sexta-feira, 5 de outubro de 2012

No caminho com Bolívar, livres, cada um a seu modo


Por Raquel Moysés - jornalista

Os Comunistas e as eleições

setembro de 2012


Para pensar o papel dos comunistas nas eleições é preciso sempre partir de uma análise sobre a estrutura de poder e de classes de nossa atual sociedade, bem como o seu contexto histórico. 
O nosso capitalismo dependente e o seu bloco de poder dominante, impõe um domínio autocrático que restringe ao máximo qualquer possibilidade de avanços sociais e democráticos para a ampla maioria da população. A fração hegemônica deste bloco de poder é o imperialismo, que superexplora – através dos monopólios e latifúndios – nossa mão de obra e se apropria de imensa parte de nossos recursos naturais. 
É preciso compreender que o Estado não é "neutro" ele é sempre um instrumento de dominação de classe e quem detém sua hegemonia é a grande burguesia, latifúndios e imperialismo, portanto trata-se de um Estado burguês. Compreender isso não significa negar que a dinâmica da luta de classes é contraditória e que esse mesmo Estado é reflexo dessa dinâmica, portanto é sim possível que a classe trabalhadora e o povo consigam abrir brechas nele e obter conquistas. Mas essas conquistas sempre serão insuficientes enquanto os explorados e oprimidos não se organizarem para efetivar a ruptura com esse Estado (a sua destruição) e construir um novo, de transição, onde os trabalhadores e o povo é que detém e hegemonia do poder. 
O golpe de estado de 1964, que instaurou a ditadura civil-militar em nosso país, nos mostrou que essa classe dominante associada ao imperialismo não pode sequer aceitar mínimas conquistas democráticas para o povo, pois o capitalismo dependente é o único capitalismo possível em nosso país, e se buscarmos superar essa condição estaremos criando uma dinâmica social que necessariamente precisa enfrentar a ordem vigente. 
As classes dominantes latino-americanas permitem que existam eleições diretas em seus países até o ponto em que o seu poder não seja ameaçado. Se alguma medida progressista em favor do povo ameaçar o seu poder, ela recorre ao golpe de estado para instaurar um regime fascista (como vimos na Venezuela em 2002, Honduras em 2009 e Paraguai nesse ano). Na Venezuela o povo organizado em aliança com o setor progressista do exército conseguiu derrotar o golpe de estado em 48 horas, mostrando a importância da organização popular para enfrentar a violência da burguesia. 
Por tudo isso, é sempre importante não nos iludirmos com as eleições burguesas. No Brasil a maioria dos candidatos com chances de se eleger têm suas campanhas financiadas pelas grandes empresas, pelos bancos e latifúndios, e quando eleitos favorecem sempre esses setores durante seus mandatos. Naturalmente são sempre eles que conseguem uma campanha mais expressiva, maior tempo no horário político, etc. 
Precisamos constituir em nosso país um bloco de forças proletário e popular de caráter anti-imperialista, anti-monopolista e anti-latifundiário que seja capaz de chegar ao poder, poder que pelo seu próprio caráter significará um passo decisivo rumo ao socialismo. Nesse processo é fundamental a elevação do nível de consciência e organização do povo em seus locais de trabalho, estudo e moradia, e também é importante que as organizações políticas busquem uma atuação conjunta construindo uma frente de unidade popular. 
A atuação durante as eleições – embora não seja a central – não deve ser desprezada, pois é um momento onde é possível dialogar com as grandes massas do povo e apontar a necessidade de outro projeto de sociedade. Essa atuação é apenas uma tática dentro da estratégia maior de conquista do poder, e é importante que se dê através de candidaturas que estejam intimamente ligadas a luta e a organização popular, com mandatos subordinados a essas lutas e que jamais cedam às tentativas de cooptação permanentes por parte do poder dominante.
Publicado originalmente no JA no. VIII

Resumen diario de noticias del sitio CUBADEBATE


www.cubadebate.cu
Fecha: 2012-10-03

Concurso para arte da delegação brasileira para XX Brigada de Solidariedade a Cuba

Caros companheiros do movimento de solidariedade a Cuba,

Na oportunidade da realização da XX Brigada de Solidariedade a Cuba, na qual estamos organizando mais uma vez a delegação brasileira, estamos propondo a realização de um concurso solidário para elaboração da arte da camiseta, que vai representar os brasileiros nessa jornada internaciolista.

O tema da camiseta vai ser o mesmo da XX Brigada, ou seja, o 160º aniversário de nascimento de José Martí, mas também deve representar os dois países (Brasil e Cuba) e a integração entre eles. A arte será colorida e deverá ilustrar a frente, o verso e as mangas da camiseta.

Importante ressaltar que o concurso não vai ter nenhuma premiação pecuniária, apenas a chance de ter sua obra estampada em uma camiseta que vai percorrer Cuba e depois todo o território brasileiro, bem como a sua assinatura (crédito) identificada, que deverá ter até 4cm². Além disso, o vencedor se compromete a permitir o uso da arte pela Coordenação Nacional da Brigada e o movimento solidariedade a Cuba, dando, obviamente, os devidos créditos.

O prazo para entrega das propostas será até 2 de novembro. Serão aceitas inscrições de uma ou mais pessoas, brigadistas ou não. Não serão aceitas inscrições de pessos jurídicas. A arte será escolhida pela Coordenação Nacional da Brigada.

As imagens deverão ser produzidas em arquivo vetorial, com textos em curvas, tanto CorelDraw (até versão X3) ou Adobe Ilustrator (até versão CS3). Os arquivos que não estiverem com essas especificações serão desconsiderados. A arte deverá ser encaminhada para o e-mail solidarios.acjmsc@gmail.com.
 
 


Coordenação Nacional da Brigada
Edison Puente, Lilian Back e Alexandre Brandão





Brigada 2013 programação em portugues.docxBrigada 2013 programação em portugues.docx
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quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Declaración para la libertad de los Cinco






Cuban 5
                                  2012 composite
Cuban 5
                                  2012 composite



Comité Nacional para la Liberación de los Cinco Cubanos

Jueves, 27 sept., 2012
 250 personas asisten al Tribunal en Toronto
Activistas de sindicato, derecho y comunidad emiten declaración para la libertad de los Cinco
Después de varios meses de planificación por una coalición de activistas de la solidaridad con Cuba y otros movimientos del área de Toronto, 250 personas asistieron al Tribunal del Pueblo, con el tema de los Cinco Cubanos, en el Ayuntamiento de esta ciudad ubicada en el noreste de Canadá. Ahí escucharon testimonios al panel de Magistrados de Conciencia, por un impresionante grupo de testigos, acerca de la injusta e ilegal condena a los Cinco, protagonizado por el gobierno de EEUU contra Gerardo Hernández, Ramón Labañino, Antonio Guerrero, Fernando González, y René González. 

