sábado, 29 de maio de 2010

SC - Criada Frente Parlamentar

29 mai, 2010
A cerimônia de lançamento aconteceu às 19 horas desta quarta-feira (26) no Plenarinho Deputado Paulo Stuart Wright, na Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina, e contou com a participação do deputado Sargento Amauri Soares (PDT), proponente da frente, e do cônsul-geral de Cuba no Brasil, Lazaro Mendez Cabrera. O objetivo é estreitar laços de amizade entre catarinenses e cubanos, defender a soberania dos países e estimular as relações comerciais e convênios tecno-científicos, esportivos e culturais, buscando o fim do bloqueio econômico ao país caribenho.


Segundo Soares, a criação da frente visa “resgatar uma dívida com o povo cubano”. Para o parlamentar, ainda existe muita falta de informação acerca de Cuba, algo “construído historicamente pelas escolas, igrejas e meios de dominação ideológicos”. “Dizer que Cuba é mais democrática que os Estados Unidos traz espanto à maioria das pessoas. Precisamos mostrar isso de perto”. Soares mencionou que planeja criar em novembro uma comitiva para visitar o país. “Vamos levar as pessoas para conhecerem de perto aquilo de que tanto ouvem falar mal. Será uma forma de tentar quebrar preconceitos”.


Iniciando seu mandato como cônsul-geral no país, Lazaro Mendez Cabrera disse que deseja ampliar o trabalho de divulgação do que afirmou serem conquistas da Revolução Cubana, principalmente nas áreas da medicina e educação, cujos bons índices seriam reconhecidos por organismos das Nações Unidas. “Se conhece pouco sobre Cuba, devido ao bloqueio econômico e à campanha difamatória a que estamos expostos desde 1959”. Cabrera também explicou ao público presente o funcionamento do sistema eleitoral cubano, a maior fonte de dúvida dos estrangeiros, segundo o diplomata. “Queremos demonstrar que pode haver democracia sem pluripartidarismo”.


Ele citou que no país, com cerca de 8 milhões de eleitores, não há policiamento nas eleições e nem obrigatoriedade de se votar. “Mesmo assim há um alto índice de participação da população nas eleições. Até mesmo os votos brancos não chegam a 5%. Isto se deve ao nosso sistema eleitoral, que está sendo continuamente aperfeiçoado, aumentando-se a participação popular”, completou. Para o diplomata, iniciativas como a Frente de Solidariedade são importantes, por abrirem uma via de comunicação com a sociedade brasileira.


A frente foi constituída a pedido da Associação Cultural José Martí de Santa Catarina (ACJM-SC), a exemplo de outras já existentes em São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Tem caráter suprapartidário e deve funcionar por tempo indeterminado.

Entre os deputados que já assinaram o apoio à Frente, estão: Dagomar Carneiro (PDT), Sargento Amauri Soares (PDT), Edison Andrino (PMDB), Genésio Goulart (PMDB), Ana Paula Lima (PT), Pedro Uczai (PT), Décio Góes (PT), Angela Albino (PCdoB), Dirceu Dresch (PT), Darci de Matos (DEM) e Jorginho Mello (PSDB). Segundo Soares, também manifestaram intenção de participar os deputados Silvio Dreveck (PP) e Jailson Lima (PT).


Após o lançamento da Frente, representantes da ACJM-SC convidaram o público a participar da III Convenção de Solidariedade a Cuba, um preparativo para a XVIII Convenção Nacional, que acontecerá entre os dias 4 e 6 de junho, em Porto Alegre. Além de elencar medidas de apoio ao país socialista, o evento pretende colocar em debate temas como a questão do bloqueio comercial, educação, saúde e uma moção de apoio aos cinco cubanos que estão atualmente presos nos Estados Unidos.

Representantes da escola de samba União Ilha da Magia, de Florianópolis, divulgaram que a agremiação finalizou acordo que estabeleceu Cuba como tema do seu desfile em 2011.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Colômbia

46 anos batalhando por uma nova Colômbia

Bogotá, 27 de maio - Lançando uma das mais duras ofensivas deste ano, as FARC-EP comemoram 46 anos de existência e luta insurgente. Em comunicado enviado à redação da ABP Notícias, as FARC evocam as causas que deram origem a seu surgimento, seu compromisso histórico com a paz e com bem-estar para o povo; apresentam o balanço de seu crescimento como força insurgente em contraste com a violenta precipitação de um governo que sob promessa de extermínio, cometeu os mais terríveis crimes contra o povo. Sobre o atual debate eleitoral as FARC-EP afirmam: "(...)está marcado pela intolerância e pela belicidade que impôs a autocracia Uribista".


Viva Bolívar! Viva Manuel!


“Há quarenta e seis anos que a oligarquia mais reacionária, sanguinária, terrorista e submissa à estratégia imperialista dos Estados Unidos na Colômbia, decidiu empurrar a nação ao terrível caminho da guerra, fazendo ouvidos surdos às milhares de vozes que clamavam pelo imperativo do diálogo e das saídas políticas ao invés das agressões militares contra os camponeses de Marquetalia. O poder da violência e do terror foram agitados na colérica e provocadora palavra do senador Álvaro Gómez Hurtado, que nunca foi à guerra ainda que, deslumbrado pelo terror das falanges franquistas na Espanha, preparou o terreno, sobre mentiras, para justificar o novo ciclo de violência como metodologia para arrasar a oposição política.

A demência do poder decretou poucas semanas para arrasar a resistência encabeçada pelo maior e mais firme comandante guerrilheiro de todos os tempos, Manuel Marulanda Vélez e seu nascente Estado Maior com Jacobo Arenas, Isaías Pardo, Hernando Gonzales, Joselo Lozada, Ciro Trujillo, Miguel Pascuas, Fernando Bustos e Jaime Guaracas que, junto aos demais corajosos camponeses que não ultrapassavam 46 vontades, enfrentaram o terror bipartidário representado no excludente pacto da Frente Nacional, que engendrou esta guerra que já dura meio século.

Desde o início da campanha oligárquica e militarista, auspiciada e planejada pelo imperialismo para justificar o terror contra o movimento agrário de Marquetalia e Riochiquito, até o dia que iniciaram a agressão, nossa voz, junto à de muitas organizações e personalidades nacionais e internacionais, vibrou de sensatez propondo saídas incruentas e construtoras de democracia, de desenvolvimento humano, de fortalecimento da produção alimentária, de equilíbrio ambiental, de reconhecimento à cosmovisão das comunidades indígenas e negras e de participação equitativa na produção e distribuição da riqueza. Mas a cegueira do poder da oligarquia criolla e sua postura de joelhos ante as migalhas do amo imperial, desqualificou e silenciou essas vozes. Seu conto tem sido o enriquecimento, a qualquer preço, a base do terror e do roubo.

As FARC-EP, nascemos empurradas pela intolerância, exclusão e perseguição violenta das castas que ostentam o poder e estabelecem os governos; “temos sido vítimas da fúria latifundiária e militar, porque aqui, nesta parte de Colômbia, predominam os interesses dos grandes senhores da terra e os interesses acorrentadores da reação mais retrógrada do país. Por isso nos tocou sofrer na carne e no espírito, todas as bestialidades de um regime podre que brota da dominação dos monopólios financeiros entroncados ao imperialismo.” manifestamos no Programa Agrário. Não inventamos esta guerra, nem fomos a ela como aventura para homologar epopeias redentoras da pobreza; assumimos com dignidade e seriedade o destino político que lhe impôs o abominável poder oligárquico à nação, como destacamos naquela época no Programa Agrário: "somos revolucionários que lutamos por uma mudança de regime. Mas queríamos e lutávamos por essa mudança usando a via menos dolorosa para nosso povo: a via pacífica, a via democrática de massas. Essa via nos foi fechada violentamente com o pretexto fascista oficial de combater supostas 'Repúblicas Independentes' e como somos revolucionários que de uma ou outra maneira jogaremos o papel histórico que nos corresponde, nos tocou buscar a outra via: a via revolucionária armada para a luta pelo poder".

Assim foi que os potentados do terror nos transformaram em combatentes de resistência que a sabedoria do povo tem nutrido neste quase meio século de ação pela dignidade, a paz e a soberania. Crescemos ao calor da batalha político-militar, aferrados ao legado histórico que nos deixaram as comunidades indígenas na resistência contra o invasor espanhol; as lutas contra esse mesmo poder por negros e cimarrões; o levantamento guerrilheiro dos comuneiros com José Antonio Galã, Lorenzo Alcantuz e Manuela Beltrán; os forjadores das mobilizações pela primeira independência do colonianismo Espanhol há duzentos anos com Dom Antonio Nariño; e ao fogo patriótico e soberano que nos irradia o pensamento e o exemplo do libertador Simón Bolívar. Florescemos na experiência dos guerrilheiros dos mil dias, já nos novecentos, contra o “regenerador” Rafael Núñez. Reafirmamos a luta contra a barbárie, agitando como bandeira a memória dos assassinados pelo exército oficial a serviço do imperialismo no massacre das bananeiras no dia 6 de dezembro de 1928 em Ciénaga, estado de Magdalena e na comprometida lembrança com todos os lutadores vitimizados pelo Estado e suas estruturas paralelas para o terror. Mas também crescemos com a crítica, o reconhecimento, o abraço, o amor e a ternura de uma importante multidão de compatriotas que nos alentam com seu próprio sacrifício na luta por transformar o modelo econômico e os costumes políticos implantados.

Nestes 46 anos de árdua luta, crescemos em razões e em nosso compromisso de luta com cada vez mais camponeses sem terra por deslocamento forçado, que já ultrapassam a infame cifra dos 4 milhões de refugiados internos devido ao terror paraestatal; com os milhões de sem teto e com os mais de 20 milhões de pobres que se esforçam para romper o império da desigualdade; com os mais de 20 milhões de desempregados condenados ao “jeitinho”; e compromisso com os milhões de jovens que não têm acesso à educação; com a memória de todas as vítimas do terrorismo de Estado em todos estes anos de terror e que dia a dia clamam justiça, assim como os mais de 2.500 assassinados pela força pública e apresentados baixo o eufemismo de “falsos positivos” neste governo de Uribe Vélez; com as mulheres que tecem esperanças de igualdade ante uma violência que lhes oprime e nega possibilidades de vida digna. Crescemos no fragor do combate e na experiência organizativa ante cada arremetida militarista e ante cada ciclo por desqualificar-nos e exterminar-nos. O Plano Colômbia não tem diminuído nossa fortaleza, nem nossa moral; fracassou ante as inocultáveis razões do levantamento e pelo violento autoritarismo que sustenta a política de segurança desse governo que termina; estatelou-se pela mentira, o crime e a corrupção que constituem sua verdadeira natureza.

A escalada militar imperialista em nossa pátria também fracassará ante a capacidade de luta e resistência da insurgência e a mobilização de nosso povo. A defesa da soberania pátria é um imperativo neste tempo de reverência oligárquica ante os interesses do governo estadunidense.

Nossa disposição a construir caminhos de paz é um compromisso de sempre: pela saída política nos lançamos com seriedade, com ponderação, sem ilusões às maiorias nacionais, sem politicagens, sem malícia em todos os cenários. Assim foi com o governo de Belisario Betancur e Virgilio Barco na Casa Verde, ou em Caracas e Tlaxcala com Cessar Gaviria, ou na última tentativa em Caguan com Andrés Pastrana. Mas a excludente minoria de políticos, empresários, latifundiários e narcotraficantes que ostentam o poder, têm armado carapuças para posicionar seus interesses, só têm procurado abrir espaço para recompor suas estruturas de repressão estatal sob ordens e financiamento do império; como a implementação do fracassado Plano Colômbia para impossibilitar qualquer avanço da paz democrática e impor a linguagem do terror e a chantagem para desqualificar os movimentos de resistência e libertação nacional, bem como desestabilizar a região diante dos ventos de mudança e soberania que acompanham o continente.


