sexta-feira, 5 de outubro de 2012

No caminho com Bolívar, livres, cada um a seu modo


Por Raquel Moysés - jornalista

Os Comunistas e as eleições

setembro de 2012


Para pensar o papel dos comunistas nas eleições é preciso sempre partir de uma análise sobre a estrutura de poder e de classes de nossa atual sociedade, bem como o seu contexto histórico. 
O nosso capitalismo dependente e o seu bloco de poder dominante, impõe um domínio autocrático que restringe ao máximo qualquer possibilidade de avanços sociais e democráticos para a ampla maioria da população. A fração hegemônica deste bloco de poder é o imperialismo, que superexplora – através dos monopólios e latifúndios – nossa mão de obra e se apropria de imensa parte de nossos recursos naturais. 
É preciso compreender que o Estado não é "neutro" ele é sempre um instrumento de dominação de classe e quem detém sua hegemonia é a grande burguesia, latifúndios e imperialismo, portanto trata-se de um Estado burguês. Compreender isso não significa negar que a dinâmica da luta de classes é contraditória e que esse mesmo Estado é reflexo dessa dinâmica, portanto é sim possível que a classe trabalhadora e o povo consigam abrir brechas nele e obter conquistas. Mas essas conquistas sempre serão insuficientes enquanto os explorados e oprimidos não se organizarem para efetivar a ruptura com esse Estado (a sua destruição) e construir um novo, de transição, onde os trabalhadores e o povo é que detém e hegemonia do poder. 
O golpe de estado de 1964, que instaurou a ditadura civil-militar em nosso país, nos mostrou que essa classe dominante associada ao imperialismo não pode sequer aceitar mínimas conquistas democráticas para o povo, pois o capitalismo dependente é o único capitalismo possível em nosso país, e se buscarmos superar essa condição estaremos criando uma dinâmica social que necessariamente precisa enfrentar a ordem vigente. 
As classes dominantes latino-americanas permitem que existam eleições diretas em seus países até o ponto em que o seu poder não seja ameaçado. Se alguma medida progressista em favor do povo ameaçar o seu poder, ela recorre ao golpe de estado para instaurar um regime fascista (como vimos na Venezuela em 2002, Honduras em 2009 e Paraguai nesse ano). Na Venezuela o povo organizado em aliança com o setor progressista do exército conseguiu derrotar o golpe de estado em 48 horas, mostrando a importância da organização popular para enfrentar a violência da burguesia. 
Por tudo isso, é sempre importante não nos iludirmos com as eleições burguesas. No Brasil a maioria dos candidatos com chances de se eleger têm suas campanhas financiadas pelas grandes empresas, pelos bancos e latifúndios, e quando eleitos favorecem sempre esses setores durante seus mandatos. Naturalmente são sempre eles que conseguem uma campanha mais expressiva, maior tempo no horário político, etc. 
Precisamos constituir em nosso país um bloco de forças proletário e popular de caráter anti-imperialista, anti-monopolista e anti-latifundiário que seja capaz de chegar ao poder, poder que pelo seu próprio caráter significará um passo decisivo rumo ao socialismo. Nesse processo é fundamental a elevação do nível de consciência e organização do povo em seus locais de trabalho, estudo e moradia, e também é importante que as organizações políticas busquem uma atuação conjunta construindo uma frente de unidade popular. 
A atuação durante as eleições – embora não seja a central – não deve ser desprezada, pois é um momento onde é possível dialogar com as grandes massas do povo e apontar a necessidade de outro projeto de sociedade. Essa atuação é apenas uma tática dentro da estratégia maior de conquista do poder, e é importante que se dê através de candidaturas que estejam intimamente ligadas a luta e a organização popular, com mandatos subordinados a essas lutas e que jamais cedam às tentativas de cooptação permanentes por parte do poder dominante.
Publicado originalmente no JA no. VIII

Resumen diario de noticias del sitio CUBADEBATE


www.cubadebate.cu
Fecha: 2012-10-03

Concurso para arte da delegação brasileira para XX Brigada de Solidariedade a Cuba

Caros companheiros do movimento de solidariedade a Cuba,

Na oportunidade da realização da XX Brigada de Solidariedade a Cuba, na qual estamos organizando mais uma vez a delegação brasileira, estamos propondo a realização de um concurso solidário para elaboração da arte da camiseta, que vai representar os brasileiros nessa jornada internaciolista.

