terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Caiu a máscara da blogueira cubana Yoani

SEGUNDA-FEIRA, 20 DE DEZEMBRO DE 2010

WikiLeaks:
Em visita que realizou a Havana, em setembro de 2009, para dialogar sobre o restabelecimento de cor-respondência direta entre Cuba e os Estados Unidos, a subsecretária de Estado ad-junta para a América La-tina, Bisa Williams, deve ter se surpreendido com a solicitação que lhe fez a blogueira Yoani Sanchez: levantar a restrição que a impede de fazer compras pela internet.


“Sabe quanto mais poderíamos fazer?”, sugere a blogueira à funcionária norte-americana de mais alto nível que visitou Cuba em décadas, aludindo, com o termo “poder fazer”, à “luta” para derrocar o governo de Cuba por meio do acesso livre ao mercado on-line.


A insólita revelação aparece em um despacho vazado por WikiLeaks, publicado no domingo, dia 19, pelo sítio norte-americano Along the Malecon.


O informe, assinado pelo chefe do Escritório de Interesses dos Estados Unidos em Havana, Jonathan Farrar, e enviado ao Departamento de Estado da sede diplomática estadunidense em Havana, em 25 de setembro de 2009, descreve a “calorosa” acolhida que o governo de Cuba dispensou a Bisa Williams. Diz também que a subsecretária se reuniu com “dissidentes”.


Ao referir-se ao encontro que a funcionária teve com os blogueiros protegidos pelos Estados Unidos, Farrar afirma: “Os blogueiros, que, em parte por sua própria preservação, não querem estar agrupados com a comunidade dissidente, estavam igualmente otimistas com o curso dos acontecimentos. ‘Uma melhora das relações dos Estados Unidos é absolutamente necessária para que surja a democracia aqui’, disse a pioneira dos blogs a Williams em seu modesto apartamento. Segundo a revista Time, a blogueira é uma das 100 pessoas mais influentes. ‘As restrições só nos prejudicam’, acrescentando: ‘Sabe quanto mais poderíamos fazer se pudéssemos usar o Pay Pal ou comprar coisas on-line com um cartão de crédito?’”


A única blogueira que foi incluída na lista de famosos da revista Time – certamente poucos meses depois que seu blog começou a ser publicado – é Yoani Sanchez. Ela lançou seu blog em abril de 2007 e em março recebia o prêmio Ortega y Gasset de Jornalismo – dirigido pelo Grupo Prisa da Espanha, também envolvido por essa época em reuniões contra Cuba organizadas por funcionários norte-americanos, de acordo com WikiLeaks. A blogueira Yoani Sanchez foi, assim, premiada menos de um ano depois de seu primeiro post na internet e sem ter nenhum antecedente como jornalista ou nos círculos literários de Cuba.


Desde abril de 2007 até hoje, Yoani Sanchez foi privilegiada não só pela publicidade, recursos técnicos e de tradução para sua visibilidade na internet, mas com o apoio das autoridades norte-americanas que, de acordo com outros documentos divulgados por WikiLeaks, depositam nela grandes esperanças e a utilizam para dar imagem à retórica contra Cuba.

De acordo com os vazamentos, o chefe do Escritório de Interesses dos Estados Unidos em Havana assegurou que “é a nova geração de ‘dissidentes não tradicionais’, como [a blogueira] Yoanny Sanchez (sic!), que poderia ter maior impacto de longo prazo na Cuba da era pós-Castro”.


A partir da data em que esse despacho foi feito, se intensificaram os prêmios em instituições norte-americanas e europeias à pessoa em que os Estados Unidos dizem depositar suas esperanças para o triunfo de sua política na Ilha.

Apesar de tudo isso, as revelações de WikiLeaks não são segredo nem mistério para ninguém. Os EUA não escondiam suas preferências por este setor da “oposição” cubana. A maior partida de fundos públicos que os Estados Unidos destinam a um grupo para promover a mudança de governo em Cuba é enviada aos blogueiros e tuiteiros, com mais de US$5 milhões por ano, de acordo com documentos revelados pelo Senado norte-americano e que qualquer pessoa pode consultar.