O governo que agoniza, prometeu o aniquilamento das FARC-EP, como uma irrefutável estratégia de manipulação mediática da opinião, para manter-se de todas as formas no poder. E com seu extravagante autoritarismo ocultar seus crimes, seus vínculos com o narcotráfico e o paramilitarismo, bem como a corrupção que fervilha por todos os cantos do palácio presidencial. Jamais se apagará da história colombiana este período escuro e letal do fátuo potentado que culmina seu governo com uma profunda crise estrutural e com mais de 100 membros de sua bancada parlamentar comprometidos com a parapolítica, a iídiche-política e a feira dos cartórios. Isso além dos escândalos fraudulentos como Carimagua, Agroingreso Seguro; os decretos de emergência social; as zonas francas para incrementar o patrimônio familiar; as perseguições e grampos ilegais do DAS a opositores, sindicalistas e ativistas de direitos humanos; a perseguição às cortes; as reuniões palacianas com narcotraficantes; a obsessão cega por impor um promotor de bolso; a agressão ao território dos países irmãos violando todas as normas do direito internacional; a ameaça a jornalistas independentes; os “falsos positivos” e a entrega do território nacional para a operação de forças militares de ocupação norte-americanas.


O debate eleitoral que culmina seu primeiro turno neste 30 de maio, está marcado pela intolerância e a pugnacidade que impôs a autocracia Uribista. As propostas, programas e compromissos com a nação têm sido substituídos pelo ataque grotesco e vulgar, pela propaganda obscura em um esforço desmedido por apresentar a um ou outro dos candidatos como uma opção mais reacionária e autoritária que a caracterizada pelo mandatário que sai. Todos se esforçam para demonstrar submissão ante o império, assumindo posições chauvinistas contra os vizinhos e com o joelho no chão frente ao império do norte, como afirmou Gaitán. Ninguém tem proposto debater os temas vitais que mantêm a nação no profundo abismo das desigualdades e do terror. Todos em coro prometem mais despesa militar e mais guerra. É escuro o horizonte que traçam estes aspirantes e por estas razões estamos convocando à abstenção, convencidos que só a força da mobilização de todos os colombianos poderá impor um destino verdadeiro de paz e de justiça que devolva os prisioneiros de guerra a seus lares, que libere os guerrilheiros e os milhares de presos políticos que apodrecem nas prisões do Estado, reconcilie e reconstrua a Colômbia. Só a luta organizada das maiorias levantadas há duzentos anos, para lançar o segundo grito por nossa definitiva independência, devolverá a terra para produção camponesa, resolverá a crise ambiental que gera constantes desastres naturais a mudança de estação e a crise alimentária que mata a nação. E solucionará definitivamente o drama dos refugiados, garantirá o acesso à educação em todos os níveis, à saúde integral, à moradia digna, ao emprego bem remunerado e asseguraria o exercício pleno e integral dos direitos humanos. Só a unidade de todos os revolucionários e democratas da pátria, mobilizados junto às grandes maiorias, nos permitirá tirá-la da horrível noite em que a deixou abatida o Uribismo e eximir a geração do bicentenário.

Neste 46º aniversário, ratificamos nosso compromisso com a pátria grande e o socialismo, com a paz democrática como condição essencial para a reconstrução e reconciliação de todos os colombianos. Com a memória viva de todos os lutadores por uma nova Colômbia, com a força moral do pensamento de Bolívar, Manuel Marulanda Vélez, Jacobo Arenas, Raúl Reis, Iván Rios, e Efraín Guzmán, as FARC-EP dedicamos todos nossos recursos humanos pelo acordo humanitário e a paz da Colômbia.



Compatriotas.



Secretariado do Estado Maior Central das FARC-EP



Publicado por:
 
Círculos Bolivarianos.
REDE PÚBLICA de discussão e debate do MORENA

REVOLUÇÃO

FIDEL - Conceito de Revolução


Publicado por: Redação Cuba Viva 25 mai, 2010



é sentido de momento histórico;

é mudar tudo que deve

ser mudado;

é igualdade e liberdade plenas;

é ser tratado e tratar aos demais

como seres humanos;

é emancipar-nos por nós mesmos

e com nossos próprios esforços;

é desafiar poderosas forças

dominantes dentro e fora

do âmbito social e nacional;

é defender valores nos quais se crê

ao preço de qualquer sacrifício;

é modéstia, desinteresse, altruísmo,

solidariedade e heroísmo;

é lutar com audácia,

inteligência e realismo;

é não mentir jamais

nem violar princípios éticos;

é convicção profunda

de que não existe força no mundo

capaz de esmagar

a força da verdade e as ideias.

REVOLUÇÃO é unidade,

é independência,

é lutar por nossos sonhos de justiça

para Cuba e para o mundo,

que é a base de nosso patriotismo,

nosso socialismo

e nosso internacionalismo.



Fidel Castro Ruz

1º de maio de 2000

quarta-feira, 26 de maio de 2010

III Convenção Estadual de Solidariedade Cuba de SC

O movimento nacional de solidariedade a Cuba realiza, nos próximos

dias 04,05 e 06 de junho, a XVIII Convenção, na cidade de Porto

Alegre/RS.

A Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba é um evento que congrega

todas as organizações e pessoas do país que estão do lado do processo

revolucionário cubano, com suas conquistas sociais e humanitárias. O

objetivo do evento, dentro dos marcos da defesa da soberania e

autodeterminação dos povos, é organizar os trabalhos da solidariedade,

construindo alternativas para contrapor o bloqueio midiático exercido

pelos poderosos meios de comunicação contra a Ilha Caribenha em nosso

país.


Em preparação ao evento nacional, a Associação Cultural José Marti de

Santa Catarina organiza a III Convenção Estadual de Solidariedade a

Cuba, que ocorrerá no próximo dia 26 de maio, às 19 horas, no

Plenarinho, da Assembléia Legistativa de Santa Catarina – ALESC,

quando também será formalizada a Frente Parlamentar Catarinense de

Solidariedade a Cuba, com a presença de representantes do governo

cubano.



Contamos com sua presença.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

O IMPÉRIO MANDA, AS COLÔNIAS OBEDECEM

Frei Betto e João Pedro Stédile

Após a Segunda Guerra Mundial, quando as forças aliadas saíram vitoriosas, o governo dos EUA tentou tirar o máximo proveito de sua vitória militar. Articulou a Assembléia das Nações Unidas dirigida por um Conselho de Segurança integrado pelos sete países mais poderosos, com poder de veto sobre as decisões dos demais.

Impôs o dólar como moeda internacional, submeteu a Europa ao Marshall, de subordinação econômica, e instalou mais de 300 bases militares na Europa e na Ásia, cujos governos e mídia jamais levantam a voz contra essa intervenção branca.

O mundo inteiro só não se curvou à Casa Branca porque existia a União Soviética para equilibrar a correlação de forças. Contra ela, os EUA travaram uma guerra sem limites, até derrotá-la política, militar e ideologicamente.

A partir da década de 90, o mundo ficou sob hegemonia total do governo e do capital estadunidenses, que passaram a impor suas decisões a todos os governos e povos, tratados como vassalos coloniais.

Quando tudo parecia calmo no império global, dominado pelo Tio Sam, eis que surgem resistências. Na América Latina, além de Cuba, outros povos elegem governos antiimperialistas. No Oriente Médio, os EUA tiveram que apelar para invasões militares a fim de manter o controle sobre o petróleo, sacrificando milhares de vidas de afegãos, iraquianos, palestinos e paquistaneses.

Nesse contexto surge no Irã um governo decidido a não se submeter aos interesses dos EUA. Dentro de sua política de desenvolvimento nacional, instala usinas nucleares e isso é intolerável para o Império.

A Casa Branca não aceita democracia entre os povos. Que significa todos os países terem direitos iguais. Não aceita a soberania nacional de outros povos. Não admite que cada povo e respectivo governo controlem seus recursos naturais.

Os EUA transferiram tecnologia nuclear para o Paquistão e Israel, que hoje possuem bomba atômica. Mas não toleram o acesso do Irã à tecnologia nuclear, mesmo para fins pacíficos. Por quê? De onde derivam tais poderes imperiais? De alguma convenção internacional? Não, apenas de sua prepotência militar.

Em Israel, há mais de vinte anos, Moshai Vanunu, que trabalhava na usina atômica, preocupado com a insegurança que isso representa para toda a região, denunciou que o governo já tinha a bomba. Resultado: foi sequestrado e condenado à prisão perpetua, comutada para 20 anos, depois de grande pressão internacional. Até hoje vive em prisão domiciliar, proibido de contato com qualquer estrangeiro.

Todos somos contra o armamento militar e bases militares estrangeiras em nossos países. Somos contrários ao uso da energia nuclear, devido aos altos riscos, e ao uso abusivo de tantos recursos econômicos em gastos militares.

O governo do Irã ousa defender sua soberania. O governo usamericano só não invadiu militarmente o Irã porque este tem 60 milhões de habitantes, é uma potência petrolífera e possui um governo nacionalista. As condições são muito diferentes do atoleiro chamado Iraque.

Felizmente, a diplomacia brasileira e de outros governos se envolveu na contenda. Esperamos que sejam respeitados os direitos do Irã, como de qualquer outro país, sem ameaças militares.

Resta-nos torcer para que aumentem as campanhas, em todo mundo, pelo desarmamento militar e nuclear. Oxalá o quanto antes se destinem os recursos de gastos militares para solucionar problemas como a fome, que atinge mais de um bilhão de pessoas.

Os movimentos sociais, ambientalistas, igrejas e entidades internacionais se reuniram recentemente em Cochabamba, numa conferência ecológica mundial, convocada pelo presidente Evo Morales. Decidiu-se preparar um plebiscito mundial, em abril de 2011. As pessoas serão convocadas a refletir e votar se concordam com a existência de bases militares estrangeiras em seus países; com os excessivos gastos militares e que os países do Hemisfério Sul continuem pagando a conta das agressões ao meio ambiente praticadas pelas indústrias poluidoras do Norte.

A luta será longa, mas nessa semana podemos comemorar uma pequena vitória antiimperialista.


Frei Betto é escritor


João Pedro Stédile integra a direção da Via Campesina

sexta-feira, 21 de maio de 2010

III Convenção Estadual de Solidariedade Cuba de SC

O movimento nacional de solidariedade a Cuba realiza, nos próximos dias 04,05 e 06 de junho, a XVIII Convenção, na cidade de Porto Alegre/RS.

A Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba é um evento que congrega todas as organizações e pessoas do país que estão do lado do processo revolucionário cubano, com suas conquistas sociais e humanitárias. O objetivo do evento, dentro dos marcos da defesa da soberania e autodeterminação dos povos, é organizar os trabalhos da solidariedade, construindo alternativas para contrapor o bloqueio midiático exercido pelos poderosos meios de comunicação contra a Ilha Caribenha em nosso
país.


Em preparação ao evento nacional, a Associação Cultural José Marti de Santa Catarina organiza a III Convenção Estadual de Solidariedade a Cuba, que ocorrerá no próximo dia 26 de maio, às 19 horas, no Plenarinho, da Assembléia Legistativa de Santa Catarina – ALESC, quando também será formalizada a Frente Parlamentar Catarinense de Solidariedade a Cuba, com a presença de representantes do governo cubano.


Contamos com sua presença.


Atenciosamente.

Mauricio Tomasoni

Presidente


ACJM-SC – Associação Cultural José Martí de Santa Catarina


Caixa Postal 27

88010-970 – Florianópolis – SC

CNPJ 00.074.248/0001-05

Fones (48) 3025-2991 e 9946-9441

Direita brasileira é enxotada da manifestação pró-Cuba

André Abrahão

quinta-feira, 20 de Maio de 2010 - 16h57

A direita brasileira escolheu o dia 20 de Maio, esta quinta-feira, para fazer uma manifestação contrária ao regime de Cuba, mas foram surpreendidos com uma manifestação favorável a ilha. Os cinco manifestantes de direita, liderados pelo deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA), foram enxotados pela dezenas de manifestadores que foram prestar solidariedade à Cuba.Para isso contaram com a ajuda de policiais militares que impediram os atos de agressão ensaiados pelos “ianques”, como foram chamados pelos manifestantes: “Fora ianques”. Eles ainda insistiram nas provocações, passando de carro em frente à Embaixada de Cuba em Brasília, onde se realizava o ato.

Após o encerramento do evento, que durou duas horas de discursos, gritos de palavras de ordem e agitação de bandeiras e exibição de faixas, os manifestantes foram recebidos pelo embaixador cubano, Carlos Zamora, nos jardins da embaixada. Ele quis agradecer pessoalmente ao que considerou “ demonstração de carinho e solidariedade para com a revolução cubana e o que ela significa para todo o mundo.”