O tema da camiseta vai ser o mesmo da XX Brigada, ou seja, o 160º aniversário de nascimento de José Martí, mas também deve representar os dois países (Brasil e Cuba) e a integração entre eles. A arte será colorida e deverá ilustrar a frente, o verso e as mangas da camiseta.

Importante ressaltar que o concurso não vai ter nenhuma premiação pecuniária, apenas a chance de ter sua obra estampada em uma camiseta que vai percorrer Cuba e depois todo o território brasileiro, bem como a sua assinatura (crédito) identificada, que deverá ter até 4cm². Além disso, o vencedor se compromete a permitir o uso da arte pela Coordenação Nacional da Brigada e o movimento solidariedade a Cuba, dando, obviamente, os devidos créditos.

O prazo para entrega das propostas será até 2 de novembro. Serão aceitas inscrições de uma ou mais pessoas, brigadistas ou não. Não serão aceitas inscrições de pessos jurídicas. A arte será escolhida pela Coordenação Nacional da Brigada.

As imagens deverão ser produzidas em arquivo vetorial, com textos em curvas, tanto CorelDraw (até versão X3) ou Adobe Ilustrator (até versão CS3). Os arquivos que não estiverem com essas especificações serão desconsiderados. A arte deverá ser encaminhada para o e-mail solidarios.acjmsc@gmail.com.
 
 


Coordenação Nacional da Brigada
Edison Puente, Lilian Back e Alexandre Brandão





Brigada 2013 programação em portugues.docxBrigada 2013 programação em portugues.docx
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quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Declaración para la libertad de los Cinco






Cuban 5
                                  2012 composite
Cuban 5
                                  2012 composite



Comité Nacional para la Liberación de los Cinco Cubanos

Jueves, 27 sept., 2012
 250 personas asisten al Tribunal en Toronto
Activistas de sindicato, derecho y comunidad emiten declaración para la libertad de los Cinco
Después de varios meses de planificación por una coalición de activistas de la solidaridad con Cuba y otros movimientos del área de Toronto, 250 personas asistieron al Tribunal del Pueblo, con el tema de los Cinco Cubanos, en el Ayuntamiento de esta ciudad ubicada en el noreste de Canadá. Ahí escucharon testimonios al panel de Magistrados de Conciencia, por un impresionante grupo de testigos, acerca de la injusta e ilegal condena a los Cinco, protagonizado por el gobierno de EEUU contra Gerardo Hernández, Ramón Labañino, Antonio Guerrero, Fernando González, y René González. 

 Toronto
                                                    Composite

Con un foro de solidaridad por la tarde el viernes, 21 de sept., el Tribunal comenzó el sábado, y la declaración fue anunciado por el Principal Magistrado del Tribunal, Juan Carranza. El domingo, los conferencistas compartieron sus reportes sobre los esfuerzos a favor de la libertad de los Cinco. El domingo a la 1:00 pm, realizaron una protesta de mucho espíritu a través del consulado del gobierno estadounidense, cerca del ayuntamiento de Toronto.


Lea más abajo la lista de los testigos y los magistrados.


El siguiente es la declaración del Tribunal del Pueblo y la Asamblea:

Se convocó este Tribunal Popular en Toronto, a catorce años de la detención de Gerardo Hernández, Ramón Labañino, Antonio Guerrero, Fernando González Llort y René González en los Estados Unidos.