O Novo Herald publicou, em 9 de abril deste ano, que o governo dos Estados Unidos enviou a Cuba, até dezembro de 2009, durante todos os meses, de duas a cinco pessoas contratadas para dar “ajuda técnica e financeira” a “dissidentes”, blogueiros e tuiteiros.


Os fundos do governo dos Estados Unidos para os programas de subversão contra Cuba – que somaram US$45 milhões nos anos fiscais de 2009 e 2010 – são administrados por meio de uma complexa rede de organizações não governamentais e empresas privadas e disfarces da CIA, que organizam a entrega de tecnologia de telecomunicações e dinheiro vivo a supostos oposicionistas cubanos, que se convertem tacitamente em empregados do governo norte-americano.


Jovens na rede, objetivo dos EUA em Cuba


Em outro despacho divulgado no domingo, dia 19, proveniente dos vazamentos de WikiLeaks, datado de 27 de novembro de 2006, o ex-chefe do Escritório de Interesses dos Estados Unidos em Havana, Michel E. Parmly, descreve uma reunião de funcionários dessa sede diplomática com “jovens ativistas pela democracia”, realizada “no quintal da residência de um diplomata norte-americano em Havana”.


Parmly escreveu que esperava que as autoridades cubanas reagissem a esse encontro com os meios de comunicação e as organizações sociais “para carimbar os jovens líderes como agentes do governo dos Estados Unidos... [Nós] estaremos trabalhando da mesma maneira que o governo cubano para incentivar as ações em outra direção, mais concretamente, articulando um maior e melhor trabalho na rede com os estudantes universitários que se opõem ao regime”.


Em data muito próxima, 1º de junho de 2010, um despacho enviado pelo representante máximo da diplomacia norte-americana na Ilha, Johnatan Farrar, dedica um trecho de seu informe à blogueira e à atenção que seu governo dispensa a ela:

“O pensamento convencional em Havana é que o governo de Cuba vê os blogueiros como seu mais sério desafio, que tem dificuldades para conter como fez com os grupos tradicionais de oposição. Os dissidentes da ‘velha guarda’ têm estado bastante isolados do resto da Ilha. O governo de Cuba não presta muita atenção a seus artigos e manifestos, porque não têm ressonância nacional e possuem um peso muito limitado internacionalmente.


Temporariamente, ignorar os blogueiros também parecia dar certo. Mas a crescente popularidade internacional deles e sua habilidade de estar um passo tecnológico à frente das autoridades causam sérias dores de cabeça ao regime. Os temores de que o problema dos blogueiros está fora de controle [do governo cubano] foram reforçados pela atenção que os Estados Unidos deram primeiro quando [a blogueira] foi detida e agredida e posteriormente quando o presidente [Barack Obama] respondeu a suas perguntas”.


Apesar disso, os diplomatas norte-americanos em Havana e sua chefa, a secretária de Estado Hillary Clinton – que dedicou um parágrafo à suposta agressão que a blogueira recebeu na brevíssima nota que divulgou no Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, em 3 de maio de 2010 –, nunca conseguiram provar que Yoani Sanchez havia sido agredida, fato que foi posto em dúvida tacitamente por vários correspondentes internacionais em Havana.


O correspondente em Cuba do diário digital espanhol La República entrevistou os médicos que atenderam Yoani pouco depois que ela informou ter sido vítima de uma agressão em 6 de novembro de 2009. Os especialistas que estavam de plantão na noite de 7 de novembro na Policlínica Universitária “19 de Abril”, de Havana, para onde se dirigiu a blogueira, asseguraram que “a paciente” não tinha o menor sinal de golpes ou ferimentos em seu corpo, embora tenha chegado com muletas ao local.

La República postou no Youtube as entrevistas que deram os médicos da Policlínica Universitária “19 de Abril” de Havana.


Texto traduzido do sítio CubaDebate pela redação do Vermelho. Para ver o original, em espanhol.

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