A exemplo dos manifestantes, Zamora encerrou sua fala com as palavras de ordem: “A luta de Cuba é a luta do povo”; “Liberdade para os cinco”, “Abaixo o imperialismo”; “Viva José Martí”, “Viva Fidel Castro”. E foi acompanhado ainda nas palavras de “vivas” à “Eterna amizade do povo de Cuba e do povo do Brasil”, encerrando com “Patria ou Muerte”.

Vaias e vivas

Na chegada do grupo de Aleluia, que carregava fotos de presos em Cuba, o vice-presidente do Cebrapaz (Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz), Paulo Guimarães, que estava discursando no carro de som, calou-se para acompanhar a movimentação de chegada e retirada deles, que durou poucos minutos. E depois comemorou: “Foram embora com o rabo entre as pernas, porque não tem inserção social, não tem apoio popular.”

“Vaias para eles e vivas para Cuba”, gritavam os manifestantes à saída do grupo de Aleluia.

Após a saída do grupo, os manifestantes se revezaram ao microfone para apresentarem palavras de apoio e solidariedade. Guimarães voltou a falar “para prestar solidariedade e apoio a esse povo que tem uma história que honra a humanidade. Esse ato demonstra a representatividade da luta do povo cubano que está centrada no entendimento e solidariedade”, disse.

Campanha midiática

Os manifestantes, a exemplo da coordenadora do Núcleo de Estudos de Cuba (NesCuba) da Universidade de Brasília (UnB), María Auxiliadora César, também se posicionaram contra a campanha midiática das grandes potências que tentam desacreditar a revolução cubana diante do mundo. “Cuba soube resistir porque tem um povo bravo e existem grupos no mundo inteiro que a apoiam, como esse que está aqui agora em Brasília.”

“Na base de mentiras e calúnias, transformam delinqüentes comuns em “presos políticos”, transformam mercenários pagos pelos cofres do Pentágono em “dissidentes”, premiam blogueiros vulgares como se fossem jornalistas e escritores. O centro desta campanha esta na Casa Branca, com o apoio de governos e parlamentares reacionários da União Européia. No Brasil, a campanha é protagonizada pela mídia conservadora e uma minoria de direitistas no Congresso Nacional”, diz o texto distribuído entre os manifestantes.

Graça Sousa, secretária de mulheres da CUT, disse que os movimentos sociais estão alertas para a ofensiva do capitalismo contra a revolução cubana que, a despeito do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos, comemora 50 anos. E destacou as principais bandeiras de luta do regime cubano que conta com o apoio e solidariedade dos povos da América Latina: o fim do bloqueio, a devolução do território de Guatanamo e a libertação dos cinco cubanos presos nos Estados Unidos.

Tilden Santiago, que foi embaixador de Cuba no primeiro Governo Lula, falou sobre a alegria de participar do ato, destacando que a mesma alegria devem sentir Fidel e Raul Castro ao tomar conhecimento de que o povo trabalhador brasileiro defende a revolução.

“A democracia avança na América Latina e avança a resistência dos cubanos que deram suor e sangue contra o imperialismo”, discursou, acrescentando que “se hoje nós temos governos à esquerda em toda a América Latina – Bolívia, Venezuela, Equador e no Brasil -, nós devemos a resistência permanente da revolução cubana, que é a vanguarda do sistema socialista na América Latina.”

“De pé, nunca de joelhos”

O ato contou com a participação de representantes de outros países e de cubanos. Tirso Sainz, da Associação Nacional de Cubanos Residentes no Brasil (ANCREB) agradeceu a presença dos brasileiros, bolivianos e equatorianos, destacando que “a revolução cubana tem em seu povo a principal força.”

O coordenador do MST da Bolívia, Silvestre Saisari, disse que a presença da Bolívia no ato em apoio à Cuba representa a confiança na luta dos trabalhadores para construir uma pátria livre. Ele encerrou suas palavras breves, como a maioria dos oradores, puxando palavras de ordem: “Cuba de pé, nunca de joelhos.”

A equatoriana Loyda Olivo, da Via Campesina internacional, lembrou, em sua fala que “quem está contra Cuba está contra a América Latina.” E teve as palavras reforças por Rosângela Piovizani, do movimento de mulher camponesas, que destacou: “Cuba é uma referência para nós e tudo que significa de país livre do imperialismo”. Ao final, ela animou o público com as palavras de ordem: “Globalizemos a luta”. Em resposta, os manifestantes diziam: “Globalizemos a esperança.”

Roseli Maria de Sousa, da Via Campesina Brasil, resumiu sua fala à condução de uma representação. Ela pediu que os manifestantes se voltassem para a frente da embaixada e para o reconhecimento da revolução socialista com gritos de “vivas” à Cuba, à população cubana e aos trabalhadores e trabalhadoras que combatem o imperialismo. “É a Via Campesina na luta em defesa do socialismo e contra o imperialismo”, afirmou.

Lutas antigas e atuais

O embaixador Zamora, sob o sol forte de meio-dia, conversou com os manifestantes ao final do ato. Ele reforçou as lutas atuais do povo cubano, como a recuperação do território de Guatanamo, que serve como um posto de tortura dos Estados Unidos e que é mantido pela força; o fim do bloqueio econômico, que condena o povo cubano a penúria e que persiste, apesar de ser considerado pelos tratados e a comunidade internacional como elementos de genocídio; e a libertação dos cinco heróis cubanos, que lutaram contra o terrorismo dos Estados Unidos em nosso território e que estão cumprindo pena nas prisões dos Estados Unidos - presos injustamente e sem julgamento.

Zamora destacou que estas questões são ignoradas pela mídia internacional, que se cala sobre elas e que, enquanto elas existirem, Cuba não pode manter relação adequada com os Estados Unidos e nem o mundo poderia.

O diplomata também lembrou que a data de de maio é “cara” para o povo cubano, porque marca a morte do herói cubano José Martí, líder da guerra pela independência de Cuba.

Em 19 de maio de 1895, no comando de um pequeno contingente de patriotas cubanos, após um encontro inesperado com tropas espanholas nas proximidades do vilarejo de Dos Ríos, José Martí é atingido e vem a falecer em seguida. Seu corpo, mutilado pelos soldados espanhóis, é exibido à população e posteriormente sepultado na cidade de Santiago de Cuba, em 27 de maio do mesmo ano.“Um feito que nós cubanos levamos no coração”, disse o diplomata.

Sobre o dia 20 de maio, o diplomata disse que representa “um dia nefasto na história de Cuba”. Naquela data, "Cuba caiu nas garras do império norte-americano, que interveio na guerra contra a Espanha, ocupou militarmente a ilha e estabeleceu o que se conheceu pela primeira vez na história da humanidade como neocolonialismo.”

De Brasília

Márcia Xavier



Atualizada dia 20, às 19h

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Las Damas de Blanco y las Madres de Soacha.

Cuba, Colombia: comparaciones que gritan Verdad.

Por Azalea Robles

• Capitulo 1.

 Elegancia, caminatas, y cámaras

Las Damas de Banco se visten de blanco y muy elegantes llevan flores, y caminan en protesta de un malvado gobierno y sistema social que le garantiza a toda la población de Cuba el acceso a la vivienda, a la educación gratuita, a la salud gratuita, a la salubridad urbana y rural, a la cultura, al desarrollo humano, intelectual y artístico pleno de cada persona; ya que el malvado sistema cubano estima que la salud, la vivienda, la educación, la cultura y la sanidad no son un lujo o una mercancía, sino un derecho humano de todas y todos. Las Damas de Blanco caminan siempre muy elegantes, porque saben que las cámaras y espacios mediáticos mundiales van a captar y difundir cada una de sus marchas, cada uno de sus pasos.

Las Madres de Soacha no se visten de blanco, se visten con ropas variopintas y a veces dispares, remendadas y lavadas a mano en el agua gélida de un grifo popular, ya que muchas de ellas no tienen agua en sus casuchas de madera, plásticos y zinc. Las Madres de Soacha también caminan, pero no sólo en el sitio en que las cámaras internacionales las van a captar, como lo hacen las Damas de Blanco; de hecho las cámaras internacionales no suelen captar a las Madres de Soacha…

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Las Madres de Soacha sortean miles de preocupaciones básicas mientras llevan en el alma y en el llanto el recuerdo de sus hijos: caminan kilómetros y kilómetros al día, para ir a ofertar su fuerza de trabajo en casas de ricos, como “empleadas de servicio” a cambio de míseras sumas y de esas ropas variopintas y gastadas que tienen el mal gusto de ponerse. Caminan kilómetros a diario ya que muchas de ellas viven en zonas a las que no llega el transporte público, y menos se “atreve” a llegar un taxi, debido a la inseguridad que causan las condiciones paupérrimas del lugar en el que habitan.

Las Damas de Blanco no se preocupan por los básicos de la supervivencia cotidiana, ellas están a otro nivel, más filosófico; no se preocupan por su vivienda, ya que en Cuba la vivienda es un derecho básico que cada cual tiene, y no una mercancía, con lo cual ellas no conocen la preocupación del alquiler, el desahucio, los cortes de luz por impago, y todas esas preocupaciones terrenales que las alejarían de la escenificación y brillo que les corresponden, y de la difusión de la “necesidad de establecer en Cuba la Libertad”; la libertad de comprar como en Miami, y de morirse por falta de diálisis, como en Miami.

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• Capitulo 2. Hijos, comodidad y riesgos

Las Madres de Soacha han criado a sus hijos milagrosamente: solas, sin ayuda del estado, sin guarderías infantiles, sin salubridad, viviendo en medio de cloacas, y en casuchas que pueden caerse de la loma a la primera lluvia… Siempre nerviosas por el niño o la niña mientras iban a trabajar; algunas debiendo optar por dejarlos solitos con escasos 3 o 4 años de edad, a la merced de los accidentes mortales del hogar. Las Madres de Soacha han criado a sus hijos haciendo equilibrismo entre el agua con sal, el agua con azúcar, y el indispensable par de zapatos para el hijo al momento de mandarlo a la escuelita, si es que había alguna no muy lejos, cuya cuota de inscripción fuera accesible. Muchas han conocido desplazamientos forzados, en el segundo país con más desplazados del mundo… (1) En Colombia hay más de 4,5 millones de personas despojadas y desplazadas de sus tierras y hogares mediante el terror para beneficio de la oligarquía colombiana y de las multinacionales del agro-industrial o de la extracción.

Las Damas de Blanco han criado a sus hijos con todas las necesidades cubiertas, y además con acceso a la cultura, a los deportes y a una sociedad sana. Nunca se han preocupado por el asunto de las guarderías infantiles, ya que en Cuba las guarderías infantiles son un derecho básico, y las hay en todos los barrios. Nunca se han preocupado de accidentes de sus niños obligados a estar solos en el hogar… Nunca se han preocupado de deslaves, e incluso en las catástrofes naturales, como los ciclones que azotan periódicamente a Cuba, han gozado de un eficaz plan de evacuación, de asistencia social, de salubridad, que hace que Cuba, gracias a su sistema, sea el único país de la región en el que esos ciclones no dejan centenares o miles de muertos, como sí es el caso en Haití, Republica Dominicana, Honduras, USA (Nueva Orleans), Nicaragua, etc.…

Las Damas de Blanco nunca se han preocupado por la insalubridad, ya que en Cuba la salubridad es un básico resuelto en el que la desarrollada medicina preventiva cubana pone mucho énfasis.

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• Capitulo 3. Libertad

Las Damas de Blanco claman “Libertad y Justicia”, según unos conceptos que estipulan que la Libertad es la libertad a la propiedad privada, y la “Justicia” significa que ellas, sus allegados y sus familiares puedan poner bombas en hoteles o cines de Cuba, puedan delinquir y asesinar, pagados por la CIA, y que se les aplique la “justicia” de dejarlos en libertad (2).

Las Madres de Soacha y las madres de los 7.500 presos políticos en Colombia claman “Justicia y Libertad”. Las madres de Soacha piden que no haya impunidad para militares, generales y planificadores de algo llamado “falsos positivos” (3); las madres de los presos políticos en Colombia piden la Libertad de sus hijas e hijos, encarcelados bajo montajes judiciales (4), (5): estudiantes, sindicalistas, campesinos, indígenas, afro descendientes, líderes feministas, sociólogos, maestros, algunos condenados a penas que rondan los 40 años de cárcel, por su pensamiento crítico y reivindicación social.

