entrada do quartel, enquanto um terceiro se fez estallar na porta do mesmo ao percatarse de que não poderiam penetrar na base. Geo News, que citou fontes policiais, apontou que 11 agentes de segurança e um civil resultaram feridos.



mb/asg/nm

05 de julio de 2010 )

La felicidad imposible / Fidel

4 Julio 2010

Prometí que sería el hombre “más feliz del mundo si estaba equivocado” y desgraciadamente mi felicidad duraría muy poco.

Todavía no ha concluido la Copa Mundial de Fútbol. Faltan aún seis días para el partido final.

¡Qué extraordinaria oportunidad se perderán posiblemente el imperio yanki y el Estado fascista de Israel para mantener apartadas las mentes de la inmensa mayoría de los habitantes del planeta de sus problemas fundamentales!

¿Quién se habrá percatado de los siniestros planes del imperio con relación a Irán y sus burdos pretextos para agredirlo?

Al mismo tiempo me pregunto: ¿qué hacen por primera vez los buques de guerra israelitas en los mares del Golfo Pérsico, el Estrecho de Ormuz y las áreas marítimas de Irán?

¿Es posible imaginar que de allí se marcharán los portaaviones nucleares yankis y los buques de guerra israelitas con el rabo entre las piernas, cuando se cumplan los requisitos contenidos en la Resolución 1929 del 9 de junio de 2010 aprobada por el Consejo de Seguridad de Naciones Unidas, que mantiene la autorización para la inspección de los buques y aeronaves iraníes con la posibilidad de llevarla a cabo en el territorio de cualquier Estado y que esta vez autoriza a hacerlo a los buques en altamar?

La Resolución establece también que no se realizaría la inspección de los buques iraníes sin el consentimiento de Irán. En ese caso, la denegación sería objeto de análisis.

Otro elemento añadido es la posibilidad de confiscar lo inspeccionado, si se confirma que incumple lo dispuesto por la Resolución.

Un Irán desarmado fue víctima de aquella cruel guerra con Iraq en la que masas de Guardianes de la Revolución limpiaban los campos de minas avanzando sobre las mismas.

Este no es el caso de hoy. Expliqué en Reflexiones anteriores que Mahmud Ahmadineyad fue jefe de los Guardianes de la Revolución en el Oeste de Irán, que llevó el peso principal de aquella guerra.

Años más tarde, un gobierno de Iraq envalentonado envió el grueso de su Guardia Republicana y se anexó el Emirato Árabe de Kuwait rico en petróleo, que fue presa fácil.

El gobierno de Iraq mantenía con Cuba estrecha amistad y se le prestaba, desde los tiempos en que no estaba en guerra con nadie, importantes servicios de salud. Nuestro país trató de persuadirlo de que abandonara Kuwait, y pusiera fin a la guerra que había provocado a partir de puntos de vista erróneos.

Hoy se conoce que una mediocre embajadora yanki, que sostenía con el Gobierno de Iraq excelentes relaciones, lo indujo al error cometido.

Bush padre atacó a su antiguo amigo dirigiendo una potente coalición con una fuerte composición árabe-musulmana-sunita de países que abastecen de petróleo a gran parte de las naciones industrializadas y ricas, la cual avanzó desde el Sur de Iraq para cortar la retirada a la Guardia Republicana que se replegaba hacia Bagdad, la que por prudencia de la Infantería de Marina y las Fuerzas Armadas de Estados Unidos -bajo la dirección de Colin Powell, general con prestigio, y posteriormente Secretario de Estado de George W. Bush- escapó hacia la capital de Iraq.

Por pura venganza, contra ella utilizaron los proyectiles contaminados con uranio empobrecido con los que por primera vez experimentaron el daño que podrían ocasionar en los soldados adversarios.

El Irán al que en este momento amenazan, con sus ejércitos de aire, mar y tierra, de religión musulmana-chiíta, en nada se parece a la Guardia Republicana que atacaron impunemente en Iraq.

El imperio está a punto de cometer un impagable error sin que nada lo pueda impedir. Avanza inexorablemente hacia un siniestro destino.

Lo único que puede afirmarse es que hubo cuartos de final en la Copa Mundial de Fútbol. De ese modo los fanáticos del deporte pudimos disfrutar los emocionantes partidos en que vimos cosas increíbles. Se afirma que, en 36 años, el equipo de Holanda no perdía un viernes en partidos de la Copa Mundial de Fútbol. Únicamente gracias a las computadoras podría sacarse esa cuenta.

El hecho real es que Brasil fue eliminado de los cuartos de final de la Copa.

Un juez dejó a Brasil fuera de la misma. Al menos esa fue la impresión que no se cansó de repetir un excelente narrador de la televisión cubana. Después la FIFA declaró que era correcta la decisión arbitral.

Más adelante, el mismo juez dejó a Brasil con 10 jugadores en un momento decisivo, cuando faltaba todavía más de la mitad del segundo tiempo del partido. Con seguridad que esa no fue nunca la intención del árbitro.

Ayer fue eliminada Argentina. En los primeros minutos el equipo alemán, a través del mediocampista Müller, sorprendió a la confiada defensa y al portero argentino logrando obtener un gol.

Con posterioridad, no menos de 10 veces los delanteros argentinos, por una del equipo alemán, no lograron un gol.

Por el contrario, el equipo alemán anotó tres más, y hasta Angela Merkel, Canciller Federal de Alemania, aplaudía rabiosamente.

Así, nuevamente, uno de los equipos favoritos perdió. De ese modo, más del 90% de los fanáticos del fútbol en Cuba quedaron estupefactos.

La inmensa mayoría de los amantes de ese deporte ni siquiera saben en qué continente está Uruguay. Un final entre países europeos será lo más descolorido y antihistórico desde que nació ese deporte en el mundo.

En cambio, ocurrieron hechos en la esfera internacional que no tienen nada que ver con los juegos de azar y sí con la lógica elemental que rige los destinos del imperio.

Una serie de noticias vieron la luz los días 1, 2 y 3 de julio.

Todas giran en torno a un hecho: las grandes potencias representadas en el Consejo de Seguridad de Naciones Unidas con derecho al veto, más Alemania, instaron el dos de julio al Gobierno de Irán a dar “una pronta respuesta” a la invitación que se le hiciera para retornar a las negociaciones por su programa nuclear.

El Presidente Barack Obama firmó el día anterior una Ley que amplía las medidas existentes contra los sectores energético y bancario de Irán, y podría penalizar a compañías que realicen negocios con el Gobierno de Teherán. Es decir, el bloqueo riguroso y el estrangulamiento de Irán.

El Presidente Mahmud Ahmadineyad afirmó que su país retomará las conversaciones a fines de agosto y destacó que en las mismas deben participar países como Brasil y Turquía, los dos únicos miembros del Consejo de Seguridad que se opusieron a las sanciones el 9 de junio.

Un funcionario de alto rango de la Unión Europea advirtió, despectivamente, que ni Brasil ni Turquía serán invitados a participar en las conversaciones.

No hace falta más para sacar las conclusiones pertinentes.

Ninguna de las dos partes cederá; una, por el orgullo de los poderosos, y otra, por la resistencia al yugo y la capacidad para combatir, como ha ocurrido tantas veces en la historia del hombre.

El pueblo de Irán, una nación de milenarias tradiciones culturales, se defenderá sin duda alguna de los agresores. Es incomprensible que Obama crea seriamente que se plegará a sus exigencias.

El Presidente de ese país y sus líderes religiosos, inspirados en la Revolución Islámica de Ruhollah Jomeini, creador de los Guardianes de la Revolución, las Fuerzas Armadas modernas y el nuevo estado de Irán, resistirán.

A los pueblos pobres del mundo, que no tenemos la menor culpa del colosal enredo creado por el imperialismo, ubicados en este hemisferio al Sur de Estados Unidos, los demás situados al Oeste, Centro y Sur de África, y los otros que puedan quedar indemnes de la guerra nuclear en el resto del planeta, no nos queda otra alternativa que enfrentar las consecuencias de la catastrófica guerra nuclear que en brevísimo tiempo estallará.

Desdichadamente no tengo nada que rectificar y me responsabilizo plenamente con lo escrito en las últimas Reflexiones.



Fidel Castro Ruz

Julio 4 de 2010

5 y 36 p.m.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Analisam direito a comunicação familiar de antiterroristas cubanos

jueves, 01 de julio de 2010



01 de julio de 2010, 16:22Havana, 1 jul (Prensa Latina) A III Conferência Internacional Mulher, Gênero e Direito analisará hoje em Cuba o direito humano à comunicação familiar no caso dos cinco antiterroristas desta nação presos nos Estados Unidos desde 1998.



O evento, com sede no Hotel Nacional, propiciará um diálogo aberto entre os 70 delegados de ao redor de 15 países, e Nuris Piñero, advogada das famílias dos lutadores e diretora do Escritório de Serviços Legais Especializados desta capital.



Olga Mesa, professora da Universidade de Havana, dissertará sobre as leis da igualdade de gênero, e Mariela Castro, diretora do Centro Nacional de Educação Sexual, abordará aspectos relacionados com a educação sexual como política do Estado.



Durante a sessão anterior da Conferência, os delegados estrangeiros conheceram o protagonismo da mulher cubana na obra da Revolução, e os esforços do Estado para que atinjam seus plenos direitos.



Segundo os organizadores do evento, elas formam 46,7 por cento da força trabalhista do país e constituem o maior número de profissionais egressos das universidades.



rc/ydg/bj

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Carta abierta al señor Diego Armando Maradona

Por Carlos Malbrán

Para el caso que no ganemos el campeonato del mundo

Querido Diego, "Pelusa", "Pibe de Oro", "Diez", "Dios", "Gordo":

Quiero hacer memoria, para que no se te olvide a vos, ni a ninguno de los argentinos.

Eras un pibe de la villa miseria de Fiorito. Uno de esos asentamientos informales, insalubres y laberínticos, de viviendas precarias en las que se hacinan los desplazados. Síntoma brutal de la marginación y la pobreza, del que los políticos prefieren no hablar porque es poner en duda toda la estructura legal del sistema.

Jugabas porque el fútbol es la expansión de los humildes, un acto atemporal que los saca de las desdichas cotidianas. La vida te había negado casi todo, y vos, como miles de chicos argentinos, con tus zapatos rotos, te desquitabas a patadas.

En 1973 alguien te dijo:

- Che pibe, vamos a armar un equipo para jugar en el “Torneo Evita”, ¿Entrás?