 Toronto
                                                    Composite

Con un foro de solidaridad por la tarde el viernes, 21 de sept., el Tribunal comenzó el sábado, y la declaración fue anunciado por el Principal Magistrado del Tribunal, Juan Carranza. El domingo, los conferencistas compartieron sus reportes sobre los esfuerzos a favor de la libertad de los Cinco. El domingo a la 1:00 pm, realizaron una protesta de mucho espíritu a través del consulado del gobierno estadounidense, cerca del ayuntamiento de Toronto.


Lea más abajo la lista de los testigos y los magistrados.


El siguiente es la declaración del Tribunal del Pueblo y la Asamblea:

Se convocó este Tribunal Popular en Toronto, a catorce años de la detención de Gerardo Hernández, Ramón Labañino, Antonio Guerrero, Fernando González Llort y René González en los Estados Unidos.

Después de considerar todas las pruebas presentadas ante este Tribunal de los Pueblos, emitimos el siguiente fallo:
1.    Las pruebas son abrumadoras y convincentes en cuanto a la actividad de los grupos terroristas en el sur de Florida, grupos que han planeado y ejecutado acciones terroristas contra el pueblo de Cuba durante décadas en contravención de la ley de EE.UU. y las leyes internacionales.
2.    Todo país tiene el derecho a defenderse y, en ese contexto, los Cinco actuaron de la manera menos acusatoria y violenta para prevenir actos de terrorismo sin participar en ningún acción contra la seguridad nacional de los Estados Unidos.
3.    Los EE.UU. no tomó ninguna medida para enjuiciar a los verdaderos terroristas del sur de Florida.
4.    Declaramos que hombres que intenten impedir pacíficamente el terrorismo no deberían estar en la cárcel.
5.    Este Tribunal Popular condena el trato cruel e injustificado de los Cinco durante su encarcelamiento.
6.    Hallamos que el proceso fue un acto político.
7.    Hallamos que no existían pruebas creíbles en contra de los Cinco que justifique una condena por conspiración para cometer espionaje.
8.    Hallamos que no existían pruebas creíbles contra Gerardo Hernández que justifique una condena por conspiración para cometer asesinato.
9.    Hallamos que el gobierno de EE.UU. se inmiscuyó en el juicio, gastando montos considerables en el pago a periodistas para ellos publicaran más de mil artículos propagandísticos en la prensa, televisión y radio, teniendo estos artículos el efecto inequívoco de incidir el resultado del proceso.
10. Hallamos que fue una evidente falta de razón el que la Corte denegara la moción de cambio de sede, a la luz de la intimidación del jurado y el ambiente generalizado de hostilidad contra los Cinco.
11. Por lo tanto, este Tribunal Popular concluye que los Cinco fueron detenidos injustamente, juzgados injustamente y condenado injustamente, lo todo en contravención de la legislación internacional y de los EE.UU, inclusive en contravención de la Constitución de los EE.UU. Este Tribunal Popular propone la anulación de las condenas, y que Gerardo Hernández, Ramón Labañino, Antonio Guerrero, Fernando González Llort y René González sean puestos en libertad inmediatamente, sin restricción alguna de su libertad.
12. En la alternativa, y en el interés de la justicia y de promover la curación, este Tribunal Popular propone que el Presidente de los Estados Unidos ejerza su prerrogativa de clemencia presidencial y permita que los Cinco regresen a casa.
Toronto
                                                          Organizers
Los organizadores del Tribunal, con Elizabeth Palmeiro y Adriana Pérez

El procedimiento del Tribunal
Ceremonia de apertura por Dakota Elliott
El resumen del Caso por nchamah miller

Magistrados de Conciencia
Juan Carranza, Principal Magistrado de Conciencia
Cindy Sheehan
Chris Levan
Denis Lemelin
Julian Rivas
Ken Neumann
Lee Maracle
Marie Clarke Walker
Miguel Barnet
Naveen Mehta
Saul Landau
Tony Woodley
Wes Elliott
William Sloan

Primera Sesión - El Contexto Histórico y Político
Introducción a la Sesión
- por Isaac Saney

Testigos Experto y Consejo Legal
Keith Bolender
Raymundo Navarro
Abelardo Paison Reyes
Livio Di Celmo
Arnold August

Segunda Sesión - Los Arrestos, el Juicio y las Condenas de los Cinco
Introducción a la Sesión -
por Zilpha Ellis



Testigos Experto y Consejo Legal
Richard Klugh
Stephen Kimber
Gloria La Riva

Tercera Sesión - Los Acontecimientos después del juicio
Introducción a la Sesión -
por Julio Fonseca

Testigos sobre el Impacto de las Injustas Condenas
Elizabeth Palmeiro
Adriana Pérez
José Pertierra
Alicia Jrapko

El Resumen por la Defensa
Richard Klugh

El Tribunal Llama a los Magistrados Deliberar y Concluir

La Lectura de la Declaración Final
Juan Carranza 


Comité Nacional para la Libertad de los Cinco Cubanos
Tel: 415-821-6545

 
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Gray 






Comprueban en Cuba eficacia del veneno de alacrán


(tomado de La Jornada)

La Habana, 28 de septiembre. Cuba presentó por primera vez en público dos casos de reducción de tumores cancerígenos y mejoría de la calidad de vida en pacientes que durante un periodo de su tratamiento sólo recibieron un medicamento de origen natural, extraído del veneno de alacrán.

“El uso de una solución natural de veneno del escorpión Rhopalurus junceus mejora la calidad de vida de los pacientes con tumores cerebrales, disminuye la lesión y es seguro”, informó la doctora Niudis Cruz Zamora, en un informe de i nvestigación al segundo congreso del Grupo Empresarial de Producciones Biofarmacéuticas y Químicas (Labiofam), que sesionó aquí esta semana.

Tras la aplicación del medicamento "no se reportó ninguna reacción adversa", señaló la doctora Cruz Zamora, especialista de primer grado en medicina integral.

Los casos son los de un niño y una niña que fueron atendidos en el hospital pediátrico Juan Manuel Márquez de La Habana, con tumores de tallo encefálico (un astrocitoma grado dos y un glioma difuso, respectivamente).

Esos casos "se consideran entre los más agresivos en la población pediátrica y tienen mal pronóstico", informó al auditorio la doctora Martha Caridad Ríos Castillo, especialista de segundo grado en neurocirugía, también ponente en el reporte.

