domingo, 2 de janeiro de 2011

MENSAGEM DE FIDEL AOS ESTUDANTES

17 de Novembro de 2010



Caros estudantes universitários e demais convidados:



Apraz-me imenso a presença nesta reunião do Ministro do ensino superior, dos Reitores das universidades de Havana, de uma representação da União de Jovens Comunistas, presidida por sua Primeira-Secretária, da Direção Provincial e Nacional da Federação de Estudantes do Ensino Médio.



Lembro-me daquele 17 de novembro de 2005. Comemorava-se o Dia Internacional do Estudante. Vocês os universitários decidiram que eu falasse nesse dia. Completavam-se, disseram-me, 60 anos de meu ingresso na Universidade, finalizando o ano 1945. Nessa altura era um bocado mais jovem do que hoje; tinha a idade de vocês. Mas juntos temos vivido uma etapa da vida.



Na minha opinião, aquela reunião que tivemos na Universidade de Havana, há cinco anos, jamais se repetiria. Já tinha 79 anos. Porém há apenas dois meses, para ser mais exato, quando apresentei na Aula Magna o segundo livro de nossa guerra revolucionária: “A contra-ofensiva estratégica”, em 10 de setembro de 2010, ao finalizar, conversei com muitos veteranos daquelas lutas e quando saia do recinto cumprimentei um entusiasta grupo de dirigentes estudantis universitários que ficaram à minha espera, conversei com eles, explicaram-me sua ansiosa espera do dia 17 para que lhes falara do discurso.



Gostei daquele grupo. Não promoviam uma “revolução cultural”, queriam escutar novamente uma reflexão sobre as idéias expostas naquele dia.



Esse encontro já lhes pertencia. Era da opinião que transcorreria muito tempo entre o dia 10 de setembro e o 17 de novembro; outras coisas passavam por minha mente e lhes respondi: “ver-nos-emos nesse dia”.



Contudo sabia que aquele discurso provocou mal-estar, devido ao momento que estávamos a viver perante um poderoso inimigo que nos ameaçava cada vez mais, bloqueava cruelmente nossa economia e esforçava-se por espalhar o descontento, promovendo a violação das leis e as saídas ilegais do país, privando-o de uma reserva de força de trabalho jovem, cultural e tecnicamente bem preparada. Muitos deles eram levados mais tarde à realizar atividades ilícitas e a delinqüir.



Também estava o fato de minha tendência à autocrítica e à ironia com relação a nossas próprias ações. Apesar de ser cáustico em minhas palavras, defendi princípios e não fiz concessões.



Lembrava tudo isso, mas não as palavras exatas que usei, a totalidade dos argumentos expressados, e a considerável extensão do discurso.



Solicitei aos arquivos do Conselho de Estado uma cópia textual do mesmo, e deparei com 115 páginas em espaço simples que implica mais de 200 como estas que apenas excedem as 40.



Durante as últimas semanas o trabalho tem sido intenso, dedicado a muitas tarefas; entre elas, reuniões de entrevistas com o diretor principal da web site Global Research, Michel Chossudovsky; a esmagadora vitória eleitoral da extrema-direita dos Estados Unidos e, dentro dela, a do grupo fascista do Tea Party, a crise econômica sem precedentes; guerra de divisas, acompanhada de perto pela Cúpula do G-20 em Seúl; a Cúpula da APEC em Yokohama, Japão e daqui a dois dias, a Cúpula da NATO em Portugal nos dias 19 e 20 de novembro, que devemos acompanhar de perto.



Apesar disso, não me resignava a prorrogar ou suspender a data de nosso encontro.



Apoiado no texto original, fui pinçando as idéias principais do discurso que proferi naquela ocasião, para apresentá-las com as mesmas palavras que utilizei nesse momento. Omiti, visando ser breve, numerosos exemplos que complementavam os critérios que sustentava.



Confesso que fiquei surpreendido com a atualidade das idéias expostas que, transcorridos cinco anos, são mais atuais do que naquele momento, visto que muitas tinham relação com o futuro, e os fatos se desenvolveram tal como foram previstos; acontece que hoje, com os conhecimentos disponíveis sobre fenômenos como a mudança climática, a crise econômica que ultrapassa qualquer outra anterior, os perigos de guerra e a derivação do poder imperial para o fascismo, exigem dos jovens universitários um máximo de consagração e esforço na batalha ideológica.



Uma das primeiras idéias que expressei foi a seguinte:



“Os fatores que fizeram possível a vida no planeta Terra surgiram após bilhões de anos, essa vida frágil que pode transcorrer entre uns poucos graus por baixo de zero e uns poucos graus por cima de zero...”



Eu tentava recordar como eram aquelas universidades, a que nos dedicávamos, que nos preocupava. Nos preocupávamos com esta pequena ilha. [...] Ainda não se falava de globalização, não existia a televisão, não existia a Internet, não existiam as comunicações instantâneas de um extremo ao outro do planeta [...] Nos meus tempos, 1945, nossos aviões de passageiros apenas chegavam a Miami...”



“... acabava de acontecer uma terrível guerra, que custou por volta de 50 milhões de vidas, e falo do momento aquele, 1945, quando ingressei na universidade, em 4 de setembro; bom, ingressei nessa época, e vocês, logicamente, decidiram celebrar aquele aniversário num dia qualquer.“





Mais para frente perguntei: Que mundo é esse onde um império bárbaro proclama o direito de atacar por surpresa e de maneira preventiva 60 ou mais países, que é capaz de levar a morte a qualquer canto do mundo, utilizando as mais sofisticadas armas e técnicas de morte?



“Atualmente o império ameaça com atacar o Irã se produz combustível nuclear.”



“Atualmente se debate a nível internacional quais o dia e a hora, ou se será o império, ou utilizará — como fez no Iraque — o satélite israelense para o bombardeio preventivo e imprevisto de centros de pesquisa cujo objetivo é obter a tecnologia de produção do combustível nuclear.”



“... aquela nação exige seu direito a produzir combustível nuclear como qualquer outra nação entre as industrializadas e não ser obrigada a destruir a reserva de uma matéria prima, que serve não só como fonte energética, mas também como fonte de numerosos produtos, fonte de fertilizantes, fonte de têxteis, fonte de inúmeros materiais que hoje têm um uso universal.”



“... veremos que aconteceria se bombardeassem o Irã com o objetivo de destruir qualquer instalação que se dedique à produção de combustível nuclear.”



“Nós jamais pensamos na fabricação de armas nucleares. Nós temos outro tipo de armas nucleares, são nossas idéias [...] armas do poder das nucleares em virtude do poder invencível das armas morais, [...] e também não procurar armas biológicas [...] Armas para combater a morte, para combater a Aids, para combater as doenças, para combater o câncer, a isso dedicamos nossos recursos...”



“... em qualquer parte do mundo encontra-se um cárcere secreto onde torturam os defensores dos direitos humanos; são os mesmos que em Genebra, como cordeirinhos, votam, um a um, contra Cuba, o país que não conhece a tortura, para honra e glória desta geração, para honra e glória desta Revolução, para honra e glória de uma luta pela justiça, pela independência, pelo decoro humano que deve manter incólume sua pureza e sua dignidade!”



hoje de manhã chegavam notícias informando sobre o uso de fósforo vivo em Al-Fallüjah, ali onde o império descobriu que um povo, praticamente desarmado, não podia ser vencido e os invasores viram-se numa situação onde não podiam ir embora nem ficar: se iam embora, voltavam os combatentes; se ficavam, necessitavam essas tropas noutros lugares. Já morreram mais de 2 000 jovens soldados norte-americanos, e alguns se perguntam, até quando continuaram morrendo numa guerra injusta?...



“... converteram a entrada ao exército numa fonte de emprego, contratam desempregados, e muitas vezes tentam contratar o maior número de negros norte-americanos para suas guerras injustas, e chegam notícias de que cada vez menos negros norte-americanos estão dispostos a se inscreverem no exército, apesar do desemprego e da marginalização a que são submetidos...”



“Procuram latinos, imigrantes que, tentando escapar da fome, atravessaram a fronteira, essa fronteira onde todos os anos morrem mais de 500 imigrantes, muitos mais em 12 meses que os que morreram durante os 28 anos que durou o muro de Berlim.”



“... entravam os jovens nesta universidade, que não era, certamente, a universidade dos humildes; era a universidade da classe média, a universidade dos ricos do país, mas os jovens não se importavam com as idéias de sua classe e muitos deles eram capazes de lutar, e assim o fizeram ao longo da história de Cuba.



“Oito estudantes foram fuzilados em 1871 e foram o alicerce dos mais nobres sentimentos e do espírito de rebeldia de nosso povo...”



“Mella foi um deles, também pertencente à classe média; porque os das classes mais pobres, os filhos dos camponeses, não sabiam ler nem escrever...”



“... mencionei Mella, poderia mencionar Guiteras, poderia mencionar Trejo, que morreu [...] um 30 de setembro, na luta contra Machado;



“... quando a tirania batistiana voltou com todo seu rigor, muitos estudantes lutaram e muitos estudantes morreram, e aquele jovem de Cárdenas, Manzanita, como lhe chamavam, sempre rindo, sempre amável, sempre carinhoso com os demais, se destacava pela sua valentia, sua integridade [...]quando enfrentava a polícia.”



Se você visita a casa onde viveu Echeverría — José Antonio, vamos chamá-lo assim —, percebe que é uma casa boa, uma excelente casa. Vejam só como os estudantes não se importavam com sua origem social, nessa idade de tanta esperança, de tantos sonhos.



Naquela universidade, para estudar medicina havia apenas uma faculdade e um só hospital docente, e muitos ganhavam prêmios, primeiro prêmio em medicina e alguns, inclusive, de cirurgia sem terem operado nunca a ninguém.



“Alguns o conseguiam [...] Assim surgiram bons médicos, não uma massa de bons médicos — sim havia uma massa [...] que não tinham emprego, e quando triunfou a Revolução, foram precisamente para os Estados Unidos, e ficou a metade 3 000 e 25% dos professores. E daí partimos para o país de hoje, que se ergue já quase como capital da medicina mundial.



“... o país [...] já tem mais de 70 000 médicos.”

“Nós ingressamos na universidade finalizando o ano 1945, e iniciamos nossa luta armada no quartel Moncada em 26 de julho de 1953, [...] quase oito anos depois, e a Revolução triunfa cinco anos, cinco dias e cinco meses após o Moncada, e depois de um longo percurso pelos cárceres, pelo exílio, e pela luta nas montanhas. ”

“... não conhecíamos nem sequer muito bem as leis de gravidade, íamos encosta acima lutando contra o império, já que era o mais poderoso, [...] quando ainda existia outra superpotência, [...] foi marchando encosta acima que ganhamos experiência, que nosso povo e nossa Revolução se fortaleceram até chegar aqui.”



“... o ser humano é o único capaz, [...] de passar por cima de todos os instintos, [...] a natureza lhe impõe os instintos, a educação impõe as virtudes...”



“...apesar da diferença entre os seres humanos, possam ser um numa dada altura ou [...] ser milhões através das idéias.”



São as idéias as que nos unem, são as idéias as que nos fazem um povo combatente, são as idéias as que nos fazem já não só individualmente, mas sim coletivamente revolucionários, e é então [...] quando um povo jamais pode ser vencido...”



“... aqui a 90 milhas do colossal império, o mais poderoso que existiu jamais ao longo da história, e passaram 46 anos e lá está mais distante que nunca conseguir fazer ajoelhar a nação cubana, aquela que ofenderam e humilharam durante algum tempo...”