Con tus piernas flacas y tu rostro de “negrito”, te convertiste en la pesadilla del torneo, nadie quería enfrentarte. “Los Cebollitas”, (así se llamaban), se llevaron la copa y al año siguiente ganaron el Campeonato de la 8ª División. El conjunto se mantuvo invicto 136 partidos y gracias a que “Los Cebollitas” se convirtieron en una sensación, conociste Perú y Uruguay, donde los invitaron a jugar. No tenías 12 años y ya eras campeón.

A alguien se le ocurrió hacerte debutar en las inferiores del Club Argentino Juniors. Resultó fácil, fue el primer acto ilícito de tu vida: te cambiaron el nombre y mintieron la edad, agregándote dos años para que te aceptaran. Algo completamente inútil porque tu brillo era tal que cuando te vieron jugar, todos preguntaban: ¿Quién ese pibe? ¿De dónde salió ese prodigio?

Entonces decidieron que era mejor ponerte en el entretiempo de los partidos de la Primera División para que entretuvieras a la hinchada haciendo malabares con la pelota. Naciste mago. Siempre la pelota ha hecho todo lo que querés, ¿O será al revés?

Llegaste a la villa eufórico:

- ¡Mamá, me pagaron!

Doña Dalma te dio un beso y tu padre Diego te regaló una sonrisa y una palmada afectuosa. Hasta hay un viejo comercial de Coca Cola, donde se ve a aquel muchachito haciendo maravillas.

La primera vez que figuraste en los diarios, (esos que cada vez que pueden, intentan destruirte por tus ideas), tenías diez años. El Clarín decía: “Había un pibe con porte y clase de ‘crack’…”. Este periodista no sabía que aún faltaban por llenar muchas páginas hablando del “Pibe de Fiorito”. Porque en dos años ascendiste ocho divisiones en Argentinos Juniors, de novena a primera, y comenzaste a dibujar tu historia con goles: en 1978, aunque te consagraste como el goleador del Metropolitano, el flaco Menotti te dejó fuera de la Selección que ganó el campeonato porque eras muy niño, pero al año siguiente nos trajiste la Copa del Mundial Juvenil.

Por ese tiempo, aunque River te quería contratar y te ofreció lo mismo que ganaba Ubaldo Fillol, el jugador mejor pagado de entonces, decidiste jugar para Boca, que estaba en serios problemas económicos y no podía comprar tu pase. Nos hiciste campeones, pero duraste poco. Europa siempre ha pagado mejor y te fuiste al Sevilla y después al Nápoles.

El Mundial de México 86, siempre será recordado como “el Mundial de Maradona” y podría escribir muchas páginas con las emociones que nos hiciste vivir, porque cada vez que mandaste la pelota al fondo de la red, no era un gol de Maradona, era un tanto de desquite de todos los humildes de tu pueblo.

La FIFA, aún a regañadientes, (los oligarcas del fútbol no te quieren Diego) tuvo que elegirte como al mejor jugador del siglo XX. Para nosotros significas mucho más. Siempre recordaré cuando como consecuencia de haber caído en los abismos de la droga, te tuvieron que internar de urgencia y una multitud angustiada hizo intransitable cuadras enteras en torno al hospital. Alguien puso un gran cartel: “El cielo tiene que esperar”, otro decía: “Siempre vivirás, Dios no quiere competencia.”, otro: “Jesús resucitó una vez. Vos, miles.”, y quizá el más significativo rezaba: “Diego, no aflojés que vas a salir. No podés perder. No te olvides que Maradona juega para vos.”

Saliste de la droga como también te levantaste de cada golpe que te dieron en la cancha, pero los medios internacionales siempre magnificaron tu adicción a las drogas y cada error que cometías, porque lo que no te perdonan es que a pesar del dinero, la fama y la gloria, nunca olvidaste al pibe de la villa de Fiorito y que cada uno de tus mensajes políticos mueva la conciencia de los pobres y explotados del mundo.

El mercado puede aceptar que seas un genio del fútbol, pero no que te hayas convertido en la compensación para una sociedad frustrada por varias dictaduras militares y desgastada por el accionar de políticos corruptos.

Se acepta, ¿qué otro remedio les queda?, que seas un campeón, más no que reflejes los sentimientos de los despojados que necesitan creer que Dios no está tan lejos.

Eso no te lo van a perdonar nunca Diego.

La FIFA no te puede perdonar que promuevas la sindicalizació n de los jugadores, a los que llamas “los obreros del fútbol”, porque eso echaría por tierra un negocio que mueve millones de dólares cada cuatro años.

Si Maradona dona una escuela, o promueve una colecta para los niños pobres con parálisis, no saldrá en la primera plana de ningún periódico del mundo, porque lo imperdonable no son estos actos en sí, sino que lo hagas siempre diciendo que sólo estás devolviendo algo de lo que los poderosos roban a la gente.

Demagogo, populista, oportunista, drogadicto, son los calificativos aconsejados por los señores de la SIP para poner junto a tu nombre. Como también aconsejan destacar siempre las declaraciones del señor Pelé, porque ese si es “bueno”. Se coloca debajo de un cartel de alguna firma de productos deportivos, que por supuesto le paga, para reivindicar siempre al sistema y defender sus intereses. De eso vive.

No te van a perdonar tus visitas a Chávez, o que tengas al Ché tatuado en tu hombro.

La única vez que te tuve cerca fue cuando en noviembre de 2005, con motivo de la Cumbre de Presidentes de Mar del Plata, nos invitaste a ir a repudiar la presencia de Bush en la Argentina.

Los grandes diarios del mundo, no publicaron en estos días la foto de la Selección Argentina despidiéndose rumbo a Sudáfrica con una gran pancarta que decía: “Apoyamos a las abuelas de Plaza de Mayo para el Premio Nobel de la Paz”. Ni tampoco la noticia de que recibiste en Pretoria a Estela Carlotto con un gran abrazo.

Eso no se perdona Diego.

El fútbol, vos lo sabés mejor que nadie, es un juego impredecible y como bien declaraste: “No hay favoritos. Cualquiera te puede clavar la pelota en el ángulo y todo lo que hiciste… Chau”. Todo es posible, pero por todo esto y mucho más quiero decirte que si eso sucede, no te hagas ningún problema, porque con nosotros ya cumpliste.

Gracias por ser Maradona.

Gracias por ser nuestra alegría y nuestra esperanza.

Gracias por no olvidar al pibe de Fiorito.

Gracias por representarnos siempre a todos con dignidad.

Gracias campeón.





Cubadebate

CÚPULAS NO CANADÁ

Muito caras para tão pouco saldo

● Organizações não-governamentais consideraram escasso o tratamento dado a temas capitais como o meio ambiente e o combate à pobreza

Elsa Claro

EM 2 de abril de 2009 o presidente dos EUA reconheceu a responsabilidade de seu país como iniciador da crise global ante os representantes do G-20, fórum criado um ano antes e integrado pelos sete países com maior desenvolvimento além da Rússia e de 12 nações de médio ou pequeno porte, entre as quais destacam as chamadas emergentes, quer dizer, aquelas com um ritmo de crescimento atual superior à média e com grandes territórios e população. Eis os casos do Brasil, China e a Índia.


Promissória foi a flexibilização introduzida, ao aceitar a presença daqueles que em outras circunstâncias não teriam sido chamados a consenso, mas o novo fórum, apenas surgido, deixou ver as diferenças existentes e, sobretudo, o inútil de debater assuntos sem pactuar a responsabilidade de cumprir os acordos.


A norma desse fórum não foi a coincidência e muito menos levar à prática aquilo considerado necessário. Embora houvesse suas exceções. Como por exemplo, o bilhão de dólares conferido pelos países ricos ao FMI, dando alento e beligerância a um organismo que não merecia ser ressuscitado.


Na Cúpula realizada em Londres, falou-se de impulsionar uma reforma do sistema financeiro mundial, ditame aprovado depois de vários debates e de duas posições. A norte-americana, que propõe outorgar estímulos fiscais para impulsionar a economia, quer dizer, continuar favorecendo empresas e bancos já favorecidos com dinheiro dos contribuintes e continuar diminuindo os gravames ao setor abastado; e a européia, que advogou priorizar o estabelecimento de regulamentações para as finanças.


Este é o antecedente de Toronto 2010, onde parecia que se repetiria o dito na Grã-Bretanha. Indecisões e contrastes ou embargos inexplicáveis, como são as exorbitantes compensações recebidas pelos banqueiros. Também não existe transparência nos mercados e muito menos naqueles que tratam com valores de risco. Os especuladores continuam atacando os países e as moedas, em situações favorecidas para os setores mais beneficiados, e de desvantagem para o resto dos cidadãos.


"(...) a gente é consciente da jogada arquitetada do capital e dos mercados financeiros. Durante anos os benefícios foram extraordinários com a especulação das hipotecas "suprime" ( de pouco valor e elevada debilidade), sem quase pagar impostos, a custa do endividamento do setor privado; quando o sistema colapsa, conseguem que o Tesouro Público os resgate e lhes mantenha uma fiscalização privilegiada, com a promessa ingênua de reativar o credito às empresas e aos cidadãos que mantêm asfixiados.


Finalmente, aproveitam a fraqueza dos Estados, conseqüência do enorme esforço que supõe dita ajuda, para colocá-los à beira da falência e forçá-los a desmontar o pouco que fica do sistema de bem-estar, empobrecendo injustamente milhões de pessoas, com a cumplicidade das mesmas instituições não democráticas que permitiram aumentar o déficit público em benefício da banca". Assim o explica o professor titular de Direito Financeiro e Tributário da Universidade de Almeria, Miguel Ángel Luque Mateo.


E deve reiterar-se algo usualmente escamoteado em diversas palavras e raras lendas: a dívida pública sobre a qual tanto se fala e que parece inquietar os dirigentes, não procede de partidas dedicadas a satisfazer nenhuma das necessidades sociais.


O endividamento dos Estados foi provocado pelas milionárias ajudas oficiais entregues ao setor privado. Aqueles que governam pensam que a primeira obrigação é proteger o status dos avaros e ajeitar o sistema com limitados e funestos moldes.


DISJUNTIVA


Quem tem a razão? Os EUA expondo que devem manter-se os estímulos do Estado ao capital ou aqueles que na União Europeia querem aplicar impostos às operações dos bancos? Nem todos os países sofreram os mesmos efeitos sobre essas entidades, por tal motivo não lhes interessa nem precisam de fixar taxas adicionais. Outros as rejeitam por serem paraísos fiscais, vivem disso, e também estão os que têm enormes fortunas em condição privilegiada e com enormes lucros nesses lugares.