Labiofam estudia la toxina, con la cual produce un medicamento homeopático. Desde hace una década su equipo médico atiende a paci entes de cáncer y ha informado de casos de supervivencia y! reducci ón del dolor al emplearse la sustancia junto con el tratamiento convencional.

Sin embargo, los médicos de Labiofam no habían reportado hasta ahora una experiencia en la cual se confirmara la reducción del tumor y una mejoría en la calidad de vida relacionadas con el empleo del veneno como único agente anticancerígeno durante un lapso del tratamiento.

Las especialistas que hablaron al congreso explicaron que el tipo de tumores de los casos de estudio representa entre un 10 y un 20 por ciento de los que afectan al sistema nervioso central en menores, en particular entre los seis y los 10 años de edad.

La sobrevida depende del lugar de la lesión. En el tallo cerebral el horizonte es de entre seis meses y un año a partir del diagnóstico. El tumor puede alcanzar un gran tamaño antes de producir los primeros síntomas, por lo cual el tratamiento suele aparecer en forma tardía.

De acuerdo con el informe, el primer caso es el de un niño de 5 años de edad con antecedentes de buena salud hasta mayo de 2011, cuando mostró dolores de cabeza, náuseas y vómitos.

Se le atendió como una meningoencefalitis viral y tuvo una ligera mejoría, pero luego empeoró. Se le internó en el hospital en septiembre de 2011. Estaba somnoliento, inestable y caminaba en zigzag. Se le descubrió el tumor e hidrocefalia. Recibió medicación para los efectos colaterales, dos meses de radioterapia y Cimaher (o Nimotuzumab, un anticuerpo monoclonal humanizado).

A lo largo del tratamiento, el niño tuvo diversas reacciones secundarias. Se le administró sólo el veneno de alacrán entre octubre de 2011 y abril de 2012.

Para observar su calidad de vida se usaron escalas que miden de cero a 100 el desempeño de un niño (Lansky) y el de un enfermo de cáncer (Karnofsky). En este caso, el paciente llegó con un Lansky de 30 (postrado en cama, requirió asistencia total) y un Karnofsk y de 50 (necesitó de gran atención en cama menos de la m! itad del día).

Ahora sus indicadores han subido a un Lansky de 70 (algo de tiempo para el juego, con restricciones) y un Karnofsky de 80 (actividad normal con esfuerzo, con síntomas de la enfermedad).

La medición del tumor, según los distintos cortes de observación, muestra disminuciones que en un caso llega a los 10 milímetros (de 32.4 a 22.1). En un video actual, el niño aparece con capacidad para seguir un objeto con la mirada, mover a voluntad los músculos faciales, con algo de fuerza en los brazos y puede caminar con ligeros desvíos.

Segundo caso
El segundo caso es el de una niña que llega al hospital con 11 años, en 2008. Está cansada, le falta fuerza, tiene dolores de cabeza y cae al caminar. La medicación para los colaterales es igual al caso anterior. Además, tiene dos meses de radioterapia y una única dosis de Nimotuzumab. Igual que el anterior, presenta reacciones secundarias. Se ha mantenido durante tres aF 1os solamente con la solución del Rhopalurus junceus.

Llega con un Lansky de 50 (postrada parte del tiempo, con algunas capacidades para valerse por sí misma) y un Karnofsky de 50 (requiere gran atención, en cama menos de la mitad del día). Sus indicadores actuales son de 100 en ambos casos (normal, sin señales de la enfermedad en las dos escalas).

En todos los cortes de observación del tumor hay disminuciones del tamaño, en un caso de 17.9 milímetros (de 45.1 a 27.2). En el video la niña aparece mostrando movimientos y reacciones normales. En el congreso también se presentaron informes sobre otros cinco pacientes de cáncer que mostraron mejorías con un tratamiento que incluyó la fórmula del veneno de alacrán en combinación con otras terapias.

Resumen diario de noticias del sitio CUBADEBATE


www.cubadebate.cu
Fecha: 2012-10-02

Hobsbawn: lições do mestre



Em meados dos anos noventa, Eric Hobsbawn esteve entre nós, no Brasil, para lançar seu livro A Era dos Extremos (Editora Schwarcz, 1994). Estávamos a poucos anos do fim do curto século XX, 1989, marcado pela queda do muro de Berlin. Testemunha da história que historiava o velho e bom mestre nos brindou com uma fina síntese dialética  e do que estava por vir: “Nós, socialistas, somos responsáveis por algo que não queríamos. Nós humanizamos o capitalismo quando nós queríamos destruí-lo”. Poderia haver melhor síntese do curto século XX? Não creio. A Revolução Russa que, segundo o mestre, iniciara o século abrira um período histórico de grandes esperanças e mobilizações em luta por transformações com justiça e igualdade sociais. Os Dez Dias que Abalaram o Mundo, expressão de John Reed o repórter que experimentou o calor dos acontecimentos daquela Revolução, projetaram de fato em todo o século a idéia de que era possível transformar o mundo, enfim, que a Revolução estava no horizonte histórico do possível.
O fim da 2ª Guerra consagrou, inclusive no plano geopolítico, uma bipolaridade onde o socialismo mostrava sua força impondo, até mesmo fora de suas fronteiras geográficas, condições de vida que humanizaram o capitalismo. O estado de bem estar social, que a democracia européia reivindica para si é, em grande parte, o resultado da ameaça real de uma transformação socialista no território da Europa Ocidental, como bem perceberam os estrategistas estadunidenses em sua iniciativa com o Plano Marshall. Bertolucci o percebeu com seu Novecento.
Eric Hobsbawn com sua fina análise dialética não só lia o passado presente como projetava o futuro quando nos alertava, na mesma ocasião, com uma pergunta à época ousada, sobretudo diante do clima de euforia que tomava conta dos ideólogos do fim da história, então e ainda agora, certos da vitória do capitalismo diante da queda do muro. Indagava Hobsbawn: “que será da humanidade quando o capitalismo já não mais teme o socialismo?”
A pergunta hoje já não parece delírio de um velho historiador rigoroso, mas posicionado diante das questões de seu tempo. A social democracia caiu junto com o muro e os 200 anos de história de luta dos pobres contra os ricos para conquistar direitos se tornaram nos últimos 20 anos a luta dos ricos contra os pobres para acabar com os direitos. A crise européia de hoje mostra sobejamente que deixado a si mesmo o capitalismo mostra toda sua face bárbara que, para nós latino-americanos, africanos e asiáticos não é nada novo, mas o é para os europeus.
Que os indignados se inspirem na dignidade desse intelectual e se transformem numa força política capaz de humanizar o mundo, tal como ele nos ajudou com suas análises e compromisso político.