Después de considerar todas las pruebas presentadas ante este Tribunal de los Pueblos, emitimos el siguiente fallo:
1.    Las pruebas son abrumadoras y convincentes en cuanto a la actividad de los grupos terroristas en el sur de Florida, grupos que han planeado y ejecutado acciones terroristas contra el pueblo de Cuba durante décadas en contravención de la ley de EE.UU. y las leyes internacionales.
2.    Todo país tiene el derecho a defenderse y, en ese contexto, los Cinco actuaron de la manera menos acusatoria y violenta para prevenir actos de terrorismo sin participar en ningún acción contra la seguridad nacional de los Estados Unidos.
3.    Los EE.UU. no tomó ninguna medida para enjuiciar a los verdaderos terroristas del sur de Florida.
4.    Declaramos que hombres que intenten impedir pacíficamente el terrorismo no deberían estar en la cárcel.
5.    Este Tribunal Popular condena el trato cruel e injustificado de los Cinco durante su encarcelamiento.
6.    Hallamos que el proceso fue un acto político.
7.    Hallamos que no existían pruebas creíbles en contra de los Cinco que justifique una condena por conspiración para cometer espionaje.
8.    Hallamos que no existían pruebas creíbles contra Gerardo Hernández que justifique una condena por conspiración para cometer asesinato.
9.    Hallamos que el gobierno de EE.UU. se inmiscuyó en el juicio, gastando montos considerables en el pago a periodistas para ellos publicaran más de mil artículos propagandísticos en la prensa, televisión y radio, teniendo estos artículos el efecto inequívoco de incidir el resultado del proceso.
10. Hallamos que fue una evidente falta de razón el que la Corte denegara la moción de cambio de sede, a la luz de la intimidación del jurado y el ambiente generalizado de hostilidad contra los Cinco.
11. Por lo tanto, este Tribunal Popular concluye que los Cinco fueron detenidos injustamente, juzgados injustamente y condenado injustamente, lo todo en contravención de la legislación internacional y de los EE.UU, inclusive en contravención de la Constitución de los EE.UU. Este Tribunal Popular propone la anulación de las condenas, y que Gerardo Hernández, Ramón Labañino, Antonio Guerrero, Fernando González Llort y René González sean puestos en libertad inmediatamente, sin restricción alguna de su libertad.
12. En la alternativa, y en el interés de la justicia y de promover la curación, este Tribunal Popular propone que el Presidente de los Estados Unidos ejerza su prerrogativa de clemencia presidencial y permita que los Cinco regresen a casa.
Toronto
                                                          Organizers
Los organizadores del Tribunal, con Elizabeth Palmeiro y Adriana Pérez

El procedimiento del Tribunal
Ceremonia de apertura por Dakota Elliott
El resumen del Caso por nchamah miller

Magistrados de Conciencia
Juan Carranza, Principal Magistrado de Conciencia
Cindy Sheehan
Chris Levan
Denis Lemelin
Julian Rivas
Ken Neumann
Lee Maracle
Marie Clarke Walker
Miguel Barnet
Naveen Mehta
Saul Landau
Tony Woodley
Wes Elliott
William Sloan

Primera Sesión - El Contexto Histórico y Político
Introducción a la Sesión
- por Isaac Saney

Testigos Experto y Consejo Legal
Keith Bolender
Raymundo Navarro
Abelardo Paison Reyes
Livio Di Celmo
Arnold August

Segunda Sesión - Los Arrestos, el Juicio y las Condenas de los Cinco
Introducción a la Sesión -
por Zilpha Ellis



Testigos Experto y Consejo Legal
Richard Klugh
Stephen Kimber
Gloria La Riva

Tercera Sesión - Los Acontecimientos después del juicio
Introducción a la Sesión -
por Julio Fonseca

Testigos sobre el Impacto de las Injustas Condenas
Elizabeth Palmeiro
Adriana Pérez
José Pertierra
Alicia Jrapko

El Resumen por la Defensa
Richard Klugh

El Tribunal Llama a los Magistrados Deliberar y Concluir

La Lectura de la Declaración Final
Juan Carranza 


Comité Nacional para la Libertad de los Cinco Cubanos
Tel: 415-821-6545

 
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Gray 






Comprueban en Cuba eficacia del veneno de alacrán


(tomado de La Jornada)

La Habana, 28 de septiembre. Cuba presentó por primera vez en público dos casos de reducción de tumores cancerígenos y mejoría de la calidad de vida en pacientes que durante un periodo de su tratamiento sólo recibieron un medicamento de origen natural, extraído del veneno de alacrán.