Washington recomenda manter as medidas de estímulo ( eles o chamam "potenciar o crescimento") entronizado no início do estalido imobiliário estadunidense, medida imitada pela Europa, onde agora preferem um projeto de austeridade fiscal, ainda que "exista o risco de que o ajuste fiscal sincronizado de várias economias possa ter um impacto adverso na recuperação", segundo um comunicado final da Cúpula. Nenhum gravame bancário foi concebido para ressarcir as maiorias prejudicadas pelos salvamentos. As receitas obtidas por essa via não são para aliviar as dificuldades da população. Seriam capital de resgate, de novos resgates, para entidades financeiras em apuros. Existe constância documental de temor a outras medidas de apuro.


Os países industrializados se comprometem a reduzir em 50% seu déficit público em 2013 e posteriormente iniciar outras restrições, expressa o texto da Cúpula. Indeciso e até contrário ao que sugere a experiência. O ministro da Fazenda brasileiro, Guido Mantega advertiu: "Reduzir metade do déficit para alguns países é um ajuste draconiano, quando o médico receita de mais, pode matar o paciente". A presidenta argentina, Cristina Fernández de Kirchner, destacou sobre o tema: "A política de austeridade é um desastre, nós já experimentamos em 2001", ano do cessar de pagamentos sofrido por Argentina, entre outras calamidades que não seria difícil padeçam varias nações nesta etapa.


Vale a pena esclarecer que se os do Velho Continente ou seus parceiros norte-americanos não coincidem totalmente no que deve fazer-se não se trata de contradições de fundo, apenas é um problema formal. Não buscam mudanças, mantêm o mesmo padrão. A diplomacia ou o pragmatismo levam ao mesmo fim, segundo estima Barack Obama.


Existem outras saídas dentro do próprio capitalismo menos dolorosas para as pessoas, inclusive até benéficas para a sobrevivência do sistema, mas se aferram ao modelo atuante, apesar das dificuldades que já provocou em diversas economias. Falta de perícia ou de imaginação? A falta de apoio sólido, o G-20 e o G-8 aceitam que cada qual aplique soluções nacionais por região ou segundo seus interesses. Unidade, império da sensatez mancomunada, são, como a vilipendiada justiça, preceitos que ficam para uma remota agenda mundial.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

A guerra de Obama

por Atilio Boron [*]

Amitai Eztioni é um dos sociólogos mais influentes do mundo. Nascido na Alemanha e emigrado em Israel nos anos fundamentais desse estado, radicou-se depois nos Estados Unidos onde iniciou um longa carreira académica que o levou a algumas das mais prestigiosas universidades desse país: Berkeley, Columbia, Harvard, até culminar, nos últimos anos em Washington, DC, como Professor de Relações Internacionais da George Washington University. Mas as suas actividades não se limitaram aos claustros universitários: foi um consultor permanente de diversos presidentes norte-americanos, especialmente de James Carter e Bill Clinton. E desde o 11/Set, com o auge do belicismo, sua voz ressoou com força crescente no establishment norte-americano. Há poucos dias ofereceu um novo exemplo disso.



Apologista incondicional do Estado de Israel, acaba de publicar na Military Review, uma revista especializada das forças armadas dos Estados Unidos, um artigo que põe em evidência o "clima de opinião" que prevalece na direita norte-americana, o complexo militar-industrial e nos sectores mais cimeiros da administração, muito especialmente no Pentágono. O título do seu artigo diz tudo: "Um Irão com armas nucleares pode ser dissuadido?" A resposta, convém esclarecer, é negativa. Esta publicação não podia chegar num momento mais oportuno para os belicistas estado-unidenses, quando reiteradas informações – silenciada pela imprensa que se diz "livre" ou "independente" – falam do deslocamento de navios de guerra estado-unidenses e israelenses através do Canal de Suez em direcção ao Irão, o que faz temer a iminência de uma guerra. Em várias das suas últimas "Reflexões" o comandante Fidel Castro havia advertido, com a sua habitual lucidez, acerca das ominosas implicações da escalada desencadeada por Washington contra os iranianos, cuja pauta não difere senão em aspectos anedóticos da utilizada para justificar a agressão ao Iraque: assédio diplomático, denúncias perante a ONU, sanções cada vez mais rigorosas do Conselho de Segurança, "incumprimento" de Teerão e o inevitável desenlace militar.



As sombrias previsões do comandante parecem optimistas em comparação com o que coloca este tenebroso ideólogo dos falcões norte-americanos. Numa entrevista concedida quarta-feira passada a Natasha Mozgovaya, correspondente do jornal israelense Haaretz nos Estados Unidos, Etzioni ratifica o afirmado na Military Review, a saber: o Irão pretende construir um arsenal nuclear e isso é inaceitável. A única opção é um ataque militar exemplar e é preferível desencadeá-lo um mês antes e não dez dias depois de o satanizado Irão dispor da bomba atómica. No seu artigo o professor da GWU insiste em assinalar que qualquer outra alternativa deve ser descartada: a diplomacia fracassou; as sanções da ONU carecem de eficácia; bombardear as instalações nucleares não mudaria muito as coisas porque, segundo declarações do secretário da Defesa Robert Gates, a única coisa que se conseguiria seria atrasar o avanço do projecto atómico iraniano por três anos; e, finalmente, a dissuasão não funciona com "actores não racionais" como o actual governo do Irão, dominado pelo irracionalismo fundamentalista que contrasta com o comedimento e racionalidade de governantes israelenses que assassinam activistas humanitários em pleno Mediterrâneo. Em consequência, a única coisa realmente eficaz é destruir a insfraestrutura do Irão para impossibilitar a continuação do seu programa nuclear.



Esse ataque, acrescenta, "poderia ser interpretado por Teerão como uma declaração de guerra total", mas como as tentativas de diálogo ensaiadas por Obama fracassaram é urgente e imprescindível adoptar medidas drásticas se os Estados Unidos não quiserem perder o seu predomínio no Médio Oriente em favor do Irão. Pelas suas grandes reservas petrolíferas – superadas apenas pela Arábia Saudita e o Canadá [NT] , e muito superiores às do Iraque, Kuwait e dos Emirados – o Irão excita a ânsia de rapina do imperialismo norte-americano, que com 3 por cento da população mundial consome 25 por cento da produção mundial de petróleo. Além disso, não se pode esquecer que a guerra é o principal negócio do complexo militar-industrial, de modo que para sustentar os seus lucros há que utilizar e destruir aviões, foguetes, helicópteros, etc. Assim, o par diabólico formado pela "guerra preventiva" a "guerra infinita" continua seu curso inalterável, agora sob a presidência de um Prémio Nobel da Paz cujo servilismo diante deste escuros interesses juntamente com a sua falta de coragem para honrar esse prémio coloca a humanidade à beira do abismo.





26/Junho/2010



[NT] As reservas do Canadá não deveriam ser comparadas às da Arábia Saudita pois são em grande parte constituídas por xistos betuminosos. A transformação do mesmo em petróleo está no limiar do rácio EROEI (Energy Returned On Energy Inputed).



[*] Director do Programa Latino-americano de Educação a Distância em Ciências Sociais (PLED), Buenos Aires, Argentina, http://www.atilioboron.com



O original encontra-se em http://alainet.org



Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

terça-feira, 29 de junho de 2010

SABER A VERDADE A TEMPO

Reflexões do companheiro Fidel


Quando escrevia cada uma das minhas Reflexões anteriores, à medida que uma catástrofe para a humanidade se aproximava aceleradamente, minha maior preocupação era cumprir o dever elementar de informar o nosso povo.

Hoje estou mais tranquilo do que 26 dias atrás. Como continuam acontecendo coisas na curta espera, posso reiterar e enriquecer a informação à opinião pública nacional e internacional.

Obama se comprometeu em assistir no dia dois de julho à partida de quartas de final, se seu país obtiver a vitória nos oitavas de final. Ele deveria saber mais do que ninguém, que essas quartas de final não se poderiam realizar visto que antes ocorreriam gravíssimos acontecimentos,

ou pelo menos deveria sabê-lo.

Na passada sexta-feira 25 de junho, uma agência internacional de notícias de conhecida minuciosidade nos detalhes das informações que elabora, publicou as declarações do “...comandante da Armada do corpo elite dos Guardiões da Revolução Islâmica, General Ali Fadavi…” ―advertindo― “… que se os Estados Unidos e seus aliados inspecionarem os navios iranianos em águas internacionais ‘receberão uma resposta no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz’”.

A informação foi tomada da agência local de notícias Mehr, do Irã.

Essa agência, segundo a notícia, comunicou: “Fadavi acrescentou que ‘a Armada dos Guardiões da Revolução possui atualmente centenas de embarcações dotadas com lança-mísseis".

A informação elaborada quase na mesma hora do publicado no Granma, ou talvez antes, parecia, em alguns pontos, uma cópia fiel dos parágrafos da Reflexão elaborada na quinta-feira 24 de junho e publicada nesse jornal na sexta-feira 25.

A coincidência se explica pelo uso elementar que sempre aplico do raciocínio lógico. Eu não conhecia uma palavra do que publicou a agência local iraniana.

Não tenho a menor dúvida de que logo que as naves de guerra dos Estados Unidos e do Israel ocuparem seus postos ―junto do resto das embarcações militares norte-americanas localizadas nas proximidades das costas iranianas― e intentarem inspecionar o primeiro barco mercante desse

país, desatar-se-á uma chuva de projéteis em uma e em outra direção. Será o momento exato em que se iniciará a terrível guerra. Não é possível prever quantas naves se afundarão nem de que bandeira.

Saber a verdade a tempo é para nosso povo o mais importante.

Não importa que quase todos por natural instinto, poderia se dizer que 99,9 por cento ou mais dos meus compatriotas, conservem a esperança e coincidam comigo na vontade sincera de estarem enganados. Tenho falado com pessoas dos círculos mais próximos e ao mesmo tempo tenho recebido

notícias de tantos cidadãos nobres, abnegados e cumpridores de seu dever, que ao lerem minhas Reflexões não impugnam no mais mínimo suas considerações, assimilam, acreditam e engolem a seco os raciocínios que exponho, contudo, dedicam logo o seu tempo a cumprirem com o trabalho, ao qual consagram suas energias.

É isso precisamente que desejamos de nossos compatriotas. O pior é que de repente se conheçam as notícias de gravíssimos acontecimentos, sem ter escutado antes alguma notícia sobre tais possibilidades, então espalhar-se-á o desconcerto e o pânico, que seria indigno de um povo heroico como o cubano, que esteve a ponto de se tornar alvo de um ataque nuclear maciço em outubro de 1962, e não hesitou um instante em cumprir com o dever.

No desempenho de heroicas missões internacionalistas, combatentes e chefes valentes das nossas Forças Armadas Revolucionárias estiveram a ponto de ser vítimas de ataques nucleares contra as tropas cubanas que se aproximavam da fronteira sul de Angola, onde as forças racistas sul-africanas tinham sido desalojadas após a batalha de Cuito Cuanavale e se entrincheiravam na fronteira com a Namíbia.