Carlos Walter Porto-Gonçalves, 63 anos,
é professor da Universidade Federal Fluminense.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

terça-feira, 25 de setembro de 2012

X CONCURSO INTERNACIONAL DE ENSAIO “PENSAR CONTRA A CORRENTE”




Visando o reconhecimento e difusão do pensamento crítico sobre as problemáticas e desafios do mundo contemporâneo a partir de perspectivas de amplo sentido anticolonialista, anti-imperialista e emancipatório, o Ministério da Cultura de Cuba, o Instituto Cubano do Livro e a “Editorial de Ciencias Sociales” convocam à 10ª edição do Concurso Internacional de Ensaio Pensar Contra A Corrente.

Como uma alternativa ao silenciamento e a marginalização que afectam o pensamento emancipatório nos circuitos da reprodução hegemônica e da dominação social e intelectual, este prêmio visa contribuir para o desenvolvimento de ideias, análises e propostas ativas na área das Ciências Sociais e da cultura. Neste âmbito, convida-se à diversidade de abordagens e pontos de vista e o confronto com os fundamentos dos sistemas hegemônicos de pensamento.

1. Poderam participar autores de qualquer país com um ensaio inédito em Espanhol, Português, Inglês ou Francês (ou traduzido em qualquer uma dessas línguas), não pudendo ter sido comprometido para publicação ou ter ganhado prêmios noutros concursos.

2. O ensaio não deverá ter menos de 20 páginas ou exceder as 40. Uma página padronizada consiste de 1 800 caracteres (30 linhas de 60 caracteres cada), para um total permitido de 36 000 a 72 000 caracteres.

3. Não se aceitará mais duma obra por autor.

4. O ensaio deverá ser enviado antes do 27 de dezembro de 2012, em anexo (preferencialmente .rtf, embora também. doc., ou em arquivos de formatos abertos, como .odt), numa única cópia e numa única mensagem, devidamente identificada com o nome e o endereço atual do autor, bem como um breve resumo do seu currículo, para o endereço de e-mail: contracorriente@cubarte.cult.cu

O autor deve de receber confirmação do recebimento d o seu trabalho por parte da Seção do Concurso, notificando a participação do seu texto no concurso.


5. Um prestigiado júri internacional irá atribuir o prémio 'Pensar Contra A Corrente’, consistindo de 1 000 Euros e um diploma de acreditação. Outorgar-se-ão, ainda, outras menções consideradas relevantes pelo júri, não implicando, contudo, nenhuma remuneração monetária.

6. O júri atribuirá o prêmio especial "Uma espécie em perigo", com igual força e reconhecimento que “Pensar Contra A Corrente", para o ensaio que melhor aborde os perigos e consequências da crise ecológica gerada pelo modo capitalista de produção e/ou o texto que melhor aporte e analise propostas de soluções anticapitalistas.

7. A “Editorial de Ciencias Sociales” irá publicar um livro com os trabalhos premiados e as menções. O Instituto Cubano do Livro reserva-se o direito da primeira edição dos textos participantes, reserva válida por até um ano após o fechamento da convocatória.

8. A decisão do júri é final e se dará a conhecer em Havana em fevereiro de 2013, durante a Feira Internacional do Livro de Cuba.

9. A participação no concurso implica a aceitação destas regras.

Una pareja hecha en el cielo

EN LA MISMA PÁGINA (EQUIVOCADA) SOBRE CUBA

Por Albor Ruiz
Aquí vamos de nuevo.

En lo que se ha convertido en un ritual aburridor, Mitt Romney y su compañero, Paul Ryan –quien, al contrario de su jefe, presuntamente aborrece cambiar de opinión– se han esmerado en complacer a los extremistas de derecha de su partido y al segmento más recalcitrante de la comunidad cubanoamericana.

¿Cómo lo hicieron? Fácil. Haciendo un refrito de las mismas ideas –viejas y fracasadas– que han constituído la política estadounidense hacia Cuba por 50 años y cuyo plato fuerte ha sido el anacrónico embargo económico. Y como si el tiempo se hubiese detenido, la cansada retórica de esas “ideas” ha sido consagrada una vez más en la plataforma del GOP [Grand Old Party] para el 2012.

 “Si soy suficientemente afortunado como para llegar a ser el próximo presidente, espero que Fidel Castro será finalmente removido de este planeta”, Romney dijo el 30 de enero a una multitud durante su campaña, abrazando una política exterior aparentemente basada en el principio de “bombardear a todos”.

“Debemos estar preparados, durante la primera o segunda administración del próximo presidente”, dijo. “Es hora de dar un golpe for la libertad en Cuba”.

En otras palabras, en una demostración de suprema arrogancia, Romney abiertamente declaró que tiene intenciones de asesinar a Fidel Castro, si él es elegido. Pero aunque tenga éxito, eso no va a ayudar mucho a su causa, dado que Fidel ya no es presidente de Cuba.

Para poner las cosas en perspectiva, imagínese usted qué sucedería si lo opuesto fuera cierto, si Castro prometiera decretar el asesinato de un Presidente Romney.

Pensándolo bien, la dura palabrería del candidato republicano no es gran sorpresa. Después de todo, el hombre que hizo reír a Miami cuando dijo en una entrevista radial en español que le encanta la papaya (jerga cubana que significa “vagina”) hubiera hecho cualquier cosa por ganarse el apoyo de los legisladores cubanoamericanos de la Florida, Ileana Ros-Lehtinen y Mario Díaz-Balart.

Por cierto que a ellos les encantaría restaurar las restricciones draconianas de viaje impuestas durante la época de Bush, que limitaban los viajes de cubanoamericanos a sólo un viaje cada tres años y sólo para visitar a la familia íntima, sin excepciones.

El hecho de que encuestas recientes demuestran que la mayoría de los cubanoamericanos favorecen levantar las restricciones de viaje y poner fin al embargo claramente no les hace mella a sus presuntos representantes. Irónicamente, en lo que respecta a Cuba, Romney ha sido más fiel a sus posiciones que su compañero de boleta.