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• Capitulo 4. Sobrevivientes

Muchas de Las Madres de Soacha son sobrevivientes de las masacres perpetradas por la Herramienta paramilitar y militar del estado colombiano y de las multinacionales (6); masacres perpetradas para desalojar a campesinos, indígenas y afro descendientes. Con estos traumas sicológicos a cuestas viven en Bogotá, o más bien en sus barrios periféricos, aquellos reservados a los más empobrecidos, como lo es Soacha. Sus rostros envejecidos por el terror y la miseria son marginados de difusión mediática: mujeres valientes, golpeadas, avanzan invisibles en el trasegar de los pueblos.

Las Damas de Blanco llegan a sus casas, después de una marcha, como “sobrevivientes”… sobrevivientes al calor habanero multiplicado por las cámaras múltiples, e intensificado por la multitud que siempre se aglutina en torno a ellas cuando salen a hacer sus mediatizadas marchas: con el fin de abuchearlas, no de aplaudirlas (7). La multitud les grita que el pueblo cubano no se cree sus mentiras, que no alienten las políticas del bloqueo genocida de USA contra Cuba… Las Damas de Blanco, visiblemente desacreditadas por la pasión con la que el pueblo cubano sale a las calles a recriminarles su mercenariato, caminan disgustadas por lo que ellas más tarde llamarán ante los mass-media mundiales: “el lavado de cerebro castrista”, pues ellas no pueden entender que el pueblo cubano prefiera defender a Cuba revolucionaria y no caer en un sistema de privilegios para pocos y exclusiones correlativas para las mayorías, como lo es el capitalismo. No obstante el ostensible repudio popular que suscitan las Damas de Blanco en Cuba, los mass-media ocultan y deforman sin cesar la realidad. Las arregladas caras de las Damas de Blanco, ofuscadas por el oprobio de no poder hacer de Cuba un país capitalista, llenan las pantallas del mundo entero.

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• Capitulo 5. Traumas

Las Madres de Soacha viven cotidianamente con imágenes de horror estampadas en el alma: imágenes de las masacres con moto-sierra que acabaron con la vida de sus familiares; las imágenes del horror inyectado por la Estrategia paramilitar del estado colombiano y sus militares (8)… Estas Madres deben acostarse y levantarse cada día, y avanzar sorteando el miedo y la angustia, con un corazón de praderas irreales. Estas Madres han sobrevivido sin embargo a las masacres, y han “echa´o pa´lante” para la ciudad a criar a sus hijos…

Las Damas de Blanco viven cotidianamente traumatizadas por “la dictadura castrista” que les impide acumular tierras y lujos, que les impide desposeer a otros cubanos, para tener sobre ellos un privilegio feudal. Con estos traumas sicológicos a cuestas viven las Damas de Blanco, como habaneras en La Habana… o mejor dicho viven en la Habana como estadounidenses-habaneras, ya que gozan de una paga en dólares suministrada por la “Oficina de Intereses de Estados Unidos en Cuba”. Se duermen y se despiertan con la omnipresencia de las imágenes de los grandes shopping-centers de Miami, en el alma, estilizada y plastificada; siempre listas para influenciar a sus hijos y a otros jóvenes con la propaganda de “lo maravilloso que es vivir en el capitalismo”, al que ellas llaman “Mundo Libre”.

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• Capitulo 6. En la Guerra mediática unas apuñalan y otras son apuñaladas

Entre lo superfluo “útil” sobre-mediatizado y lo macabro “útil” escondido… 35 000 niños muriendo por causas evitables cada día son un “detalle”; la parábola de la uña rota frente al hospital devastado…

Las Damas de Blanco apuñalan propaganda; son parte de una maquinaria de guerra mediática adelantada por la ex oligarquía que había en Cuba antes de la revolución y por el gran capital transnacional. La propaganda inyectada a través de los mass-media mundiales y los grupúsculos financiados en Cuba por la CIA, busca acabar con la revolución cubana, preparando internacionalmente una matriz de opinión en la que se presenta a Cuba como un sistema nefasto, lleno de pobreza e injusticia, y a su gobierno como un régimen despótico. En Cuba, esta propaganda busca convencer de “las maravillas del capitalismo”, obviando que en el “Mundo Libre” cada 7 segundos muere de hambre un niño de menos de diez años. Ninguno en Cuba.

En el “mundo Libre”, 200 millones de niños viven y duermen en las calles; ninguno en Cuba.

1.020 millones de personas sufren de malnutrición crónica en el mundo (FAO) (9). Ninguna de ellas es cubana.

Cada día mueren en el mundo por causas totalmente evitables unos 35 000 niños (10), ninguno de ellos en Cuba. Cuba, a pesar de ser un país bloqueado, posee índices de salud iguales a los del “primer mundo” (“una tasa de mortalidad infantil de 4,7 por cada mil nacidos vivos y 26 de los 169 municipios cubanos presentan mortalidad cero» (UNICEF))… esto porque hay voluntad, decisión política, y sobre todo porque el sistema cubano no permite la libertad de acumular y capitalizar en grandes monopolios. Es esta capitalización la que excluye a las mayorías del acceso a suplir sus necesidades más vitales, como pasa en el “Mundo Libre”.

En América Latina y el Caribe hay 228 millones de pobres, 102 millones de indigentes, o sea el 42% de la población en la pobreza y el 20% en total indigencia. Ninguno de ellos es cubano. (CEPAL). (11)

En América Latina mueren decenas de miles de personas, cada año, por falta de atención médica; salvo en Cuba: Cuba es el país del mundo que tiene la más alta cifra de médicos por habitante, y la medicina en Cuba no es una mercancía, sino un derecho humano.

Actualmente mueren casi dos millones de niños al año en el mundo, sólo por falta de agua potable y saneamiento adecuado… Ninguno de ellos en Cuba. (12)

Pero las Damas de Blanco, muy a la par de los Menticientes de Miami, no toman en cuenta estas cifras, estos “detalles” acerca de la vida y la muerte de millones de personas; ellas tienen una jugada política que hacer, y es para lo cual les pagan. Una jugada política amplificada por los mass-media de propiedad de los mismos que las financian, para que funjan de “víctimas” del único sistema social que antepone el beneficio del ser humano al del gran capital. Sus financistas, acumuladores de riquezas y de patrañas, tienen en las Damas de Blanco y en demás grupúsculos desprovistos de ética, la base idónea para sus montajes mediáticos.

Las Madres de Soacha fueron apuñaladas por la propaganda; han sido molidas por la perversión de una maquinaria de guerra adelantada por la oligarquía colombiana y el gran capital transnacional. La propaganda inyectada mediante los mass-media busca presentar una realidad virtual de Colombia que no corresponde con la realidad objetiva, creando internacionalmente una matriz de opinión en la que se presenta al Estado colombiano como un Estado “desbordado” entre “bandas de extrema izquierda y bandas de extrema derecha”: tapando la realidad de que el Estado colombiano es un Estado-instrumento de la oligarquía colombiana y de las multinacionales para viabilizar el saqueo de los recursos, acallando mediante la represión atroz toda reivindicación social. La propaganda busca ocultar que es en ese este marco de Terrorismo de Estado al servicio del gran capital, que se desarrolla la Estrategia paramilitar.

La propaganda busca presentar a la Estrategia Paramilitar del Estado colombiano y las multinacionales, como “bandas de extrema derecha” de surgimiento “espontáneo” “frente a las bandas de extrema izquierda”; cuando en realidad no hubo tal “surgimiento espontáneo en respuesta a”: el Paramilitarismo fue, y es, una herramienta del terror del Estado y las multinacionales (13) para asesinar sindicalistas, comunistas, ecologistas y todo aquel que reivindique los derechos económicos, sociales, ecológicos y culturales del pueblo de Colombia (14) . La Herramienta Paramilitar es coordinada por los militares, por los asesores USA y del Mossad; y en pago por su “labor” de asesinar comunistas y opositores, le han dado parte de la gestión del narcotráfico a algunos capos paramilitares: éstos comparten la gestión del narco con la oligarquía secular, bajo la supervisión de la CIA, que gestiona los dineros del narco a nivel internacional. La mayoría del dinero del narcotráfico termina en las plazas financieras de USA y UE, quedándose una parte sustancial en manos de la CIA para financiar sus operaciones encubiertas en toda América: golpes de Estado (el caso más reciente es el de Honduras), desestabilización y financiación de paramilitarismo contra el proceso de emancipación de Venezuela, paramilitarismo contra la resistencia en Honduras, reactivación de terror paramilitar en Perú (particularmente en las zonas de alto interés para las empresas mineras), paramilitarismo y terror en México (otro país clave), fomento de las Maras y otras estructuras destinadas a la desintegración social en Centro-América, coordinadas en Guatemala por las sanguinarias PAC de Ríos Montt, operaciones contra Cuba, etc.…

La Madres de Soacha han visto cómo sus hijos eran asesinados y sus cadáveres usados para los siniestros montajes militaro-mediáticos del Estado colombiano: conocidos como “falsos positivos”.

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• Capitulo 7. Montajes mediáticos: Cómo ocultar un genocidio y sus causas en Colombia, y cómo inventarse disidentes en Cuba

Guerra mediática y sus insumos: miles de asesinatos perpetrados por el Estado colombiano, y Damas de Blanco caminando mientras los Damos ponen bombas…

La Madres de Soacha tienen las vidas atravesadas por los Montajes mediáticos. En los barrios periféricos donde viven, el Estado busca a sus víctimas para los “falsos positivos”. Los militares del ejército de Colombia secuestran niños y jóvenes pobres en barrios como Soacha, se los llevan, los asesinan y los presentan como “guerrilleros dados de baja en combate”. La ONU ya ha reconocido al menos 2000 casos de niños y jóvenes asesinados por el ejército colombiano para la fabricación de sus “falsos positivos”, y la cifra adelantada por las organizaciones de derechos humanos supera los 5000 asesinatos: y esto es sólo la punta del iceberg de lo que es una política estatal, determinada por la directiva presidencial 029, que incentiva estos crímenes mediante un perverso mecanismo de recompensas (15).

Los “falsos positivos” benefician al Estado pues este aduce que su política contra-insurgente arroja “resultados reales”. El disfrazar de guerrilleros a los civiles asesinados, le permite también al Estado asesinar sindicalistas, estudiantes, campesinos, y hacerlos pasar por “guerrilleros muertos en combate”. Colombia es el país más peligroso del mundo para ejercer el sindicalismo, y eso no parece “ameritar” ser noticia mundial. Miles de sindicalistas han sido asesinados y el genocidio sigue en medio del más absoluto silencio internacional que beneficia al Estado y su estructura militar-paramilitar.

La práctica de montajes de todo tipo es uno de los caballos de guerra más desarrollados del Estado colombiano. Es un Estado que practica incluso el auto-atentado (16), (17) con tal de provocar muertos para poder sustentar su guerra mediática, como ha sido corroborado por funcionarios del propio DAS, y recientemente incluso por documentos escritos del DAS: “Montajes (…) Sabotaje, Terrorismo: explosivos incendiarios servicios públicos, tecnológico (…)” (17). Entre los raptados por el ejército y sus paramilitares para posteriormente asesinarlos y disfrazarlos en sus “falsos positivos”, hay varios niños… Presentarlos como “guerrilleros muertos en combate” potencia la campaña de desprestigio contra la guerrilla que adelanta el Estado (documentos DAS) (17). El Estado es experto en fabricar “pruebas”, poco importa que eso implique asesinar.

En Colombia la guerra física y la guerra mediática adelantadas contra el pueblo por el gran capital, mediante las estructuras del Estado (militares y paramilitares), han llegado al paroxismo absoluto: se habla de “Guerra mediática y cadáveres útiles al Estado”

El Terrorismo de Estado en Colombia ha desaparecido a más de 200.000 personas (18), El Terror Estatal ha desplazado de sus tierras a más de 4,5 millones de personas (1), mediante sus militares y su Herramienta paramilitar, ofreciendo así las tierras vacías de habitantes y reivindicaciones a latifundistas y multinacionales. El régimen colombiano tiene más de 7.500 presos políticos encarcelados mediante montajes judiciales (4).