O Pentágono, com o conhecimento do Presidente dos Estados Unidos, forneceu aos racistas sul-africanos ao redor de 14 armas nucleares através de Israel, mais poderosas do que as que foram lançadas sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, como explicamos em outras reflexões.

Não sou profeta nem adivinho. Ninguém me informou uma palavra do que ia acontecer, tudo tem sido fruto do que hoje qualifico como o raciocínio lógico.

Não somos novatos nem entremetidos neste complicado tema.

No pós-crise nuclear, pode-se augurar o que acontecerá no resto da América de língua ibero-americana.

Em tais circunstâncias, não se poderá falar de capitalismo ou socialismo. Só se abrirá uma etapa de administração dos bens e serviços disponíveis nesta parte do continente. Inevitavelmente continuarão

governando cada país os que hoje estão chefiando os governos, vários muito próximos do socialismo e outros cheios de euforia pela abertura de um mercado mundial que hoje se abre para os combustíveis, o urânio, o cobre, o lítio, o alumínio, o ferro, e outros metais que na atualidade são enviados para os países desenvolvidos e ricos que desaparecerão repentinamente.

Abundantes alimentos que hoje são exportados para esse mercado mundial também desaparecerão de forma abrupta.

Em semelhantes circunstâncias, os produtos mais elementares que se precisam para viver: os alimentos, a água, os combustíveis e os recursos do hemisfério a sul dos Estados Unidos, abundam para manter um pouco de civilização, cujos avanços descontrolados têm dirigido a humanidade a

semelhante desastre.

Contudo, ainda há coisas muito incertas, poderão se abster as duas potências nucleares mais poderosas -os Estados Unidos e a Rússia- de empregar uma contra a outra suas armas nucleares?

Do que não há dúvida nenhuma é que da Europa, as armas nucleares da Grã-bretanha e da França, aliadas aos Estados Unidos e a Israel ―que impuseram com entusiasmo a resolução que inevitavelmente desatará a guerra, e esta, pelas razões explicadas, de imediato se tornará nuclear―, ameaçam o território russo, embora o país ao igual que a China tente evitar na medida das forças e das possibilidades cada uma delas.

A economia da superpotência se derrubará como um castelo de cartas. A sociedade norte-americana é a menos preparada para suportar uma catástrofe como a que o império tem criado no próprio território donde partiu.

Ignoramos quais serão os efeitos ambientais das armas nucleares, que inevitavelmente estourarão em várias partes do nosso planeta, e que na variante menos grave, serão produzidas em abundância.

Aventurar hipótese seria pura ficção científica da minha parte.



Fidel Castro Ruz



27 de junho de 2010



14h15

RPDC reitera necessidade de fortalecer disuasivo ante ameaça EAU.

Escrito por Beatriz Quintana Valle

Pyongyang, 28 jun (Prensa Latina) Coréia Democrática advertiu hoje que a anormal situação criada em lhe Península reafirma a necessidade de continuar fortalecendo o disuasivo nuclear ante a persistente política hostil e ameaça militar dos Estados Unidos contra este país.

Um porta-voz do Ministério de Relações Exteriores fez as declarações ao recordar a recente divulgação de documentos que revelaram planos de Washington para um ataque nuclear contra a República Popular Democrática da Coréia (RPDC) em 1969, quando o incidente pelo derrubo do avião espião norte-americano EC-121.

Acrescentou que igual se fez em 1954 pouco depois da Guerra da Coréia (1950-53), para mirar golpes desse tipo a vários pontos do território setentrional da península e do nordeste da China, de acordo com a agência de notícias KCNA.

O vocero denunciou que todo isso constitui outra prova de que Estados Unidos está atento a qualquer oportunidade para utilizar as armas nucleares contra este país, em correspondência com sua política de força.

Os fatos históricos demonstram que a decisão da Coréia Democrática de fazer frente às armas nucleares com as mesmas é justa, assegurou.

Por outra parte, o diário Rodong Sinmun, ao referir-se aos mencionados planos, assinala que estes reafirmam de onde prove a verdadeira ameaça nuclear na Península, baixo a qual o território norte vive desde faz décadas, agrega.

Recorda que a partir da segunda metade da década do 50 do século passado, Washington começou a introduzir armas nucleares em Surcorea, estimadas em mais de mil em meados da década do 70.

Ademais, não deixa de realizar exercícios de guerra nuclear contra a RPDC, reitera.

Insiste em que o disuasivo norcoreano é a garantia da defesa de seus interesses supremos e segurança, ao reduzir o perigo de uma guerra desse tipo.

Se Estados Unidos realmente deseja a solução do problema nuclear da Península Coreana deve cessar suas ameaças nucleares contra a RPDC, retirar suas forças do Sur e pôr fim à política hostil contra Pyongyang, adverte o rotativo.



bq/ocs/lam

 28 de junio de 2010 

segunda-feira, 28 de junho de 2010

sábado, 26 de junho de 2010

EU BEM GOSTARIA ESTAR ENGANADO / FIDEL

REFLEXÕES DO COMPANHEIRO FIDEL



Quando estas linhas sejam publicadas no jornal Granma amanhã sexta-feira, o dia 26 de julho, data em que sempre recordamos com orgulho a honra de ter resistido os embates do império, ficará distante, apesar de que faltam apenas 32 dias.

Os que determinam cada passo do pior inimigo da humanidade ­―o imperialismo dos Estados Unidos, uma mistura de mesquinhos interesses materiais, desprezo e subestimação às demais pessoas que habitam o planeta― calcularam tudo com precisão matemática.

Na reflexão do dia 16 de junho escrevi: “Entre jogo e jogo da Taça Mundial de Futebol, as diabólicas notícias vão sendo colocadas de pouco e pouco, de maneira que ninguém se ocupe delas”.

O famoso evento esportivo tem entrado em seus momentos mais emocionantes. Durante 14 dias, as equipes integradas pelos melhores futebolistas de 32 países têm estado competindo para avançar rumo à fase de oitavos de final; depois virão sucessivamente as fases de quartos de final, semifinais e o final do evento.

O fanatismo esportivo cresce incessantemente, cativando centenas e talvez milhares de milhões de pessoas em todo o planeta.

Contudo, haveria que se perguntar quantos sabem que desde o dia 20 de junho naves militares norte-americanas, incluído o porta-aviões Harry S. Truman, escoltado por um ou mais submarinos nucleares e outros navios de guerra com mísseis e canhões mais potentes do que os velhos couraçados utilizados na última guerra mundial entre 1939 e 1945, navegavam rumo ás costas iranianas através do canal de Suez.

Junto das forças navais ianques avançam barcos militares israelitas, com armamento igualmente sofisticado, para inspecionar toda a embarcação que parta para exportar e importar produtos comerciais que o funcionamento da economia iraniana precisa.

O Conselho de Segurança da ONU, a proposta dos Estados Unidos, com o apoio da Grã-bretanha, a França e Alemanha, aprovaram uma dura resolução que não foi vetada por nenhum dos cinco países que ostentam esse direito.

Outra resolução mais dura foi aprovada por acordo do Senado dos Estados Unidos.

Com posterioridade, uma terceira, ainda mais dura, foi aprovada pelos países da Comunidade Européia. Tudo aconteceu antes de 20 de junho, o que motivou uma viagem urgente do Presidente francês Nicolás Sarkozy à Rússia, segundo notícias, para entrevistar-se com o chefe de Estado desse poderoso país, Dmitri Medvédev, com a esperança de negociar com o Irã e evitar o pior.

Agora se trata de calcular quando as forças navais dos Estados Unidos e do Israel se desdobrarão frente às costas do Irão, para se juntar ali aos porta-aviões e demais navios militares norte-americanos que estão de plantão nessa região.

O pior é que, igual do que os Estados Unidos, Israel, o seu gendarme no Oriente Médio, possui moderníssimos aviões de ataque e sofisticadas armas nucleares fornecidas pelos Estados Unidos, que o tornou a sexta potência nuclear do planeta por seu poder de fogo, entre as oito reconhecidas como tais, que incluem a Índia e o Paquistão.

O Xá da Pérsia fora derrocado pelo Ayatollah Ruhollah Khomeini em 1979 sem empregar uma arma. Os Estados Unidos depois lhe impuseram a guerra àquela nação com a utilização de armas químicas, cujos componentes forneceu ao Iraque junto da informação requerida por suas unidades de combate e que foram empregues por estas contra os Guardiães da Revolução. Cuba sabe disso porque na altura era, como temos explicado outras vezes, Presidente do Movimento de Países Não- Alinhados. Sabemos bem dos estragos que causou em sua população. Mahmud Ahmadineyad, hoje chefe de Estado no Irão, foi chefe do sexto exército dos Guardiães da Revolução e chefe dos Corpos dos Guardiães nas províncias ocidentais do país, que suportaram o peso principal daquela guerra.

Hoje, em 2010, tanto os Estados Unidos quanto Israel, após 31 anos, subestimam o milhão de homens das Forças Armadas do Irão e sua capacidade de combate por terra, e às forças de ar, mar, e terra dos Guardiães da Revolução.

A elas se acrescentam os 20 milhões de homens e mulheres, entre 12 e 60 anos, escolhidos e treinados sistematicamente por suas diversas instituições armadas entre os 70 milhões de pessoas que habitam o país.

O governo dos Estados Unidos elaborou um plano para levar a cabo um movimento político que, apoiando-se no consumismo capitalista, dividisse os iranianos e derrocasse o regime.

Tal esperança já é inócua. Resulta risível pensar que com as naves de guerra estadunidenses, unidas às israelitas, despertem as simpatias de um só cidadão iraniano.

Por minha parte acreditava inicialmente, ao analisar a atual situação, que a contenda começaria pela península da Coréia, e ali estaria o detonante da segunda guerra coreana que, por sua vez, daria lugar de imediato à segunda guerra que os Estados Unidos lhe imporiam ao Irão.

Agora, a realidade muda as coisas em sentido inverso: a do Irão desatará de imediato à da Coréia.

A direção da Coréia do Norte, que foi acusada do afundamento do “Cheonan”, e sabe de sobra que foi afundado por una mina que os serviços de inteligência ianque conseguiram colocar no casco dessa nave, não esperará um segundo em agir logo que no Irão se inicie o ataque.

É muito justo que a torcida do futebol desfrute a seu bel-prazer das competições da Taça do Mundo. Cumpro apenas com o dever de fazer um apelo ao nosso povo, pensando sobretudo em nossa juventude, plena de vida e esperanças, e especialmente em nossas maravilhosas crianças, para que os fatos não nos apanhem por surpresa, absolutamente desprevenidos.