“Acho que foi (Ignácio) Agramonte, outros dizem que (Carlos Manuel de) Céspedes, quem, respondendo aos pessimistas quando ficou com 12 homens, exclamou: [...] com 12 homens se faz um povo [...] isso que se chama uma consciência revolucionária, que é a soma de muitas consciências [...] É filha do amor à Pátria e de amor ao mundo, não esquece aquilo de que Pátria é humanidade, proferido há mais de 100 anos.”



“Não esquecer jamais aqueles que durante anos foram nossa classe operária e trabalhadora, que viveram as décadas de sacrifício, os bandos mercenários nas montanhas, as invasões como a da Baía dos Porcos, os milhares de atos de sabotagens que custaram vidas de nossos trabalhadores açucareiros, da cana-de-açúcar, industriais, do comércio ou na marinha mercante, ou na pesca, os que de repente eram atacados com canhões e bazucas, só porque éramos cubanos, só porque queríamos a independência, só porque queríamos melhorar a sorte de nosso povo...”



“Cuba fala quando tenha que falar e Cuba tem muitas coisas que dizer, mas não está com pressa nem impaciente. Sabe muito bem quando, onde e como pode desferir um golpe ao império, a seu sistema e a seus lacaios.”

“... acho que esta humanidade e as grandes coisas que é capaz de criar, devem ser preservadas enquanto possam ser preservadas.”



“... este admirável e maravilhoso povo, ontem semente e hoje árvore crescida e com raízes profundas; ontem cheio de nobreza em potência e hoje cheio de nobreza real; ontem cheio de conhecimentos em seus sonhos e hoje cheio de conhecimentos reais, quando apenas está começando nesta gigantesca universidade que é hoje Cuba.”



“... vão surgindo novos quadros e quadros jovens.”



“Como vocês sabem, estamos em meio de uma batalha contra os vícios, contra os desvios de recursos, contra o roubo...”



“... não pensem que o roubo de recursos e de materiais é de hoje, ou do 'período especial', o 'período especial' agravou isso, porque o 'período especial' criou muitas desigualdades e o 'período especial' tornou possível que muitas pessoas tivessem muito dinheiro.”



“Do tempo que estou falando, para produzir uma tonelada de betão, se consumiam 800 quilos de cimento e uma tonelada de um bom betão [...] deve ser de mais ou menos 200 quilos. Vejam como se esbanjava, vejam como se desviavam recursos, como se roubava.”



“Nesta batalha contra os vícios não haverá trégua [...] e nós apelaremos à honra de cada setor. Estamos certos de uma coisa: de que em cada pessoa há uma alta dose de vergonha. Quando ela fica pensando não é um juiz severo, apesar de que, segundo minha opinião, o primeiro dever de um revolucionário é ser sumamente severo consigo próprio.”



“Crítica e autocrítica, é muito correto, isso não existia; mas não, se vamos travar a batalha devemos usar projéteis de maior calibre, é preciso utilizar a crítica e a autocrítica na sala da aula, na organização de base do Partido, e depois fora dela, depois no município e depois no país.”



“Posteriormente poderão surgir outras perguntas: Quanto ganhamos? Caso surgir a pergunta de quanto ganhamos, começaria a compreender-se o sonho de cada quem viva de seu salário ou de sua justíssima aposentadoria.”



“... temos ganhado consciência e que a vida toda é um aprendizado, até o último segundo, e começas a ver muitas coisas num momento...”



“Uma conclusão que tirei após muitos anos: entre muitos erros que todos temos cometido, o erro mais importante foi acreditar que alguém sabia de socialismo, ou que alguém sabia como se constrói o socialismo. Parecia ciência sabida, tão sabida como o sistema elétrico concebido por alguns que se consideravam peritos em sistemas elétricos. [...] seriamos estúpidos se acreditarmos, por exemplo, que a economia –e que me perdoem as dezenas de milhares de economistas que há no país- é uma ciência exata e eterna, e que existiu desde a época de Adão e Eva.



“Perde-se todo o senso dialético quando alguém acredita que essa mesma economia de hoje é igual a aquela de 50 anos atrás, ou 100 anos, ou há 150 anos, ou é igual à época de Lênin ou à época de Carlos Marx. A mil léguas de meu pensamento o revisionismo, faço um verdadeiro culto a Marx, a Engels e a Lênin.”



Quando estudante soube teoricamente o que era comunismo utópico, descobri que eu era um comunista utópico, porque todas minhas idéias partiam de: “Isto não é bom, isto é mau, isto é um erro. Como vão surgir as crises de superprodução e a fome quando há precisamente, mais capacidade de criar riquezas. Não seria mais simples produzi-las e reparti-las ?



Naquela altura parecia, como também achava Carlos Marx na época do Programa de Gotha, que o limite à abundancia radicava no sistema social; parecia que na medida em que se desenvolviam as forças produtivas podiam produzir, quase sem limites, o que o ser humano precisava para satisfazer suas necessidades essenciais de tipo material, cultural, etc.



“Quando escreveu livros políticos, como O 18 Brumário, As lutas Civis na França, era um gênio escrevendo, tinha uma interpretação claríssima. Seu Manifesto Comunista é uma obra clássica. Você pode analisá-la, pode ficar mais o menos satisfeito com umas coisas ou com outras. Eu passei do comunismo utópico para um comunismo baseado em teorias serias do desenvolvimento social...”



“Neste mundo real, que deve ser mudado, todo estratega e táctico revolucionário, tem o dever de conceber uma estratégia e uma estratégia que guiem ao objetivo fundamental de cambiar este mundo real. Nenhuma tática ou estratégia que divida seria boa.



“Tive o privilégio de conhecer aos da Teologia da Libertação uma vez no Chile, quando visitei a Allende no ano 1971, e lá encontrei muitos padres ou representantes de diversas denominações religiosas, e colocavam a idéia de juntar forças e lutar, sem levar em conta suas crenças religiosas.



“O mundo está precisando desesperadamente de uma unidade, Sé não conseguirmos conciliar o mínimo dessa unidade, não chegaremos a lugar nenhum.



“Lênine, sobre tudo estudou as questões do Estado; Marx não falava da aliança operário-camponesa, morava num país com grande auge industrial; Lênine viu o mundo subdesenvolvido, viu aquele país onde 80% ou 90% era camponês, e embora tivesse uma força operária poderosa nas ferrovias e nalgumas industrias, Lênine viu com absoluta clareza a necessidade da aliança operária-camponesa, da qual ninguém tinha falado, todos tinham filosofado, mas não tinham falado ao respeito. E num enorme país semi-feudal, semi-subdesenvolvido, é onde se produz a primeira revolução socialista, a primeira tentativa verdadeira de uma sociedade igualitária e justa; nenhuma das precedentes que foram escravistas, feudais, medievais, ou anti-feudais, burguesas, capitalistas, embora falassem muito em liberdade, igualdade e fraternidade, nenhum se propôs jamais uma sociedade justa.



“Ao longo da história, o primeiro esforço humano sério tentando criar a primeira sociedade justa, começou há menos de 200 anos...”



“Com dogmatismo jamais se tivesse chegado a uma estratégia. Lênine nos ensinou muito, porque Marx nos ensinou a compreender a sociedade; Lênine nos ensinou a compreender o Estado e o papel do Estado.”



“... quando a URSS se derrubou e ficou sozinha, muita gente, entre elas nós, os revolucionários cubanos. Mas nós sabíamos o que devíamos fazer, e o que tínhamos de fazer, quais eram nossas opções. Também estava o resto dos movimentos revolucionários em muitas partes travando sua luta. Não direi quais, não vou dizer quem; mas se tratava de movimentos revolucionários muito sérios, nos perguntaram se negociavam ou não perante aquela situação desesperada, se continuavam lutando ou não, ou se negociavam com as forças contrárias procurando uma paz, quando nós sabíamos a que conduzia aquela paz.”



“... Eu lhes dizia: “Vocês não nos podem pedir nossa opinião, são vocês os que iriam a lutar, são vocês os que morreriam, não somos nós. Nós sabemos o que faremos, e o que estamos dispostos a fazer; mas isso só pode ser decidido por vocês.”. Ai estava a mais extrema manifestação de respeito ao resto dos movimentos e não a tentativa de impor baseados nos nossos conhecimentos e experiências e o enorme respeito que sentiam por nossa Revolução para saber o peso de nossos pontos de vista.”



“Acho que a experiência do primeiro Estado Socialista, Estado que deveu compor-se e jamais destruir-se, tem sido muito amarga. Não pensem que não temos pensado é muitas ocasiões nesse fenômeno incrível mediante o qual uma das mais poderosas potências do mundo, que conseguiu equiparar sua força com a outra superpotência, um país que pagou com a vida de mais de 20 milhões de cidadãos a luta contra o fascismo, um país que esmagou ao fascismo, desabou como se desabou.



“Será que as Revoluções estão chamadas a se derrubarem, ou será que os homem podem fazer com que as revoluções se derrubem?. Os homens podem ou não impedir, a sociedade pode ou não pode impedir que as revoluções se derrubem?. Até poderia acrescentar-lhes uma pergunta imediatamente. Acham que este processo revolucionário, socialista, pode ou não derrubar-se? (Exclamações de: “Não!”) Pensaram nisso alguma vez? Pensaram-no com profundeza?



“Sabiam de todas estas desigualdades que estou falando? Conheciam certos hábitos generalizados? Sabiam que alguns ganhavam no mês quarenta ou cinqüenta vezes o que ganha um desses médicos que está lá nas montanhas da Guatemala, membro do contingente “Henry Reeve”? Pode estar noutros lugares distantes da África. Pode até estar a milhares de metros de altura, nas cordilheiras do Himalaia salvando vidas e ganha 5%, 10% do que ganha um ladrão destes que vende gasolina aos novos ricos, que desvia recursos dos portos em caminhões e por toneladas, que rouba nas lojas de divisa, que rouba num hotel cinco estrelas, talvez trocando a garrafa de rum por outra que procurou, a põe no lugar da outra e arrecada todas as divisas com as que vendeu os goles que podem sair da garrafa de um tipo de rum mais ou menos bom.”



“Também se pode explicar por que hoje já não talhamos mais a cana, não há quem a corte e as pesadas máquinas destroem os canaviais. Os abusos do mundo desenvolvido e os subsídios levaram os preços do açúcar que foram, naquele mercado mundial, o preço do lixeiro de açúcar, enquanto que em Europa pagavam duas ou três vezes mais a seus agricultores.”



“Eles estão aguardando um fenômeno natural e absolutamente lógico, que é o falecimento de alguém. Neste caso me honraram consideravelmente ao pensar em mim. Será uma confissão do que não conseguiram fazer desde há muito tempo. Se eu fosse um vaidoso, poderia ficar orgulhoso de que aqueles caras digam que têm que aguardar até que eu morra, e esse é o momento. Aguardar que morra, todos os dias inventam alguma coisa, que sim Castro tem isto que se tem o outro, se tal o mais qual enfermidade. ”



“Sim, eu tive uma queda muito grande, ainda estou reabilitando-me deste braço (assinala), e vai melhorando. Agradeço muitíssimo as circunstancias em que se quebrou meu braço, porque me obrigou a ter ainda mais disciplina, mais trabalho, a dedicar mais tempo, a dedicar quase as 24 horas do dia a meu trabalho, se já eu estava dedicando-as durante o período especial, agora dedico cada segundo e luto mais do que nunca...”



”Esse caso é como aquele do cara (fazia referência à revista Forbes)que descobriu que eu era o homem mais rico do mundo.”



“Eu fiz uma pergunta para vocês, companheiros estudantes, que não esqueci, nem sequer, e pretendo que vocês não a esqueçam nunca, e é a pergunta que faço diante das experiências históricas conhecidas e peço-lhes a todos, sem exceção, que reflitam: Pode ser ou não irreversível um processo revolucionário? Quais seriam as idéias ou o grau de consciência que tornariam impossível a reversão de um processo revolucionário?”