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La Damas de Blanco tienen las vidas atravesadas por los montajes mediáticos: son financiadas por la mafia de Miami y la CIA, vinculada con Damos como Posada Carriles, responsable del atentado contra el avión de Cubana de Aviación en 1976, en el que murieron 73 personas (19). Estos grupúsculos son la minúscula y terrorífica base social mercenaria, que le ha causado a Cuba muchos muertos y lisiados, y que además adelantan permanentemente una campaña de mentiras contra la Isla. Esta minoría mercenaria es la que, a través de la lupa y deformación de los mass-media, se proyecta como multitudinaria. Los mass media adelantan la conquista de la opinión pública contra Cuba. Las acciones de las Damas de Blanco sirven de sustento a los montajes mediáticos, ya que, a nivel mundial, cualquier caminata de las Damas de Blanco es sobre-mediatizada, con una lectura del asunto completamente descontextualizada, distorsionada y mentida… de un puñado de “Damas” los mass-media fabrican titulares como: “Pueblo cubano protesta contra la dictadura castrista”, y de una evacuación popular de las Damas de Blanco, los mass-media mundiales titulan “Los Castro revientan a golpes la protesta de las Damas de Blanco” (20). Todos los diarios del grupo español Vocento titulaban hace poco: “Castro se ensaña con la protesta pacífica”, y afirmaban que “la protesta pacífica “fue “desbaratada a golpes por la Policía cubana” (20). Los ejemplos de desinformación y mentiras, en los que se transforma a un puñado de asalariadas de Estados Unidos en “una multitud”, y en los que se transforma a las mujeres policías cubanas (que curiosamente llevan tacones para “reprimir”) en agresivas fuerzas de represión abundan… Se impone la comparación entre lo que los mass-media nombran “la brutal represión” refiriéndose a la policía cubana, y las verdaderas represiones brutales que nunca tienen cabida para ser denunciadas por los mass-media… En México, Colombia, o Nigeria son con frecuencia asesinadas personas por la policía, que Sí reprime brutalmente las manifestaciones… Y sin salir de Europa: los policías anti-manifestaciones parecen más Robocops que seres humanos (21).

José Manzaneda relata así la realidad de las marchas organizadas en Miami en contubernio con las realizadas por las Damas de Blanco en La Habana (22): “El pasado 25 de marzo, una marcha recorría las calles de Miami en favor de las llamadas Damas de Blanco, grupo de familiares de presos que cumplen condena en Cuba por colaboración con el gobierno de EEUU. La manifestación fue convocada por la cantante Gloria Estefan, quien pertenece a una de las familias que huyeron a Miami por sus vínculos con la dictadura de Fulgencio Batista, a cuya guardia personal perteneció su padre. El acto fue secundado por organizaciones que apoyan no sólo el bloqueo, sino la intervención militar en Cuba, y contó con la presencia de Posada Carriles, terrorista protegido por el gobierno de EEUU y autor confeso, entre otros muchos atentados, de la voladura de un avión de Cubana de Aviación en pleno vuelo en 1976, que causó 73 víctimas mortales. La persona que introdujo refugiado en EEUU a este criminal, en el interior de su propio yate, es Santiago Álvarez Fernández-Magriñá, uno de los financiadores de las Damas de Blanco, a través de la asociación que preside, Rescate Jurídico (23)”

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• Capitulo 8. el Drama silenciado y el Teatro vociferado

Las Madres De Soacha y sus familiares han conocido de lleno el Terrorismo de Estado en Colombia por reclamar que sean condenados los asesinos de sus hijos, y que se castigue la criminalidad del Estado. Han sufrido la desaparición y asesinato de otros de sus hijos y familiares, amenazas por denunciar, han visto la liberación e impunidad para los militares autores materiales de los crímenes, así como la libertad e impunidad para los autores intelectuales de los crímenes (que ni siquiera fueron imputados)… Las Madres de Soacha han sido criminalizadas, y muchas deben esconderse, ya que varios testigos y denunciantes en los casos de los “falsos positivos” han sido asesinados para asegurar la impunidad dentro del marco de una estrategia estatal (24). Si de su sufrimiento hay que hablar… la voz misma se quiebra de angustia ante el genocidio y la indiferencia internacional que se abate sobre el pueblo colombiano. El llanto largo e invisibilizado de las Madres de Soacha no goza de la solidaridad de “intelectuales y artistas” a nivel mundial. Los mass-media internacionales guardan silencio acerca de este drama.

Las Damas de Blanco y sus familiares han conocido de lleno las embajadas de varios países europeos, cuyos funcionarios también atizan el odio contra Cuba y su sistema social. Ninguna Dama de Blanco ha sido desaparecida o asesinada. Si de su “sufrimiento” hay que hablar… tal vez han sufrido sus trajes de lino blanco por marchar en los calores habaneros… El perpetuo martilleo mediático de cualquier ademán de las Damas de Blanco goza de la solidaridad de “intelectuales y artistas” a nivel mundial. Los mass-media internacionales han hecho gran alboroto con esta farsa.

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• Capítulo 9. Dos realidades mentidas y ocultadas: Antípodas cuya comparación desvela la manipulación de los medios de comunicación

El que se haya descubierto en Colombia la mayor fosa común del continente americano, con 2000 cadáveres, producto de desapariciones y asesinatos de la Fuerza Omega del ejército, no es noticia mundial (25), cuando debería ser un escándalo mayúsculo, dada la dimensión del crimen, sólo comparable a las fosas nazis. Para buscar información acerca de este hecho dantesco hay que convertirse en un arqueólogo de los archivos, mientras que basta con teclear “Damas de Blanco”, y aparece toda la falsimedia contra Cuba, que, obviamente, también oculta a Cuba. Colombia y Cuba son dos realidades mentidas y ocultadas: la primera es la realidad del pueblo que mayor genocidio y dictadura conoce de todo el continente americano, y la segunda es la realidad del pueblo que goza de mayor respeto a los derechos humanos y mayor libertad de todo el continente americano, la realidad que le da al ser humano vitamina de esperanza… Pero la falsimedia muestra de Colombia un “Estado democrático”, ocultando de un plumazo a los 200.000 desaparecidos… y de Cuba muestra a “un Estado irrespetuoso de los derechos humanos”… ¡Qué cinismo macabro!

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NOTAS:

(1) Colombia es, según informes de la ACNUR y de CODHES el segundo país con más desplazados del mundo, después de Sudán, incluso delante de Irak o Afganistán. Hay más de 4,5 millones de personas despojadas y desplazadas de sus tierras, las cifras de varios organismos de derechos humanos en Colombia, refieren 5,5 millones de personas desplazadas. http://www.codhes.org/index.php?option=com_content&task=view&id=187

http://www.acnur.org/pais/docs/2583.pdf

IDMC, Internal Displacement Monitoring Center: http://www.internal-displacement.org/8025708F004CE90B/%28httpEnvelopes%29/C89B42F05847587BC12575EF0051E74C?OpenDocument&count=10000

MOVICE, Movimiento Nacional de Víctimas de Crímenes de Estado: 4,5 millones de desplazados, cifras 2009:

http://www.movimientodevictimas.org/index.php?option=com_content&task=view&id=278&Itemid=64

MOVICE: 10 millones de hectáreas de tierras despojadas a los campesinos, 2009: http://www.movimientodevictimas.org/index.php?option=com_content&task=view&id=274&Itemid=69

(2) Damas de Blanco: http://www.rebelion.org/noticia.php?id=103767

http://www.cubadebate.cu/opinion/2010/04/08/desmontando-el-guion-mediatico-de-las-damas-de-blanco/

(3) “los falsos positivos”: http://www.rebelion.org/noticia.php?id=98363

http://www.falsos-positivos.blogspot.com/ http://www.rebelion.org/noticia.php?id=100822

(4) Presos políticos en Colombia: http://www.arlac.be/A2009/2009/Tlaxcala.htm . Campaña europea 2009-2011 por la liberación de los presos políticos en Colombia. Son 7500, en su mayoría presos de opinión y activistas sociales que luchan por una Colombia digna, con paz y justicia social. Las asociaciones y personas del mundo que quieran apoyar la campaña por la liberación de los presos políticos en Colombia, son bienvenidas. Para firmar pinchar aquí: http://www.tlaxcala.es/detail_campagne.asp?lg=es&ref_campagne=14&nbsp

(5) Encarcelados bajo montajes judiciales. Tras 3 años presas por un montaje judicial, más de 40 personas son liberadas tras “falso positivo” jurídico masivo: http://www.rebelion.org/noticia.php?id=104161&titular=m%C3%A1s-de-40-personas-son-liberadas-tras-%E2%80%9Cfalso-positivo%E2%80%9D-jur%C3%ADdico-masivo-

MOVICE. Falsos Positivos Judiciales: http://www.movimientodevictimas.org/index.php?option=com_content&task=view&id=554&Itemid=1

(6) Paramilitarismo de Estado en Colombia - informe y documentos: http://www.arlac.be/paramilitarismo/html/deuda.htm

http://www.elespectador.com/noticias/judicial/articulo91305-mancuso-dice-fuerza-publica-le-ayudo-masacre-del-aro

Audiencia a paramilitar Mancuso: Rito Alejo del Río Coordinador paramilitares: http://www.youtube.com/watch?v=3WlH5RpofaU

(7) La población cubana abuchea a las Damas de Blanco cuando salen a hacer sus mediatizadas marchas, VIDEO: http://www.kaosenlared.net/noticia/video-cubanasos-defienden-socialismo-frente-oposicion-capitalista-subv

(8) Los testimonios de paramilitares, de sobrevivientes y los resultados de los equipos forenses evidencian que la Estrategia paramilitar del Estado diseñó un método para descuartizar a seres humanos: dictando “cursos” utilizando a personas vivas llevadas hasta sus campos de entrenamiento. Francisco Villalba, el paramilitar que dirigió en el terreno la barbarie del Aro (Antioquia), en la que torturaron y masacraron a 15 personas durante 5 días, revela detalles de esos “cursos”: "Eran personas que llevaban en camiones, vivas, amarradas (...) Se repartían entre grupos de a cinco (...) las instrucciones eran quitarles el brazo, la cabeza... descuartizarlas vivas(…) Ellos salían llorando y le pedían a uno que no le fuera a hacer nada, que tenían familia"

http://www.eltiempo.com/archivo/documento/CMS-3525024

Los “cursos de descuartizamiento” eran para adiestrar a los paramilitares en su función más específica: infundir terror en la población, para lograr “disuadir por el terror” y lograr desplazar a los sobrevivientes que habían presenciado las masacres. Así se expresó el paramilitar Veloza, alias HH, refiriéndose al ejército oficial de Colombia: “Nosotros éramos ilegales y son más culpables ellos que nosotros, porque ellos representaban al Estado y estaban obligados a proteger a esas comunidades y nos utilizaban a nosotros. Nosotros cometimos muchos homicidios y tenemos que responder, pero ellos también deben responder…” 'H.H' revela vínculos de AUC con Byron Carvajal y Rito Alejo del Río: http://www.elespectador.com/noticias/judicial/articulo116951-alias-hh-revela-vinculos-de-auc-byron-carvajal-y-rito-alejo-del-rio

HH confiesa más de 3000 asesinatos; será extraditado para callar los nombres de los autores intelectuales:http://www.kaosenlared.net/noticia/paramilitar-confiesa-mas-3000-asesinatos-sera-extraditado-para-callar-

(9)FAO: www.fao.org/news/story/es/item/20568/icode/

(10) UNICEF, informe Estado Mundial de la Infancia 2009

(11) Fuentes actualizadas con el último informe de la CEPAL, informe del BID, y las previsiones 2010 de la OCDE

http://www.educacion.es/horizontales/prensa/discursos/2010/02/tribuna-iberoamerica.html

http://www.oei.es/pdf2/PSE2009-Cap-I-pobreza.pdf

http://www.lavozdelsandinismo.com/internacionales/2010-03-21/cepal-228-millones-de-pobres-en-america-latina-y-el-caribe/

http://www.eleconomista.es/mercados- cotizaciones/noticias/1737831/11/09/Treinta-y-nueve-millones-de-nuevos-pobres-en-America-Latina-en-2010.html

"39 millones de personas más caerán bajo el nivel de pobreza en América Latina en el 2010", indicó la OCDE en su informe 'Panorama Económico', 2009. Las estimaciones de pobreza en América Latina, contrastando varias de las fuentes más optimistas como la CEPAL, arrojan que las cifras alcanzarían los 228 millones de pobres, y más de 102 millones de indigentes. Tras los números, se esconden las tragedias humanas que a diario sufren millones de personas: muerte por desnutrición, malformaciones congénitas por desnutrición, por polución de las aguas, por fumigaciones; violencia intrafamiliar, homicidios, violaciones, prostitución adulta e infantil galopante, esclavitud moderna, trabajo infantil… o sea violaciones sistemáticas a los más básicos derechos humanos de alimentación, vivienda, educación, sanidad, salubridad y vida digna… mientras unas pocas corporaciones y familias oligarcas monopolizan ganancias y destruyen culturas y bosques.