Doe-me pensar em tantos sonhos concebidos pelos seres humanos e as assombrosas criações das que têm sido capazes em apenas uns poucos milhares de anos.

Quando os sonhos mais revolucionários se estão cumprindo e a Pátria se recupera firmemente, eu bem gostaria estar enganado!



Fidel Castro Ruz

24 de junho de 2010

21h34

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Brigada de Luta Contra o Terrorismo Midiático

CUBA


Publicado por: Redação Cuba Viva 24 jun, 2010

Brigada de Luta contra o Terrorismo Midiático.


15 a 28 de Novembro de 2010.

Convocatória.

Estimado Amigo (a):

Antes de tudo receba um abraço fraternal do Instituto Cubano de Amizade com os Povos.


Já faz alguns anos que se observa a ofensiva na internet contra os povos que lutam pela sua liberdade. A Web é o novo cenário desta luta e os primeiros meses deste ano de 2010 colocou em evidência o emprego destas novas tecnologias contra Cuba mediante uma feroz campanha midiática onde prevalecem a mentira, a traição e a desonra.


Cuba não é a única vítima. Todos os povos tem sofrido o acosso e fustigamento midiático. Hoje o combate é ainda mais encarniçado. É necessário fazer frente com mente fria e coração ardente, de forma coordenada e com a caneta em riste.


Por esta razão, nosso Instituto juntamente com outras instituições cubanas e com o apoio de Cubainformación, convoca para a primeira edição da Brigada Mundial de Luta contra o Terrorismo Midiático. Esperamos contar com a presença de amigos e amigas vinculados aos meios de imprensa e à atividade divulgativa pela solidariedade entre os povos.


O programa previsto de 15 a 28 de novembro de 2010, compreende visitas, intercâmbios e conferências relacionadas com o tema dos meios em Cuba, as diretrizes desta batalha e a projeção de acordos para fortalecer a colaboração entre todos los participantes. Os delegados assistirão também ao VI Colóquio pela Liberdade dos Cinco Herois cujo programa concebe uma oficina de trabalho com os meios participantes como uma das sessões de trabalho mais importantes.


A estada inclui 6 noites no Acampamento Internacional “Julio Antonio Mella” (CIJAM), município de Caimito a 45 Km da Cidade de Havana e 6 noites em uma instalação na província de Holguín durante a realização do VI Colóquio peos Cinco. Todo o pacote (alojamento, pensão alimentícia completa e transporte) terá um custo de 310.00 CUC por pax (cerca de R$ 650,00) em apartamentos compartilhados (até para 4 pessoas no CIJAM). As visitas opcionais não estão incluidas no preço do pacote. A estada no CIJAM por noite adicional custará 10.00 CUC por pax.


Muito nos agradará contar com sua participação e experiência nos meios de imprensa de seu país. As inscrições estarão abertas para os interessados até 10 de outubro de 2010. Pedimos que nos mantenham informados de seu horário de voo (data, hora e linha aérea) de chegada e saida para organizarmos sua recepção.

Brigada de Luta contra o Terrorismo Midiático

15 a 28 de Novembro de 2010



Programa


Segunda-feira, 15 de novembro

Chegada dos participantes e alojamento no CIJAM


Terça-feira, 16 de novembro

06:30 AM Transfer a Holguín para participar no VI Colóquio


(com noite de trânsito no ICAP Villa Clara)


Quarta-feira, 17 de novembro


07:00 AM Continuação do transfer a Holguín

01:30 PM Chegada ao Hotel. Alojamento e almoço


03:00 PM Recebimento, reunião de informação e inscrição das delegacioes estrangeiras na EXPO-HOLGUIN



Quinta-feira, 18 de novembro


09:30 AM Abertura do VI Colóquio


10:00 AM Atualização sobre o caso dos Cinco


Encontro com familiares dos Cinco na Expo-Holguín


12:30 PM Almoço na Expo-Holguín

02:30 PM Intercâmbio das delegações estrangeiras por área geográfica



Sexta-feira, 19 de novembro

08:00 AM Trabalho produtivo voluntário em organopônicos e plantio de árvores


12:30 AM Almoço na Expo-Holguín


02:30 PM Encontros dos delegados segundo diferentes setores profissionais


04:30 PM Reunião da Comissão Nacional de Atenção ao Trabalho dos Cinco do ICAP e do Comitê Internacional com representantes das organizaciones de solidariedade e Comitês pelos Cinco presentes ao Colóquio, na Expo-Holguín



Sábado, 20 de novembro


08:00 AM Marcha da Solidariedade


08:30 AM Encontro no Monumento a Che


10:00 AM Sessão Plenária do VI Colóquio


12:30 PM Almoço


02:30 PM Aprovação da Declaração Final e Plano de Ação


03:30 PM Conclusões


08:30 PM Encontro com os Comitê de Defesa da Revolução



Domingo, 21 de novembro

09:00 AM Intercâmbio nos municípios sobre o trabalho pela Libertação dos Cinco

Lugar: todos os municípios da província


09:30 AM Audiência Pública contra o Terrorismo
Lugar: Boca de Samá

08:00 PM Atividade Cultural saudando o 50º aniversário do ICAP


Segunda-feira, 22 de novembro

06:30 AM Regresso a Havana, Acampamento Julio Antonio Mella


(com alojamento de trânsito no ICAP Villa Clara)



Terça-feira, 23 de novembro


08:00 AM Continuação do transfer a Havana (CIJAM)

01:00 PM Recepção no CIJAM: alojamento, almoço e descanso


04:00 PM Inauguração oficial do programa da Brigada pela presidenta do ICAP, cuja intervenção definirá os objetivos e resultados esperados na realização deste projeto

Noite Inauguraçao da Exposição de produtos de comunicação do ICAP



Quarta-feira, 24 de novembro


10:00 AM Conferência MIC-UPEC no CIJAM


12:30 PM Almoço

02:30 PM Visita à UCI


Noite Livre no CIJAM



Quinta-feira, 25 de novembro

08:30 AM Saída para a Cidade de Havana


10:00 AM Encontro sobre a situação e perspectiva das relações bilaterales CUBA-EUA na Casa de Amizade

12:30 PM Almoço na Casa de Amizade


02:30 PM Atualização sobre a economía cubana por jornalista especializado no tema



Noite Livre na cidade



Sexta-feira, 26 de novembro


10:00 AM Conversa sobre a sociedade civil em Cuba, no CIJAM


12:30 PM Almoço


03:00 PM Intercâmbio com a imprensa no CPI


05:30 PM Apresentação do portal www.siempreconcuba.cu e recepção


Noite Livre na cidade

Sábado, 27 de novembro

Manhã Visita e jornada de trabalho em meio de imprensa cubano: Cubadebate e/ou Rádio Habana Cuba


12:30 PM Almoço


Tarde Visita ao ICAIC


Noite Livre na cidade


Opcional Evento cultural (lírico ou ballet)



Domingo, 28 de novembro

Regresso aos seus países.



Preço do pacote por pax : 310. 00 CUC (aprox. R$ 650,00)



INCLUI


• Visitas segundo programa descrito


• Alojamento segundo itinerário


• Refeições segundo programa


• Entradas


• Traslados


• Assistência direta permanente


• DVD Promocional


• Revista Habanera



NÃO INCLUI


• Refeições adicionais


• Voos Domésticos e/ou Internacionais


• Impostos aeroportuários


• Excesso de bagagem

• Bebidas alcoólicas, refrigerantes ou água mineral


• Chamadas telefônicas pessoais locais ou internacionais


• Visitas a outras instituções cubanas que devam ser pagas em divisas


• Atividades opcionais



Notas:

• Devem notificar progressivamente as vendas

• Cada noite extra no CIJAM tem um custo neto de 10.00 CUC por pax não comissionável para as agências


• As atividades opcionais devem ser pagas pelos brigadistas em dinheiro diretamente no CIJAM (lugar do alojamento)

• Este preço do pacote é NETO, não comissionável


informações:

Associação Cultural José Martí de SC

48 30252991 / 99469441

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Cuba em preparativos de Festival Mundial Juvenil

Miércoles, 23 de junio de 2010


23 de junio de 2010, 06:49Beijing, 22 jun (Prensa Latina) Cuba ratificará seu pleno apoio ao XVII Festival Mundial da Juventude e os Estudantes numa próxima reunião preparatoria de cita-a em Coréia Democrática, adiantaram hoje membros da delegação da ilha ao encontro.


Esse é a mensagem que levamos a Pyongyang, precisou em declarações a Imprensa Latina Yoel Do Sol Deita, do departamento de Relações Internacionais da União de Jovens Comunistas (UJC), quem recordou que o respaldo inclui as experiências de seu país como participante nesses foros e organizador de suas edições de 1978 e 1997.


Integrada também pela presidenta da Organização de Pioneiros José Martí e membro do Buró Nacional da UJC, Yamilé Ramos, e sua homóloga da Federação Estudiantil Universitária (FEU), Gladys Gutiérrez, a representação cubana cumpre um trânsito nesta capital, onde será recebida por contrapartes chinesas.


Do Sol explicou que o objectivo desta gira, iniciada em Vietnã, é estrechar as relações com organizações anfitriãs e jovens cubanos que estudam no mencionado país e Chinesa para conhecer sobre seu labor e inquietudes e também lhes informar sobre o Festival que realizar-se-á em Suráfrica em dezembro próximo.


A reunião da capital norcoreana realizar-se-á a partir de amanhã quinta-feira e até o 1 de julho, com a assistência de delegados de outras nações de América, Europa, Africa e Ásia, e de agrupamentos regionais como a Organização Continental Latinoamericana e Caribeña de Estudantes, representada nesta ocasião pela titular da FEU.


O encontro analisará todo quanto se faz com vista ao Festival, incluída a constituição dos comités nacionais preparatorios, e sua promoção a fim de garantir a maior participação possível nesse foro de reconhecido carácter antiimperialista e cuja continuidade Cuba defende, segundo precisou Do Sol.


mb/mgt/lam

terça-feira, 22 de junho de 2010

Cuba eleita vice-presidente do Conselho dos Direitos Humanos

GENEBRA. — Cuba foi eleita, em 21 de junho,

 Vice-presidente do Conselho dos Direitos Humanos (CDH), o órgão principal das Nações Unidas especializado na promoção e na proteção deste tema, noticiou a PL.

Durante uma sessão organizativa anual desta instância, seus membros decidiram por aclamação a eleição do embaixador cubano em Genebra, Rodolfo Reyes Rodríguez, para o cargo, o que foi considerado um reconhecimento ao trabalho da Ilha no setor.

“A eleição de Cuba para este importante cargo é um reconhecimento à exemplar execução e à obra da Revolução cubana a favor dos direitos humanos de seu povo e de todo o mundo”, precisa uma declaração da Embaixada cubana em Genebra.