“O poder que tem uma liderança quando goza da confiança do povo, quando confiam na sua capacidade. São terríveis as conseqüências de um erro daqueles que têm maior autoridade, e isso aconteceu em mais de uma ocasião nos processos revolucionários.



“São coisas que a gente medita. Estuda a história, o quê aconteceu aqui, o quê aconteceu lá, o quê aconteceu lá, medita sobre o que aconteceu hoje e sobre o quê acontecerá amanhã, para onde conduzem os processos de cada país, para onde vai o nosso, como marchará o nosso, que papel desempenhará Cuba nesse processo.”



“Foi por essa razão que eu disse aquela palavra de que um dos nossos maiores erros no começo, e muitas vezes ao longo da Revolução, foi acreditar que alguém sabia como se construía o socialismo.”



“Qual sociedade seria esta, ou que digna de alegria quando nos reunimos em um lugar como este, um dia como este, se não soubéssemos o mínimo do que se deve saber para que nesta ilha histórica, este povo heróico, este povo que escreveu páginas não escritas por nenhum outro povo na história da humanidade preserve a Revolução? Vocês não pensem que quem lhes fala é um vaidoso, um charlatão, alguém que gosta do bluff. Transcorreram 46 anos e a história deste país é conhecida, os habitantes deste país a conhecem; a daquele império vizinho também, o seu tamanho, seu poder, sua força, sua riqueza, sua tecnologia, seu domínio sobre o Banco Mundial, seu domínio sobre o Fundo Monetário, seu domínio sobre as finanças mundiais, esse país que tem-nos imposto o mais brutal e incrível bloqueio, sobre o qual se falou lá nas Nações Unidas e Cuba recebeu o apóio de 182 países que passaram e votaram livremente ultrapassando os riscos de votar abertamente contra esse império. [...] Não apenas fizemos esta Revolução com o nosso próprio risco durante muitos anos, em determinado momento, tínhamos a certeza de que jamais se fossemos atacados direitamente pelos Estados Unidos lutariam por nós, nem podíamos pedi-lo.” Fazia referência à URSS.



“Com o desenvolvimento das tecnologias modernas era ingênuo pensar ou pedir ou esperar que aquela potência lutara contra a outra, se intervinha nesta pequena ilha que está aqui a 90 milhas, e tivemos a certeza total de que nunca receberíamos esse apóio. Ainda mais: um dia lhes perguntamos isso direitamente vários anos antes do seu desaparecimento: ‘Digam-no-lo francamente’ ‘Não.’ Responderam o que já sabíamos que íamos a responder, e então, mais do que nunca, aceleramos o desenvolvimento da nossa concepção e aperfeiçoamos as idéias tácticas e estratégicas com as que triunfou esta Revolução e venceu, com uma força que inicia a sua luta com sete homens armados contra um inimigo que dispunha 80 000 homens entre marinheiros, soldados, policiais, etc, tanques, aviões, todo tipo de armas modernas que naquela época podia-se possuir, era infinita a diferença entre nossas armas e as armas que tinha aquela força armada treinada pelos Estados Unidos, apoiada pelos Estados Unidos e fornecida pelos Estados Unidos.”



“Hoje temos muito mais do que sete fuzis, temos todo um povo que aprendeu a utilizar as armas, todo um povo que, apesar de nossos erros, tem tal nível de cultura, de conhecimento e de consciência que nunca permitiria que este país se tornasse novamente em uma colônia deles.



“Este país pode autodestruir-se a si mesmo; esta Revolução pode destruir-se, são eles os que hoje não podem destruí-la; nós sim, nós podemos destruí-la e seria a nossa culpa.



“Tenho o privilégio de viver muitos anos, isso não é um mérito, mas é uma excepcional oportunidade para dizer-lhes a vocês, a todos os líderes da juventude, a todos os líderes das organizações de massa, a todos os líderes do movimento operário, dos Comitês de Defesa da Revolução, das mulheres, dos camponeses, dos combatentes da Revolução organizados em todas as partes, lutadores durante anos que em cifra de centenas de milhar cumpriram gloriosas missões internacionalistas..”



“... é impressionante ver os mais humildes setores sociais deste país convertidos em 28 000 trabalhadores sociais e centenas de milhar de estudantes universitários, universitários! Vejam que força! E em breve veremos também em ação a aqueles que formamos há pouco tempo na cidade esportiva.



“A cidade esportiva nos ensina sobre o marxismo-leninismo; ensina-nos sobre as classes sociais; a cidade esportiva reuniu há pouco tempo aproximadamente a 15 000 médicos e estudantes de medicina e a alguns da ELAM, e outros que vieram inclusive de Timor Leste para estudar medicina, nunca poderá se esquecer. Não acredito que se trate de um sentimento pessoal de qualquer de nós.



“Nunca esta sociedade esquecerá essas imagens das 15 000 batas brancas que ali se reuniram no dia em que se formaram os estudantes de medicina, no dia em que foi criado o contingente “Henry Reeve”, que já em um número considerável enviou suas forças para os lugares onde aconteceram fenômenos excepcionais em um tempo muito mais breve do que imaginávamos.



“Permitam-me dizer-lhes que hoje praticamente o capital humano é, ou avança aceleradamente para tornar-se o mais importante recurso do país, ultrapassando inclusive a o resto todos juntos. Não estou exagerando.”



“Por ai descobrimos postos de gasolina privados, alimentados com o combustível dos motoristas destes caminhões-cisterna.



“Algo que é conhecido é que muitos dos caminhões do Estado vão por um lado ou por outro e sempre alguém aproveita a ocasião para visitar um parente, um amigo, uma família ou a namorada.



“Lembro aquela vez, há vários anos antes do chamado período especial que vi rápido pela Quinta Avenida uma suntuosa carregadeira frontal Volvo quase acabado de comprar, que naquela época custavam 50 000 ou 60 000 dólares. Senti curiosidade de saber para onde é que ia a aquela velocidade e pedi ao escolta: “Espera, pergunta-lhe para onde vai, que te fale francamente.” E confessou que ia visitar à namorada com aquele Volvo, que corria a toda velocidade pela Quinta Avenida.



“Vereis coisas, Mio Cid – dizem que alguém disse lá, seria Cervantes-, que farão falar às pedras.



“... coisas como essas aconteceram. E, geralmente, o sabemos tudo, e muitos disseram: “A Revolução não pode; não, isto é impossível; não, ninguém pode solucionar isto.” Sim, isto vai solucioná-lo o povo, isto vai solucioná-lo a Revolução e de que maneira. É apenas uma questão de ética? Sim, é, antes de mais, uma questão de ética; mas, além disso, é uma questão econômica vital.



“Este é um dos povos mais esbanjadores de energia combustível do mundo. Aqui ficou demonstrado, e vocês com toda a honradez o disseram, e é muito importante. Ninguém sabe quanto custa a eletricidade, ninguém sabe quanto custa a gasolina, ninguém sabe o valor que tem no mercado. Ia dizer-lhes que é muito triste quando uma tonelada de petróleo pode custar 400 e de gasolina 500, 600, 700 e por vezes chegou a atingir 1000, e é um produto cujo preço não vai diminuir, alguns apenas circunstancialmente e não por muito tempo, porque o produto físico se esgota...”



“Nós vemos as nossas minas de níquel, que vão deixando o buraco onde houve muito níquel. Isso também está acontecendo com o petróleo, as grandes jazidas já apareceram e cada vez são menos. Esse é um tema sobre o qual pensamos muito.”



“... mas existiam, se não me engano aproximadamente 3 000 entidades que operavam divisas convertíveis e decidiam com bastante amplitude as despesas em divisas convertíveis de seus lucros, se compro isto ou aquilo, se pintar, se comprar melhor um carrinho e não continuo com o carrinho velho que temos. Nós compreendemos que nas condições deste país essa situação devia ser ultrapassada...”



Houve simplesmente que fechar as usinas açucareiras ou íamos para a Fossa de Bartlett. O país tinha muitos economistas, muitos, muitos e não tento criticá-los, mas com a mesma honestidade que falo sobre os erros da Revolução posso perguntar-lhes por que não descobrimos que a manutenção daquela produção, quando havia tempo que a URSS se derrubou, o preço do petróleo era de 40 dólares por barril e o preço do açúcar estava muito baixo, por que não se racionalizava aquela indústria e por que era preciso semear 20 000 (1 caballeria = 13,6 hectares) esse “caballerias” ano, quer dizer, quase 270 000 hectares para o qual é preciso lavrar a terra com tratores e charrúas pesadas, semear uma plantação de cana que depois é necessário limpar com máquinas, fertilizar com custosos erbicidas, etc., etc, etc



“Havia muito tempo que a URSS tinha-se derrubado, ficamos sem combustível do dia para a noite, sem matérias-primas, sem alimentos, sem produtos para a higiene pessoal, sem nada. Talvez fosse preciso que acontecesse o que aconteceu, talvez foi necessário que sofrêssemos o que sofremos, dispostos, como estávamos a dar a vida cem vezes antes de entregar a Pátria, antes de entregar a Revolução...”



“Talvez foi necessário porque temos cometido muitos erros, e são os erros que estamos tentando retificar, se quiserem, que estamos retificando.”

“...sem abuso de poder!, nada justificaria jamais que algum de nós tentara abusar do poder. Sim, devemos atrever-nos, devemos ter coragem de dizer as verdades, [...] você não está obrigado a dizê-las todas de uma vez, as batalhas políticas tem a sua táctica, a informação adequada, seguem também o seu caminho. [...] Não importa o que digam os bandidos e as notícias que cheguem amanhã ou depois de amanhã, ri melhor quem ri por último.”



“A questão não é imprimir notas e distribuí-las sem terem equivalente em mercadorias ou serviços...”



“Finalmente demos as casas de presente, alguns as compravam, eram donos, pagaram 50 pesos mensais, 80 pesos, bom, segundo a troca, se o recebiam de Miami, eram aproximadamente US$ 3.00; alguns vendiam-na, US$ 15.000, US$ 20.000, no final dos anos a tinham pagado com menos de US$ 500.



“Pode o país pode resolver seu problema de habitação presenteando casas? Quem as recebia, o proletário, o humilde? Muitos humildes receberam a casa de presente e depois venderam-na ao novo rico. Quanto podia pagar o novo rico por uma casa? Isso é socialismo?



“Pode ser uma necessidade num momento determinado, também pode ser um erro, visto que o país sofreu um golpe esmagador, quando de um dia para o outro aconteceu o derrubamento da grande potência e nos deixou sozinhos, e perdemos todos os mercados para o açúcar e deixamos de receber víveres, combustível, até madeira para poder enterrar de maneira cristã os nossos mortos. E todos achavam: “Isso se derruba”, e os muito estúpidos ainda acreditam nisso, que isto vai cair e se não acontece agora, depois. E quanto mais ilusões tenham e mais pensem, mais devemos pensar nós, e mais conclusões devemos tirar, para que a derrota jamais atinja este glorioso povo que tanto confia em nós todos.”



“Que o império não venha a criar cárceres para torturar homens e mulheres progressistas do resto do continente que se ergue atualmente decidido rumo à segunda e definitiva independência!”



“É melhor que não fique nada do nosso passado nem de nenhum de nossos descendentes antes que tenhamos que viver novamente uma vida tão repugnante e miserável.”