 “El representante Paul Ryan dio una voltereta hacia atrás en cuanto a Cuba. Antes de votar a favor del embargo en 2007, se oponía a las sanciones y hablaba apasionadamente contra ellas”, dijo Sarah Stephens, directora ejecutiva del Centro Para la Democracia en las Américas, en el boletín noticioso del 17 de agosto de ese grupo, titulado Cuba Central Newsblast
“Dejemos claro que el congresista Ryan se opuso al embargo durante parte de su carrera congresional y apoyó los viajes irrestrictos a la isla”, dijo ella.
Stephens entonces cita un discurso hecho por Ryan en el Congreso, en el que decía en parte: “Ha sido un principio fundamental de la política estadounidense que los viajes son una manera de abrir las sociedades cerradas. Los viajeros norteamericanos son nuestros mejores embajadores. Llevan la idea de la libertad a los pueblos en países comunistas. No hay razón alguna para hacer esta excepción para Cuba”.
Otra cita de Ryan (publicada en 2002 en el Milwaukee Journal-Sentine) dijo que los cubanoamericanos “tienen sus razones” para apoyar el embargo “y son muy apasionados con sus razones. Yo simplemente no estoy de acuerdo con ellos y nunca lo he estado”.
Esa posición, por cierto, se estrellaría con las de los ultraconservadores de la Florida, como Ros-Lehtinen, Díaz-Balart y Marco Rubio, de modo que una urgente y radical reorganización de la mente de Ryan fue necesaria.
l fin del día, Ryan, aunque un apasionado creyente en el libre comercio, no tuvo reparos en canjear sus principios por la oportunidad de acompañar al siempre cambiante Romney en la montaña rusa presidencial del Partido Republicano, en lo que podría convertirse en un viaje hacia la nada.

Claramente, son una pareja hecha en el cielo.

EEUU invierte en los juegos video para intentar desestabilizar a Cuba


 JEAN-GUY ALLARD - Estados Unidos que pretende “liberar” a Siria financiando mercenarios; que “democratizó” Libia a fuerza de bombardeos y que no logra evacuar a su campo de interrogatorio de Guantánamo, ha encontrado como enseñar a los jóvenes cubanos las virtudes de su civilización. 
 El Departamento de Estado acaba de anunciar que adjudicará 700.000 dólares a quién logrará “inventar” un videojuego que fomentará “el pensamiento crítico” entre los jóvenes cubanos – como si fueran brutos - con el propósito de provocar “cambios en la sociedad”, revela el sitio web Along the Malecon,
 Esta grosera operación de desestabilización – una más en el arsenal de la guerra psicológica contra Cuba  - se sitúa en un nuevo plan millonario que lleva un presupuesto de  $ 4,2 millones de dólares  que se derrocharán con firmas o organizaciones que viven de las bondades de los funcionarios de  Hillary Clinton.
  Con una descarada franqueza característica del poder imperial, el “State Department” precisa, entre otras donaciones parte del presupuesto, que regalará 1.050.000 dólares para “mejorar la capacidad de los investigadores de derechos humanos y observadores, especialmente los fuera de La Habana”.
 Eso dicho por un país que castiga con una estancia prolongada detrás de los barrotes a quién se atreve a actuar como agente no registrado de un gobierno extranjero.
 Lo mismo se aplica a los beneficiarios de los 750.000 dólares que se dilapidarán para atribuir “herramientas para denunciar y detectar violaciones de los derechos humanos y corrupción” a los llamados “periodistas de investigación que propagan y difunden en el exterior “historias” que difaman a Cuba.
 De nuevo, se gastará dinero para criar “disidentes” usando enormes cantidades de dinero para sobornar a ciudadanos confrontados a las consecuencias de un bloqueo que estrangula la Isla desde décadas: nada menos que un millón de dólares será supuestamente gastado “especialmente entre los artistas, poetas, músicos y escritores” (textual) para lograr este propósito”.

 Otros 700 000 dólares irán entre las manos de corporaciones, firmas o ONGs que enseñarán a los cubanos la belleza del llamado “libre mercado” donde los ricos no tienen que entregar sus casas a los bancos.
 Los funcionarios de Clinton  “prefieren” que los eventuales contratistas sean hispano hablantes “con experiencia en la isla”. Sin embrago, precisan que el número de ciudadanos estadounidenses y residentes permanentes que viajan a Cuba debe ser "limitado o excluido".
 Ejemplos recientes han mostrado que violar las leyes cubanas comporta serios inconvenientes.
 El Departamento de Estado dice que puede exigir a los beneficiarios de subvenciones revelar quién en Cuba recibe el dinero o los recursos.
 El negocio de la desestabilización en Cuba ha hecho rico a más de un socio del Departamento de Estado en el pasado y ha sido objeto de múltiples desviaciones de fondos, actos de corrupción y escándalos de fraude en el curso de los años.

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TWITTER:  @AllardJeanGuy

MANIFESTO: Brasileiros com Chávez, pela Venezuela e América Latina!



As eleições presidenciais na Venezuela neste 7 de outubro serão decisivas para os rumos dos processos de mudanças na América Latina e balizarão a correlação de forças na região, com impacto em âmbito mundial.
Uma eventual derrota de Chávez significaria um grande retrocesso, a começar pelo próprio povo venezuelano, que poderia perder as conquistas políticas e sociais já asseguradas até aqui pelo processo bolivariano.
Para avaliarmos estas mudanças, basta constatar alguns fatos objetivos. A Venezuela é um dos raros países do mundo em que os trabalhadores conquistaram novos direitos, ao invés de perdê-los. No lugar de privatização, promovem-se grandes investimentos estatais na saúde, educação, habitação popular e serviços públicos. Foi o segundo país da América da América Latina a erradicar o analfabetismo, com a valiosa contribuição da pioneira Cuba.
Para confirmar os avanços sociais do governo Chávez, recente relatório da ONU aponta a Venezuela como o país da América Latina com menos desigualdade, obviamente depois de Cuba, que não entrou no relatório certamente para não revelar as virtudes do socialismo.
A Venezuela tem sido também o maior obstáculo aos objetivos hegemonistas dos Estados Unidos na América Latina e se tem colocado na defesa de todos os povos agredidos pelo imperialismo.
A derrota de Chávez traria prejuízos para outros povos, a começar pelo cubano, com quem a Venezuela hoje mantém estreitos laços de intercâmbio baseado na complementaridade e na solidariedade. Seria ainda uma ameaça para os processos de mudanças no Equador e na Bolívia e um fortalecimento da direita em todo o nosso continente, com reflexos até no Brasil.
Uma situação dramática viveriam as forças populares colombianas, que lutam por uma solução política para o conflito interno, que têm origem em profundas injustiças sociais. E exatamente no momento em que emerge com força a Marcha Patriótica, o maior movimento de massas das últimas décadas na América Latina.
Nesse contexto, cabe a todas as forças progressistas e antiimperialistas expressar inequívoco apoio político militante à reeleição de Hugo Chávez, para que possam avançar as mudanças sociais na Venezuela e na América Latina, rumo ao socialismo.