“El uso de una solución natural de veneno del escorpión Rhopalurus junceus mejora la calidad de vida de los pacientes con tumores cerebrales, disminuye la lesión y es seguro”, informó la doctora Niudis Cruz Zamora, en un informe de i nvestigación al segundo congreso del Grupo Empresarial de Producciones Biofarmacéuticas y Químicas (Labiofam), que sesionó aquí esta semana.

Tras la aplicación del medicamento "no se reportó ninguna reacción adversa", señaló la doctora Cruz Zamora, especialista de primer grado en medicina integral.

Los casos son los de un niño y una niña que fueron atendidos en el hospital pediátrico Juan Manuel Márquez de La Habana, con tumores de tallo encefálico (un astrocitoma grado dos y un glioma difuso, respectivamente).

Esos casos "se consideran entre los más agresivos en la población pediátrica y tienen mal pronóstico", informó al auditorio la doctora Martha Caridad Ríos Castillo, especialista de segundo grado en neurocirugía, también ponente en el reporte.

Labiofam estudia la toxina, con la cual produce un medicamento homeopático. Desde hace una década su equipo médico atiende a paci entes de cáncer y ha informado de casos de supervivencia y! reducci ón del dolor al emplearse la sustancia junto con el tratamiento convencional.

Sin embargo, los médicos de Labiofam no habían reportado hasta ahora una experiencia en la cual se confirmara la reducción del tumor y una mejoría en la calidad de vida relacionadas con el empleo del veneno como único agente anticancerígeno durante un lapso del tratamiento.

Las especialistas que hablaron al congreso explicaron que el tipo de tumores de los casos de estudio representa entre un 10 y un 20 por ciento de los que afectan al sistema nervioso central en menores, en particular entre los seis y los 10 años de edad.

La sobrevida depende del lugar de la lesión. En el tallo cerebral el horizonte es de entre seis meses y un año a partir del diagnóstico. El tumor puede alcanzar un gran tamaño antes de producir los primeros síntomas, por lo cual el tratamiento suele aparecer en forma tardía.

De acuerdo con el informe, el primer caso es el de un niño de 5 años de edad con antecedentes de buena salud hasta mayo de 2011, cuando mostró dolores de cabeza, náuseas y vómitos.

Se le atendió como una meningoencefalitis viral y tuvo una ligera mejoría, pero luego empeoró. Se le internó en el hospital en septiembre de 2011. Estaba somnoliento, inestable y caminaba en zigzag. Se le descubrió el tumor e hidrocefalia. Recibió medicación para los efectos colaterales, dos meses de radioterapia y Cimaher (o Nimotuzumab, un anticuerpo monoclonal humanizado).

A lo largo del tratamiento, el niño tuvo diversas reacciones secundarias. Se le administró sólo el veneno de alacrán entre octubre de 2011 y abril de 2012.

Para observar su calidad de vida se usaron escalas que miden de cero a 100 el desempeño de un niño (Lansky) y el de un enfermo de cáncer (Karnofsky). En este caso, el paciente llegó con un Lansky de 30 (postrado en cama, requirió asistencia total) y un Karnofsk y de 50 (necesitó de gran atención en cama menos de la m! itad del día).

Ahora sus indicadores han subido a un Lansky de 70 (algo de tiempo para el juego, con restricciones) y un Karnofsky de 80 (actividad normal con esfuerzo, con síntomas de la enfermedad).

La medición del tumor, según los distintos cortes de observación, muestra disminuciones que en un caso llega a los 10 milímetros (de 32.4 a 22.1). En un video actual, el niño aparece con capacidad para seguir un objeto con la mirada, mover a voluntad los músculos faciales, con algo de fuerza en los brazos y puede caminar con ligeros desvíos.