“Enganaram o mundo. Quando surgiram os meios de comunicação em massa apoderaram-se das mentes e governavam não só com mentiras, mas também com reflexos condicionados. Não é o mesmo uma mentira que um reflexo condicionado: a mentira afeta o conhecimento; o reflexo condicionado afeta a capacidade de pensar. E não é o mesmo estar desinformado que perder a capacidade de pensar, porque já criaram-te os reflexos: “Isto é mau, isto é mau; o socialismo é mau; o socialismo é mau”, e todos os ignorantes e todos os pobres e todos os explorados dizendo: “O socialismo é mau” “O comunismo é mau” e todos os pobres, todos os explorados e todos os analfabetos repetindo: “O comunismo é mau. ”



“Cuba é má, Cuba é má”, disse o império, o disse em Genebra, o disse em vários lugares, e todos os explorados deste mundo, todos os analfabetos e todos os que não recebem atendimento médico, nem educação, nem te emprego garantido, que não têm nada garantido: “A Revolução Cubana é má, a Revolução Cubana é má”.



“De que falam? Que faze o analfabeto? Como pode saber que o Fundo Monetário Internacional é bom ou mau, e que os lucros são mais altos, e que o mundo é submetido e saqueado incessantemente através de mil métodos desse sistema? Ele não sabe.



“Não ensinam a ler nem a escrever as massas, todos os anos gastam um milhão de milhões em publicidade; e não é só o que gastam, senão que gastam criando reflexos condicionados, porque ele comprou Palmolive; aquele, Colgate; mais outro, sabonete Candado, porque, simplesmente, o repetiram cem vezes, associaram-no a uma imagem bonita, semearam-lhe, talharam-lhe o cérebro. Eles, que falam tanto a respeito da lavagem de cérebro, talham-no, dão-lhe forma, tiram ao ser humano a capacidade de pensar; e se fizessem isso com alguém formado na universidade que pode ler um livro, seria menos grave.



“O que é que pode ler o analfabeto? Como é que percebe que o estão enganando? Como á que percebe que a maior mentira do mundo quer dizer que isso é democracia, o sistema podre que impera aí e na maior parte, por não dizer em quase todos os países que copiaram este sistema? [...] Isso é o que faz com que a gente seja, transcorrido algum tempo, ainda mais revolucionário do que era quando ignorava muita coisa e apenas conhecia os elementos da injustiça e da desigualdade.



“No momento em que lhes digo isto não estou teorizando, embora tenhamos que teorizar; estamos atuando, marchamos visando uma mudança total de nossa sociedade.”



“O preço do petróleo não se corresponde atualmente com nenhuma lei de oferta e demanda; seu preço depende de outros fatores: da escassez, do esbanjamento colossal dos países ricos, e ele não tem nada a ver com nenhuma lei econômica. É sua escassez perante uma crescente e extraordinária demanda.”



“Instamos o povo todo a que coopere nesta grande batalha, que não é só a batalha do combustível, da eletricidade, é a batalha contra todos os roubos, de qualquer tipo, em qualquer lugar.”





“Não tenho nada contra ninguém, mas também não tenho nada contra a verdade. Não me casei com a mentira, para aquele que se zangar, sinto muito, mas posso lhe advertir de antemão que perderá a batalha, e não será um ato de injustiça nem de abuso de poder.”



“Você gasta finalmente US$ 1,9 por cada 300 quilowatts de eletricidade; quer dizer, um preço de US$ 0,63 centavos por um quilowatt cubano de eletricidade. Que maravilha!



“Quanto gasta o povo de Cuba, por culpa desse dólar que enviaram a você de lá? Porque este não foi um dólar que você ganhou, ou um peso, trabalhando [...] te mandam de lá, alguém que foi sadio, tudo o que estudou foi gratuito desde que nasceu, não está doente, são os cidadãos mais saudáveis que chegam aos Estados Unidos, têm uma lei de ajuste, e, além disso, lhe proíbem enviar remessas.



“Lógico que você não gastou nem um centavo do que lhe enviaram em medicina, a medicina está subsidiada, se a comprou numa farmácia, essa que não se levaram nem venderam por ai, você gastou 10% do que custam em divisas. Se você foi para o hospital e talvez o operaram do coração, do tornozelo, sua operação pode custar US$ 1.000, US$ 2.000, US$ 10.000, lá nos Estados Unidos se você sofreu um enfarte e lhe colocam um válvula, pode ser o que lhe custou a um empregado nosso lá na Repartição de Interesses, US$ 80.000. Você jamais deixou de receber atendimento; podem existir alguns maus-tratos num hospital, mas, você freqüentou algum hospital onde não foi atendido?



“... um dia [...] a Revolução, com os instrumentos desenvolvidos pela técnica, poderá saber onde se encontra cada caminhão, em qualquer lugar, em qualquer rua. Ninguém vai poder fugir no caminhão e ir visitar a tia, [...] a noiva. Não é que seja mau visitar o familiar, o amigo, a noiva, mas não no caminhão destinado para o trabalho...”



“É preciso aplicar também a máxima racionalidade no salário, nos preços, nas aposentadorias e pensões. Zero esbanjamento. [...]. Não somos um país capitalista, em que tudo foi deixado ao azar.



“Subsídios ou gratuidade só nas coisas essenciais e vitais. [...] E com que pagamos os custos? [...] Tudo isso está ao nosso alcance, tudo pertence ao povo, a única coisa não permissível é esbanjar riquezas de forma egoísta e irresponsável.



“Realmente, minha intenção não era ministrar uma conferência sobre temas tão sensíveis, mas teria sido um crime não aproveitar essa oportunidade para dizer algumas coisas que têm a ver com a economia, com a vida material do país, com o destino da Revolução, com as idéias revolucionárias, com as razões pelas quais iniciamos esta luta, com a força colossal que temos hoje, o país que somos e poderemos continuar sendo, e muito mais do que somos.”



“Falo a vocês com toda a confiança com que lhes posso falar.”



“...o país terá muito mais, mas não será jamais uma sociedade de consumo, será uma sociedade de conhecimentos, de cultura, do desenvolvimento humano mais extraordinário que possa ser concebido, desenvolvimento da cultura, da arte, da ciência [...] com uma plenitude de liberdade que ninguém poderá tolher. Isso sabemos hoje, não é preciso proclamá-lo, embora sim lembrá-lo.”



“Ninguém deve ter direito de fabricar armas nucleares. Ainda menos o privilégio que pretende ter o imperialismo para impor seu domínio hegemônico e tirar aos países do Terceiro Mundo seus recursos naturais e matérias-primas.”



“Deve acabar no mundo a prepotência, os abusos, o império da força e do terror. Este desaparece diante da ausência total de medo e cada vez são mais os povos que têm menos medo, cada vez serão mais os que se revoltem e o império não poderá sustentar o infame sistema que ainda sustenta.”



“É justo demais lutar por isso, e por isso devemos empregar todas nossas energias, todos nossos esforços, nosso tempo todo, para poder dizer na voz de milhões ou de centenas ou de bilhões. Vale a pena ter nascido! Vale a pena ter vivido!”



Foi assim que conclui aquele discurso, que hoje ratifico novamente.



Muito obrigado



17 de novembro de 2010

A NATO, GENDARME MUNDIAL

Reflexões do companheiro Fidel



Muitas pessoas sentem náuseas ao escutar o nome dessa organização.

Na sexta-feira 19 de novembro de 2010 em Lisboa, Portugual, os 28 membros dessa belicosa instituição, engendrada pelos Estados Unidos, decidiram criar o que com cinismo qualificam de “a nova NATO”.

Ela surgiu despois da segunda Guerra Mundial como instrumento da Guerra Fria desencadeada pelo imperialismo contra a União Soviética, o país que pagou com dezenas de milhões de vidas e uma colossal destruição a vitória sobre o nazismo.

Contra a URSS, os Estados Unidos mobilizaram, junto a uma parte sadia da população européia, à extrema direita e toda a escória nazifascista da Europa, cheia de ódio e disposta a tirar proveito dos erros cometidos pelos próprios dirigentes da URSS, depois de morte de Lênin.

O povo soviético, com enormes sacrifícios, foi capaz de manter a paridade nuclear e apoiar a luta de libertação nacional de numerosos povos contra os esforços dos Estados europeus por manter o sistema colonial imposto pela força durante séculos; Estados que no pós-guerra se aliaram ao império ianque, quem assumiu o comando da contra-revolução no mundo.

Em apenas 10 dias — menos de duas semanas —, a opinião mundial recebeu três grandes e inesquecíveis lições: o G-20, a APEC e a NATO, em Seul, Yokohama e Lisboa, de modo que todas as pessoas honestas que saibam ler e escrever, e cujas mentes não tenham sido mutiladas pelos reflexos condicionados do aparato midiático do imperialismo, possam ter uma idéia real dos problemas que afetam hoje a humanidade.

Em Lisboa não foi dita uma palavra que fosse capaz de transmitir esperanças a bilhões de pessoas que sofrem a pobreza, o subdesenvolvimento, a deficiência alimentar, a falta de habitação, saúde, educação e emprego.

Pelo contrário, o vaidoso personagem que figura como chefe da máfia militar da NATO, Anders Fogh Rasmussen declarou, em tom de pequeno führer nazista, que o “novo conceito estratégico” era para “atuar em qualquer lugar do mundo”. Não foi sem razão que o governo da Turquia esteve a ponto de vetar sua designação quando Fogh Rasmussen — neoliberal dinamarquês —, como Primeiro-Ministro da Dinamarca, usando o pretexto da liberdade de imprensa, defendeu em abril de 2009 os autores de graves ofensas ao profeta Maomé, uma figura respeitada por todos os crentes muçulmanos.

Não poucos no mundo lembram as estreitas relações de cooperação entre o Governo da Dinamarca e os “invasores” nazistas durante a Segunda Guerrra Mundial.

A NATO, ave de rapina chocada nas saias do império ianque, dotada inclusive de armas nucleares táticas que podem ser até várias vezes mais destrutivas do que a que fez com que desaparecesse a cidade de Hiroshima, está comprometida pelos Estados Unidos na guerra criminosa do Afeganistão, mais complexa ainda do que a aventura de Kossovo e a guerra contra a Sérvia, onde a cidade de Belgrado foi massacrada e estiveram a ponto de sofrer um desastre se o governo de aquele país se tivesse mantido firme, em vez de confiar nas instituições de justiça européia em Haia.

A inglória declaração de Lisboa, em um de seus pontos afirma de forma vaga e abstrata:

“Apoio à estabilidade regional, aos valores democráticos, à segurança e à integração no espaço euro-atlântico nos Bálcãs.”

“A missão em Kossovo é orientada a uma presença menor e mais flexível.”

Agora?

Tampouco a Rússia poderá esquecer tão facilmente: o fato real é que quando Yeltsin desintegrou a URSS, os Estados Unidos avançaram as fronteiras da NATO e suas bases de ataque nuclear para o coração da Rússia desde a Europa e a Ásia.

Essas novas instalações militares ameaçavam também a República Popular da China e outros países asiáticos.

Quando aconteceu aquilo em 1991, centenas de SS-19, SS-20 e outras poderosas armas soviéticas podiam alcançar em questão de minutos as bases militares dos Estados Unidos e da NATO na Europa. Nenhum Secretário Geral da NATO se teria atrevido a falar com a arrogância de Rasmussen.

O primeiro acordo sobre limitação de armas nucleares foi assinado em data tão anticipada como o 26 de maio de 1972, pelo presidente dos Estados Unidos Richard Nixon e pelo Secretário Geral do Partido Comunista da União Soviética, Leonid Brezhnev, com o objetivo de limitar o número de mísseis antibalísticos (Tratado ABM) e defender alguns pontos contra mísseis com carga nuclear.

Em 1979 Brezhnev e Carter assinaram em Viena novos acordos conhecidos como SALT II, mas o Senado dos Estados Unidos se negou a ratificar esses acordos.

O novo rearmamento promovido por Reagan, com a iniciativa de Defesa Estratégica, pôs fim aos acordos SALT.