(12) Actualmente mueren casi dos millones de niños al año por falta de agua potable y saneamiento adecuado, informe del PNUD 2009: http://www.undp.org/spanish/publicaciones/annualreport2009/pdf/SP_FINAL.pdf

(13) El Paramilitarismo es una herramienta del terror del Estado y las multinacionales. El Tribunal Permanente de los Pueblos condenó al Gobierno colombiano y a 34 multinacionales por genocidio: http://www.ntn24.com/content/tribunal-permanente-pueblos-condena-a-gobierno-colombiano-genocidi

http://colombia.indymedia.org/news/2009/03/100268.php

(14) Informe en el que se revela que paramilitares aseguran haber perpetrado 30.470 asesinatos en unos 15 años: http://www.telesurtv.net/noticias/secciones/nota/66984-NN/ex-paramilitares-colombianos-reconocen-haber-cometido-cerca-de--30-mil-500-asesinatos/

(15) Los “falsos positivos” son una política estatal, determinada por la directiva presidencial 029, que incentiva estos crímenes mediante un perverso mecanismo de recompensas: http://ecofondo.org.co/ecofondo/downloads/Libro%20Continuidad%20o%20Desembrujo.pdf Informe “Continuidad o desembrujo”, página 76: “(…)directiva para el pago de recompensas por capturas o bajas, que establece cupos por unidad militar y una lista de precios por las bajas presentadas: Directiva Secreta 029 de 2009, cuya vigencia fue defendida tanto por el Presidente de la República como por los mandos militares. Estas normas fueron expedidas cuando era ministro de Defensa Camilo Ospina, quien luego fuera embajador ante la OEA, y postula a Fiscal General de la Nación.” http://www.falsos-positivos.blogspot.com/

(16) Auto atentados del estado colombiano, DAS implicado: http://www.kaosenlared.net/noticia/video-piedad-cordoba-denuncia-analiza-colombia-ocultada-medios-desinfo

http://www.kaosenlared.net/noticia/video-autoatentados-macabra-estrategia-terrorismo-estado-para-montajes

(17) Consta en los documentos del DAS incautados en la instrucción contra Noguera. Más de 300 páginas obtenidas por Antonio José Caballero. Escuchar minuto 3.15 del editorial de Juan Gossaín leyendo documentos del DAS: “Operaciones, Amazonas, Transmilenio, Bahía, estrategia: desprestigio (…) Montajes, Sabotaje, Terrorismo: explosivos, incendiarios, servicios públicos, tecnológico (…)” en: http://www.rpasur.com/ElmayorescandalodeespionajedelahistoriadelDAS.html

VIDEO Confesiones del ex director de Informática del DAS, Rafael García I. Noticias Uno y Telesur: http://www.telesurtv.net/noticias/multimedia/video.php#%C2%A0

(18) En Colombia el terrorismo de Estado ha desaparecido a 200.000 personas según las últimas cifras compiladas y según lo denunció últimamente Piedad Córdoba (2010): http://www.rebelion.org/noticia.php?id=104558&titular=piedad-c%F3rdoba-denuncia-la-pasividad-internacional-y-pide-que-se-condicione-el-tlc-con-europa-

(19) Posada Carriles: http://www.publico.es/303351

(20) Titularán “Los Castro revientan a golpes la protesta de las Damas de Blanco”. http://www.larazon.es/noticia/3298-policias-cubanos-apalean-y-encierran-a-mas-de-40-damas-de-blanco

http://www.elcorreo.com/vizcaya/v/20100318/mundo/castro-ensana-protesta-pacifica-20100318.html

(21) ¡Basta ya! Cuba debe aprender de España: Lecciones de “democracia” para Cuba en vídeo: http://www.kaosenlared.net/noticia/basta-ya-cuba-debe-aprender-espana-lecciones-democracia-para-cuba-vide

(22) José Manzaneda: http://www.kaosenlared.net/noticia/especial-desmontando-guion-mediatico-damas-blanco

(23) Santiago Álvarez Fernández-Magriñá, con vinculaciones verdaderamente terroristas, es uno de los financiadores de las Damas de Blanco, a través de la asociación que preside, Rescate Jurídico: http://www.cubadebate.cu/noticias/2009/10/22/liberan-en-miami-al-terrorista-santiago-alvarez-benefactor-de-posada-carriles/

http://www.rebelion.org/noticia.php?id=68292

(24) Informe de Amnistía Internacional sobre la impunidad de las ejecuciones extrajudiciales en Colombia, denuncia asesinatos de familiares, “Buscando Justicia: Las madres de Soacha” http://www.rebelion.org/noticia.php?id=100633&titular=buscando-justicia:-las-madres-de-soacha-En el caso de los “falsos positivos” de Soacha ya han asesinado a varios familiares. Carmenza Gómez Romero tenía tres hijos, al primero lo asesinó el Estado para sus montajes de “los falsos positivos”, y al segundo lo asesinaron por denunciar. John Nilson fue abaleado el 4 de febrero de 2009; ya había sobrevivido a un atentado contra su vida. Tras el asesinato de John Nilson la familia sigue recibiendo amenazas. Luz Nidia, hija de Carmenza, recibe amenazas telefónicas: “Conque ha puesto denuncias... ¿Qué es lo que quiere triple hijueputa […]?”

Atentado contra testigo de “falso positivo”. http://www.youtube.com/watch?v=cARk2cLiEMw&feature=player_embedded

Delegación asturiana denuncia: http://www.rebelion.org/noticia.php?id=100450&titular="europa-no-puede-firmar-un-tlc-con-un-estado-violador-de-los-derechos-humanos"-

(25) La mayor fosa común del continente, donde el ejército habría estado enterrando a desaparecidos desde 2005, al menos 2000 cadáveres: http://www.publico.es/internacional/288773/aparece/colombia/fosa/comun/cadaveres

http://www.rebelion.org/noticia.php?id=99507

Estado intenta ocultar la dantesca fosa, y remover la escena del crimen: http://www.rebelion.org/noticia.php?id=100898



*Blog de la autora: http://azalearobles.blogspot.com/

Europa carece de moral para questionar Cuba

Escrito por Erica Soares

lunes, 17 de mayo de 2010

17 de mayo de 2010, 11:07Madri, 17 mai (Prensa Latina) O ministro de Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, afirmou hoje aqui que a União Europeia (UE) carece de autoridade moral para falar sobre a situação dos direitos humanos em seu país.

Entrevistado pelo canal de televisão Telecinco, Rodríguez reforçou que Cuba, como país soberano, não reconhece ao bloco comunitário nenhuma autoridade moral para tratar desse tipo de assunto.

O chanceler advertiu, também, que enquanto existir a chamada Posição Comum da UE com respeito a Cuba, aprovada em 1996, será impossível uma completa normalização dos vínculos entre a nação antilhana e os Vinte e sete.

Rodríguez, no entanto, reconheceu a Espanha como um interlocutor válido, em sua condição de presidente de turno da União durante o atual semestre.

Perguntado pela emissora madrilenha, o chefe da diplomacia de Havana negou a existência de presos políticos na ilha e assegurou que há réus como em qualquer parte do mundo.

Trata-se, esclareceu, de pessoas julgadas por atos ilegais qualificados em leis prévias e sancionadas em processos ordinários por tribunais civis.

Nada a ver com as comissões ou os tribunais militares que julgam na base de Guantánamo ou em Abu Ghraib, e sobre o qual a Europa não tem dito uma só palavra, denunciou o titular de Exteriores.
Rodríguez, que encabeça a delegação cubana à VI Cúpula euro-latino-americana, expressou seu otimismo em que esse fórum se pronuncie amanhã pela plena vigência dos princípios do Direito Internacional, inclusive a não ingerência nos assuntos internos e a igualdade soberana dos Estados.
tgj/edu/es

Modificado el ( lunes, 17 de mayo de 2010 )

O povo da Grécia

Luta pela Humanidade

Miguel Urbano Rodrigues

11.Mai.10 :: Destaques

Neste artigo Miguel Urbano Rodrigues chama a atenção para o agravamento da crise mundial do capitalismo. A dívida externa dos EUA, a maior do mundo, ultrapassa já o PIB do país e continua a aumentar. Obama, negando compromissos assumidos, nomeou para postos chave da Administração alguns dos principais responsáveis pela crise financeira. Numa segunda parte, reflecte sobre os acontecimentos da Grécia, sublinhando que nestas semanas o povo da Helada luta pela humanidade inteira num combate em que o Partido Comunista da Grécia se assume como vanguarda revolucionária da classe operária, na melhor tradição leninista.
As gigantescas manifestações de protesto do povo grego contra a política do Governo do Partido Socialista e as medidas impostas ao país pela União Europeia e o FMI iluminam nestes dias a amplitude e complexidade de uma crise sem precedentes.

A grande maioria da Humanidade não tomou ainda consciência de que o seu futuro é inseparável da luta de classes em desenvolvimento na terra que foi berço da civilização europeia e do conceito de democracia política.

Um sistema mediático controlado pelo imperialismo insiste em apresentar os acontecimentos da Grécia como episódio de uma crise financeira mundial prestes a ser superada.

Trata-se de uma inverdade. A Humanidade enfrenta uma crise global e estrutural do capitalismo que se agrava a cada semana nas frentes económica, financeira, cultural, energética, ambiental, militar, social e politica.

O MITO OBAMA


A crise iniciou-se nos EUA, o principal baluarte do imperialismo. A potência que os media portugueses insistem em apresentar como «a maior economia do mundo» entrou num processo de decadência irreversível. Os EUA são hoje o país mais endividado do mundo. A sua divida externa no final de 2008 atingia 13,77 milhões de milhões de dólares, o equivalente ao PIB do país; actualmente já o excede. É actualmente superior a todas as dívidas externas somadas da Europa, Ásia, África e América Latina. Uma divida impagável, anunciadora de um estouro que abalará o mundo. Por si só, a China é possuidora de mais de 900 mil milhões de dólares em reservas de dólares e títulos do Tesouro norte-americano.

Por que se mantém então a hegemonia dos EUA?

Dois factores a garantem. O primeiro é o seu imenso poderio militar. O outro a permanência do dólar como moeda de referência no comércio internacional, nomeadamente a divisa utilizada nas transacções do petróleo. E não há controlo para a emissão do bilhete verde.

Mas como os EUA se transformaram numa sociedade parasitária que consome muito mais do que produz, o país avança para um desastre, sem data no calendário, de proporções colossais.

O gigante tem pés de barro. O seu deficit comercial ultrapassou um milhão de milhões de dólares no ano passado. Este ano será superior.

Como a acumulação capitalista não funciona mais de acordo com a lógica do sistema, Washington, na fidelidade a uma estratégia de dominação universal, saqueia os recursos naturais de dezenas de países e desencadeia guerras de agressão ditas «preventivas» com a cumplicidade dos seus aliados da União Europeia.

Neste contexto o presidente Barack Obama, apresentado pela propaganda como político progressista e humanista, desenvolve uma politica que é indispensável e urgente desmistificar porque configura uma ameaça à Humanidade.

A falsificação da História não pode apagar a realidade. O homem distinguido com o Nobel da Paz ampliou a politica belicista de Bush. Manteve a ocupação do Iraque, intensificou a guerra de agressão no Afeganistão, iniciou os bombardeamentos no Noroeste do Paquistão, mantém a aliança com o sionismo neofascista israelense.

Crimes monstruosos, sobretudo no Afeganistão, comparáveis aos das SS nazis na II Guerra Mundial, são cometidos rotineiramente pelas Forças Armadas dos EUA. A barbárie militar tem aliás por complemento uma vaga de barbárie cultural. Essa é porém assunto a que os grandes media dedicam atenção mínima. Seria incómodo lembrar a destruição e saque de patrimónios da Humanidade na antiga Mesopotâmia. Informar por exemplo que nas ruínas de Babilónia estacionam tanques da US ARMY, que a maior base americana no Afeganistão, Begram, está instalada no espaço arqueológico de Kapisa, a antiga capital da desaparecida civilização Kuchana.