Segundo caso
El segundo caso es el de una niña que llega al hospital con 11 años, en 2008. Está cansada, le falta fuerza, tiene dolores de cabeza y cae al caminar. La medicación para los colaterales es igual al caso anterior. Además, tiene dos meses de radioterapia y una única dosis de Nimotuzumab. Igual que el anterior, presenta reacciones secundarias. Se ha mantenido durante tres aF 1os solamente con la solución del Rhopalurus junceus.

Llega con un Lansky de 50 (postrada parte del tiempo, con algunas capacidades para valerse por sí misma) y un Karnofsky de 50 (requiere gran atención, en cama menos de la mitad del día). Sus indicadores actuales son de 100 en ambos casos (normal, sin señales de la enfermedad en las dos escalas).

En todos los cortes de observación del tumor hay disminuciones del tamaño, en un caso de 17.9 milímetros (de 45.1 a 27.2). En el video la niña aparece mostrando movimientos y reacciones normales. En el congreso también se presentaron informes sobre otros cinco pacientes de cáncer que mostraron mejorías con un tratamiento que incluyó la fórmula del veneno de alacrán en combinación con otras terapias.

Resumen diario de noticias del sitio CUBADEBATE


www.cubadebate.cu
Fecha: 2012-10-02

Hobsbawn: lições do mestre



Em meados dos anos noventa, Eric Hobsbawn esteve entre nós, no Brasil, para lançar seu livro A Era dos Extremos (Editora Schwarcz, 1994). Estávamos a poucos anos do fim do curto século XX, 1989, marcado pela queda do muro de Berlin. Testemunha da história que historiava o velho e bom mestre nos brindou com uma fina síntese dialética  e do que estava por vir: “Nós, socialistas, somos responsáveis por algo que não queríamos. Nós humanizamos o capitalismo quando nós queríamos destruí-lo”. Poderia haver melhor síntese do curto século XX? Não creio. A Revolução Russa que, segundo o mestre, iniciara o século abrira um período histórico de grandes esperanças e mobilizações em luta por transformações com justiça e igualdade sociais. Os Dez Dias que Abalaram o Mundo, expressão de John Reed o repórter que experimentou o calor dos acontecimentos daquela Revolução, projetaram de fato em todo o século a idéia de que era possível transformar o mundo, enfim, que a Revolução estava no horizonte histórico do possível.
O fim da 2ª Guerra consagrou, inclusive no plano geopolítico, uma bipolaridade onde o socialismo mostrava sua força impondo, até mesmo fora de suas fronteiras geográficas, condições de vida que humanizaram o capitalismo. O estado de bem estar social, que a democracia européia reivindica para si é, em grande parte, o resultado da ameaça real de uma transformação socialista no território da Europa Ocidental, como bem perceberam os estrategistas estadunidenses em sua iniciativa com o Plano Marshall. Bertolucci o percebeu com seu Novecento.
Eric Hobsbawn com sua fina análise dialética não só lia o passado presente como projetava o futuro quando nos alertava, na mesma ocasião, com uma pergunta à época ousada, sobretudo diante do clima de euforia que tomava conta dos ideólogos do fim da história, então e ainda agora, certos da vitória do capitalismo diante da queda do muro. Indagava Hobsbawn: “que será da humanidade quando o capitalismo já não mais teme o socialismo?”
A pergunta hoje já não parece delírio de um velho historiador rigoroso, mas posicionado diante das questões de seu tempo. A social democracia caiu junto com o muro e os 200 anos de história de luta dos pobres contra os ricos para conquistar direitos se tornaram nos últimos 20 anos a luta dos ricos contra os pobres para acabar com os direitos. A crise européia de hoje mostra sobejamente que deixado a si mesmo o capitalismo mostra toda sua face bárbara que, para nós latino-americanos, africanos e asiáticos não é nada novo, mas o é para os europeus.
Que os indignados se inspirem na dignidade desse intelectual e se transformem numa força política capaz de humanizar o mundo, tal como ele nos ajudou com suas análises e compromisso político.

Carlos Walter Porto-Gonçalves, 63 anos,
é professor da Universidade Federal Fluminense.