O gasoduto da Sibéria já tinha sido explodido pela CIA.

Pelo contrário, em 1991 um novo acordo foi assinado entre Bush pai e Gorbachov, cinco meses antes do colapso da URSS. Ao se produzir tal acontecimento, o campo socialista já não existia. Os países que o Exército Vermelho tinha libertado da ocupação nazista não foram capazes sequer de manter a independência. Governos de direita que acederam ao poder se passaram com armas e petrechos à NATO, e caíram em mãos dos Estados Unidos. O da RDA, que sob a direção de Erich Honecker tinha realizado um grande esforço, não pôde vencer a ofensiva ideológica e consumista lançada desde a mesma capital ocupada pelas tropas ocidentais.

Como dono virtual do mundo, os Estados Unidos incrementaram sua política aventureira e guerreirista.

Devido ao processo bem manipulado, a URSS se desintregou. O golpe de graça foi dado por Boris Yeltsin no dia 8 de dezembro de 1991 quando, em sua condição de presidente da Federação Russa, declarou que a União Soviética tinha deixado de existir. No dia 25 desse mesmo mês e ano, a bandeira vermelha da foice e o martelo foi arriada do Kremlin.

Um terceiro acordo sobre armas estratégicas foi assinado então entre George H. W. Bush e Boris Yeltsin, no dia 3 de janeiro de 1993, que proibia o uso dos Mísseis Balísticos Intercontinentais (ICBM suas siglas em inglês) de ogivas múltiplas. Foi ratificado pelo Senado dos Estados Unidos no dia 26 de janeiro de 1993, com uma margem de votos de 87 contra 4.

A Rússia herdava a ciência e a tecnologia da URSS — que apesar da guerra e dos enormes sacrifícios foi capaz de equiparar seu poder com o imenso e rico império ianque —, a vitória contra o fascismo, as tradições, a cultura, e as glórias do povo russo.

A guerra da Sérvia, um povo eslavo, tinha atingido duramente a segurança do povo russo, coisa que nenhum governo podia ignorar.

A Duma russa — indignada pela primeira guerra do Iraque e a de Kossovo na qual a NATO massacrou o povo sérvio —, se negou a ratificar o START II e não assinou esse acordo até o ano 2000, e nesse caso, para tentar salvar o tratado ABM que os ianques para essa data não lhes interessava manter.

Os Estados Unidos tratam de utilizar seus enormes recursos midiáticos para manter, enganar e confundir a opinião pública mundial.

O governo desse país atravessa uma etapa difícil como conseqüência de suas aventuras bélicas. Na guerra do Afeganistão estão comprometidos os países da NATO sem exeção alguma, e vários outros do mundo, a cujos povos resulta odiosa e repugnante a carnificina em que estão envolvidos em maior ou menor grau países ricos e industrializados como o Japão e a Austrália, e outros do Terceiro Mundo.

Qual a essência do acordo aprovado em abril deste ano pelos Estados Unidos e a Rússia? Ambas as partes se comprometem a reduzir o número de ogivas nucleares estratégicas a 1 550. Das ogivas nucleares da França, do Reino Unido e de Israel, todas capazes de golpear a Rússia, não se diz uma palavra. Das armas nucleares táticas, algumas delas com muito mais poder do que a que fez com que desaparecesse a cidade de Hiroshima, também não. Não se faz referência à capacidade destrutiva e letal de numerosas armas convencionais, as radioelétricas e outros sistemas de armamentos aos quais os Estados Unidos dedicam seu crescente orçamento militar, superior aos de todas as outras nações do mundo juntas. Ambos os governos conhecem, e talvez outros muitos daqueles que ali se reuniram, que uma terceira guerrra mundial seria a última. Que tipo de expectativas podem criar-se os membros da NATO? Qual a tranqüilidade que dessa reunião deriva para a humanidade? Que benefício para os países do Terceiro Mundo, e inclusive para a economia internacional, é possível esperar?

Não podem sequer oferecer a esperança de que a crise econômica mundial possa ser ultrapassada, nem quanto duraria essa melhoria. A dívida pública total dos estados Unidos, não só a do governo central, mas também do resto das instituições privadas desse país, eleva-se já a uma cifra que iguala o PIB mundial de 2009, que ascendia a 58 milhões de milhões de dólares. Por acaso os que se reuniram em Lisboa se perguntaram de onde saíram esses fabulosos recursos? Simplesmente, da economia de todos os demais povos do mundo, aos quais os Estados Unidos entregaram papéis convertidos em divisas que ao longo de 40 anos, unilateralmente, deixaram de ter respaldo em ouro e agora o valor desse metal é 40 vezes superior. Esse país ainda dispõe de poder de veto no Fundo Monetário Internacional e no Banco Mundial. Por que isso não foi discutido em Portugal.?

A esperança de retirar do Afeganistão as tropas dos Estados Unidos, da NATO e de seus aliados, é idílica. Terão que abandonar esse país antes de que derrotados entreguem o poder à resistência afegã. Os próprios aliados dos Estados Unidos começam a reconhecer já que poderiam transcorrer dezenas de anos antes de finalizar essa guerra, a NATO estará disposta a permanecer ali esse tempo? Permiti-lo-ão os próprios cidadãos de cada um dos governos ali reunidos? Não esquecer que um país de grande popuplação, o Paquistão, compartilha uma fronteira de origem colonial com o Afeganistão e uma percentagem não desprezível de seus habitantes.

Não critico Medvedev, faz muito bem em tentar limitar o número de ogivas nucleares apontadas para seu país. Barack Obama não pode inventar justificação alguma. Seria risível imaginar que esse colossal e custoso desdobramento do escudo nuclear antimíssil é para proteger a Europa e a Rússia dos foguetes iranianos, procedentes de um país que não possui sequer um artefato nuclear tático. Isso não se pode afirmar nem num livro de histórias em quadrinhos.

Obama já admitiu que sua promessa de retirar os soldados norte-americanos do Afeganistão poderia se dilatar, e os impostos aos contribuintes mais ricos ser suspensos de imediato. Depois do Prêmio Nobel haveria que conceder-lhe o prêmio ao “maior encantador de serpentes” que tenha existido jamais.

Tomando em conta a autobiografia de W. Bush, tornada já “Best Sellers”, que algum redator inteligente elaborou para ele, por que não o convidaram a Lisboa? Certamente a extrema direita, o “Tea Party” da Europa, estaria feliz.

Fidel Castro Ruz

21 de novembro de 2010

20h36

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

NUESTRA PROMESA DE AÑO NUEVO

 

clip_image002Comité Internacional por la Libertad de los 5 Cubanos

 

Alarcon:

"Que exigir sin descanso la libertad de los 5 sea nuestra promesa de Año Nuevo"

Exhortemos al movimiento de solidaridad y a toda la gente honesta a levantar sus voces en defensa de Gerardo. El Gobierno de Estados Unidos sabe que él es inocente y que nunca hubo pruebas para acusarlo. Hay que exigirle que lo ponga en libertad ya. A él y a Ramón, Antonio, Fernando y René, cinco Héroes de la República de Cuba. El Presidente Obama puede y debe liberarlos ahora mismo, sin condiciones, inmediatamente. A todos y cada uno de ellos, a los Cinco, sin excepción. Que exigirlo sin descanso sea nuestra promesa de Año Nuevo. Palabras de Ricardo Alarcón en el Acto por el 50 Aniversario del Instituto Cubano de Amistad con los Pueblos, La Habana, Diciembre 28, 2010

 

 

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Discurso completo de Ricardo Alarcón de Quesada

MEDIO SIGLO DE SOLIDARIDAD

Compañeras y compañeros:

Cuando el 30 de diciembre de 1960 el Gobierno Revolucionario creó el Instituto Cubano de Amistad con los Pueblos, sobre Cuba se ceñía la amenaza inminente de la agresión militar. Entonces millones de cubanas y cubanos estaban vigilantes, preparándose para el ataque que podía ocurrir en cualquier momento.

Culminaban dos años de creación infatigable, habíamos sido capaces de desmantelar las estructuras podridas del viejo régimen, librábamos una pelea ardorosa contra la explotación, la ignorancia y los vicios del pasado, habíamos eliminado completamente el desempleo, eran nuestras las fábricas y los servicios públicos, avanzaba la Reforma Agraria y la Campaña de Alfabetización, vivíamos con la alegría de la libertad conquistada tras grandes sacrificios y nos empeñábamos por hacer reinar la justicia en nuestra tierra finalmente emancipada.

Eran días luminosos pero también llenos de peligros. Desde el Primero de enero de 1959, el Imperio que siempre trata a Cuba como si la Isla fuera suya, desató contra nuestro pueblo la guerra económica, presionó a otros países para tratar de aislarnos totalmente, dio cobijo a los torturadores y asesinos batistianos y a sus secuaces y los organizó, armó, entrenó y dirigió para invadir el país y obligarnos a regresar a la ignominia y la miseria. Enfrentábamos a un Imperio que entonces estaba en el cenit de su poderío, dominaba completamente el Hemisferio Occidental e imponía su hegemonía en todo el planeta.

Comenzaba el verdadero descubrimiento de la isla de Cuba. Nuestra heroica resistencia asombraba al mundo. Su Revolución se convirtió en "una permanente incitación a la noble curiosidad humana desde todos los rincones de la tierra y muy especialmente en América Latina" como expresó la Ley 901 fundadora del ICAP a iniciativa de Fidel Castro.

Han sido cincuenta años de incesante faena. Vaya nuestro reconocimiento a todas y todos los trabajadores de esta institución por su contribución, muchas veces anónima, a la solidaridad y la amistad entre el pueblo cubano y los otros pueblos. Los que iniciaron este noble trabajo y sus continuadores hasta hoy merecen nuestra gratitud.

Hagamos un homenaje especial, sobre todo, a quienes fuera de aquí, durante estos largos años, nos han ofrecido permanente apoyo. A los que fueron capaces de resistir la persecución y la hostilidad, a quienes no se doblegaron ante las presiones o las amenazas, a los que no sucumbieron ante las calumnias y el engaño, a quienes supieron confiar en Cuba y amarla.

Porque contra Cuba y su Revolución el Imperio no ha empleado solamente la fuerza militar, el terrorismo, los sabotajes y la más feroz y dilatada agresión económica, su bloqueo genocida que comenzó antes que naciera el ICAP, antes que naciera la mayor parte de la población cubana actual.  Contra Cuba y su Revolución el Imperio ha empleado también y especialmente, la mentira y el ocultamiento de la verdad.

En ese terreno, el de la manipulación de la información y la falsificación de la realidad, el Imperio ha creado una maquinaria gigantesca a la que dedica incontables recursos de todo tipo.

Ya no es el automóvil el símbolo de la sociedad norteamericana. Hace ya mucho tiempo que fue relegado a un plano secundario por la industria del embuste, que a gran escala y masivamente adultera los hechos, pervierte las conciencias y promueve el embrutecimiento de los seres humanos. Sus instrumentos son las grandes corporaciones que dominan a los llamados medios de comunicación y son dueñas de las más poderosas empresas de cine, radio y televisión.

Mercantilizan la cultura y la reducen a entretenimiento banal; esconden o justifican los peores crímenes; distorsionan los sucesos y mienten; fomentan el egoísmo y la codicia, el materialismo y la vulgaridad; despojan al ser humano de sus ideales, de su capacidad para pensar y amar. Llevan a cabo una implacable ofensiva antihumanista de la que el pueblo norteamericano es la primera y principal víctima.

Estados Unidos es, desde su origen, un país imperialista y racista como lo recuerda Noam Chomsky en un texto reciente. Su poderío se concentra hoy, sin embargo, en una descomunal, aberrante, industria bélica capaz de destruir al planeta muchas veces y en su arsenal propagandístico que le permite adormecer y embaucar.