Brasil, setembro de 2012

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

A pesar del Bloqueo, Cuba continuará desarrollándose con el esfuerzo de todos los cubanos


CUBA, 20 DE SEPTIEMBRE DE 2012.- El presidente Barack Obama tiene todas las razones morales , humanitarias y políticas para levantar el bloqueo contra Cuba, expresó el Ministro de Relaciones Exteriores, Bruno Rodríguez Parrilla, en la presentación del informe de Cuba sobre la resolución 66/6 de la Asamblea General de Naciones Unidas titulada “Necesidad de poner fin al bloqueo económico, comercial y financiero impuesto por los Estados Unidos de América contra Cuba”, celebrada esta mañana en la Cancillería cubana ante periodistas cubanos y extranjeros y con un enlace a la Misión Permanente de Cuba ante Naciones Unidas en Nueva York.
El bloqueo, que de acuerdo a la convención de Ginebra puede considerarse como un acto de genocidio, es el principal obstáculo para el desarrollo económico y social de Cuba y constituye una violación flagrante del derecho internacional; el daño económico ocasionado al pueblo cubano por la aplicación del bloqueo hasta diciembre de 2011, considerando la depreciación del dólar frente al valor del oro en el mercado internacional, asciende a un billón 66 mil millones (1,066,000,000,000) de dólares, afirmó el Canciller cubano.
Más adelante, aseveró que la política de bloqueo está completamente aislada; los principales aliados de los Estados Unidos se oponen al bloqueo y sufren los efectos de este. Durante la administración Obama, la aplicación extraterritorial del bloqueo se ha intensificado y las multas impuesta por Oficina de Control de Activos Extranjeros (OFAC) a compañías de terceros países que realizaban negocios con Cuba, alcanzaron cifras récord. De igual manera, la cifra de los fondos congelados por Estados Unidos a Cuba al cierre del 2011 asciende a 245 millones de dólares, obstaculizando así el desarrollo económico, social y científico-técnico de Cuba.
El bloqueo no solo daña al pueblo de Cuba, representa un instrumento que lesiona los intereses del pueblo estadounidense y constituye una violación de las libertades civiles y los derechos de los ciudadanos de este país, afirmó el Ministro, añadiendo que el fin de esta política detendría el ataque contra los contactos pueblo a pueblo entre Cuba y Estados Unidos, generaría relaciones culturales sin ninguna restricción, entre otros múltiples beneficios.
El Canciller añadió que a Barack Obama tiene una oportunidad única de poner fin a esta criminal política al tiempo que afirmó que incuestionablemente Cuba continuará desarrollándose en el plano económico y social contando con el esfuerzo de todos los cubanos y jamás renunciará a su independencia y soberanía. (C

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Resumen diario de noticias del sitio CUBADEBATE


www.cubadebate.cu
Fecha: 2012-09-18

A linguagem da verdade na luta de massas


por Miguel Urbano Rodrigues
 
Grafitti em Lisboa. Em situações históricas como a actual os responsáveis pelas crises optam pelo auto elogio, enquanto se preparam para responder com a repressão ao protesto popular. Os Passos, Relvas e Companhia Lda esquecem que no movimento de fluxo e refluxo da História as grandes crises desembocam quase sempre numa contestação torrencial quando os povos, atingido um limite, não podem mais suportar a opressão da classe dominante e se mobilizam para lhe por termo.


As medidas anunciadas pelo primeiro-ministro no dia 7 de Setembro – ostensivamente inconstitucionais – assinalaram uma vertiginosa galopada para a direita do governo mais reaccionário do País desde a Revolução de 1974.


Passos Coelho pelo que disse, pela hipocrisia e até pelo tom, fez-me recordar falas de ministros de Salazar. Deles se diferencia não pelo conteúdo ideológico da "mensagem", mas porque alguns eram inteligentes e porque o que resta da herança de Abril não lhe permite ir tão longe quanto desejaria na destruição de conquistas históricas dos trabalhadores e na ofensiva contra direitos e liberdades.


Os novos impostos e a descida da taxa social única (800 milhões oferecidos na prática às grandes empresas) inserem-se numa estratégia dita de "austeridade", mas que transcende as próprias exigências da troika. Foi concebida para favorecer o grande capital e atingir brutalmente os trabalhadores.


O complemento da agressão fiscal tornado público pelo ministro Vítor Gaspar, tutor ideológico de Passos, amplia os contornos do pesadelo.


O fracasso do projecto em desenvolvimento é, porém, tão transparente – o défice não desceu, o desemprego disparou, o PIB caiu – que pela sua irracionalidade e consequências desastrosas ao levar o pais à ruína abriu fissuras nas forças da direita que inicialmente o apoiaram maciçamente.


Destacadas personalidades políticas do sistema, tradicionalmente vinculadas ao imperialismo, como Adriano Moreira, Freitas do Amaral, Alberto João Jardim, Bagão Félix, Mário Soares, Pacheco Pereira criticaram com maior ou menor clareza o pacote fiscal do governo. Até Catroga se distanciou.


O Presidente da República, esse, permaneceu mudo até ao momento em que escrevo.


Na hierarquia da Igreja levantam-se vozes condenando aquilo em que identificam o arrogante desprezo do governo pelo povo.


A Saúde e a Educação serão brutalmente golpeadas. Entre os reformados a maré da revolta cresce. Não há mentira oficial que possa ocultar a evidência: o governo pretende destruir a Previdência, arrasar a Segurança Social.


O indigitado secretário-geral da UGT apelou à denúncia dos compromissos assumidos pela sua organização com o governo e o patronato e agora exige a rejeição das medidas anunciadas.


A própria CIP desaprova a estratégia do Executivo, e Belmiro de Azevedo, o patrão da SONAE (que vai poupar muitos milhões de euros com a descida da taxa social única), demarcou-se do governo. Foi categórico ao afirmar que o brutal aumento da carga fiscal sobre o trabalho, longe de atingir os objectivos fixados, vai contribuir para o agravamento da crise.


Influentes "analistas" da burguesia, como Marcelo Rebelo de Sousa e Miguel Sousa Tavares, habitualmente prudentes nas críticas ao governo, desancaram agora Passos Coelho e a cruel farsa da "austeridade".


Não esperava o Primeiro-ministro que o seu medonho pacote fiscal fosse mal recebido por parlamentares e dirigentes do PSD e do CDS. Mas teve uma surpresa.


"Sinto uma grande revolta no PSD – declarou ao jornal Publico um deputado desse partido – porque o Primeiro-ministro foi longe demais".


No CDS o mal-estar aumenta a cada dia e alguns "barões" falam abertamente da necessidade de por termo à coligação, cimento da maioria parlamentar.


GRANDES LUTAS NO HORIZONTE


A presente crise – é uma certeza – vai aprofundar-se muito. Inseparável da crise global do capitalismo, a actual, que lançou milhões de portugueses no desemprego, na pobreza e na miséria, difere de todas as anteriores não apenas pelas seus efeitos sociais e económicos, mas pela ideologia e projecto dos representantes do capital que controlam o governo e o Parlamento.


