Por Marcela Cornelli, jornalista
"Esse crime, o crime sagrado de ser divergente, nós o cometeremos sempre". Pagu
A
Revista Pobres & Nojentas volta a circular pelas ruas de Desterro.
Irreverente já no nome, sem papas na língua e com muito conteúdo crítico
e de qualidade, ela se contrapõe, desde o seu nascimento em 2006, à
mídia burguesa e conservadora catarinense, que atua sob o monopólio da
RBS, afiliada da Rede Globo no Sul do Brasil.
Depois
de um ano interrompido o projeto, devido a questões financeiras – não e
fácil manter um projeto de mídia alternativa, principalmente porque
muitos criticam a mídia burguesa, mas poucos são os que apoiam
iniciativas que se contrapõem ao modelo do capital – a revista volta com
sua edição de número 28. As matérias dessa edição tratam da luta das
empregadas domésticas pelo reconhecimento de seus direitos trabalhistas,
da luta dos egípcios e dos chiapanecos no México para preservar sua
cultura, traz uma análise sobre Florianópolis em ano de eleição
municipal, denuncia o insaciável apetite da elite da Capital parar
privatizar espaços públicos e conta a história da criação de uma inédita
cooperativa de comunicação em Santa Catarina, a Cooperativa de Produção em Comunicação e Cultura.
A Pobres também traz duas crônicas e dois poemas, em edição dedicada
aos companheiros de luta Uby e Mosquito, falecidos em Florianópolis no
ano passado.
Assim como o Desacato, parceiro de muitas lutas, a Pobres & Nojentas vem mostrando
ser uma proposta de mídia alternativa em Santa Catarina que dá voz aos
empobrecidos e às comunidades que não são ouvidas pela mídia e/ou quando
são ouvidas, o são de forma pejorativa como se as pessoas que ali vivem
precisassem de caridade e não que são capazes de se organizarem e irem à
luta pelos seus direitos.
A
Pobres & Nojentas- Nojentas no sentido de quem não desiste nunca de
buscar vida boa e bela para todos, não é, como o próprio nome sugere,
uma mídia comercial. A Pobres é vendida de mãos em mãos, em uma
peregrinação pelas ruas de Florianópolis, e, em eventos nos quais a
equipe de jornalistas que a editam, todos voluntariamente, participam,
leva-se o seu nome. Graças ao apoio cultural do Sindprevs/SC, ela é
distribuída gratuitamente nas comunidades empobrecidas que participam
das suas reportagens. E não se obtém nenhum lucro com ela, toda renda da
venda é usada para editar o próximo número.
Foi
na antiga padaria Brasília, que hoje já não existe mais para
infelicidade de quem gostava de tomar um café e pão com ovo baratos no
centro da cidade, logo ali do lado da Praça XV, que as primeiras ideias
da Pobres nasceram das mãos de duas jornalistas e hoje editoras da
revista, Elaine Tavares e Míriam Santini de Abreu, e de um grupo de
amigas. Aos poucos, mais gentes foram se engajando no projeto. Foram
lindas as parcerias com o Desacato também, sempre em busca de mostrar o
outro lado da notícia, da informação, busca tão necessária para ajudar
na transformação social. A Pobres é uma revista de classe, escolheu um
lado na luta, o lado da classe trabalhadora, e a equipe que trabalha
nela são jornalistas que acreditam que o jornalismo deva ser libertário,
quebrando conceitos e abrindo caminhos para uma nova sociedade mais
justa e igualitária. Jornalistas que acreditam que, por suas mãos
entrelaçadas, podem ajudar a transformar a sociedade em que vivem. Que
sabem que o jornalismo não é e nem deve ser parcial, porque o jornalismo
da mídia burguesa também não o é. Jornalistas que entendem que sim, é
preciso checar fatos e ouvir as pessoas, mas mais que isso, além de
ouvi-las, deve-se ajudá-las a escreverem a sua própria história.
Muitos
foram os sonhos e projetos de vida que a Pobres nesse breve tempo de
vida ajudou a realizar. Foi com o apoio da Pobres que várias publicações
foram lançadas, através da Companhia dos Loucos, como: Porque é preciso
romper as cercas: do MST ao Jornalismo de Libertação, da jornalista
Elaine Tavares; Mulheres da Chico, de Catarina Francisca de Souza,
Daniele Braga Silveira, Janete Osvaldina Marques, Lídia Almeida, Maria
do Carmo Apolinário e Jussara Fátima dos Santos, a Sara; Seres do Bem –
retratos de viandantes, do jornalista Ricardo Casarini Muzy.; Uma Cidade
na Memória, do jornalista James Dadam e Jornalismo nas Margens – uma
reflexão sobre comunicação em comunidades empobrecidas, da jornalista
Elaine Tavares.
Agora
a Pobres está apoiando um novo projeto que contará a história de uma
adolescente que teve a vida ceifada pela anorexia, doença que muito
retrata o que a indústria da “beleza”criada pelo capitalismo está
fazendo com nossos jovens, meninos e meninas.
Muitos
foram os temas já trazidos pela Pobres como as denuncias sobre a
criação do Costão Golf no Santinho; a fata de direitos básicos na cidade
como moradia e saneamento básico; as lutas travadas contra o
capitalismo que explora e destrói nosso meio ambiente e elitiza cada vez
mais a cidade, expulsando os pobres dela. Trouxe reportagens desde a
América Latina, Cuba e as lutas dos povos. Retrata a realidade de uma
cidade vendida ao capital e que exclui seus filhos.
A
Pobres veio ironicamente para se contrapor às revistas do tipo “ricas e
famosas” , veio para contar a história de mulheres de verdade, de
mulheres de luta, lindas de corpo e alma. Está aí há seis anos trilhando
a estrada, tentando fazer a diferença na luta de classes, a favor da
classe trabalhadora.
Para
que este projeto possa continuar, agregar mais forças e efetivamente
fazer frente aos meios de comunicação burgueses ele precisa do seu
apoio.
Você pode conhecer mais o projeto pelo link na Internet do Portal Desacato: http://desacato.info/pobres-e-nojentas/
Para comprar e/ou assinar a revista e também ajudar a construir esse projeto entre em contato com a Pobres através do e-mail: eteia@gmx.net.
A revista é vendida também na banca da Praça VX, no valor de R$ 5,00.
Para assinar são 4 edições anuais no valor de R$ 25,00 reais (incluído as despesas com Correio).
Vamos seguindo de mãos dadas pelo caminho!
Porque para transformar é preciso lutar!
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