O Nobel da Paz dos EUA é o primeiro responsável pelo golpe de Estado nas Honduras (ver odiario.info de 26 de Julho e 1 de Dezembro de 2009), retoma a política de hostilidade à Revolução Cubana, volta a enviar a IV Esquadra para águas da América Latina, ameaça a Venezuela Bolivariana, o Equador e a Bolívia, cria 7 novas bases militares norte-americanas na Colômbia, instala em África o AFRICOM, um exército permanente dos EUA naquele Continente, bombardeia a Somália e o Iémen.

O presidente dos EUA é elogiado como defensor de um mundo sem armas nucleares. Mas na recente Conferência sobre Desnuclearização ameaçou usá-las contra o Irão, se o seu governo não se submeter às exigências de Washington.

A CUMPLICIDADE COM A FINANÇA

Diariamente lemos nos jornais portugueses e ouvimos em programas televisivos em que pontificam politólogos do sistema que a recessão terminou na maioria dos países da União Europeia, que a retoma é uma realidade e que nos EUA a economia cresceu no último trimestre mais do que o previsto. A Grécia, Portugal, a Espanha, a Irlanda e a Itália seriam excepções. A «turbulência» dos mercados mantinha-se, com bruscas oscilações nas bolsas, mas isso resultaria da acção de especuladores.

Os governantes e a comunicação social esforçam-se por persuadir os povos de que tudo voltará em breve à normalidade graças a sábias políticas financeiras -insinua-se - que salvaram a banca e a medidas de austeridade impostas pela necessidade de reduzir os deficits orçamentais. Em Portugal o PEC seria a solução salvadora. Com custos, é um facto, mas a hora exigiria sacrifícios de «todos» a bem da pátria.

O discurso da mentira e da hipocrisia pode mudar na forma, mas o seu conteúdo é fundamentalmente o mesmo de Washington a Paris, de Tóquio a Londres.

O objectivo é enganar os povos para impedir que a intensificação das lutas sociais abale as bases do sistema.

Uma vez mais são os EUA quem comanda a campanha de desinformação.

Na realidade, muito pouca coisa mudou ali no mundo corrupto da finança. Centenas de milhões de dólares foram injectadas no «mercado» pela Administração Obama, mas não para acudir às grandes vítimas da crise, as camadas mais pobres do povo norte-americano. As medidas tomadas pelo Governo Federal visaram salvar da falência os responsáveis pelas acções criminosas que desencadearam a crise, sobretudo a grande banca, as seguradoras, os gigantes da indústria automóvel.

Os patrões da finança são os mesmos e continuam a atribuir-se salários e prémios milionários (em Portugal acontece o mesmo) e retomam os métodos fraudulentos que estão na origem do tsunami financeiro.

Prémios Nobel da Economia como Joseph Stiglitz, Paul Krugman e académicos de prestígio mundial como Noam Chomsky arrancam a máscara ao governo federal, desmontando a mentira da recuperação. Acusam frontalmente Obama de, ao invés de punir os cardeais da finança ter colocado muitos deles em postos chave da Administração. É o caso do secretário do Tesouro, Timothy Geithner, um ex-magnata de Wall Street, hoje responsável pela política monetária do país. Mais expressivo ainda é o caso de Larry Summers. Esse homem foi, durante o governo de Clinton o autor intelectual da revogação da lei que impedia a chamada «desregulamentação», isto é as politica criminosas que provocaram falências em cadeia. Que fez Obama? Nomeou-o seu assessor económico.

Em 1929, no auge da crise iniciada com o crash de Wall Street, John Kenneth Galbraith, o eminente economista liberal afirmou que «o sentido de responsabilidade da comunidade financeira perante a sociedade (…) é praticamente nulo».

Nada mudou desde então.

Obama comprometeu-se a reformar profundamente o sistema financeiro. Mas, em vez de cumprir a promessa, manteve os privilégios dos cardeais da finança.

O desemprego, entretanto, cresce. A pobreza alastra em cidades como Detroit (antes pulmão da indústria automobilística) e Pittsburg (antiga capital do aço) onde bairros inteiros, desabitados, oferecem uma imagem de decadência que nega os slogans do american way of life.

A chanceler Merkel e o presidente Sarkozy bradam que «é preciso refundar o capitalismo». Mas, conscientes de que o capitalismo não é humanizável, tudo fazem para o recauchutar.

O EXEMPLO DA GRÉCIA

Foi ilusório acreditar que a Europa escaparia aos efeitos da crise nos EUA.

Sucedem-se as crises na Islândia, na Espanha, na Irlanda, em Portugal, na Grécia.

O euro desvaloriza-se em ritmo alarmante. A taxa de desemprego atinge já os 20% em Espanha. Na Alemanha e na Grã-Bretanha a gravidade da crise será transparente após as eleições. Em França, Sarkozy tenta em vão ocultar o profundo descontentamento do povo que se expressa na amplitude assumida pela contestação social.

Na Grécia a economia desmoronou-se. O alarme foi tamanho em Bruxelas que os grandes da União Europeia, temendo o contágio, aprovaram com o FMI, após tumultuosos debates, marcados por contradições e hesitações, um plano dito de «ajuda» que na realidade impõe ao país medidas que, a serem aplicadas, o reduziria à condição de colónia administrada pela finança internacional.

Subestimaram o espírito de luta do povo grego, a sua firmeza no combate em defesa de direitos históricos adquiridos há muitas décadas.

Sete greves gerais nos últimos cinco meses expressaram a recusa dos trabalhadores gregos a submeter-se ao chamado «programa de austeridade», eufemismo que encobre as exigências impostas pelo grande capital, violadoras da soberania nacional.

A greve do dia 5 de Maio, gigantesca, paralisou o país. Centenas de milhares de trabalhadores protestaram em Atenas e 68 outras cidades contra a agressão exterior mascarada de «ajuda».

Como era de esperar, os media internacionais desinformaram na Europa e nos EUA. Reduziram a dimensão do protesto e deturparam o significado da grande jornada de luta.

Mas o objectivo de caluniar o povo grego não foi atingido. Era impossível ocultar que o país parou. Transportes, escolas, hospitais, fábricas, portos, aeroportos, comércio; o sector privado juntou-se ao público.

Elementos da extrema direita provocaram distúrbios na manifestação em frente do Parlamento. Entre eles havia polícias à paisana. Mas a tentativa de responsabilizar o PAME - a Frente Sindical que mobilizou os trabalhadores -fracassou porque o protesto foi pacífico, excluindo todas as formas de violência.

Os governantes e banqueiros da UE insistem em falar do «caos grego», criticam os grevistas que se opõem a medidas de austeridade concebidas para «salvar o país». Mentem conscientemente. A Grécia projecta nestas semanas a imagem de uma luta de classes exemplar na qual o seu povo, no confronto com o capital, assume o papel de sujeito histórico. O mundo do trabalho não está disposto a pagar a factura da política capituladora que lhe é imposta, prevista aliás no Tratado de Maastricht: eliminação dos 13º e 14º salários, redução de pensões de reforma, corte brutal nos salários, congelamento dos mesmos, etc.

No dia 4 de Maio, reagindo à estratégia de Bruxelas, o Partido Comunista da Grécia (KKE), ocupou simbolicamente a Acrópole, em Atenas, e desfraldou naquela colina milenar bandeiras com uma inscrição desafiadora: «Povos da Europa levantai-vos!»

O KKE está consciente de que a Europa não se encontra no limiar de uma situação pré-revolucionária. Na própria Grécia não estão reunidas condições para um assalto ao poder.

Nem por isso o brado revolucionário do KKE é menos comovente e oportuno. Também em 1848 Marx sabia, quando redigiu com Engels o Manifesto do Partido Comunista, que a Revolução socialista na Europa não iria concretizar-se no futuro próximo. Mas o grito «Proletários de todos os países uni-vos!» ecoou no Continente como incentivo à luta de classes, desencadeando um vendaval de esperança nas massas oprimidas.

As grandes revoluções não se forjam em dias, sequer em meses ou anos. Não existe para elas data previsível porque resultam de uma soma de pequenas e grandes lutas inseridas em contextos históricos favoráveis.

Os comunistas gregos não ignoram que a derrota do capitalismo vai tardar. Mas adquiriram há muito a convicção inabalável de que deve ser frontal e sem concessões no combate ao sistema que invoca a necessidade de «reformas» e de «políticas de austeridade» para reforçar a opressão social.

Uma certeza: a crise, na Grécia e no mundo, vai agravar-se com pesado custo para o proletariado de novo tipo que engloba a nível planetário centenas de milhões de trabalhadores.

E não será dos Parlamentos transformados em instrumentos da dominação das classes dominantes que sairá a saída para a crise global que vivemos e ameaça a Humanidade.

Por isso mesmo, a exemplar lição de combatividade dos trabalhadores gregos e do seu heróico partido, vanguarda revolucionária na melhor tradição leninista, é tão importante, bela e simbólica.

Nesta Primavera europeia do ano 2010, os filhos da Helada voltam a lutar pela Humanidade.

V.N.de Gaia, 9 de Maio de 2010

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Eleições cubanas têm participação de opositores

Hideyo Saito (*)


Ocupada em denunciar a suposta ditadura existente em Cuba, quase toda a mídia dominante brasileira ignorou as eleições municipais cubanas, que acabam de ser realizadas, inclusive com participação de setores dissidentes. O primeiro turno aconteceu em 25 de abril e o segundo, nas circunscrições em que ninguém obteve maioria absoluta, em 2 de maio último. Foi o 14º pleito consecutivo desde a institucionalização da revolução cubana, em 1976, quando foi aprovado, em referendo popular, o texto da Constituição Socialista, após um processo de exaustivas discussões em locais de trabalho, em escolas, em bairros e em comunidades rurais de todo o país. Importantes alterações surgiram dessa mobilização, que se estendeu por dois anos: a comissão de redação teve de alterar o preâmbulo e cerca de 60 dos 141 artigos originais do anteprojeto.



Nas últimas eleições, dos 37.766 candidatos para as Assembleias dos 169 municípios do país, indicados diretamente pelos moradores em cada circunscrição (área de mais ou menos uma quadra), os negros e mulatos somavam 41,3% e as mulheres, 35,76%. Os postulantes à reeleição eram 60,9%. Três quartos deles nasceram após a vitória da revolução, em 1959, e 87,3% têm o ensino médio completo ou formação universitária. Pouco mais de 8,2 milhões de cubanos (aproximadamente 94,7% dos eleitores) participaram do primeiro turno, enquanto no segundo e no terceiro (convocado em três circunscrições, onde nem mesmo a segunda votação apontou um vencedor) compareceram às urnas 1,65 milhão (89,67% do total). O voto é facultativo e podem exercer esse direito todos os cubanos a partir de 16 anos de idade. A presidente da Comissão Eleitoral Nacional, Ana María Mari Machado, informou que, no primeiro turno, os votos válidos superaram 91% do total, enquanto as cédulas em branco somaram 4,58% e as anuladas, 4,33% (1).



A campanha eleitoral dos dissidentes

O manto de silêncio erguido por quase todos os oligopólios da comunicação foi furado pela Agência BBC Mundo, que cobriu o processo eleitoral, não deixando de registrar a participação de setores contrários ao governo (2). Matéria assinada pelo correspondente em Havana, Fernando Ravsberg, relata que um grupo de opositores fez campanha em todo o país, com o objetivo de conquistar apoio para seus candidatos nas assembleias das circunscrições eleitorais. Um dos líderes do grupo é Silvio Benítez, que se apresenta como presidente do Partido Liberal. Ele reconhece que as organizações de oposição têm pouca penetração, mas acredita que elas podem crescer.



A reportagem da BBC acompanhou a assembleia eleitoral em que Silvio se indicou candidato, em Punta Brava, nos arredores de Havana. Segundo Ravsberg, estavam presentes cerca de 120 eleitores. Houve críticas e questionamentos tanto ao governo como ao dissidente postulante, mas sem agressões, insultos e muito menos repressão. O único guarda que o jornalista observou estava ocupado com o trânsito de veículos na rua em frente. Na assembleia, alguns moradores propuseram indicar para reeleição a atual delegada, uma médica pertencente ao Partido Comunista, enquanto Silvio se apresentou como candidato opositor. A médica obteve 50 indicações, enquanto o dissidente recebeu 20. Houve ainda 50 abstenções.