“É, também, uma clara confirmação do respeito ao desempenho comprometido e ativo de nosso país — membro fundador do CDH — em defesa da verdade e da justiça e a sua liderança na reivindicação das causas mais nobres”, acrescenta.

Precisa a nota que “esta eleição constitui uma rotunda resposta da comunidade internacional à brutal campanha política anticubana na mídia, reforçada nos últimos meses pela reação internacional”.

Reyes, que ocupará a vice-presidência correspondente ao Grupo da América Latina e o Caribe (Grulac), cumprirá seu mandato como membro da Mesa Diretiva do Conselho, até junho de 2011.

O embaixador da Tailândia, Sihasak Phuangketkeow, foi eleito para presidir o órgão no mesmo período. Segundo a prática, cabe aos membros da Mesa conduzir o processo de revisão do CDH, que terá lugar nos próximos 12 meses de trabalho.

“Cuba contribuirá substancialmente para este trabalho, a partir de sua ampla experiência como membro do órgão e da desaparecida Comissão dos Direitos Humanos”, aponta a nota.

Constituição equatoriana proclama o Estado unitário plurinacional

Escrito por Erica Soares
22 de junio de 2010, 10:59Quito, 22 jun (Prensa Latina)

 O presidente da Assembleia Nacional equatoriana, Fernando Cordero, ratificou o compromisso dessa instituição de adotar ações de caráter legislativo tendentes a desenvolver os direitos coletivos das comunas, comunidades, nacionalidades e povos do país.


Cordero destacou que o Parlamento é um espaço democrático que crê profundamente na Constituição, a qual reconhece o Equador como um Estado constitucional de direitos e justiça, democrático, soberano, independente, unitário, intercultural, plurinacional e laico.


O titular do Poder Legislativo formulou esta declaração ao receber ontem uma grande delegação da Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie) como parte da "Marcha por um Estado Plurinacional", que saiu de Puyo há 11 dias e chegou na segunda-feira a Quito.


O encontro produziu-se no antigo Salão do Senado, onde saudou cordialmente com os presidentes da Conaie, Marlon Santi; e, da Ecuarunari, Delfín Tenesaca, bem como com os congressistas Gerónimo Yantalema e Diana Atamaint.


Ao entregar a proposta dessa organização orientada a construir um estado plurinacional, Santi recordou que a marcha teve como propósito comemorar os 20 anos do primeiro levantamento indígena, de 28 de maio a 11 de junho de 1990.


Explicou que "a proposta exige do governo o respeito aos territórios indígenas, porque assim consta na Constituição e a construção de um verdadeiro estado plurinacional, onde todos os setores possam participar dos debates e da tomada de decisões."


Cordeio manifestou-lhes que nesse contexto se cumprem políticas públicas para fazer realidade este princípio constitucional, ao mesmo tempo que citou a consulta pré-legislativa que há 20 anos não existia e hoje se aspira a incluir na Lei Orgânica para precautelar os direitos coletivos.


Agregou que também se tramita um projeto de lei que busca coordenação entre a justiça indígena e a ordinária, no marco do regulamento constitucional, e anunciou que a proposta da Conaie será distribuída para sua análise entre os 124 congressistas.



lac/prl/es

Raúl recebeu embaixador do Brasil em Cuba

O presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros, general-de-exército Raúl Castro Ruz, recebeu o embaixador do Brasil em Cuba, Exmo senhor Bernardo Pericás Neto, por ocasião do término de sua missão em Cuba.
Durante o encontro, o presidente cubano enviou uma saudação ao presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, agradeceu ao diplomata por seu trabalho em nosso país desde março de 2007, e se referiu positivamente ao desenvolvimento das relações entre os dois países.

O embaixador brasileiro esteve acompanhado de sua esposa, Maria Clemência del Carpio de Pericás, Pela parte cubana marcou presença o ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez Parrilla.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Quem é terrorista na Colômbia?

Semanário VOZ, edição 2542

Por: Carlos A. Lozano Guillén

A senadora Piedad Córdoba (Partido Liberal) questionou em dias passados, em Madri, Espanha, a inconveniência de que a União Européia mantenha na "lista de organizações terroristas" as FARC e o ELN, gurpos insurretos colombianos, de natureza política e militar e partes de um conflito de longas décadas no país. Realmente é inconsequente, se a UE aspira a contribuir para a paz na Colômbia e para a saída política do conflito armado, manter essa decisão claramente imposta pelas pressões dos governos colombiano e norte-americano, sócios da guerra contra o nosso povo.


Apesar de que a inclusão nessa lista das guerrilhas colombianas foi em 2002, posteriormente França e Espanha, acompanhadas da Suiça, que não é membro da União Européia e não considera como terroristas as FARC e o ELN, contribuiram como "países amigos" para a libertação de detidos em razão do conflito armado e na busca do intercâmbio (troca) humanitária de prisioneiros de guerra. Com dois de seus emissários, Noé Sáenz e Jean Pierre Gontard, processados e perseguidos com o pretexto de que seus nomes constam os computadores de Raúl Reyes (assassinado no Equador em 2008).


Muito oportuna a alusão de Piedad Córdoba e, além disso, necessária de ser atendida, porque se existe a disposição da União Européia de contribuir no futuro para a paz da Colômbia diante do fracasso da guerra uribista, tem que adotar decisões que facilitem seu papel neste sentido. O contrário é quase que autoexcluir-se de uma gestão humanitária, própria de um coflito de natureza política e social como o colombiano.


Lembro que quando se adotou a decisão em junho de 2002, encontrava-me na Europa, em um giro, quase que solitário, promovendo a idéia da troca de prisioneiros ou intercâmbio humanitário, no início do primeiro governo de Álvaro Uribe Vélez, que não aceitava qualquer compromisso sobre o tema, muito menos para a paz negociada. Diante de funcionários das chancelarias da Espanha, Suécia, Áustria, França, Itália, Bélgica e do Vaticano, deixei claro que essa decisão não contribuia para o futuro papel dos europeus como facilitadores ou mediadores de paz em nosso país. O que seria, na eventualidade de aproximações entre as partes, quase que indispensável, porque a desconfiança recíproca ia ser um fator de perturbação e obstáculo.


Observei que as chancelarias, pelo menos a maioria delas, tinham a mesma percepção. Mas foi o funcionário espanhol, ainda no governo de José Mária Aznar, que me deu a explicação de fundo: "Não podemos eludir a exigência do irmão maior", me disse. Resta dizer que o "irmão maior" era o governo de George W. Bush, sócio da Espanha e da Grã-Bretanha na agressão terrorista ao povo iraquiano. É parte da hipocrisia destes países em temas fundamentais nos quais prima o interesse de classe. Simplesmente isso.


* Carlos Lozano é membro do Burô Político do Partido Comunista Colombiano e editor do jornal "VOZ".

A Usaid e as "empreiteiras": face da subversão contra Cuba

Jean-Guy Allard

• CONGRESSISTAS federais liberaram, em 7 de junho, uns US$15 milhões para financiar as operações de subversão em Cuba, que se realizam através de firmas empreiteiras da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid) e de mercenários ligados à máfia cubano-americana.

Segundo a imprensa de Miami, o Departamento de Estado e a Usaid entregarão "nos próximos meses" estas verbas a pessoal remunerado pela Repartição Consular dos Estados Unidos em Havana, por intermédio de "empreiteiros".

O senador George Lemieux, republicano pela Flórida, como porta-voz das organizações que beneficiam do programa norte-americano de anexação da Ilha, declarou: "Estou satisfeito porque o Departamento de Estado liberou finalmente estas importantes verbas".

Há décadas, a Usaid arquiteta planos de ingerência que têm por objetivo a derrubada da Revolução Cubana, através de uma cadeia de ações ilegais, com absoluto menosprezo por sua soberania.

Entre os representantes que louvaram a iniciativa sobressai Mauricio Claver-Carone, diretor do Comitê de Ação Política (PAC) U. S. Cuba Democracy, que financia com milhões de dólares a campanha dos políticos que demonstram sua hostilidade a Cuba.

Entre os membros mais influentes deste grupo lobista está a empresária milionária Remedios "Reme" Díaz Oliver, conhecida por defraudar o serviço federal de impostos. Claver-Carone e seus chefes — vários deles do terrorista Cuba Liberation Council — não deixam de proclamar seu apoio ao bloqueio norte-americano à nação caribenha.

UM "SEGREDO" QUE CONFIRMA A ILEGALIDADE

Os funcionários do Departamento de Estado e da Usaid guardaram o segredo da liberação das verbas para operações ilícitas, mas o pessoal de Lemieux — eleito graças a seus amigos que vivem do negócio "anti-Castro" — admitiu que seu escritório recebeu "verbalmente" o aviso.

Sob o caráter "secreto" das operações do "Plano Cuba", o Departamento de Estado e a Usaid reconheceram que transgridem as leis cubanas e expõem seus agentes ao tratamento pertinente.

Para o povo norte-americano sempre se mantém o mito de que os milhões são destinados à distribuição de computadores, remédios e ajuda a parentes de mercenários presos.

Contudo, as operações mais barulhentas da Usaid correspondem, entre outras coisas, a um plano muito mais amplo de sedição com múltiplas tentativas de fragmentação da sociedade cubana, assessoria estratégica aos chamados "dissidentes", campanhas de deturpação e estabelecimento de redes paralelas de comunicação via satélite concebidas pela CIA, e características de operações de inteligência.

As verbas agora liberadas foram suspensas no início de 2009, após vários escândalos de fraude descobertos pelo Escritório de Auditoria Federal, em que estavam envolvidos figuras muito conhecidas da máfia cubano-americana.

Frank Calzón — ex-terrorista do grupo Abdala — viu-se envolvido num vergonhoso desfalque em 2007, após uma auditoria revelar que o braço direito dele, Felipe Sixto, tinha "feito desaparecer" meio milhão de dólares entregues pela Usaid a sua organização.

Entre os primeiros que se alegraram do reinício da dança dos milhões, encontravam-se mais dois especialistas em desvio de dinheiro: Frank Hernández Trujillo, chefe do Grupo de Apoio aos Dissidentes — que usava os subsídios na compra de lagostas, chocolates, e jogos Nintendo — e Orlando Gutiérrez Boronat, chefe do Diretório Democrático Cubano, veterano não só da US Army, mas também em vigarice.

A imprensa mafiosa da Flórida se abstém de mencionar o fato de que Caleb McCarry, ex-chefe do Plano Bush de anexação de Cuba, subvencionou com US$6,5 milhões do dinheiro da Usaid outra firma "empreiteira": a Criative Associates International, que, dois meses depois de abandonar seu cargo de funcionário, o "contratou".