Pero el pueblo norteamericano no es imperialista ni racista. Es un pueblo que necesita vivir en paz con los demás y que tiene el derecho a construir dentro de sus fronteras una sociedad justa y verdaderamente libre, algo que no podrá lograr mientras no se libere del control que sobre él ejerce una plutocracia ignorante y perversa.

Con ese poder los imperialistas han podido practicar contra el pueblo cubano el genocidio más prolongado de la historia, por eso pueden seguir amparando en su propio territorio a los peores asesinos - como el que acaba de publicar en Miami un libro infame en el que se ufana de sus crímenes -, por eso mantienen en injusta y cruel prisión a Cinco jóvenes que sacrificaron sus vidas por salvar a su pueblo y al mundo del terrorismo que Washington tolera impunemente.

Ahora, cuando se acerca el día en que Estados Unidos debe responder a la petición de habeas corpus a favor de Gerardo Hernández Nordelo, su último recurso legal, algunos medios de Miami lo calumnian miserable y cobardemente y tratan de engañar y desviar la atención  para confundir al movimiento solidario. Independientemente del derecho irrenunciable de Cuba a defender su soberanía, en el juicio seguido contra Gerardo y sus compañeros en Miami no fue presentada evidencia alguna que lo vinculase con el lamentable incidente del 24 de febrero de 1996. En esta hora decisiva quieren hacernos olvidar que en mayo de 2001 en una dramática y urgente demanda ante la Corte de Apelaciones la propia Fiscalía reconoció que carecía totalmente de pruebas y solicitó modificar la acusación originalmente presentada contra nuestro compañero. Pese a ello fue sentenciado con brutal desmesura por un supuesto crimen que no existió y con el cual, en cualquier caso, Gerardo no tenía absolutamente nada que ver. Es imposible encontrar ejemplo parecido de injusticia.

Exhortemos al movimiento de solidaridad y a toda la gente honesta a levantar sus voces en defensa de Gerardo. El Gobierno de Estados Unidos sabe que él es inocente y que nunca hubo pruebas para acusarlo. Hay que exigirle que lo ponga en libertad ya. A él y a Ramón, Antonio, Fernando y René, cinco Héroes de la República de Cuba. El Presidente Obama puede y debe liberarlos ahora mismo, sin condiciones, inmediatamente. A todos y cada uno de ellos, a los Cinco, sin excepción.

Que exigirlo sin descanso sea nuestra promesa de Año Nuevo. Que el mundo entero se lo pida al Presidente Obama. El sabe que sí se puede y que él debe hacerlo.

Compañeras y compañeros:

La solidaridad es el baluarte y la savia de la Revolución. Lo ha sido siempre para nosotros desde 1868 cuando, en nuestro Octubre glorioso, iniciamos una brega inseparable por la independencia nacional y por la abolición de la esclavitud, la servidumbre y la discriminación  de los seres humanos.

Desde la Guerra Grande hijos de otras tierras vinieron a pelear con nosotros por nuestra libertad. El Partido de José Martí fue un partido internacionalista creado también para alcanzar la independencia de Puerto Rico y la unidad de Nuestra América. Fueron muchos los compatriotas nuestros que marcharon desde aquí y desde la emigración a dar sus vidas por la República española.

En el último medio siglo ha sido amplia y generosa la solidaridad que Cuba ha recibido y también lo ha sido la que ha entregado nuestro pueblo. ¿Cómo olvidar, un día como hoy, a los hermanos que fueron a combatir hasta el último aliento a otras tierras? ¿Cómo olvidar al Che y a los muchos que supieron ser como él?

Saludemos también a las centenares de miles de colaboradores que han ido a los más apartados rincones a ayudar a otros, a llevarles salud y educación, reproduciendo un espíritu internacionalista y solidario del que nació la Patria y que siempre vivirá con ella.

El mundo ha sido solidario con Cuba porque Cuba ha significado mucho para el mundo. Porque su revolución fue un ejemplo que inspiró a otros a perseverar en el combate hasta conquistar la verdadera independencia y la justicia, esas que iluminan ya con su Alba el futuro americano.

Las cubanas y los cubanos nos empeñamos ahora en un amplio ejercicio democrático para discutir y acordar, con todas y todos, sin excluir a nadie, las acciones que debemos emprender para corregir errores, eliminar defectos e introducir los cambios que sean necesarios para que nuestro proyecto sea más eficiente, racional y justo. Lo hacemos en un país que sigue siendo víctima del bloqueo, el acoso y la agresión de quien es aún la más fuerte potencia económica y que no se cansa de alquilar mercenarios dispuestos a traicionar a la Patria, mequetrefes en los que no cree ni quien les paga la mesada como confirman sus propios informes confidenciales revelados por Wikileaks.

Algo bien diferente es el pueblo de Cuba. Un pueblo, que nadie lo olvide nunca, que se forjó, precisamente, en la lucha contra dos Imperios y sus adocenados servidores criollos y se fraguó en una batalla muy larga en la que siempre tuvo como metas la independencia absoluta y la justicia plena para crear una sociedad que tendría como fundamento la solidaridad entre los cubanos.

Entre todos cambiaremos todo lo que debe ser cambiado. Juntos haremos lo que sea necesario, y lo haremos por nosotros mismos, sin copiar a nadie, sin hacer concesión alguna a quienes nos odian y desprecian y seremos capaces de hacer realidad un socialismo mejor, nuestro, cubano.

Cumpliremos así también nuestro deber hacia quienes en cualquier lugar luchan por un mundo mejor.

El movimiento internacional de solidaridad con esta Isla nació hace medio siglo cuando enfrentábamos un desafío que parecía insuperable. Fuimos capaces de vencer y llegar hasta aquí.

Son grandes los retos que tenemos por delante. Sabremos superarlos. Seremos fieles a nuestros mártires, seremos leales a quienes en todo el mundo nos han acompañado en esta larga, dura y hermosa pelea.

Cuba prevalecerá. Nuestro socialismo triunfará. Seremos capaces de continuar luchando, todos unidos, Hasta la Victoria Siempre.

Palabras en el Acto por el 50 Aniversario del Instituto Cubano de Amistad con los Pueblos, La Habana, Diciembre 28, 2010

 

Mensaje de los 5 por Aniversario de la Revolucion

 

 

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MENSAJE DE FERNANDO


QUERIDOS COMPATRIOTAS:
CON FELICIDAD Y ALEGRIA RECIBIMOS EL NUEVO AÑO Y CON  EL EL ANIVERSARIO 52 DEL TRIUNFO DE NUESTRA GLORIOSA REVOLUCION.
EN VERDADERO PARLAMENTO POPULAR SE DEBATEN EN ESTOS DIAS EN TODO EL PAIS TEMAS TRASCENDENTALES QUE LUEGO SERAN ANALIZADOS EN EL CONGRESO DEL PARTIDO COMUNISTA DE CUBA.
SERA EL 2011 UN AÑO DE FORTALECIMIENTO DE LA REVOLUCION Y EL SOCIALISMO, GARANTIAS DE LA LIBERTAD Y LA INDEPENDENCIA DE NUESTRO PAIS.
!VIVA LA REVOLUCION CUBANA!
!FELIZ 52 ANIVERSARIO!
FERNANDO GONZALEZ LLORT
FCI TERRE HAUTE, INDIANA
EEUU


MENSAJE DE TONY

MENSAJE A NUESTRO QUERIDO PUEBLO EN EL 52 ANIVERSARIO DE LA REVOLUCION
  !AMADA PATRIA, FELIZ AÑO NUEVO!
Desde tu verde suelo de esperanzas 
fragante de heroísmo y de tabaco,
desde tu litoral de ola y arena 
con espuma jovial por sus costados,
como un ave que cruza el mar alada,
en este amanecer de nuevo canto, 
siento venir tu amor inagotable 
hacia mi corazón, sereno y ancho.
Y en mi interior, tener así tu aliento,
como un roce de flor tu fino tacto,
la razón de tu brújula precisa,
la luz inconfundible de tu faro. 
la convicción de que nunca el imperio,
ávido de llevarnos al pasado,
podrá frustrar la aurora levantada
por todo un pueblo en su crisol templado.
Amada patria en lucha renovada, 
Querido pueblo, hermanos! Feliz Año!
Con un inmenso júbilo exclamemos:
!REVOLUCION, FELIZ ANIVERSARIO! 
Exitos en las impostergables y vitales tareas que tenemos por delante en defensa de la obra socialista construida con tanto amor, heroísmo y sacrificio.
!Viva la Revolución! !Viva Cuba Libre!
Un fuerte abrazo revolucionario, 
Antonio Guerrero Rodríguez 
FCI FLorence
21 de diciembre de 2010

 

MENSAJE DE RAMON

MENSAJE AL PUEBLO DE CUBA


QUERIDO PUEBLO CUBANO:
ESTE 2010 LLEGA A SU FIN, CON MUCHAS BATALLAS VENCIDAS, OTRAS POR VENCER, Y CON EL OPTIMISMO DE QUE EN LA UNIDAD DE TODOS ESTA LA FUERZA PARA TODA VICTORIA FUTURA.
EL RETO ECONOMICO Y EL "VI CONGRESO DEL PCC" SERAN LAS PREMISAS MAYORES PARA ESTE VENIDERO 2011,  ESTAMOS CONVENCIDOS QUE SERA OTRO IMPORTANTE TRIUNFO QUE NUESTRO SOCIALISMO AUTOCTONO SABRA MOSTRAR CON ORGULLO A TODO EL MUNDO. 
POR NUESTRA PARTE, EN ESTE AÑO QUE CULMINA SE LOGRO UNA PEQUEÑA PERO INJUSTA REDUCCION DE CONDENAS PARA VARIOS DE NOSOTROS, MIENTRAS NOS MANTIENEN EN INFAME CAUTIVERIO  A LOS CINCO, Y EN ESPECIAL A NUESTRO HERMANO GERARDO, CON QUIEN LA MALDAD SE HACE SUPREMA. NOSOTROS CONTINUAREMOS LUCHANDO HASTA VENCER Y SER LIBRES, CON EL APOYO DETERMINANTE DE NUESTRO AMADO PUEBLO Y TODOS LOS PUEBLOS DEL ORBE. 
!GRACIAS A TODOS POR ACOMPANARNOS SIEMPRE!!!
LES DESEAMOS LOS MAYORES EXITOS, PROFESIONALES Y PERSONALES, QUE LA PAZ Y EL AMOR REINE EN TODO EL MUNDO, Y QUE SE DE MUY PRONTO LA DICHA DE ESTAR LIBRES JUNTO A USTEDES.
!VIVA EL 53 ANIVERSARIO DEL TRIUNFO DE NUESTRA REVOLUCION!
!VIVAN FIDEL Y RAUL, Y NUESTRO SOCIALISMO INVENCIBLE!
!FELIZ 2011!
CINCO ABRAZOS FIELES,
ANTONIO GUERRERO
FERNANDO GONZALES
RENE GONZALES
GERARDO HERNANDEZ
RAMON LABANINO SALAZAR.
DIC.15/2010.FCI JESUP, GEORGIA. E.U.

 
 

Comite Internacional para la Libertad de los 5 Cubanos

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Para enterarse de las ultimas novedades sobre el caso
www.thecuban5.org

A BATALHA CONTRA A CÓLERA

Reflexões do companheiro Fidel


Faço alto entre várias análises importantes que ocupam meu tempo nestes dias para me referir a dois temas que devem ser conhecidos por nosso povo.