É significativo que o ministro Relvas, envolvido numa cadeia de escândalos sórdidos, tenha aproveitado a sua visita ao Brasil para fazer no Rio declarações provocatórias, de elogio irrestrito à devastadora e criminosa política fiscal de Passos Coelho. Insolente, maltratando inclusive o idioma, sugere aos que dela discordam a apresentar uma alternativa, para concluir que ela não existe e proclamar que a recusa da estratégia do governo seria o caos.


Não é inédito o seu arrogante desafio. Em situações históricas como a actual, os responsáveis pelas crises optam pelo auto elogio, enquanto se preparam para responder com a repressão ao protesto popular.


Os Passos, Relvas e Companhia Lda esquecem que no movimento de fluxo e refluxo da História as grandes crises desembocam quase sempre numa contestação torrencial quando os povos, atingido um limite, não podem mais suportar a opressão da classe dominante e se mobilizam para lhe por termo.


Não há dois processos iguais. As revoluções e as transições marcadas por reformas revolucionárias diferem de sociedade para sociedade, evoluindo em função de factores que não cabe analisar num artigo como este.


Isso ocorreu no 25 de Abril.


Transcorridos 38 anos, frustradas as grandes esperanças da Revolução Democrática e Nacional, uma grande burguesia dependente, mais sofisticada do que a anterior, e mais intimamente ligada ao imperialismo, encontra-se novamente instalada no Poder.


Sob alguns aspectos a luta contra o sistema é hoje mais difícil do que na época de Salazar e Caetano porque as condições subjectivas são menos favoráveis.


As instituições existentes (deformadas por sucessivas reformas da Constituição) levam milhões de portugueses, a maioria da cidadania, a crer que o regime português é democrático.


Ora, na prática vivemos sob uma ditadura da burguesia de fachada democrática. Mas somente uma pequena minoria de portugueses tem consciência dessa realidade.


Em Portugal, a resistência dos trabalhadores a políticas neoliberais de sucessivos governos do PSD e do PS tem sido uma constante. Sobretudo nos últimos anos. Expressou-se em gigantescas manifestações de protesto, em greves gerais e sectoriais realizadas com êxito, em lutas de numerosas categorias profissionais, com destaque para as dos professores.


Mas o controle dos media pelo capital e a influência hegemónica do imperialismo na Internet dificultam extraordinariamente a compreensão pela maioria dos portugueses da complexidade da crise mundial e dos desafios que se colocam ao povo português. Os mecanismos da alienação são uma fonte de ilusões, favorecendo a direita (na qual incluo os dirigentes do PS).


A ilusão de que é possível às forças progressistas chegar ao governo através de eleições está muito difundida. Tal convicção é utópica.


A engrenagem montada pelas forças do capital foi concebida e funciona de modo a que alternadamente obtenham maioria parlamentar e cheguem ao governo, exibindo uma falsa representatividade popular, ora o PSD (levando a reboque o CDS), ora o PS.


A ruptura com essa engrenagem, para produzir efeitos, para ser real, não pode consumar-se dentro do sistema, tendente à sua democratização. Terá de ser uma ruptura contra o sistema. Por outras palavras, é imprescindível deixar transparente que o inimigo é o capitalismo e que este é irreformável pela sua natureza desumana. É possível em Portugal um governo menos reaccionário, mas não um governo progressista.


A linguagem da verdade é uma exigência política e ética no diálogo com as massas.


A ideia de uma volta a Abril é também romântica. A História não se repete. Seria negativo confundir os valores de Abril e o respeito que inspiram com a aspiração ilusória de uma nova Revolução Democrática e Nacional, no actual contexto.


Qual então o carácter da resposta popular, qual o rumo que a contestação ao Poder da burguesia e ao protectorado imperial devem assumir?


A pergunta é formulada com frequência por aqueles a quem são dirigidos apelos para a dinamização da luta de massas. E é pertinente porque a relação de forças na sociedade portuguesa não abre a porta a uma conjuntura pré-revolucionária.


A menos que se produza a nível mundial uma situação revolucionária envolvendo os EUA e a União Europeia, o que não está para breve, uma Revolução social vitoriosa em Portugal é uma impossibilidade.


A luta intensa e permanente contra este governo, que assume já no discurso e na prática matizes neofascistas, não vai desembocar numa Revolução progressista. A serena consciência dessa realidade não justifica uma atitude de pessimismo, de passividade alienante. Em Portugal a participação nas lutas contra o sistema é transversal, abrange já segmentos da pequena e média burguesias, camadas sociais que ainda há poucos anos afirmavam não se 'interessar pela politica'.


Ao longo da História, muitas gerações bateram-se por transformações revolucionárias que não se produziram durante as suas breves existências. Mas o seu compromisso era com as ideias e não com o calendário. Revoluções tão importantes para o progresso da Humanidade como a Francesa de 1789 e a Russa de 1917 não teriam sido vitoriosas sem a luta, a dedicação, o debate de ideias de uma extensa, maravilhosa cadeia de revolucionários que as imaginaram e para elas viveram.


Afirmar sem rodeios, frontalmente, que a ruptura em Portugal deve ser com o sistema capitalista, rumo ao socialismo distante, esfumado num horizonte de brumas, é seguir o exemplo desses revolucionários, caminhar pelas alamedas que eles abriram combatendo.


Acredito que a luta de massas vai adquirir um ímpeto novo, que a repressão será incapaz de travar, um ímpeto vocacionado para abalar os alicerces do Poder ultramontano.


V.N. de Gaia, 11 de Setembro de 2012
O original encontra-se em http://www.odiario.info/?p=2612


Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Outono quente na Europa

15 Setembro, 2012 

"Devemos deixar de ser sujeitos individuais e isolados, e converter-nos em agentes da mudança, em ativistas sociais interligados" Como se as férias de verão fossem um manto de esquecimento que dissipasse a brutalidade da crise, os meios de comunicação tentaram distrair-nos com doses massivas de embrutecimento coletivo: Europeu de futebol, Jogos Olímpicos, aventuras estivais de 'famosos', etc. Tentaram fazer-nos esquecer que uma nova ronda de cortes se avizinha e que o segundo resgate de Espanha será socialmente mais lamentável... Mas não o conseguiram. Entre outras razões, porque as audazes ações de Juan Manuel Sánchez Gordillo e do Sindicato Andaluz de Trabalhadores (SAT) romperam o esquecimento e mantiveram o alerta social. O outono será quente.