Também não menciona que Adolfo Franco, ex-diretor da América Latina na Usaid, que encobriu desvios de verbas, não foi até hoje acusado de nada.

O presidente Barack Obama indicou recentemente para este mesmo cargo Mark Feierstein, experto em campanhas políticas com dossiê sulfuroso. Como "gerente de projeto" na Nicarágua na década de 1990, comandou a operação suja realizada pela National Endowment for Democracy (NED), subsidiária da Usaid, para derrubar o governo sandinista. •

"CHUCKY SANTOS" É ACIONISTA DA EMPRESA DE LOGISTICA ELEITORAL COLOMBIANA

Rádio del Sur

DOMINGO, 20 DE JUNHO DE 2010


A denúncia, que vincula o candidato presidencial do partido da U, Juan Manuel Santos, com a empresa Unión Temporal Dispoel, responsável pela logística das eleições na Colômbia, feita pelo senador Gustavo Petro, baseiam-se em um conjunto de documentos cujas copias foram obtidas pela Rádio del Sur nesta quarta-feira.


Petro denunciou que a empresa Unión Temporal Disproel, contratada pela Registradoría Nacional do Estado Civil (autarquia que organiza as eleições na Colômbia) para a distribuição de formulários, kits eleitorais o subsequente recolhimento do material eleitoral das zonas eleitorais, foi constituída por consórcio de empresas relacionadas com Juan Manuel Santos.


Trata-se das empresas Tomas Greg y Sons de Colombia, Thomas Greg y Sons Limited, Tomas Greg Express e Thomas Greg Transportadora de Valores, que desde 2002 até 2006, teve em sua Diretoria o candidato presidencial de Uribe, como pode ser comprovado nos documentos publicados por Rádio del Sur.


O denunciante questionou que a Registradoria tenha contratado uma empresa na qual um dos candidatos a presidente foi parte da sua Diretoria e perguntou a essa autarquia se este era um sinal de transparência para os colombianos.


"A empresa Disproel confecciona as cédulas de testes utilizados no dia da eleição; confecciona os Kits Eleitorais e transporta o conjunto de formularios e cédulas aos municipios e aos locais de votação, incluse recolhem os formularios e as cédulas após a eleição, estas empresas as que cuidam o coração do processo eleitoral, não apenas no primeiro turno, mas também na rodada que está prestes a ocorrer neste domingo", disse Petro.


Para o líder do Pólo Democrático Alternativo há um ato muito "obscuro" na Registradoria, porque “não é transparente que estas empresas sejam justamente as contratadas”.


"Como é que a Registradoria estabelece contrato com empresas em que um dos membros pertence à Diretoria, na minha opinião é uma falta de delicadeza da Registradoria”, afirmou Petro, acrescentando também que, com essas revelações ninguém pode garantir que as próximas eleições sejam transparentes.

ÀS 10:23

Por todo o mundo, se lamenta a morte do grande escritor comunista português José Saramago.

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A literatura universal perde um de seus maiores mestres. De origens camponesas, apesar de ter trabalhado em diversos ofícios antes de se dedicar à escrita, Saramago nos propõe, a partir de seus romances, que reflitamos sobre alguns dos principais dilemas humanos.

Logo naquele que é considerado seu primeiro grande livro, chamado “Levantado do Chão”, nos descreve tão bem a tragédia do camponês do sul de Portugal na luta para ver a terra dividida.

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) sente profundamente a perda desse grande intelectual. Mas, acima de tudo, sentimos a perda de um amigo e camarada.

Amigo que sempre tivemos por perto na defesa das mesmas bandeiras de Reforma Agrária, igualdade e justiça social, sem nunca esconder a sua posição política.

Amigo do qual recebemos sempre solidariedade. Seja na forma de palavras, seja com ações concretas, como a que teve para conosco quando se somou à exposição e livro de fotografias Terra, juntamente com Sebastião Salgado e Chico Buarque, em 1997. Graças a essa iniciativa, pudemos iniciar a construção de nossa escola nacional.

Ou quando recusou, em agosto de 1999, receber o título de doutor “honoris causa” no Pará, em sinal de protesto contra o andamento do julgamento do massacre de 19 Sem Terra em Eldorado dos Carajás, em 17 de abril de 1996.

Nós, Sem Terra do Brasil, seremos sempre gratos à sua solidariedade. E nossa maior homenagem lhe prestamos por meio da nossa luta por uma vida digna para os trabalhadores rurais do Brasil e do mundo.

E assim como ele seguiremos solidários com todos os povos oprimidos, como do Haiti e da Palestina.

Suas palavras e seu exemplo continuarão sempre a incitar a nossa reflexão e luta, como essas:

O mal é não estarmos organizados, devia haver uma organização em cada prédio, em cada rua, em cada bairro, Um governo, disse a mulher, Uma organização, o corpo também é um sistema organizado, está vivo enquanto se mantém organizado, e a morte não é mais do que o efeito de uma desorganização,… (José Saramago, em "Ensaio Sobre a Cegueira")

Secretaria Nacional do MST

Suspiros lusitanos

Por Ademar Bogo

Da coordenação nacional do MST

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Se um suspiro, leve e lusitano

Zumbir nas almas das nações imensas

É o comunista que para além das crenças

Silenciosamente da vida física se dispensa.

Vai pessoalmente viver a eternidade

E olhar de perto na tez do criador

Que pelas criaturas foi subjugado

E obrigado a justificar o horror.

Irá verificar que as guerras entre os deuses não existem

Pois são apenas conflitos da existência

Que os homens criam e põe-se a conflitar

Pedindo a Deus que tome providências.

E faça sempre o mais forte vitorioso

Abençoado pelas cruéis vitórias

Para deixar nos livros registrados

Os escritos que reflitam a superior memória.

Tudo o que disse são sobre os seus dilemas

Ficam como dizeres formulados

Se não dava nem acreditava em conselhos

É porque queria vê-los por conta experimentados.

Os próprios passos seriam os conselheiros

E os conselheiros caminhantes e aprendizes;

Se os erros deveriam ser experiênciados

Com os acertos formariam matrizes.

Era a crença de um apaixonado

Que a si mesmo o saber se concedeu

Porque acima de todas as verdades

Acreditava que não existe o absoluto ateu.

Por sobre as oliveiras e as corticeiras

Versos e letras irradiarão verdades

A qualquer tempo virarão consciências

E viverás nos povos em forma de saudades.

Assim abrimos o tempo enlutado

Para purgar a dor do prejuízo humano

Se no passado choramos escravizados

Hoje, nossos suspiros também são lusitanos*.

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* Os lusitanos (povos Lusis) constituíram um conjunto de povos ibéricos pré-romanos de origem indo-europeia que habitaram a parte Oeste da Península Ibérica Em 29 a.C., tendo à frente o líder Viriato, resistiram a invasão, através de guerrilhas e emboscadas. Mais tarde foi criada a província romana da Lusitânia nos territórios, que atualmente é Portugal. Por esta razão, os povos que falam línguas que tem como tronco a língua indo-europeia, como português e espanhol, principalmente, somos todos descendentes do povo guerreiro, lusitano. Por isso, choramos a morte do irmão e companheiro José Saramago, falecido em 18 de junho de 2010

Leia prefácio do livro "Terra" escrito por José Saramago

19 de junho de 2010



O massacre de Eldorado dos Carajás completava um ano. Dezenove integrantes do MST haviam sido brutalmente assassinados pela polícia. Em abril de 1997, o fotógrafo Sebastião Salgado, o escritor português José Saramago e o compositor Chico Buarque lançam um livro/cd para relembrar o fato e marcar a importância da luta pelo chão: Terra (Companhia das Letras, 1999).

As fotos de Salgado retratam de forma realista os assentamentos e a vida dos trabalhadores rurais. A introdução, a cargo de Saramago, é dura. Lembra das promessas não-cumpridas do governo brasileiro pela reforma agrária.

Entre as canções de Chico, duas exclusivas: Levantados do Chão (com Milton Nascimento) e Assentamento, que narra o sentimento de um migrante ao perceber que a cidade grande “não mora” mais nele. (informações de Brasil Almanaque da Cultura Popular)

Abaixo, leia o prefácio do livro, escrito por José Saramago

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É difícil defender

só com palavras a vida

(ainda mais quando ela é

esta que vê, severina).

João Cabral de Melo Neto

Oxalá não venha nunca à sublime cabeça de Deus a idéia de viajar um dia a estas paragens para certificar-se de que as pessoas que por aqui mal vivem, e pior vão morrendo, estão a cumprir de modo satisfatório o castigo que por ele foi aplicado, no começo do mundo, ao nosso primeiro pai e à nossa primeira mãe, os quais, pela simples e honesta curiosidade de quererem saber a razão por que tinham sido feitos, foram sentenciados, ela, a parir com esforço e dor, ele, a ganhar o pão da família com o suor do seu rosto, tendo como destino final a mesma terra donde, por um capricho divino, haviam sido tirados, pó que foi pó, e pó tornará a ser. Dos dois criminosos, digamo-lo já, quem veio a suportar a carga pior foi ela e as que depois dela vieram, pois tendo de sofrer e suar tanto para parir, conforme havia sido determinado pela sempre misericordiosa vontade de Deus, tiveram também de suar e sofrer trabalhando ao lado dos seus homens, tiveram também de esforçar-se o mesmo ou mais do que eles, que a vida, durante muitos milénios, não estava para a senhora ficar em casa, de perna estendida, qual rainha das abelhas, sem outra obrigação que a de desovar de tempos a tempos, não fosse ficar o mundo deserto e depois não ter Deus em quem mandar.

Se, porém, o dito Deus, não fazendo caso de recomendações e conselhos, persistisse no propósito de vir até aqui, sem dúvida acabaria por reconhecer como, afinal, é tão pouca coisa ser-se um Deus, quando, apesar dos famosos atributos de omnisciência e omnipotência, mil vezes exaltados em todas as línguas e dialectos, foram cometidos, no projecto da criação da humanidade, tantos e tão grosseiros erros de previsão, como foi aquele, a todas as luzes imperdoável, de apetrechar as pessoas com glândulas sudoríparas, para depois lhes recusar o trabalho que as faria funcionar - as glândulas e as pessoas. Ao pé disto, cabe perguntar se não teria merecido mais prémio que castigo a puríssima inocência que levou a nossa primeira mãe e o nosso primeiro pai a provarem do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. A verdade, digam o que disserem autoridades, tanto as teológicas como as outras, civis e militares, é que, propriamente falando, não o chegaram a comer, só o morderam, por isso estamos nós como estamos, sabendo tanto do mal, e do bem tão pouco.