A ONU, instigada pelos Estados Unidos da América, criadores da pobreza e do caos na República haitiana, tinha decidido enviar ao território do Haiti suas forças de ocupação, a MINUSTAH (Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti) que, aliás, introduziu a epidemia de cólera nesse país irmão.

O Secretário-geral da OEA, por seu lado, decidiu nomear a começos de 2009, como seu representante pessoal no Haiti, um intelectual brasileiro, Ricardo Seitenfus, que naquela altura trabalhava no Ministério de Relações Exteriores de seu país.

Seitenfus gozava de merecido prestígio nos círculos diplomáticos e governamentais da capital do Haiti pela seriedade e franqueza com que abordava os problemas. Em 1993 tinha escrito um livro titulado: “Haiti: a soberania dos ditadores”. Nesse ano visitou o Haiti pela primeira vez.

Há dois dias, no passado 25 de dezembro, as agências de informação divulgaram a notícia de que o representante especial da OEA tinha sido abruptamente afastado de seu cargo.

O quê originou a drástica medida?

Entrevistado há vários dias pelo jornal Le Temps, na Suíça, Seitenfus respondeu várias perguntas feitas por esse órgão de imprensa, expondo com sinceridade seus pontos de vista.

Em apertada síntese explicarei com palavras textuais o acontecido de acordo à informação oferecida através de Internet e traduzido do francês.

A primeira pergunta de Le Temps foi:

“Dez mil capacetes azuis no Haiti, a seu ver, é uma presença contraproducente?”

Resposta de Ricardo Seitenfus:

“O sistema de prevenção dos litígios no marco do sistema da ONU não se adapta ao contexto haitiano. Haiti não é uma ameaça internacional. Não estamos em situação de guerra civil. […] o Conselho de Segurança […] impôs os capacetes azuis em 2004, após a saída do Presidente Aristide. […] Para a ONU era uma questão de congelar o poder e de transformar os haitianos em presos de sua própria ilha.”

Pergunta 2.

“O quê é que impede a normalização do caso haitiano?Ricardo Seitenfus: “Durante duzentos anos, a presença de tropas estrangeiras tem alternado com a de ditadores. A força é a que define as relações internacionais com o Haiti e nunca o diálogo. O pecado original do Haiti, no cenário mundial, é sua libertação. Os haitianos cometeram o inaceitável em 1804: um crime de lesa majestade para um mundo impaciente. O Ocidente era então um mundo colonialista, escravocrata e racista que baseava sua riqueza na exploração das terras conquistadas. Por conseguinte, o modelo revolucionário haitiano dava medo às grandes potências. Os Estados Unidos da América não reconheceram a independência do Haiti até 1865, e a França exigiu o pagamento de um resgate para aceitar essa libertação. Desde o começo, a independência estava comprometida e o desenvolvimento do país obstaculizado. […] Nada fica solucionado; piora. Querem fazer do Haiti um país capitalista, uma plataforma de exportação para o mercado americano; é absurdo. […] Existem elementos nesta sociedade que têm conseguido impedir que a violência se espalhe sem medida.”

Pergunta 3.

“Não é uma deixação ver no Haiti uma nação inassimilável, cujo único futuro é o retorno a valores tradicionais?Ricardo Seitenfus: “Uma parte do Haiti é moderna, urbana e tornada para o estrangeiro. O número de haitianos que moram fora de sua fronteira é estimado em

quatro milhões. É um país aberto ao mundo. […] Mais de 90% do sistema educativo e da saúde estão em mãos privadas. O país não dispõe de recursos públicos para fazer funcionar, de uma maneira mínima, um sistema oficial. […] O problema é socioeconômico. Quando a taxa de desemprego atinge 80%, desdobrar uma missão de estabilização resulta insuportável. Não há nada para estabilizar…”

Pergunta 4.

“O Haiti é um dos países que recebe mais ajuda no mundo, contudo, a situação não faz outra coisa do que se deteriorar há vinte e cinco anos. Por que?Ricardo Seitenfus: “A ajuda de urgência é eficaz; mas quando se torna estrutural, quando esta substitui o Estado em todas suas missões, consegue-se uma falta de responsabilidade coletiva. […] O sismo de 12 de janeiro e posteriormente a epidemia de cólera não fizeram outra coisa que acentuar este fenômeno. A comunidade internacional tem o sentimento de que cada dia tem que refazer o que terminou na véspera. […] Tinha a esperança que, perante a desventura de 12 de janeiro, o mundo ia compreender que se enganara com o Haiti. […] Em vez de fazer um balanço, foram enviados ainda mais soldados. É preciso construir estradas, elevar barragens, participar na organização do Estado, no sistema judicial. A ONU diz que não tem mandato para tal. Seu mandato no Haiti é manter a paz do cemitério.”

Pergunta 5.

“Que papel jogam as ONGs neste fracasso?Ricardo Seitenfus: “A partir do sismo, o Haiti se converteu em uma encruzilhada inevitável. Para as ONGs transnacionais, o Haiti se tem transformado em um lugar de passo forçoso. Diria inclusive algo pior do que isso: de formação profissional. […] Existe uma relação maléfica ou perversa entre a força das ONGs e a fraqueza do Estado haitiano. Algumas ONGs só existem devido à desgraça haitiana.”

Pergunta 6.

“Que erros foram cometidos depois do sismo?Ricardo Seitenfus: “Perante a importação maciça de bens de consumo para alimentar as pessoas sem lar, a situação da agricultura haitiana tem piorado. O país oferece um campo livre para todas as experiências humanitárias. Resulta inaceitável do ponto de vista moral considerar o Haiti como um laboratório. A reconstrução do Haiti e a promessa que salientamos dos 11 biliões de dólares despertam cobiça. […] Os médicos haitianos que Cuba forma, […] cerca da metade […] que deveriam estar no Haiti […] estão trabalhando hoje nos Estados Unidos, no Canadá ou na França.”

Pergunta 7.

“O Haiti é descrito sem cessar como a margem do mundo. Você vê o país como um concentrado de nosso mundo contemporâneo…?Ricardo Seitenfus: “É o concentrado de nossos dramas e dos fracassos da solidariedade internacional. Não estamos à altura do desafio. A imprensa mundial vem ao Haiti e descreve o caos. […] Para ela, o Haiti é um dos piores países do mundo. É necessário ir à cultura haitiana, é necessário ir ao torrão. […] Ninguém se toma o tempo nem tem a vontade de tentar compreender o que eu chamaria de alma haitiana.”

Pergunta 8.

“Além do reconhecimento do fracasso, que soluções propõe?Ricardo Seitenfus: “Em dois meses, terei concluído uma missão de dois anos no Haiti. Para permanecer aqui, e não ficar agoniado pelo que vejo, tive de me criar uma série de defesas psicológicas. Queria continuar sendo uma voz independente apesar do peso da organização que represento. […] No dia 12 de janeiro aprendi que existe um potencial de solidariedade extraordinário no mundo. E é preciso não esquecer que, nos primeiros dias, foram os haitianos os que completamente sozinhos, com as mãos vazias, tentaram salvar seus próximos. […] Devemos pensar simultaneamente em oferecer oportunidades de exportação para o Haiti e também proteger essa agricultura familiar que resulta essencial para o país. O Haiti é o último paraíso do Caribe ainda inexplorado pelo turismo, com 1 700 ?quilômetros de costas virgens […] Há 200 anos, o Haiti iluminou a história da humanidade e a dos direitos humanos. Agora é necessário dar uma oportunidade aos haitianos de confirmar seu ponto de vista.”

Pode-se ou não concordar com cada uma das palavras do brasileiro Ricardo Seitenfus, mas resulta inquestionável que disse verdades lapidárias em suas respostas.

Considero conveniente acrescentar, e também esclarecer:

Nosso país não só enviou centenas de médicos ao vizinho povo irmão do Haiti, mas também milhares deles a outros povos do Terceiro Mundo, nomeadamente em situações de desastres naturais, e contribuiu à formação de dezenas de milhares de médicos em nossa Pátria e no exterior.

A colaboração médica com o Haiti começou há 12 anos, a 4 de dezembro de 1998.

Quando a finais da década de 90 deixou de existir a tirania de Duvalier e dos Tonton Macoutes ?imposta durante décadas pelos Estados Unidos? e um governo de eleição popular assumiu a direção do Haiti, Cuba enviou 100 médicos para prestar serviços nesse país, e o primeiro contingente de jovens haitianos formados de bacharel se deslocaram a Cuba para iniciar seus estudos de Medicina em 1999.

Por sua vez, no ano 2001, iniciamos uma colaboração com a Universidade de Medicina criada pelo presidente Jean Bertrand Aristide, à qual enviamos professores que trabalhavam também como médicos ao serviço do povo haitiano. Quando os ianques promoveram um golpe de Estado, e a escola de medicina foi convertida em quartel pelos golpistas, ao redor de 270 estudantes da mesma se deslocaram a Cuba junto dos professores e continuaram seus estudos em nossa Pátria.

Não obstante, a Missão Médica Cubana continuou prestando seus serviços humanitários no Haiti, que nada tinham que ver com os problemas de caráter político internos do país, sob a ocupação dos soldados golpistas, as tropas ianques ou as forças da MINUSTAH.

Em agosto de 2005, os 128 primeiros alunos haitianos de sexto ano de Medicina regressaram a seu país para a prática docente de sua carreira, junto dos médicos cubanos que prestaram seus serviços no Haiti.

Desde o segundo semestre de 2006 até o segundo semestre de 2010 foram formados 625 jovens médicos haitianos, relativamente aos quais temos um altíssimo conceito. Deles, 213 trabalham nas instituições médicas do Governo do Haiti; 125 nos Centros de Controle Médico da Cólera ou nas brigadas de penetração nas sub-comunas, junto dos médicos cubanos e latino-americanos formados da ELAM que combatem a epidemia de cólera; 72 trabalham em centros médicos das ONGs e privados; 20 nos chamados “Centros Mistos”; 41 continuam estudando uma segunda especialidade em Cuba; 27 recém-graduados que já estão no Haiti, pendentes de colocação; 14 sem vínculo laboral por problemas pessoais como gravidez e maternidade; outros quatro cuja colocação se desconhece, e um falecido.

Por último, 104 trabalham no exterior, fundamentalmente na Espanha, nos Estados Unidos, no Canadá e na França; um na Suíça, e quatro em países da América Latina. Não seria correto emitir um critério sobre qualquer um deles visto que seu país é pobre demais, tem carência de recursos e empregos, e não consta em absoluto que algum deles se tenha negado a servir a seu país. São valores médicos muito demandados, cujos berços foram Haiti e Cuba.

A cifra oficial de falecidos pela cólera se eleva a 2 707 para uma taxa de 2,1%.

Durante três dias consecutivos não morreu um só doente de cólera entre os atendidos pela Missão Médica Cubana. A taxa de letalidade tem descendido já a 0,57 entre os 47 537 pacientes por eles tratados. A epidemia pode ser erradicada evitando que se converta em endêmica.

Na Mesa Redonda de amanhã, às seis horas da tarde, escutaremos notícias frescas e interessantes sobre a batalha contra a cólera no Haiti, e vozes com importantes notícias e autoridade sobre o tema.

Continuarei na Terça-feira 28 com o segundo ponto.

Fidel Castro Ruz

27 de dezembro de 2010

17h12

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Caiu a máscara da blogueira cubana Yoani

SEGUNDA-FEIRA, 20 DE DEZEMBRO DE 2010

WikiLeaks:
Em visita que realizou a Havana, em setembro de 2009, para dialogar sobre o restabelecimento de cor-respondência direta entre Cuba e os Estados Unidos, a subsecretária de Estado ad-junta para a América La-tina, Bisa Williams, deve ter se surpreendido com a solicitação que lhe fez a blogueira Yoani Sanchez: levantar a restrição que a impede de fazer compras pela internet.


