segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Presidente Chávez

Ler a mensagem do presidente Chávez ao povo da Venezuela

Hugo Chávez Frías

Presidente da República Bolivariana da Venezuela
30 de junho de 2011
Presidente Hugo Chávez: Mensagem para o povo venezuelano. “Eu espero muitas coisas do tempo. Seu imenso ventre contém mais esperanças do que sucessos passados. E os acontecimentos futuros serão superiores aos pretéritos”. (Simón Bolívar).
O tempo e seus ritmos, o tempo e seus mandatos, o tempo e seus desígnios, como é apontado no Eclesiastes, levam-me hoje a ler este comunicado para a Nação venezuelana e a opinião pública internacional. Eu sei que eles têm estado muito atentos sobre a evolução de minha saúde desde há várias semanas quando começou a dar sinais de deterioração.
Após a bem sucedida viagem que nós fizemos pelo Brasil e o Equador, entre os dias 5 e 7 de junho, nós chegamos na Cuba solidária de sempre para finalizar a jornada com a revisão e a assinatura de novos acordos de cooperação. Sobre minha saúde, eu confesso que apenas tinha estabelecido fazer um check up do joelho esquerdo, já quase recuperado daquela lesão que eu tive no início de maio.
Ao longo de toda minha vida eu cometi um desses erros que perfeitamente poderia entrar nessa categoria que algum filósofo chamou de “erros fundamentais”: descuidar da saúde e, além disso, recusar-me aos exames e aos tratamentos médicos. Sem dúvida que erro tão fundamental. Ainda mais de um revolucionário com algumas modestas responsabilidades como as que a revolução me tem estado impondo há mais de 30 anos.
Porém, ao cair da tarde da quarta-feira 8 de junho, nós estivemos em Havana de novo com o Fidel, com aquele gigante que já superou todos os tempos e todos os lugares. Com certeza não foi difícil para o Fidel perceber algumas moléstias que, além do joelho esquerdo, eu vinha tentando dissimular há várias semanas atrás. Ele me interrogou quase como um doutor, confessei-me quase como um paciente. E nessa mesma noite todos os imensos avanços médicos que a revolução cubana tem conseguido para seu povo e para boa parte do mundo foram colocados a nossa inteira disposição, iniciando um conjunto de exames de diagnóstico.
Dessa forma foi detectada uma estranha formação na região pélvica que levou a uma intervenção cirúrgica de emergência perante o iminente risco de uma infecção generalizada. Isso aconteceu no dia 11 de junho bem cedo pela manhã, horas antes do anúncio que foi lido ao país e ao mundo e que desatou tantas manifestações de solidariedade que me emocionam a cada instante.
Depois daquela cirurgia que drenou o abscesso, começou um tratamento antibiótico intensivo com uma positiva avaliação, -corrijo-, com uma positiva evolução que trouxe uma notável melhora. Contudo, e apesar da favorável evolução geral, ao longo do processo de drenagens e curas apareceram algumas suspeitas sobre a presença de outras formações celulares não detectadas até então.
Portanto, de imediato começou outra série de estudos especiais citiquímicos, citológicos, microbiológicos e de anatomia patológica, que confirmaram a existência de um tumor abscessado com a presença de células cancerosas, sendo necessária a realização de uma segunda intervenção cirúrgica que permitiu a extração total do mencionado tumor. Foi uma intervenção maior, realizada sem complicações, após a qual eu estou evoluindo satisfatoriamente enquanto recebo os tratamentos complementares para combater os diferentes tipos de células encontrados e prosseguir no caminho de minha plena recuperação.
Enquanto isso, eu tenho estado e estou informado e ao mando das ações do Governo Bolivariano, mantendo comunicação permanente com o Vice-presidente, o companheiro Elías Jagua, e com toda a equipe de governo.
Eu agradeço infinitamente as múltiplas e entusiastas expressões de solidariedade que eu tenho recebido do povo venezuelano e de outros povos irmãos, bem como de chefes de Estado e de Governo de numerosos países do mundo, com a convicção de que todo esse amor e toda essa solidariedade constituem a mais sublime energia que impele e impelirá minha vontade de vencer nesta nova batalha que a vida tem nos colocado. E de forma muito especial ao povo cubano, à Nação cubana, ao Fidel, ao Raúl, a toda essa legião médica que se colocou à frente desta batalha de um jeito verdadeiramente sublime.