Envergonhar-se e arrepender-se dos erros cometidos é o que se espera de qualquer pessoa bem nascida e de sólida formação moral, e Deus, tendo indiscutivelmente nascido de Si mesmo, está claro que nasceu do melhor que havia no seu tempo. Por estas razões, as de origem e as adquiridas, após ter visto e percebido o que aqui se passa, não teve mais remédio que clamar mea culpa, mea maxima culpa, e reconhecer a excessiva dimensão dos enganos em que tinha caído. É certo que, a seu crédito, e para que isto não seja só um contínuo dizer mal do Criador, subsiste o facto irrespondível de que, quando Deus se decidiu a expulsar do paraíso terreal, por desobediência, o nosso primeiro pai e a nossa primeira mãe, eles, apesar da imprudente falta, iriam ter ao seu dispor a terra toda, para nela suarem e trabalharem à vontade. Contudo, e por desgraça, um outro erro nas previsões divinas não demoraria a manifestar-se, e esse muito mais grave do que tudo quanto até aí havia acontecido.

Foi o caso que estando já a terra assaz povoada de filhos, filhos de filhos e filhos de netos da nossa primeira mãe e do nosso primeiro pai, uns quantos desses, esquecidos de que sendo a morte de todos, a vida também o deveria ser, puseram-se a traçar uns riscos no chão, a espetar umas estacas, a levantar uns muros de pedra, depois do que anunciaram que, a partir desse momento, estava proibida (palavra nova) a entrada nos terrenos que assim ficavam delimitados, sob pena de um castigo, que segundo os tempos e os costumes, poderia vir a ser de morte, ou de prisão, ou de multa, ou novamente de morte. Sem que até hoje se tivesse sabido porquê, e não falta quem afirme que disto não poderão ser atiradas as responsabilidades para as costas de Deus, aqueles nossos antigos parentes que por ali andavam, tendo presenciado a espoliação e escutado o inaudito aviso, não só não protestaram contra o abuso com que fora tornado particular o que até então havia sido de todos, como acreditaram que era essa a irrefragável ordem natural das coisas de que se tinha começado a falar por aquelas alturas. Diziam eles que se o cordeiro veio ao mundo para ser comido pelo lobo, conforme se podia concluir da simples verificação dos factos da vida pastoril, então é porque a natureza quer que haja servos e haja senhores, que estes mandem e aqueles obedeçam, e que tudo quanto assim não for será chamado subversão.

Posto diante de todos estes homens reunidos, de todas estas mulheres, de todas estas crianças (sede fecundos, multiplicai-vos e enchei a terra, assim lhes fora mandado), cujo suor não nascia do trabalho que não tinham, mas da agonia insuportável de não o ter, Deus arrependeu-se dos males que havia feito e permitido, a um ponto tal que, num arrebato de contrição, quis mudar o seu nome para um outro mais humano. Falando à multidão, anunciou: “A partir de hoje chamar-me-eis Justiça.” E a multidão respondeu-lhe: “Justiça, já nós a temos, e não nos atende. Disse Deus: “Sendo assim, tomarei o nome de Direito.” E a multidão tornou a responder-lhe: “Direito, já nós o temos, e não nos conhece." E Deus: "Nesse caso, ficarei com o nome de Caridade, que é um nome bonito.” Disse a multidão: “Não necessitamos caridade, o que queremos é uma Justiça que se cumpra e um Direito que nos respeite.” Então, Deus compreendeu que nunca tivera, verdadeiramente, no mundo que julgara ser seu, o lugar de majestade que havia imaginado, que tudo fora, afinal, uma ilusão, que também ele tinha sido vítima de enganos, como aqueles de que se estavam queixando as mulheres, os homens e as crianças, e, humilhado, retirou-se para a eternidade. A penúltima imagem que ainda viu foi a de espingardas apontadas à multidão, o penúltimo som que ainda ouviu foi o dos disparos, mas na última imagem já havia corpos caídos sangrando, e o último som estava cheio de gritos e de lágrimas.



No dia 17 de Abril de 1996, no estado brasileiro do Pará, perto de uma povoação chamada Eldorado dos Carajás (Eldorado: como pode ser sarcástico o destino de certas palavras...), 155 soldados da polícia militarizada, armados de espingardas e metralhadoras, abriram fogo contra uma manifestação de camponeses que bloqueavam a estrada em acção de protesto pelo atraso dos procedimentos legais de expropriação de terras, como parte do esboço ou simulacro de uma suposta reforma agrária na qual, entre avanços mínimos e dramáticos recuos, se gastaram já cinqüenta anos, sem que alguma vez tivesse sido dada suficiente satisfação aos gravíssimos problemas de subsistência (seria mais rigoroso dizer sobrevivência) dos trabalhadores do campo. Naquele dia, no chão de Eldorado dos Carajás ficaram 19 mortos, além de umas quantas dezenas de pessoas feridas. Passados três meses sobre este sangrento acontecimento, a polícia do estado do Pará, arvorando-se a si mesma em juiz numa causa em que, obviamente, só poderia ser a parte acusada, veio a público declarar inocentes de qualquer culpa os seus 155 soldados, alegando que tinham agido em legítima defesa, e, como se isto lhe parecesse pouco, reclamou processamento judicial contra três dos camponeses, por desacato, lesões e detenção ilegal de armas. O arsenal bélico dos manifestantes era constituído por três pistolas, pedras e instrumentos de lavoura mais ou menos manejáveis. Demasiado sabemos que, muito antes da invenção das primeiras armas de fogo, já as pedras, as foices e os chuços haviam sido considerados ilegais nas mãos daqueles que, obrigados pela necessidade a reclamar pão para comer e terra para trabalhar, encontraram pela frente a polícia militarizada do tempo, armada de espadas, lanças e alabardas. Ao contrário do que geralmente se pretende fazer acreditar, não há nada mais fácil de compreender que a história do mundo, que muita gente ilustrada ainda teima em afirmar ser complicada demais para o entendimento rude do povo.

Pelas três horas da madrugada do dia 9 de Agosto de 1995, em Corumbiara, no estado de Rondônia, 600 famílias de camponeses sem terra, que se encontravam acampadas na Fazenda Santa Elina, foram atacadas por tropas da polícia militarizada. Durante o cerco, que durou todo o resto da noite, os camponeses resistiram com espingardas de caça. Quando amanheceu, a polícia, fardada e encapuçada, de cara pintada de preto, e com o apoio de grupos de assassinos profissionais a soldo de um latifundiário da região, invadiu o acampamento. varrendo-o a tiro, derrubando e incendiando as barracas onde os sem-terra viviam. Foram mortos 10 camponeses, entre eles uma menina de 7 anos, atingida pelas costas quando fugia. Dois polícias morreram também na luta.

A superfície do Brasil, incluindo lagos, rios e montanhas, é de 850 milhões de hectares. Mais ou menos metade desta superfície, uns 400 milhões de hectares, é geralmente considerada apropriada ao uso e ao desenvolvimento agrícolas. Ora, actualmente, apenas 60 milhões desses hectares estão a ser utilizados na cultura regular de grãos. O restante, salvo as áreas que têm vindo a ser ocupadas por explorações de pecuária extensiva (que, ao contrário do que um primeiro e apressado exame possa levar a pensar, significam, na realidade, um aproveitamento insuficiente da terra), encontra-se em estado de improdutividade, de abandono. sem fruto.

Povoando dramaticamente esta paisagem e esta realidade social e económica, vagando entre o sonho e o desespero, existem 4 800 000 famílias de rurais sem terras. A terra está ali, diante dos olhos e dos braços, uma imensa metade de um país imenso, mas aquela gente (quantas pessoas ao todo? 15 milhões? mais ainda?) não pode lá entrar para trabalhar, para viver com a dignidade simples que só o trabalho pode conferir, porque os voracíssimos descendentes daqueles homens que primeiro haviam dito: “Esta terra é minha”, e encontraram semelhantes seus bastante ingénuos para acreditar que era suficiente tê-lo dito, esses rodearam a terra de leis que os protegem, de polícias que os guardam, de governos que os representam e defendem, de pistoleiros pagos para matar. Os 19 mortos de Eldorado dos Carajás e os 10 de Corumbiara foram apenas a última gota de sangue do longo calvário que tem sido a perseguição sofrida pelos trabalhadores do campo, uma perseguição contínua, sistemática, desapiedada, que, só entre 1964 e 1995, causou 1 635 vítimas mortais, cobrindo de luto a miséria dos camponeses de todos os estados do Brasil. com mais evidência para Bahia, Maranhão. Mato Grosso, Pará e Pernambuco, que contam, só eles, mais de mil assassinados.

E a Reforma Agrária, a reforma da terra brasileira aproveitável, em laboriosa e acidentada gestação, alternando as esperanças e os desânimos, desde que a Constituição de 1946, na seqüência do movimento de redemocratização que varreu o Brasil depois da Segunda Guerra Mundial, acolheu o preceito do interesse social como fundamento para a desapropriação de terras? Em que ponto se encontra hoje essa maravilha humanitária que haveria de assombrar o mundo, essa obra de taumaturgos tantas vezes prometida, essa bandeira de eleições, essa negaça de votos, esse engano de desesperados? Sem ir mais longe que as quatro últimas presidências da República, será suficiente relembrar que o presidente José Sarney prometeu assentar 1.400.000 famílias de trabalhadores rurais e que, decorridos os cinco anos do seu mandato, nem sequer 140.000 tinham sido instaladas; será suficiente recordar que o presidente Fernando Collor de Mello fez a promessa de assentar 500.000 famílias, e nem uma só o foi; será suficiente lembrar que o presidente Itamar Franco garantiu que faria assentar 100.000 famílias, e só ficou por 20.000; será suficiente dizer, enfim, que o actual presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, estabeleceu que a Reforma Agrária irá contemplar 280.000 famílias em quatro anos, o que significará, se tão modesto objectivo for cumprido e o mesmo programa se repetir no futuro, que irão ser necessários, segundo uma operação aritmética elementar, setenta anos para assentar os quase 5.000.000 de famílias de trabalhadores rurais que precisam de terra e não a têm, terra que para eles é condição de vida, vida que já não poderá esperar mais. Entretanto, a polícia absolve-se a si mesma e condena aqueles a quem assassinou.



O Cristo do Corcovado desapareceu, levou-o Deus quando se retirou para a eternidade, porque não tinha servido de nada pô-lo ali. Agora, no lugar dele, fala-se em colocar quatro enormes painéis virados às quatro direcções do Brasil e do mundo, e todos, em grandes letras, dizendo o mesmo: UM DIREITO QUE RESPEITE, UMA JUSTIÇA QUE CUMPRA.

JOSÉ SARAMAGO

1997