Numa conversa pública mantida em agosto passado (1) com o filósofo Zygmunt Bauman coincidíamos na necessidade de romper com o pessimismo que prevalece na nossa sociedade desiludida com o modo tradicional de fazer política. Devemos deixar de ser sujeitos individuais e isolados, e converter-nos em agentes da mudança, em ativistas sociais interligados. "Temos o dever de assumir o controlo das nossas próprias vidas – afirmou Bauman. Vivemos um momento de grave incerteza onde o cidadão não sabe realmente quem está no comando, e isso leva-nos a perder a confiança nos políticos e nas instituições tradicionais. O efeito sobre a população é uma situação de constante medo, de insegurança... Os políticos sugestionam os cidadãos a que tenham sempre medo, para assim poder controlá-los, constranger os seus direitos e limitar as liberdades individuais. Estamos num momento muito perigoso, porque as consequências de tudo isto afeta a nossa vida diária: repetem-nos que devemos ter segurança no trabalho, mantê-lo apesar das duras condições de emprego e de precariedade, porque assim obteremos dinheiro para poder gastar... O medo é uma forma de controlo social muito poderosa".

Se o cidadão já não sabe quem está no comando é porque se produziu uma bifurcação entre poder e política. Até há pouco, política e poder confundiam-se. Numa democracia, o candidato (ou a candidata) que, pela via política, conquistava eleitoralmente o poder Executivo, era o(a) único(a) que podia exercê-lo (ou delegá-lo) com toda a legitimidade. Hoje, na Europa neoliberal, já não é assim. O sucesso eleitoral de um Presidente não lhe garante o exercício do poder real. Porque, por cima do eleito político, encontram-se (além de Berlim e Angela Merkel) dois supremos poderes não eleitos que ele não controla e que ditam a sua conduta: a tecnocracia europeia e os mercados financeiros.

Estas duas instâncias impõem a sua agenda. Os eurocratas exigem obediência cega aos tratados e mecanismos europeus que são, geneticamente, neoliberais. Pela sua parte, os mercados sancionam qualquer indisciplina que se desvie da ortodoxia neoliberal. De tal modo que, prisioneiro do caudal destas duas rígidas ribeiras, o rio da política avança obrigatoriamente na direção única sem qualquer margem de manobra. Ou seja: sem poder.

"As instituições políticas tradicionais são cada vez menos criveis – disse Zygmunt Bauman – porque não ajudam a solucionar os problemas com que os cidadãos se viram envolvidos de repente. Produziu-se um colapso entre as democracias (o que as pessoas votaram), e os diktats impostos pelos mercados, que engolem os direitos sociais das pessoas, os seus direitos fundamentais".

Estamos a assistir à grande batalha do Mercado contra o Estado. Chegámos a um ponto em que o Mercado, na sua ambição totalitária, quer controlar tudo: a economia, a política, a cultura, a sociedade, os indivíduos... E agora, associado aos meios de comunicação de massas que funcionam como o seu aparelho ideológico, o Mercado deseja também desmantelar o edifício dos avanços sociais, aquilo a que chamamos: "Estado de bem-estar".

Está em jogo algo fundamental: a igualdade de oportunidades. Por exemplo, de forma silenciosa está-se a privatizar (ou seja: a transferir para o mercado) a educação. Com os cortes, vai-se criar uma educação pública de baixo nível na qual as condições de trabalho vão ser estruturalmente difíceis, tanto para os professores como para os alunos. O ensinamento público vai ter cada vez mais dificuldades para favorecer a emergência de jovens de origem humilde. Em troca, para as famílias ricas, o ensinamento privado vai conhecer seguramente um auge maior. Vão-se criar de novo categorias sociais privilegiadas que acederão aos postos de comando do país. E outras, de segunda categoria, que só terão acesso aos postos de obediência. É intolerável.

Nesse sentido, a crise provavelmente atua como o choque, de que fala a socióloga Naomi Klein no seu livro A Doutrina do Choque (2): utiliza-se o desastre económico para permitir que a agenda do neoliberalismo se realize. Criaram-se mecanismos para ter as democracias nacionais vigiadas e sob controlo, para poder aplicar (como está a acontecer em Espanha e aconteceu antes na Irlanda, em Portugal ou na Grécia) ferozes programas de ajustamento vigiados por uma nova autoridade: a troika composta pelo Fundo Monetário Internacional, a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu; instituições não democráticas cujos membros não são eleitos pelo povo. Instituições que não representam os cidadãos.

E no entanto, estas instituições – com o apoio dos meios de comunicação de massas que obedecem aos interesses de grupos de pressão económicos, financeiros e industriais – são as encarregadas de criar as ferramentas de controlo que reduzem a democracia a um teatro de sombras e de aparências. Com a cumplicidade dos grandes partidos de governo. Que diferença há entre a política de cortes de Rodríguez Zapatero e a de Mariano Rajoy? Muito pouca. Ambos se curvaram servilmente aos especuladores financeiros e obedeceram cegamente às consignas eurocráticas. Ambos liquidaram a soberania nacional. Nenhum dos dois tomou qualquer decisão política para pôr um freio à irracionalidade dos mercados. Ambos consideraram que, face aos diktats de Berlim e ao ataque dos especuladores, a única solução consiste – à semelhança de um rito antigo e cruel – em sacrificar à população como se o tormento infligido às sociedades pudesse acalmar a ganância dos mercados.

Em semelhante contexto, os cidadãos têm a possibilidade de reconstruir a política e de regenerar a democracia? Sem dúvida. O protesto social não para de amplificar-se. E os movimentos sociais reivindicativos vão-se multiplicar. Por agora, a sociedade espanhola ainda crê que esta crise é um acidente e que as coisas voltarão rapidamente a ser como eram. É uma miragem. Quando tomar consciência de que isso não ocorrerá e de que estes ajustamentos não são "de crise" mas que são estruturais, que vêm para ficar definitivamente, então o protesto social alcançará um nível importante.

Que exigirão os que vão protestar? O nosso amigo Zygmunt Bauman é claro: "Devemos construir um novo sistema político que permita um novo modelo de vida e uma nova e verdadeira democracia do povo". De que estamos à espera?

Artigo publicado em Le Monde Diplomatique em espanhol. Tradução de Carlos Santos para esquerda.net

http://www.esquerda.net/artigo/outono-quente-por-ignacio-ramonet/24626
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1 No quadro do Fórum Social organizado durante o Festival Rototom Sunsplash em Benicàssim (Castellón) de 16 a 23 de agosto de 2012. www.rototomsunsplash.com/es
2 Naomi Klein,A doutrina do choque. O auge do capitalismo do desastre, Paidós, Barcelona, 2007.

Sobre o/a autor/a »

Ignacio Ramonet
Jornalista. Foi director do Le Monde Diplomatique entre 1990 e 2008.