Ainda assim, eu também estou muito consciente do certo grau de angústia e incerteza que tem estado invadindo, ao longo destes dias, destas noites, a alma e o corpo da Nação venezuelana. Eu acho que, além das tentativas de manipulação de alguns setores bem conhecidos, esses sentimentos eram e são inevitáveis e fazem parte da própria natureza humana rodeada, além do mais, das circunstâncias que a emolduram e muitas vezes a estremecem, como acontece neste caso.
Desde o primeiro instante eu assumi as responsabilidades sobre o estrito cuidado da veracidade das informações a serem transmitidas, baseado em duas razões: a razão médico-científica, em primeiro lugar, e em segundo lugar, e de forma especialmente cuidada desde o mais profundo de minha alma e minha consciência, a razão humana, a razão amorosa, para ser mais preciso. A razão amorosa.
Da primeira, isto é, da razão médica, nós já falamos um pouco. Tem sido um processo lento e cuidadoso de aproximação e diagnósticos, de avanços e descobrimentos ao longo de várias etapas, onde foi aplicado um rigoroso procedimento científico que não aceitava nem aceita apressuramentos nem pressões de tipo nenhum. A norma suprema que sustenta essa poderosa razão é a plena verificação científica além dos indícios e suspeitas que foram aparecendo.
E sobre a razão amorosa, agora eu estou na obrigação de falar para vocês desde o mais profundo de mim mesmo. Neste momento lembro esse 4 de fevereiro daquele estrepitoso ano 1992. Aquele dia eu não tive mais nenhuma opção que falar para a Venezuela desde meu ocaso, desde um caminho que eu sentia que me arrastava para um abismo insondável. Como saindo de uma escura caverna de minha alma brotou aquele “por agora” e depois me afundei.
Também chegam a minha memória agora mesmo aquelas aziagas horas de 11 de abril de 2002. Nesse então também enviei a meu amado povo venezuelano aquela mensagem escrita desde a Base Naval de Turiamo onde eu estava prisioneiro, Presidente derrubado e prisioneiro. Foi como um canto de dor lançado do fundo de outro abismo que eu sentia que me engolia em sua garganta e me afundava, e me afundava.
Agora, nesta nova situação de dificuldade e ainda mais desde o momento em que o mesmo Fidel Castro em pessoa, o mesmo do Quartel Moncada, o mesmo do Granma, o mesmo da Sierra Maestra, o gigante de sempre, veio me anunciar a difícil notícia da descoberta cancerosa, eu comecei a pedir a meu Senhor Jesus; ao Deus de meus pais, como diria Simón Bolívar; ao manto da Virgem, como diria minha mãe Elena; aos espíritos da savana, como diria Florentino Coronado; para que me dessem a oportunidade de falar para vocês não desde outra senda abismal, não desde uma escura caverna ou de uma noite sem estrelas, mas desde este caminho empinado desde onde eu sinto que eu vou saindo já de outro abismo. Agora eu queria falar para vocês com o sol do amanhecer que eu sinto está me iluminando. Eu acho que conseguimos. Obrigado, meu Deus.
E por último, meus amados e amadas compatriotas, minhas adoradas filhas e filhos, meus queridos companheiros, jovens, crianças de meu povo, meus corajosos soldados de sempre, meus aguerridos trabalhadores e trabalhadoras, minhas queridas mulheres patriotas, meu povo amado tudo, um só em meu coração, eu quero dizer que o fato de eu querer falar para vocês hoje desde minha nova escalada para o retorno já não tem nada a ver comigo mesmo, mas com vocês, povo pátrio, povo bom. Com vocês.
Eu não queria nem quero que vocês me acompanhem por trilhas que se afundem em abismo nenhum. Eu convido vocês a seguirmos juntos escalando novos cumes porque “tem acerola lá no cerro e um canto belo para cantar”, ainda continua dizendo desde sua eternidade o cantor do povo, nosso querido Alí Primera.
Então vamos, vamos com nosso pai Bolívar na vanguarda seguir subindo o cume do Chimborazo. Obrigado, meu Deus, obrigado meu povo, obrigado minha vida. Até a vitória sempre. Nós venceremos. Havana, esta querida e heróica Havana, 30 de junho de 2011.
Desde a Pátria grande vou dizer, desde meu coração, desde minha alma inteira, desde minha esperança suprema que é a de um povo:
Por agora e para sempre, viveremos e venceremos!
Muito obrigado.
Até o regresso!

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