Ravsberg concluiu que Benítez não conseguiu ser indicado, mas “fez com que muita gente se abstivesse”. Após a eleição propriamente dita, a BBC acompanhou a apuração dos votos (também realizada publicamente) no colégio eleitoral correspondente à mesma circunscrição, e constatou que houve crescimento do número de pessoas que não votaram em nenhum dos candidatos: a soma de abstenções, votos anulados e em branco chegou a 20% dos eleitores (a média nacional, como vimos acima, foi de aproximadamente 15%). Silvio Benítez diz que está disposto a fazer um trabalho “casa por casa, como os Testemunhas de Jeová”, para conquistar o apoio de pessoas que já não votam na proposta governamental (3). Em sua campanha, ele procurou “questionar as barbaridades e a manipulação do governo, as farsas e as faltas de resposta ao povo”, segundo suas inflamadas palavras.



Não há veto, mas oposição teme mostrar falta de votos

O correspondente da BBC Mundo escreveu que era a primeira vez que os dissidentes cubanos participaram de eleições oficiais no país, mas ele mesmo já havia produzido matéria relatando como, em 2007, o candidato Gerardo Sánchez, apresentando-se como dissidente, obteve apenas 5% dos votos dos moradores de sua circunscrição. Na reportagem, Gerardo criticou os grupos dissidentes por se afastarem do processo eleitoral: “Quando me dizem que a oposição está forte em algum bairro, eu pergunto se ela tem condição de apresentar candidato. Se me respondem ‘não’, concluo que não é verdade o que me estão dizendo” (4). Ele é irmão de Elizárdo Sánchez, o presidente da Comissão Cubana de Direitos Humanos, um dos heróis mais festejados da mídia dominante, que, entretanto, jamais quis se apresentar candidato.



Como vimos, não há qualquer restrição à campanha e à participação dessas pessoas. O que acontece é que a maioria prefere ficar à margem para não tornar visível a sua falta de popularidade. Eles preferem pregar o voto nulo. O presidente da Comissão de Assuntos Constitucionais da Assembleia Nacional, José Luis Toledo, declarou à BBC: “Se eles alcançarem representatividade suficiente para que o povo os indique e depois vote neles, serão representantes. O problema é querer representar o povo sem ter seu apoio”.



As eleições municipais acontecem a cada dois anos e meio, enquanto as provinciais e as nacionais, a cada cinco. Todas são por voto popular direto. Os candidatos às assembleias municipais são indicados diretamente pelos moradores de cada circunscrição entre seus vizinhos, enquanto os das provinciais e nacionais são indicados por uma comissão de candidatura constituída por representantes das seis principais organizações de massa de caráter nacional: Comitê de Defesa da Revolução, Federação das Mulheres Cubanas, Central de Trabalhadores de Cuba, Federação Estudantil Universitária, Federação dos Estudantes do Ensino Médio e Associação Nacional dos Pequenos Agricultores.



O Partido Comunista de Cuba e a União de Jovens Comunistas não apresentam candidatos nem participam, como tal, do processo, pois não têm caráter eleitoral como nas democracias capitalistas. Também não há propaganda política, nem marqueteiros, nem dinheiro influenciando o voto popular. A única divulgação dos candidatos é feita através de folhetos preparados pela comissão eleitoral e afixados em locais públicos, com uma pequena biografia e uma foto de cada postulante, além de debates dos postulantes com os moradores.



Eleitos continuam a receber o mesmo salário, sem mordomia

Os delegados eleitos escolhem, entre seus pares, o presidente e o vice da Assembleia Municipal, órgão que tem a responsabilidade de administrar e fiscalizar os serviços públicos e as empresas industriais, comerciais e de prestação de serviços que estiverem sob jurisdição de seu município. Indicam, também dentre os eleitos, os membros do Conselho Popular, estrutura permanente para apoiar o trabalho dos delegados municipais.



Todo representante cubano deve prestar contas de sua atuação, em reuniões convocadas periodicamente para essa finalidade, aos cidadãos de sua base eleitoral ou ao órgão que o indicou. Ele está sujeito à revogação de mandato por insuficiência de desempenho ou por conduta incompatível com a representação popular. Assim, delegados municipais podem ter seus mandatos interrompidos pelos eleitores da circunscrição; representantes provinciais e nacionais, pelas Assembleias Municipais que aprovaram suas candidaturas; presidentes e vice-presidentes das assembleias dos três níveis, pelos respectivos órgãos que os elegeram. Os membros do Conselho de Estado podem ser destituídos pela Assembleia Nacional. Na esfera municipal, estima-se que, a cada legislatura, entre 7% e 12% dos delegados perdem suas representações dessa maneira (5).



Os representantes eleitos, em todos os níveis, permanecem com o mesmo salário de seus empregos e ocupações anteriores à eleição. Além disso, continuam a desempenhar seus ofícios nos centros de trabalho a que são vinculados, enquanto exercem seus mandatos. Os únicos dispensados disso são os que devem dedicação exclusiva aos respectivos órgãos (caso dos presidentes e vice-presidentes do Poder Popular nos três níveis e também dos deputados que participam de comissões temáticas permanentes). Quando estritamente necessário para o cumprimento de suas obrigações políticas e administrativas, utilizam veículos da frota oficial ou recebem passagem aérea específica. Ninguém possui cota de dinheiro público para gastar a bel-prazer, nem autonomia para contratar assessor ou incorrer em quaisquer despesas extras destinadas a seu gabinete (6).



Democracia ou ditadura?

Bem ou mal, esse é o sistema eleitoral que, ao lado da participação exercida diretamente pela população em diversos momentos, conforma a atual democracia cubana. Os cubanos estão satisfeitos? Em sua cobertura das eleições de 2010, a BBC Mundo ouviu diversos eleitores. Uma delas revelou que se absteve pela primeira vez, garantindo que só voltará a participar se for para eleger o secretário municipal do Partido Comunista, “que é quem pode mudar as coisas”, enquanto outros declararam haver votado para manifestar apoio à revolução e a suas lideranças. Toledo, o já mencionado presidente da Comissão de Assuntos Constitucionais do parlamento, reconhece as limitações de poder dos representantes municipais, mas atribui o fato às severas restrições orçamentárias do país, uma vez que a maioria das reivindicações da população depende, para sua solução, de recursos financeiros hoje indisponíveis.



O tema da participação popular e da eficácia do sistema cubano de representação tem aparecido igualmente nos debates populares, especialmente entre intelectuais. O subdiretor da revista Casa de las Américas, sociólogo Aurelio Alonso, por exemplo, afirma que vigora em Cuba uma institucionalidade demasiado estatizada e burocratizada, com um nível limitado de participação nos âmbitos decisivos. Para ele, as próprias discussões da Assembleia Nacional deixam a desejar, pois frequentemente têm caráter apenas formal. O parlamento é eleitoralmente democrático, mas os deputados têm pouca autonomia para decidir, em sua avaliação. Alonso entende que uma das alterações necessárias implica a redefinição do papel do próprio Partido Comunista, que não pode abranger a direção do Estado, atribuição que pertence a todo o povo.



O escritor Enrique Ubieta questiona os conceitos de democracia, de direitos humanos e de liberdade usualmente manejados pela direita em sua campanha contra Cuba. “Nós temos, sim, a nossa democracia. Acontece que nosso modelo não é igual, por exemplo, ao que existe na Espanha. Mas sob muitos aspectos, é mais autenticamente democrático. Nosso sistema eleitoral não é perfeito, mas ele não elege os candidatos com mais dinheiro. É possível discutir como aperfeiçoá-lo, mas não se pode decretar que não seja democrático” (7).



Enquanto isso, na tão admirada democracia britânica ...

O breve relato acima, baseado em informações de um tradicional órgão de mídia insuspeito de ser comunista, desmente (ou, no mínimo, põe em dúvida) assertivas autoritariamente impostas pelos oligopólios da comunicação e por seus prestimosos acólitos. Uma delas sentencia que Cuba é uma ditadura. Outra reza que, naquele país, não é possível criticar o governo sem ser preso ou reprimido. Uma terceira garante que os 56 presos do julgamento de 2003 foram postos na cadeia por serem contrários ao governo. E assim por diante. Essas proclamações são olimpicamente reafirmadas a cada momento, por mais que sejam desmentidas pelos fatos.



Enquanto isso, as recentes eleições britânicas deram nova demonstração de que a democracia liberal dos países capitalistas avançados não tem lá muito cabedal moral para ser imposta como modelo para o mundo, como pretendem os setores dominantes vocalizados por aquela mídia oligopólica.



O colunista do The Guardin, Gary Younge, por exemplo, interpretou o voto do povo britânico como uma manifestação contra a claudicante democracia naquele país, permanentemente frustrada pelo poder econômico. “Em última instância, são eles [os banqueiros e demais representantes do capital) que decidirão o quão rápidos e brutais serão os cortes iminentes das despesas públicas. Além do que, é seu endosso – não o do eleitorado – que os políticos buscam (...) Essa contradição entre democracia e capitalismo não é nova. Mas, durante este período de crise financeira e econômica na Europa, ela ficou particularmente aguda”, fulminou Younge, para completar: “Assim, o setor que nós salvamos com dinheiro público, administrado por pessoas incompetentes que novamente estão se pagando grandes bonificações, agora ameaça desestabilizar o próximo governo, caso ele não demita milhares de trabalhadores mal pagos, reduza seus salários e acabe com os serviços que presta a milhões de pessoas pobres” (8). Onde está mesmo o poder do povo, isto é, a democracia, nesse tão incensado regime de Sua Majestade?



Aliás, os exaltados inimigos de Cuba, convictos de atuar em nome da democracia, devem tomar cuidado em sua cruzada, para não se igualarem demasiado a seus companheiros de trincheira de Miami, cuja convicção democrática não parece ser tão profunda, como exemplifica o artigo “Mi valiente y sensible coronel”, publicado por Mirta Ojito em El Nuevo Herald, porta-voz dos exilados cubanos (9). A autora pede, nada mais, nada menos, que os militares dêem um golpe de estado em Cuba, já que as manifestações populares (em Nova York e em Miami) e os artigos de jornais (como o dela) não têm conseguido derrubar o regime de Havana.



(*) O autor é jornalista, com passagem pela Rádio Havana. Tem concluídos os originais de um livro que relata a situação atual do país, sob o título provisório de “Cuba sem bloqueio: a revolução cubana sem as manipulações impostas pela mídia dominante”, com a colaboração de Antonio Gabriel Haddad.



NOTAS



(1) Os números são de reportagens publicadas no jornal Granma de 27/04/2010 e de 04/05/2010.



(2) Fernando Ravsberg. Disidentes cubanos en campaña electoral. BBC Mundo, 13/03/2010. http://www.bbc.co.uk/mundo/america_latina/2010/03/100312_0021_cuba_disidentes_elecciones_gz.shtml.



(3) Idem. Cubanos votaron, no se esperan cambios. BBC Mundo, 26/04/2010. http://www.bbc.co.uk/mundo/america_latina/2010/04/100425_cuba_elecciones_municipales_resultado_jaw.shtml.



(4) Fernando Ravsberg. Cuba: elecciones municipales. BBC Mundo, 20/10/2007 (http://news.bbc.co.uk/hi/spanish/latin_america/newsid_7052000/7052517.stm, acesso em 19/04/2009).



(5) Ver http://www.nodo50.org/cesc/Documentos/Charla.E.Valdes.251105.pdf.



(6) Após uma solenidade no Palácio das Convenções de Havana, em dezembro de 2006, vimos o presidente da Assembleia Nacional, Ricardo Alarcón, ser recolhido por uma viatura daquele órgão. Quando o carro (um automóvel da montadora russa Lada, da década de 1980) chegou, ele abriu a porta, cumprimentou o motorista familiarmente e entrou. Nenhum séquito de cortesãos e de guarda-costas, nenhuma pompa, nenhum luxo. Tratava-se de uma das maiores autoridades do governo cubano, que não se diferenciava de um cidadão comum.



(7) "Esquerda não pode aceitar definição da direita para democracia". Portal Vermelho, 28/04/2010. http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=128383&id_secao=7.



(8) Gary Younge (The Guardian). Não vamos permitir que os mercados atropelem as urnas. O Estado de S. Paulo, 11/05/2010.



(9) Ver em http://www.elnuevoherald.com/2010/04/04/689025/mirta-ojito-mi-valiente-y-sensible.html.