“Sabe quanto mais poderíamos fazer?”, sugere a blogueira à funcionária norte-americana de mais alto nível que visitou Cuba em décadas, aludindo, com o termo “poder fazer”, à “luta” para derrocar o governo de Cuba por meio do acesso livre ao mercado on-line.


A insólita revelação aparece em um despacho vazado por WikiLeaks, publicado no domingo, dia 19, pelo sítio norte-americano Along the Malecon.


O informe, assinado pelo chefe do Escritório de Interesses dos Estados Unidos em Havana, Jonathan Farrar, e enviado ao Departamento de Estado da sede diplomática estadunidense em Havana, em 25 de setembro de 2009, descreve a “calorosa” acolhida que o governo de Cuba dispensou a Bisa Williams. Diz também que a subsecretária se reuniu com “dissidentes”.


Ao referir-se ao encontro que a funcionária teve com os blogueiros protegidos pelos Estados Unidos, Farrar afirma: “Os blogueiros, que, em parte por sua própria preservação, não querem estar agrupados com a comunidade dissidente, estavam igualmente otimistas com o curso dos acontecimentos. ‘Uma melhora das relações dos Estados Unidos é absolutamente necessária para que surja a democracia aqui’, disse a pioneira dos blogs a Williams em seu modesto apartamento. Segundo a revista Time, a blogueira é uma das 100 pessoas mais influentes. ‘As restrições só nos prejudicam’, acrescentando: ‘Sabe quanto mais poderíamos fazer se pudéssemos usar o Pay Pal ou comprar coisas on-line com um cartão de crédito?’”


A única blogueira que foi incluída na lista de famosos da revista Time – certamente poucos meses depois que seu blog começou a ser publicado – é Yoani Sanchez. Ela lançou seu blog em abril de 2007 e em março recebia o prêmio Ortega y Gasset de Jornalismo – dirigido pelo Grupo Prisa da Espanha, também envolvido por essa época em reuniões contra Cuba organizadas por funcionários norte-americanos, de acordo com WikiLeaks. A blogueira Yoani Sanchez foi, assim, premiada menos de um ano depois de seu primeiro post na internet e sem ter nenhum antecedente como jornalista ou nos círculos literários de Cuba.


Desde abril de 2007 até hoje, Yoani Sanchez foi privilegiada não só pela publicidade, recursos técnicos e de tradução para sua visibilidade na internet, mas com o apoio das autoridades norte-americanas que, de acordo com outros documentos divulgados por WikiLeaks, depositam nela grandes esperanças e a utilizam para dar imagem à retórica contra Cuba.

De acordo com os vazamentos, o chefe do Escritório de Interesses dos Estados Unidos em Havana assegurou que “é a nova geração de ‘dissidentes não tradicionais’, como [a blogueira] Yoanny Sanchez (sic!), que poderia ter maior impacto de longo prazo na Cuba da era pós-Castro”.


A partir da data em que esse despacho foi feito, se intensificaram os prêmios em instituições norte-americanas e europeias à pessoa em que os Estados Unidos dizem depositar suas esperanças para o triunfo de sua política na Ilha.

Apesar de tudo isso, as revelações de WikiLeaks não são segredo nem mistério para ninguém. Os EUA não escondiam suas preferências por este setor da “oposição” cubana. A maior partida de fundos públicos que os Estados Unidos destinam a um grupo para promover a mudança de governo em Cuba é enviada aos blogueiros e tuiteiros, com mais de US$5 milhões por ano, de acordo com documentos revelados pelo Senado norte-americano e que qualquer pessoa pode consultar.

O Novo Herald publicou, em 9 de abril deste ano, que o governo dos Estados Unidos enviou a Cuba, até dezembro de 2009, durante todos os meses, de duas a cinco pessoas contratadas para dar “ajuda técnica e financeira” a “dissidentes”, blogueiros e tuiteiros.


Os fundos do governo dos Estados Unidos para os programas de subversão contra Cuba – que somaram US$45 milhões nos anos fiscais de 2009 e 2010 – são administrados por meio de uma complexa rede de organizações não governamentais e empresas privadas e disfarces da CIA, que organizam a entrega de tecnologia de telecomunicações e dinheiro vivo a supostos oposicionistas cubanos, que se convertem tacitamente em empregados do governo norte-americano.


Jovens na rede, objetivo dos EUA em Cuba


Em outro despacho divulgado no domingo, dia 19, proveniente dos vazamentos de WikiLeaks, datado de 27 de novembro de 2006, o ex-chefe do Escritório de Interesses dos Estados Unidos em Havana, Michel E. Parmly, descreve uma reunião de funcionários dessa sede diplomática com “jovens ativistas pela democracia”, realizada “no quintal da residência de um diplomata norte-americano em Havana”.


Parmly escreveu que esperava que as autoridades cubanas reagissem a esse encontro com os meios de comunicação e as organizações sociais “para carimbar os jovens líderes como agentes do governo dos Estados Unidos... [Nós] estaremos trabalhando da mesma maneira que o governo cubano para incentivar as ações em outra direção, mais concretamente, articulando um maior e melhor trabalho na rede com os estudantes universitários que se opõem ao regime”.


Em data muito próxima, 1º de junho de 2010, um despacho enviado pelo representante máximo da diplomacia norte-americana na Ilha, Johnatan Farrar, dedica um trecho de seu informe à blogueira e à atenção que seu governo dispensa a ela:

“O pensamento convencional em Havana é que o governo de Cuba vê os blogueiros como seu mais sério desafio, que tem dificuldades para conter como fez com os grupos tradicionais de oposição. Os dissidentes da ‘velha guarda’ têm estado bastante isolados do resto da Ilha. O governo de Cuba não presta muita atenção a seus artigos e manifestos, porque não têm ressonância nacional e possuem um peso muito limitado internacionalmente.


Temporariamente, ignorar os blogueiros também parecia dar certo. Mas a crescente popularidade internacional deles e sua habilidade de estar um passo tecnológico à frente das autoridades causam sérias dores de cabeça ao regime. Os temores de que o problema dos blogueiros está fora de controle [do governo cubano] foram reforçados pela atenção que os Estados Unidos deram primeiro quando [a blogueira] foi detida e agredida e posteriormente quando o presidente [Barack Obama] respondeu a suas perguntas”.


Apesar disso, os diplomatas norte-americanos em Havana e sua chefa, a secretária de Estado Hillary Clinton – que dedicou um parágrafo à suposta agressão que a blogueira recebeu na brevíssima nota que divulgou no Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, em 3 de maio de 2010 –, nunca conseguiram provar que Yoani Sanchez havia sido agredida, fato que foi posto em dúvida tacitamente por vários correspondentes internacionais em Havana.


O correspondente em Cuba do diário digital espanhol La República entrevistou os médicos que atenderam Yoani pouco depois que ela informou ter sido vítima de uma agressão em 6 de novembro de 2009. Os especialistas que estavam de plantão na noite de 7 de novembro na Policlínica Universitária “19 de Abril”, de Havana, para onde se dirigiu a blogueira, asseguraram que “a paciente” não tinha o menor sinal de golpes ou ferimentos em seu corpo, embora tenha chegado com muletas ao local.

La República postou no Youtube as entrevistas que deram os médicos da Policlínica Universitária “19 de Abril” de Havana.


Texto traduzido do sítio CubaDebate pela redação do Vermelho. Para ver o original, em espanhol.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

O IMPÉRIO NO BANCO DOS RÉUS

Reflexões do companheiro Fidel: O IMPÉRIO NO BANCO DOS RÉUS




• JULIAN Assange, um homem que há vários meses muito poucas pessoas no mundo conheciam, está demonstrando que o mais poderoso império que jamais existiu na história podia ser desafiado.

O audaz desafio não provinha de uma superpotência rival; de um Estado com mais de cem armas nucleares; de um país com centenas de milhões de habitantes; de um grupo de nações com enormes recursos naturais, dos quais os Estados Unidos não podiam prescindir; ou de uma doutrina revolucionária capaz de estremecer até seus alicerces o império que se baseia no saque e na exploração do mundo.

Era só uma pessoa que apenas se ouvira mencionar nos meios de imprensa. Embora já seja famoso, pouco se conhece dele, exceto a muito divulgada imputação de ter praticado relações amorosas com duas damas, sem a devida precaução nos tempos da Aids. Ainda não se escreveu um livro sobre sua origem, sua educação ou suas ideias filosóficas e políticas.

Não se conhecem, inclusive, as motivações que o levaram ao contundente golpe que assestou ao império. Somente se sabe que moralmente o colocou de joelhos.

A agência de noticias AFP informou hoje que “o criador de WikiLeaks continuará na prisão apesar de obter a liberdade sob fiança (…) mas deverá permanecer na prisão até que se resolva a apelação apresentada pela Suécia, país que reclama sua extradição por supostos delitos sexuais.”

“…a advogada que representa o Estado sueco, [...] anunciou sua intenção de apelar da decisão de libertá-lo.”

“…o juiz Riddle estabeleceu como condições o pagamento de uma fiança de US$380 mil, o uso de um bracelete eletrônico e o cumprimento de um toque de recolher.”

Segundo a informação da própria agência, no caso de ser libertado “…deverá residir em uma propriedade privada de Vaughan Smith, seu amigo e presidente do Frontline Club, o clube de jornalistas de Londres, onde WikiLeaks estabeleceu há três semanas o seu quartel geral…”

Assange declarou: “Minhas convicções não vacilam. Mantenho-me fiel aos ideais que expressei. Se alguma coisa fez este processo, foi aumentar minha determinação de que estes são verdadeiros e corretos’’…”

O valente e brilhante cineasta norte-americano Michael Moore declarou que ofereceu a WikiLeaks seu site na internet, seus servidores, seus nomes de domínio e tudo o que possa proporcionar-lhe para “…’manter WikiLeaks vivo e próspero enquanto continua trabalhando para expor crimes que foram tramados em segredo e cometidos em nosso nome e com nossos dólares destinados aos impostos’…”

Assange, afirmou Moore, “está sofrendo ‘um ataque tão desapiedado’ [...] ‘porque envergonhou os que ocultaram a verdade’.”

“…’independentemente de que Assange seja culpado ou inocente [...] tem direito a que se pague sua fiança e a se defender’. [...] por isso, ‘aderi aos cineastas Ken Loach e John Pilger e à escritora Jemima Jan e ofereçi dinheiro para a fiança’.”

A contribuição de Moore foi de US$20 mil.

O ataque do governo norte-americano contra WikiLeaks foi tão brutal que, segundo pesquisas do ABC News/Washington Post, dois em cada três estadunidenses querem levar Assange aos tribunais dos Estados Unidos por ter divulgado os documentos. Ninguém se atreveu, contudo, a impugnar as verdades que contêm.

Não se conhecem detalhes do plano elaborado pelos estrategistas de WikiLeaks. Sabe-se que Assange distribuiu um volume importante de comunicações a cinco grandes transnacionais da informação, que neste momento possuem o monopólio de muitas notícias, algumas delas tão extremamente mercenárias, reacionárias e pró-fascistas como a espanhola Prisa e a alemã Der Spiegel, que as estão utilizando para atacar os países mais revolucionários.

A opinião pública mundial acompanhará de perto tudo o que aconteça acerca de WikiLeaks.

Sobre o governo direitista sueco e a máfia belicista da OTAN, que tanto gostam de invocar a liberdade de imprensa e os direitos humanos, cairá a responsabilidade de que se possa conhecer ou não a verdade sobre a cínica política dos Estados Unidos e seus aliados.

As ideias podem ser mais poderosas que as armas nucleares.



Fidel Castro Ruz

14 de dezembro de 2010

21 h 34 •